domingo, 25 de março de 2012

Second Call for papers - Seminário internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais" - São Tomé e Príncipe, 20-23 Agosto 2012

Second CALL FOR PAPERS (sorry for cross posting)

 

Seminário internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais" - São Tomé e Príncipe, 20-23 Agosto 2012

 

De 20 a 23 de Agosto de 2012, realizar-se-á em São Tomé e Príncipe o Seminário Internacional sob o tema "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais". Esta é uma iniciativa que resulta de anteriores momentos de reflexão, sendo uma parceria entre a Direcção-Geral do Ambiente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, o OBSERVARE, Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), a Universidade de Santiago de Compostela (USC), o Centro de Extensión Universitaria e Divulgación Ambiental de Galicia (CEIDA), a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental (NEREA) e a MARAPA (Mar, Ambiente e Pesca Artesanal).

 

As inscrições para participação com comunicação, em poster ou em oficinas estão abertas na página web do Seminário em http://climatechangestp2012.weebly.com pelo que a Organização convida todos os interessados a preencherem o formulário online ou a enviarem um mail para climatechangestp2012@gmail.com

 

Pela Comissão Organizadora,

Brígida Rocha Brito

quinta-feira, 15 de março de 2012

Faz hoje 7 anos...

Hoje é, supostamente, um dia importante na minha vida. Faz hoje precisamente 7 anos que prestei provas públicas de Doutoramento, quando as inscrições se faziam por 5 anos. Portei-me bem e cumpri o prazo, entreguei a tese um mês antes do prazo e esperei 9 longos meses pela defesa. Os membros do júri estavam deslocalizados entre o Alentejo (Universidade de Évora), Minho (Universidade de Braga) e Lisboa (Universidade Autónoma de Lisboa, Universidade Lusófona e ISCTE), sendo que alguns viajavam e nem sempre estavam em Portugal.
Foi, eventualmente, uma das melhores épocas da minha vida. Escolhi um tema prazenteiro - a relação entre o turismo ecológico e o desenvolvimento sustentável em África - e que, de facto, me deu muito mais prazer do que as angústias inerentes a este tipo de processos. O mais difícil acabou por ser o campo de estudo. Por razões que agora nem importa referir, todo o projecto foi elaborado a pensar em Moçambique, país que me inspirou para a problemática do turismo. Mas depois, por enredos intrincados, mantive o tema e emigrei para São Tomé, deixando Moçambique para outras núpcias.
Fiz um interregno na actividade pedagógica, que já fazia as minhas preferências, e voei para o arquipélago dos meus sonhos, onde o turismo era uma actividade que tinha tanto de irregular como de potencial. E por lá fiquei uma longa temporada que permitiu fazer de tudo um pouco. Fiz a pesquisa assente em estudos de caso combinados, privilegiando o turismo em espaço rural, as roças, recorri a actividades ecoturísticas informais e fiz muitas caminhadas, segui de perto (muito de perto) o Ilhéu das Rolas, ainda não Pestana mas Rotas d'África/Rotas do Café, e as acções de conservação de tartarugas marinhas. Conheci pessoas fantásticas com as quais ainda hoje mantenho contacto (e outras menos de quem nem me quero lembrar, o que não é nada de extraordinário e faz parte da vida), passei momentos muito agradáveis, andei por todo a ilha - a pé, de carro, de canoa e de lancha. Não apanhei paludismo (aliás, estranhamente nunca apanhei em nenhuma das Áfricas por onde tenho andado). Ri muito, chorei um pouco, angustiei-me qb, sonhei e criei expectativas, senti que a vida passava por mim sem eu a conseguir agarrar mas também a abracei vezes sem conta. Numa palavra, vivi. E não há nada mais importante do que isso.
Regressei a Lisboa quando dei a pesquisa por concluída. Mas fui sempre, até hoje, voltando às ilhas dos meus sonhos e que têm um lugar guardado no meu coração. Sem ter passado por tudo o que por lá vivi, não seria a pessoa que sou hoje. Ao voltar terminei a tese, preparei a defesa e três dias antes das provas públicas vivi o impensável. O aparelho de ar condicionado da sala incendiou-se enquanto falava para ninguém contando os minutos de forma a não ultrapassar o tempo regulamentar previsto para estas apresentações. O início de noite do dia 12 de Março foi passado primeiro a apagar o fogo e depois a respirar com uma máscara de oxigénio na boca numa ambulância dos bombeiros. No dia 15 de Março de 2005 lá fui até ao Auditório Afonso de Barros no ISCTE, a conversar com  meu Eu interior, acreditando que tudo estava a terminar. Uma fase que passava e o Mundo que se abria à minha frente.
A defesa correu bem (diria muito bem, mesmo). Depois da minha apresentação, como sempre com powerpoint que incluía esquemas, mapas e muitas fotografias, cumpriram-se os tempos de cada um (ainda eram tempos diferenciados para cada arguente), eu tentei defender-me o melhor que podia e sabia. Parece que bem. No final, nem realizei bem o que o Presidente do Júri queria dizer com "nota máxima por unanimidade" e menos ainda, o que o arguente principal (Professor Francisco Ramos) me dizia: "nos doutoramentos é comum os candidatos pensarem que com as provas públicas chegaram ao fim de um percurso. Mas o caminho começa aqui e agora, com mais responsabilidade e mais trabalho". Só percebi depois, quando fui buscar o certificado que a nota foi de facto máxima, não podia ser melhor, "distinção e louvor por unanimidade". E tenho vindo também a perceber o que é que o Professor Francisco Ramos queria dizer com "o caminho começa aqui e agora, com mais responsabilidade".
Faz hoje 7 anos, portanto, que a minha vida (re)começou, com menos tranquilidade e mais angústias, repleta de dúvidas existenciais que nem vale a pena materializar através da escrita. Faz hoje 7 anos que a vida nas ilhas dos meus sonhos foi ficando progressivamente mais longe de mim. Mas jamais longe do meu coração.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Livro - SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - UM PARAÍSO SEM RUMO" por José Simões



A apresentação do Livro "São Tomé e Príncipe - Um Paraíso sem rumo" de José Simões terá lugar na Casa da Beira Alta, no Porto, no próximo dia 18 de Fevereiro, pelas 16h. Um evento a não perder para quem estiver no Porto ou por lá perto. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal e esperança para 2012

O Natal é época de encontros e reencontros. É a altura ideal para parar um pouco e fazer um balanço sobre o que fomos durante o ano que finda, o que somos e o que queremos ser. É momento de ponderar e reflectir. É uma época de alegria e de esperança porque, para lá de tudo o mais, temos a oportunidade de nos tornarmos pessoas melhores, partilhando.

 

Feliz Natal e votos de um novo ano repleto de boas surpresas e de grandes realizações.

Brígida Rocha Brito

 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Rádio Jovem Bissau

Rádio Jovem
Guiné-Bissau
Bissau
Tel: 00245 553 77 98/664 44 23

A Rádio Jovem é um canal de características locais, alternativo, assumindo a responsabilidade e a missão pela prestação do serviço público a Juventude Guineense. Como objectivos centrais tem, no plano interno, fazer chegar a todo o país a informação e a realidade nacional em todos os domínios, participando na mudança da mentalidade juvenil.
No Plano externo, temos a ambição de levar o mais relevante do nosso quotidiano à diáspora guineense radicada nas 4 partes do Mundo e, com a ajuda imprescindível de todos, trazer a actualidade dessas nossas comunidades aos aqui residentes.
O Bairro de Cuntum foi escolhido para receber o centro emissor, instalando-se os primeiros estúdios na casa de Joaquim, arredores da cidade de Bissau após algumas obras de adaptação.
No dia 14 de Agosto de 2005 foi ao ar a primeira emissão da Rádio Jovem, com a duração excepcional de 6 horas.
Durante o período das emissões experimentais, que durou quase quatro meses, a RJ emitia cerca de doze horas diárias divididas em dois períodos, das Oito ao meio dia e das 16 as 22 horas, com intervalos obviamente.
Em 2006 a RJ assegurou um total de 16 horas por dia. Para além da música, maioritariamente Guineense e, mais ou menos largas, a outras músicas, portuguesa, brasileira, Antilhas, latino-americana, senegalesa, da Guiné Conakry e sobre tudo dos cinco países africanos da expressão portuguesa, a emissão da RJ tem uma forte vertente informativa e espaços orientados no sentido do debate, da interactividade, da cultura e do desporto.
A Rádio Jovem mantém ao longo da sua emissão vários espaços com informação Nacional, com destaque para o “Jornal das 21h00, o grande bloco informativo.
De segunda a sexta-feira, pelas 12h00 horas, a RJ emite, o “Jornal da Tarde”, espaço informativo Juvenil que inclui reportagens, além de ser o primeiro noticiário do dia, funciona como uma antevisão do que vai ser actualidade.
Destaque ainda para a informação não-diària, constituída por vários programas ao longo da semana, de interesse variado, como debates, documentários informativos e culturais, informação desportiva, etc.
- Para colmatar alguma dessas dificuldades, a Administração da Rádio Jovem da Guiné-Bissau vem por este meio dirigir esta carta ao Departamento de Administração da TMN.
- Tem como objectivo pedir uma criação de parcerias, no sentido de solicitar à Fundação, equipamentos necessários à Rádio para o melhor desempenho das suas funcionalidades, equipamentos como:

· Gerador
· Computadores
· Impressora
· Fotocopiadora
· Scanner
· Mesa de mistura
· Microfones
· Auscultadores
· Secretarias/Cadeiras
· Gravadores para reportagens
· Emissora
- A Rádio Jovem precisa dos equipamentos mencionados para puder trabalhar cada vez melhor contribuindo assim para o desenvolvimento do país, sendo que no caso do gerador, este ser de particular importância devido à constante falta de energia eléctrica que se verifica em Bissau e ter esse equipamento à disposição é fulcral.

Com os melhores cumprimentos

Braima Darame
O Director

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Prémio de LITERATURA AFRICANA

O prazo de candidatura ao PRÉMIO DE LITERATURA AFRICANA IMVF 2011 foi alargado até ao próximo dia 4 de Novembro.
Mais informações na página do Instituto Marquês de Valle Flôr

domingo, 30 de outubro de 2011

"A pessoa mentiu" ou apenas seremos pacóvios?


Pensar no que nos tem estado a acontecer neste Portugalzinho, que em tempos idos foi uma grande Nação, faz-me lembrar um episódio real. Há uns anos, num país africano que não vale a pena aqui e agora identificar, o então Presidente da República referia-se à Primeira-Ministra da época de forma desagradada com a seguinte frase: "a pessoa mentiu". Nunca chegou a referir o nome dela, apenas a mencionando como "a pessoa", fazendo pensar a quem ouvia que nem disso era merecedora. Na altura foi tema de conversa sem fim, explorado até à exaustão, porque a comunicação social publicitou a frase repetindo-a vezes sem conta e de forma legitimada, já que também ele reforçara a ideia por diversas vezes e sempre que era interpelado para comentar um determinado tema. A frase ficou-me na memória e sempre que me vou lembrando da expressão facial do dito senhor, em parte revoltada, em parte incrédula, dou comigo a sorrir. Hoje, ao ver as notícias, e tendo a campanha eleitoral ainda tão presente, dá-me vontade de repetir sem parar, para não me esquecer nunca mais: "a pessoa mentiu"!!!!. É que o que é pior de tudo aquilo que nos está a acontecer é que, efectivamente, "a pessoa mentiu"!!!! Pior, muito pior: quanto mais vamos andando para trás no tempo mais somos obrigados a despersonalizar as figuras e, apesar de tudo, a frase permanece: "a pessoa mentiu"!!!! Porque na verdade a pessoa não é uma mas muitas mais e não foi só uma que mentiu mas uma infinidade delas. E depois? Depois temos de reconhecer que não somos um povo de brandos costumes nem vivemos conformados com a nossa própria (des)sorte. Somos é uns pacóvios do pior!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Inscrições para o Congresso Internacional "As tendências Internacionais e a posição de Portugal"



Aproximam-se as datas do I Congresso Internacional do OBSERVARE. Toda a informação está disponível em http://observare.ual.pt/conference. Aí se pode ver:
 O programa pormenorizado (com relevo para as oito conferências em plenário, das quais uma só agora anunciada – a de Giuseppe Ammendola da New York University);
       O conjunto das parcerias académicas e dos patrocinadores;
As secções em pormenor (um total de 86 comunicações científicas);
A lista dos congressistas inscritos (com participantes vindos da Alemanha, da Argentina, do Brasil, de Espanha, dos Estados Unidos, da Finlândia e da Noruega).
Recordamos que as inscrições ainda estão em aberto até ao limite da capacidade das salas disponíveis. Basta preencher o formulário on line ou inscrever-se directamente na recepção do congresso.

The date of the 1st OBSERVARE International Conference is fast approaching. All information available at http://observare.ual.pt/conference, where you will be able to find out more about the following:
The detailed programme (with emphasis on the eight plenary conferences, one of which has now been announced – by Giuseppe Ammendola from New York University);
The number of academic partners and sponsors;
The sections in detail (a total of 86 scientific papers);
The list of registered delegates (with participants from Germany, Argentina, Brazil, Spain, USA, Finland and Norway).
We take the opportunity to remind you that registration is still open up to the capacity of the rooms. Simply fill out the online form or register directly at the reception of the Conference.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Faleceu a Prof. Luísa Cristovam

Faleceu esta noite a Prof. Maria Luísa Cristovam, pessoa de grande integridade, correcção e simpatia, que foi minha professora na licenciatura de Sociologia, tendo desempenhado também a função de Directora do curso. Será para sempre uma referência porque foi fundamental no meu percurso de aprendizagem da Sociologia. Depois passei a ser colega dela e continuou a ser uma referência porque, além de muito mais, nunca demarcou o facto de ter sido minha professora passando-me a tratar como igual, com um enorme respeito e valorizando-me em todos os momentos. Encontrei-a muitas e muitas vezes em momentos da vida quotidiana com a mesma simpatia de sempre.

Será recordada sempre!

O funeral realiza-se amanhã, estando desde hoje no final da tarde na Capela Agnus Dei, Rua de Cascais 208ª, em frente ao Cemitério de Alcabideche. A missa de corpo presente é amanhã, dia 16 de Agosto, pelas 14h30.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sobre “O Cruzeiro do Sul” de Olinda Beja

“O Cruzeiro do Sul” é o último livro de poesia da autoria de Olinda Beja, uma obra que tive o privilégio de ler antecipadamente por ter sido convidada a fazer a apresentação pública do livro em Lisboa, por ocasião do Encontro de Escritores Lusófonos. E depois do evento dei comigo vezes sem conta a relê-lo, deixando-me levar pelas palavras, conjugadas de forma ímpar, viajando até paragens tropicais e redescobrindo São Tomé e Príncipe, arquipélago que me é tão próximo e tão querido.

Este livro de Olinda Beja, tal como tem ocorrido com os anteriores, revela a emoção e o sentimento da autora que vive a poesia em cada verso, em cada palavra e em todas as ideias explicitamente apresentadas ou na forma subtil que apenas ela consegue.

O livro está organizado de forma muito coerente em três partes: “Travessia”; “Recados”; e “Exaltação do Amor”. Ao avançarmos na leitura, parte a parte, percebemos que existe um fio condutor que nos transporta, fazendo-nos viajar até ao Equador, orientados pelo Cruzeiro do Sul, essa mínima e magnífica constelação, tendo São Tomé e Príncipe como paisagem e enquadramento. Arquipélago marcado por uma carga simbólica, espaço de descoberta que também é de vivências e de lembranças que nos acompanham para sempre e que vamos reavivando e reconstruindo através das palavras felizes partilhadas pela autora.

“Travessias” ajudam-nos a despertar os sentidos: as referências a paisagens ambientais e práticas culturais, incluindo as mais ancestrais, rituais e danças, gastronomia e recursos naturais. O cacau e o café sempre presentes. Em “Recados” encontramos, de forma muito particular, a “sãotomensidade” referida desde o início de forma sábia e sentida. E, na “Exaltação do Amor” revemos o expoente máximo da enaltecimento dos sentidos e das emoções mais puras e completas na complementaridade entre a lua e a noite.

Este livro de poesia poderia bem ser um ícone turístico para São Tomé e Príncipe. Os elementos da Natureza destacam-se: o Ossobô; as frutas tropicais; as rosas de madeira e as de porcelana; os hibiscus e as acácias. Até a cobra preta...

O título “Cruzeiro do Sul”, escolhido sabiamente pela carga simbólica que encerra, faz-nos pensar, pelo menos, em duas ideias:

1) a profundidade, a imensidão e o mistério do céu, a beleza das constelações singularmente formadas e que tanto gostamos de contemplar e apreciar em noites límpidas;

2) o sentido da orientação que associamos a algumas estrelas e constelações que, pelo brilho e forma adquirem características próprias. Esta é a menor de todas as constelações do hemisfério sul mas, apesar disso, absolutamente notável. Historicamente, o Cruzeiro do Sul revestiu grande importância para os navegadores servindo de referência durante as viagens, sendo identificado como o ponto de orientação indicador do caminho para o sul.

Para o leitor, este livro representa uma viagem deslumbrante tanto a um destino único no Mundo onde os sentidos ficam despertos, como à interioridade de cada um, estimulando as emoções. O “Cruzeiro do Sul” acompanha-nos neste duplo sentido da viagem orientando o nosso caminho.

Pelo facto de ser um livro que desperta, deixando-nos alerta, recomendo a todos uma leitura cuidada e atenta das palavras sentidas da Olinda Beja. Boas viagens...!

domingo, 17 de abril de 2011

Uma questão de cidadania, ou de falta dela...

Passear na rua um cão à trela é uma tarefa que, nos dias que correm, se tem tornado num suplício. O meu cão é grande, pesa mais de 35 Kg, está bem alimentado, tem força e um infinito instinto de defesa, apesar de ser fácil de cativar, bastando duas palavras e uma festa para que ele se contorça de felicidade, demonstrando afeição. No reino dos humanos, faz amigos com facilidade, sendo mais duvidoso o relacionamento na classe dos canídeos. Gosta de qualquer cadela, desde que seja grande, não necessariamente do mesmo tamanho que ele tem mas de grande porte, e de cães que gostem de brincar sem exteriorizar animosidade, ou seja sem mostrar os dentes, eriçar o pelo ou rosnar. Diria até que o meu cão tem um certo génio, mas é, no geral, simpático e bom rapaz gostando muito de conviver. Não gosta de cães pequenos, independentemente do género e da raça, nem gere de forma tranquila os latidos estridentes característicos das raças de menor porte, sobretudo se estiverem soltos e lhe fizerem alguma investida em direcção à patas. Há quem não goste de festas no nariz, de beijos no cucuruto da cabeça ou de beliscadelas nos braços. O meu cão não gosta de investidas nas próprias patas e está no direito dele.

Moro num sítio quase ideal. Quase porque, além de um bom par de vizinhos intratáveis que arrastam as cadeiras em chão de pedra, a qualquer hora do dia ou da noite, sem se preocuparem com outros seres que até vivem ao lado, fazendo do esquema forma de vida mas considerando que tudo é possível até mesmo acumular lixo na garagem como se de carro se tratasse, têm duas semi-cadelas, tipo amostra mini de cão que, apesar de tudo, não investem no meu quando o vêem, o que traduz alguma consciência do risco. Mas são insuportáveis pelo som da voz atrás da porta quando nos sentem. Apesar da extrema parecença da voz entre a dona e as cadelas, que é fácil de controlar com um pequeno tambor que emite sons electrónicos e que herdei do meu sobrinho visto que ele já tem outros interesses. Parece um prédio de loucos, é verdade. Mas o suplício ultrapassa estes episódios que até parecem hilariantes. Por cá, qualquer um que se preze julga ter o direito, seja com semi-cães, seja com quase-leões, de andar com as simpatias soltas, o que permite um relacionamento algo tempestuoso com os que andam à trela. É sempre uma animação e não há dia em que, mesmo não procurando, não haja alguma situação menos amistosa, não só entre cães mas sobretudo entre donos.

Ontem foi um dia fantástico pelo qual há muito aguardava. Um casal que aqui não reside tem por hábito vir à praceta passear dois cães soltos, grosso modo com o tamanho do meu. Ontem ela veio sozinha com um dos cães, preto, daqueles que são uma doçura que arreganha a beiça e mostra os dentes ao mesmo tempo que rosna com o rabo enrolado para cima. Daquelas imagens que qualquer pessoa deseja ter antes de dormir. Lá lhe disse, do outro lado do passeio que era melhor prender o cão, apesar de, enquanto eu via os dentes arreganhados na minha direcção a menos de um metro de distância, ela me dizia com ar bem alternativo que “o meu cão não faz mal, o meu é muito zen”. O cão é zen...?! E ela é tresloucada e não tem noção do perigo. Só pode! O melhor foi que na véspera, 6ª feira, enquanto eu estive em Évora, por cá ela deu show e eu fiquei com pena de não ter assistido. Pois ela não mora aqui, mas como teima em passear o cão, que é seguramente uma simpatia apesar da maioria não perceber quanto, cruzou-se com o carteiro que fazia a entrega diária e atirou-se literalmente a ele. Quando um bocado chateado e receoso da dentição do cão, o pobre homem a interpelou para que o prendesse, a louca respondeu-lhe: “não me acha fofinha? Eu sou tão doce, acha que um cão meu iria ser agressivo? Ele é como eu, doce...”. Portanto, neste caso, não percebendo qual o interesse que isso possa ter, depreendo que ela é fofa e doce e que o cão, apesar de mostrar os dentes raivosos e de rosnar, até é muito zen... E depois não me digam que não é preciso ter uma paciência infinita para tudo isto...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sobre a difícil tarefa de avaliar...

Avaliar significa determinar o valor de, estimar, calcular. É, eventualmente, a parte mais difícil do meu trabalho, aquela em que tenho de ponderar as prestações de cada um, ter em consideração a forma de ser, de estar e de interagir no contexto de uma sala fechada onde, supostamente, estamos todos centrados e concentrados a reflectir e a debater sobre um tema. Mas não estamos sempre, infelizmente, e a primeira dificuldade reside precisamente neste ponto. O que está para lá da sala e do contexto, que faz parte de cada um e que, no geral, desconhecemos porque nos ultrapassa não é susceptível de ser objectivamente quantificável. Avaliar não é fácil, diria mesmo que é difícil por requerer muita reflexão em torno do momento. Sempre que avalio alguém, atribuindo-lhe uma quantificação, sinto-me em pleno processamento, é como se a forma verbal deixasse de ser o presente do indicativo para ser o gerúndio. É que, na verdade, estou durante algum tempo a reflectir e a amadurecer as ideias à volta dos processos, das formas, dos contextos e das pessoas que tenho à frente... Diria que estou avaliando...!!!!

domingo, 20 de março de 2011

Dia do Pai, com atraso...

Ontem passei por aqui de fugida. Apetecia-me falar contigo e, por isso, não te escrevi. Falámos longamente, de forma subentendida e tranquila, envolvidos pelo silêncio reconfortante de um final de tarde solarengo. Ontem foi um dos teus dias e foi bom rever-te através do pensamento, chamar-te para junto de mim, abraçar-te e dizer-te algo que tu bem sabes, espero: que gostava muito de ti, apesar de “seres tão feio”, que eras o “meu girassol”. Lembrei-me de como era reconfortante, em pequena, dizer “olha que vou chamar o meu pai”, como se fizesses parte de uma rede que me suportava e me dava segurança. Na verdade davas! Ainda continuas a dar e, por isso, tantas vezes me apetece voltar a dizer “olha que vou chamar o meu pai”. Lembro-me de ti todos os dias e, de quando em vez, chamo-te para junto de nós, para nos apaziguares e nos reconfortares porque, na verdade, fazes-nos uma falta inimaginável. Ontem foi Dia do Pai, e tu foste o melhor Pai de todos os Pais.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Notícias de Tombali, Guiné-Bissau


Recebo de Iemberem, região de Tombali, Guiné-Bissau, uma mensagem linda, magnífica, que me deixa nas nuvens e cheia de saudades de gente boa. Abubacar Serra (o meu colega, guia, tradutor e paciente professor de comer laranjas porque "se chimpanzé consegue tu também consegues"), a mulher (excelente anfitriã e cozinheira de mão cheia com petiscos renovados todos os dias) e João Brito e Faro, um homem que entende a vida como uma aventura. Por trás, o PROJECTO U'ANAN, Ecoturismo e Cidadania (IMVF e AD) que eu ajudei a "moldar" com um estudo sobre potencialidades e constrangimentos para a implementação do ecoturismo na região. Sinto-me madrinha deste projecto e uma vontade infinita de o visitar depois de concluído...
Porque por ali as comunicações não são fáceis, o Abubacar envia-me uma mensagem escrita numa grande folha, registada por uma máquina fotográfica e enviada pelo JBrito e Faro. A mensagem diz:
"Brigida, o seu estudo para implementação do turismo em Cantanhez já deu grande fruto. Hoje estamos recebendo todas as nacionalidades do mundo. Muita saudade, um abraço Abubacar Serra"

É, ou não é motivo para estar orgulhosa e cheia de felicidade?
Muitas saudades e grandes sucessos para todos os que ajudaram a definir novos caminhos :-)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS DA GUINÉ-BISSAU, por Adão Nhaga

NOTÍCIAS DA GUINÉ-BISSAU é o nome de um novo blog criado pelo guineense, e meu amigo, ADÃO NHAGA, no qual são analisados temas como a excisão feminina, o casamento precoce e alguns hábitos culturais ligado à Guiné-Bisssau, país magnífico.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

7 Djorson - Turismo responsável em Quinhamel (ARTISSAL e IMVF)



O Projecto "Ontunlan N'do Botôr" e o Complexo Turístico 7 Djorson serão divulgados no stand da Guiné-Bissau, durante a BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa, a decorrer entre os dias 23 e 27 de Fevereiro.

Projecto de TURISMO RESPONSÁVEL NA GUINÉ-BISSAU, Quinhamel, uma iniciativa da ARTISSAL e INSTITUTO MARQUÊS DE VALLE FLÔR

Que bom que é rever estas imagens, por mim registadas, e reviver os momentos aqui passados. Histórias sem fim com boas recordações :-)

Local a visitar por todos os que gostam de ambientes preservados, dotados de cultu
ras tradicionais e com comunidades cheias de Histórias interessantes.

c'est la vie...

“Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes não consigo arrumar tudo isso. (...) Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo...”

Herberto Hélder, Os Passos em volta. Ed. Assírio e Alvim, Lisboa, 1997: 9 cit por Eduardo Jorge Esperança

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Vergonha Nacional de um País que se diz a viver em Democracia

Hoje passou-se o impensável num País que se diz Democrático, modelo que poderia servir de exemplo para outros e que passou por várias fases menos consensuais para chegar até aqui. Hoje eu, e tantos outros eleitores, cidadãos deste pequeno País à beira-mar plantado, quis votar mas como segui o conselho e sugestão de quem nos governa, fui bloqueada por um cartão de cidadão que supostamente deveria ser facilitador mas que se revelou inoperante. Pior, tal como eu, milhares de cidadãos aderiram ao “cartão de cidadão”, o tal que é supostamente facilitador, e não foram avisados de que o número de eleitor mudava apenas por este simples facto: a adesão ao cartão. Pior ainda, foi criado um sistema junto às mesas de voto, também supostamente facilitador, de “Apoio ao Cidadão”, que indicaria as alterações do número de eleitor e, de forma associada, as mudanças de mesas e de locais de voto. Percebi naquele momento que deixei de ser “A” para passar a ser “B”. Não mudei de morada, não alterei nada na minha vida, mas mudei de cartão! Ou seja, fui obrigada a mudar de mesa e de escola. Votava na Parede, sempre aí votei desde que me lembro de ter começado a exercer o meu direito, e dever, de voto, um princípio de cidadania participativa que teoricamente me assiste. Mas a partir de hoje, e sabe-se lá até quando porque ninguém sabe garantir, passei a votar na Escola Primária do Murtal, também supostamente mais perto da minha residência, mas na prática mais distante... Lá fui, contrariada mas fui, ainda sem saber o que me aguardava: uma espera de 1h30 para saber qual era a mesa, visto que, por ter o tal “cartão facilitador”, vi a minha vida virada do avesso. Aguardei esse tempo porque queria mesmo votar, ao contrário de centenas de outros que não suportaram a espera num dia frio como o de hoje.

A razão para tal situação...?! Só uma: o sistema informático de apoio ao cidadão bloqueou a ninguém sabia resolver. Pior, o apoio prestado pela Comissão Nacional de Eleições às mesas de voto, por telefone, estava igualmente bloqueado, a rede telefónica não dava resposta e, ao que parece, o sistema não foi testado antecipadamente... O que se passou na minha freguesia foi geral em todo o País. Não é magnífico...?! Quer dizer, a nossa participação na vida pública é quase nenhuma. Já não nos auscultam através de referendo sobre temas importantes que mudam as nossas vidas, limitamo-nos a ser participativos em momentos pontuais que têm vindo a ser desvalorizados, a favor de uma abstenção crescente a um nível galopante. E, quando queremos votar, não podemos porque a mensagem que surge é a de “eleitor não identificado”. É anedótico ou não, num país que se diz tecnologicamente desenvolvido...?! Não é fantástico que queiramos votar e não possamos pelo simples facto de que os que criaram este modelo, alterando o anterior, mais básico mas muito mais eficaz, sejam os que boicotam a tentativa de democracia participativa, por si só já tão debilitada...?! Seria hilariante se não fosse assustadoramente pouco democrático!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Reflexão assustada a partir do caso Carlos Castro - Renato Seabra

O caso do Carlos Castro/Renato Seabra tem dado muito que falar, ler e pensar. Cada um faz a sua avaliação, seguramente superficial por só ter acesso a uma ínfima parte dos dados, e eu não sou mais nem menos do que todos os outros. Faço a minha, certa de que poderei estar a incorrer em erros sem fim e injustiças em catadupa. Tal como a maioria, sinto-me revoltada e angustiada com o que penso que poderá ter acontecido, a partir do que tenho lido e ouvido. Esta sensação é dupla, até. Por um lado, pelo sofrimento físico que muito provavelmente foi sentido e que é sempre resultado de violência extrema; por outro lado, porque aquela violência poderá, com alguma margem de certeza, ter sido motivada/estimulada por factores de extrema gravidade que, só por si, são também causadores de sofrimento psicológico e emocional. Para as coisas terem chegado a um cenário dantesco e atroz, as culpas foram com certeza de parte a parte, não havendo puros santos nem demónios.

As imagens que podemos criar e recriar a partir do que vamos lendo são terríficas e não há como dar volta a isso. Não se trata apenas de um homicídio mas sim do complemento da tortura. Tenho lido muito sobre o tema porque as razões que podem ter levado aquele jovem rapaz de 20 anos, cheio de sonhos e de projectos, com a cabeça envolta em ilusões, cometer uma atrocidade destas, repleta de pequenos pormenores, me fazem uma confusão sem fim.

Há que dizer que eu não gostava do Carlos Castro. Nunca gostei. Pior, a figura dele sempre me repugnou um pouco. Não pelas opções sexuais que tinha, porque isso era uma escolha pessoal com a qual não tenho que ver, nem opinar. Não sou defensora da homossexualidade mas, desde que cada um esteja no seu canto sem interferir com a vida alheia, no geral, não me incomoda. Conheço muitos homossexuais, alguns dos meus colegas são muito assumidos, outros menos e, desde que sejam organizados, tudo se passa de forma pacífica. Não gostava dele porque tinha uma imagem escorregadia, viscosa até. Se identificasse um animal com a sua figura, diria que era uma cobra. Os olhos pequenos e encovados, quase sem se verem e pouco expressivos, a forma sibilosa de falar e de estar, o andar ondulado. As cobras são, para mim, animais repugnantes e falsos. E também a atitude venenosa que vingou fazendo dele o rei do mexerico, do diz que disse, do boato muitas vezes infundado e pouco sério que denegria e deitava por terra uma vida construída. Lembro-me dele escrever como “Daniela” e sempre me fez confusão a escrita intriguista e pouco séria. E, ainda mais, a ideia de que aproveitava a fragilidade de algumas pessoas, que viam nele uma porta de entrada para chegar mais além, aliciando-as com um presente-futuro brilhante em troca de pequenos-grandes momentos de êxtase. Não gostava da imagem dele, nem do que ele representava, mas tenho pena da forma como passou para a outra dimensão. Não havia necessidade de tanto...

Também há que dizer que não conhecia o Renato Seabra, nem sequer segui o concurso da SIC, pelo que não me sinto influenciada por uma imagem, eventualmente positiva de bom rapaz, educado e tímido, que tivesse criado em torno dele. Do que posso perceber, não me parece que ele tenha agido bem, nem aproximando-se do Castro, esperando subir na vida e no mundo da moda, nem excedendo-se no comportamento final com actos selváticos. Pois não agiu. Aquilo não se faz a ninguém e também não há como contornar isso. Não teve o discernimento suficiente e necessário para lidar com um mundo ao qual, provavelmente, não pertencia, o da homossexualidade. Revelou imaturidade e incapacidade de virar as costas a uma situação que não lhe interessava, evitando assim males maiores. Mas, pensando que ele errou em muitas coisas, senão em todas mesmo, desde que conheceu o Castro, tenho uma pena infinita dele. Tenho pena porque tem apenas 20 anos e não estava preparado para enfrentar uma realidade de aliciamento e de sedução, na qual é fácil entrar mas tão difícil de gerir, e digerir... Porque estava certamente inebriado por uma vida que parecia excessivamente fácil mas que, na verdade, estava longe de ser real por implicar cobranças que, a nível sexual, são sempre difíceis e deixam marcas profundíssimas. Tenho pena porque, movido sabe-se lá porquê, seja uma emoção forte, um confronto com a desilusão e a vergonha, ou influenciado por químicos que tenha ingerido, com ou sem conhecimento, estragou a vida e nada mais, daqui para a frente, se aproximará daquilo que ele, um dia, sonhou. Pobre Renato!

Este caso não me tem saído da cabeça, essa é que é essa e faz-me pensar. Não me consigo desligar e dou comigo a viajar mentalmente até àquele cenário de horror, salpicado de malícia. Sem dúvida, que me assusta. Posso dizer, com alguma segurança, que não passarei por uma situação semelhante, com aqueles contornos, porque aquele não é o meu mundo e nunca o desejei. Mas de uma coisa tenho a certeza: a linha que separa a razoabilidade - em que se sabe de onde se vem e para onde se vai, por que caminhos e com que companhias - do estado de loucura - em que tudo passa a ser tão difuso que perdemos um pouco a consciência, podendo cometer actos impensáveis no estado de razoabilidade - é tão ténue que, o que amedronta, é não conseguirmos reconhecer e distinguir as situações, em determinados momentos, momentos-limite.

Todos nós já passámos por situações próximas do limite, ou do que pensamos ser. E, mal comparado, o caso do Renato recordou-me o que vivi em Moçambique, algures no ano de 1998. Foram momentos terríveis e algo inesperados, vivências indesejadas que deixaram marcas até hoje. Mas, apesar da complicação que envolvia quem comigo estava e na qual poderia ter sido enredada, eu consegui ter o discernimento e a razoabilidade para dizer: basta! E pensar que, em determinadas ocasiões, a vida se transforma sem pedirmos, sem nos darmos conta, de tal forma que, se não tivermos os pés bem assentes na terra, podemos passar a fasquia da razoabilidade e enlouquecermos, nem que seja por um minuto que marca a diferença. E que esse minuto pode acabar com a nossa vida... É assustador!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Malangatana em exposição em Almada

"A Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea" inaugurou 2 exposições, no dia 23 de Outubro: uma exposição inédita sobre o Arquitecto José Forjaz e outra dedicada à obra do artista plástico moçambicano Malangatana."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Mundo perdeu Malangatana















O Mundo ficou mais pobre.
O Mundo das Artes onde a Sensibilidade é rainha. O Mundo Lusófono ou do linguajar português, que nos aproxima e nos faz irmãos. O Mundo Africano das paisagens densas, dos cheiros fortes e da sensualidade dos olhares. O Mundo do Desenvolvimento tão esperado e desejado.
O Mundo perdeu um Homem bom, daqueles quase raros que com um olhar diz um milhão de palavras. Deixou obra, o que faz dele uma Grande Pessoa...!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ 2011 para TODOS, sem excepção!

Aos meus amigos desejo o melhor,
porque eles merecem, mais não seja por serem meus amigos!
Os amigos merecem este mundo e o outro, a Terra e o Céu, o Infinito e tudo o que seja.
Aos meus inimigos (não amigos) desejo tudo de bom,
porque se estiverem realizados e felizes "largam do meu pé",
passam a estar ocupados com a perpetuação da própria felicidade
e eu só tenho motivos para sentir a tranquilidade da paz de espírito!!!!
Aos que não são, ainda, uma coisa nem outra,
desejo que consigam alcançar o que mais desejam,
porque o futuro está em aberto e tudo é possível.
FELIZ 2011!!!!

Adeus 2010, Olá 2011!!!

2011 está a chegar e eu ansiosa pela sua chegada! Estou farta de 2010, é isso! 2011 só pode ser melhor!!! Na verdade, aconteceram-me coisas boas em 2010 e não foram tão poucas assim. Conheci pessoas interessantes. Reafirmei amizades. Conclui projectos, iniciei outros mas alguns ficaram pendentes. Mas também deixei fugir sentimentos porque não os quis agarrar, talvez não fossem suficientemente fortes e importantes. Deixei que amigos se afastassem, ou terei sido eu a fazê-lo. Perdi oportunidades porque não as soube ver... Acredito que 2011 será um ano de construção e de reafirmação. Não que saiba ler o futuro, não sei. Mas é esta a minha convicção: será um ano de possibilidades, de abertura, de concretização e de sedimentação de tudo o que foi começado. Basta que façamos alguma coisa nesse sentido, que nos esforcemos só um bocadinho, sem excessos mas com a consciência de que, não podendo mudar o Mundo, podemos melhorá-lo. Na Vida, nada é dado, tudo é construído e nós somos todos um bocadinho construtores, temos um não sei o quê de arquitectos, conseguimos partir paredes, reconstruí-las e pintá-las, conseguimos mudar uma lâmpada e tanto mais porque, na verdade, temos qualquer coisa de obreiros do futuro. A 2011!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É Natal... É Natal!!!!

É Natal, uma vez mais. De novo, chegamos ao final de um ano e tudo se repete, ou quase tudo. Passo a passo: a compra dos presentes a pensar em cada um; os preparativos para a consoada; a mesa de Natal com tudo o que é preciso e faz falta, ou talvez não faça mas nós achamos que sim; as luzes e o brilho que procuramos encontrar; a alegria no rosto só porque estamos no Natal; e tanto, tanto mais. Só que nem sempre é assim. A fase da infância e da adolescência passou e com ela uma parte do encanto do Natal, da magia, do sonho. Outra parte ficou porque nós queremos, porque fazemos de tudo para sentirmos aquele "não sei bem o quê" tão necessário para reavivarmos alguma inocência que se foi perdendo. Só que nem tudo depende de nós. Nem no Natal, nem no resto da vida. E, quando o deslumbramento se perde, ou se esconde, dá vontade de perguntar a algumas pessoas, algumas que estão tão perto de nós: afinal, o que é para ti o Natal? É que, para mim, é partilha e encontro, sentimento e compreensão, afecto e demonstração, preocupação e reconhecimento. É luz, é brilho. É carinho e amizade, transforma-se em tolerância e aceitação. Mas é sobretudo presença. É reunião e reencontro. E só assim o Natal faz sentido. De resto é folclore, festa sem fim, carnaval de sentimentos não sentidos, oportunismo pelo deslumbramento de embrulhos com grandes laçarotes...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

JANUS.NET - e-journal of International Relations

Foi apresentada publicamente a Revista científica JANUS.NET, e-journal of International Relations.
O acesso é exclusivamente feito on line, sendo integralmente gratuito. A edição é semestral e conta com Artigos científicos, Notas e Reflexões, e Recensões Críticas.
O acesso faz-se através de PÁGINA DA REVISTA JANUS.NET
O primeiro número (Outono de 2010) conta com os seguintes contributos:

Artigos
1. Immanuel Wallerstein – Ecologia versus Direitos de Propriedade: a terra na economia-mundo capitalista

2. Miguel Santos Neves – Paradiplomacia, Regiões do Conhecimento e a consolidação do "Soft Power"

3. Luís Tomé - Segurança e Complexo de Segurança: conceitos operacionais

4. António Oliveira – O emprego do instrumento militar na resolução de conflitos: um paradigma em mudança

5. José Rebelo - Os grandes Grupos de Informação e de Comunicação no Mundo

6. Pedro Veiga e Marta Dias – A governação da Internet

7. Francisco Rui Cádima – Televisões globais, História única

8. João Ferrão – Pôr Portugal no Mapa

Notas e Reflexões
1. Luís Moita – O conceito de configuração internacional

2. Nancy Gomes - O papel de Portugal nas relações Euro – Latinoamericanas

3. Brígida Rocha Brito - Hard, Soft ou Smart Power: discussão conceptual ou definição estratégica?

Recensões Críticas
1. Noya, Javier (2007). Diplomacia Pública para el siglo XXI. La gestión de la imagen exterior y la opinión pública internacional. Madrid: Ariel: 469 pp – por Marco António Baptista Martins

2. Valladares, Rafael (2010). A conquista de Lisboa — Violência militar e comunidade política em Portugal, 1578-1583. Lisboa: Texto Editores: 332 pp. ISBN 978-972-47-4111-6 (Tradução Manuel Gonçalves) – por João Maria Mendes

3. SAVIANO, Roberto (2008). Gomorra. Infiltrado no Império Económico da Máfia Napolitana, Caderno, 2008, Lisboa, 3ª. Ed.: 351 pp – por René Tapia Ormazábal

domingo, 31 de outubro de 2010

Projecto MAMA AFRICA STP

O projecto Mama Africa STP oferece malas/sacos, roupa de criança e de homem, artigos de decoração e espera-se ainda mais. Vale a pena ver e divulgar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Biodiversity Video

Official video of the International Year of Biodiversity 2010

The Majestic Plastic Bag - A Mockumentary

National Geographic Survey 2010

Uma vez mais, este ano participei na avaliação de destinos turísticos promovida pela National Geographic Traveler, sob coordenação do Prof. Jonathan B. Tourtellot.

A avaliação, bem como a lista de peritos convidados está já disponível on line e será editada em papel no número de Novembro-Dezembro de 2010, que tem a capa anexa.

Este ano foram avaliados 99 destinos turísticos costeiros em todo o Mundo.

Em África, foram classificados com:

- “Top rated”: Namíbia, na costa Skeleton (75)

- “Doing well”: a costa norte de Moçambique, Cabo Delgado e Quirimbas (69); Seychelles (66)

- “In the balance”: Maurícias (62); Tanzania na costa Swahili (61)

- “Facing problems”: África do Sul, na costa KwaZulu-Natal (52); Kenya, de Mombaça a Malindi (50)

- “Bottom rated”: Costa Atlântica da Gambia (45); Egypt na zona de Sharm el Sheikh (38)

Para ler a INTRODUÇÃO e para consultar o Painel de Peritos

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Padre Zé, um Amigo para Sempre

O Padre Zé foi um Homem BOM. Um Amigo dos grandes, incondicional, dos que rareiam nos dias que correm. Foi mais do que irmão dos meus pais, mais do que meu tio ou avô. Foi conselheiro e bom ouvinte. Foi protector e apaziguador das dores de alma. Foi incansável dentro do seu próprio cansaço. Foi referência de bondade, foi exemplo de vida. Ficará para sempre no meu coração. Viveu 90 anos em consciência. Viveu bem a fazer o que mais gostava: ajudar, apoiar, fortalecer. Deixou-nos no dia 4 de Outubro partindo ao encontro dos ideais em que sempre acreditou.


Hoje, durante a missa, cantou-se assim e recordou-se tempos de escuteiros, dos fogos de conselho e de muito mais. Memórias, lembranças, recordações, o que seja...

São dias que passam (Hélder Ribeiro/ Judy Collins)
"São dias que passam, são horas que vão, são lábios que cantam, são mãos que se dão e deixam saudades de não ser assim, toda a vida a vida de agora.
É tempo, é tempo de aprender a ser, subindo por dentro e sempre a crescer, pisando caminhos, esquecendo talvez o deserto de ontem sozinho.
Tudo quanto penso, tudo quanto sou, é grande, é imenso, é tudo o que dou, e ao dá-lo recebo e fico maior do que sou quando me nego.
Criança era outro, cresci e esqueci a aposta da vida, ganhei e perdi, o risco me trouxe até ao que sou, nunca basta a vida que foi"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TURISMO EM ESPAÇO LUSÓFONO. ENTREVISTA

O tema do LUSOFONIAS do passado sábado (25 de Setembro) foi o TURISMO EM ESPAÇO LUSÓFONO e eu fui a entrevistada convidada. Foi bom rever e "refalar" sobre um tema que me é tão querido e que conheço tão bem :-)
Para quem quiser ouvir a entrevista gravada e que seguiu a conclusão do Projecto "O impacto do turismo no desenvolvimento comu
nitário em África", sigam o link e seleccionem o dia 25 de Setembro.

Um programa que pela rádio visa unir os povos e as culturas que se expressam em português. Produzido pela Fundação Evangelização e Culturas em parceria com a Rádio SIM, conta semanalmente com a crónica do Pe. Tony Neves, Missionário Espiritano, com o apontamento "Em Poucas Palavras" durante o qual um convidado reflecte um tema da actualidade, com as crónicas de jornalistas de vários países lusófonos e ainda com a presença de um convidado em estúdio, para uma entrevista de fundo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ao meu Pai

Há datas para viver, lembrar e esquecer.
Hoje faz 14 anos que partiste. Fazes-nos falta. Todos os dias...!!!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em Cambridge

E a Cambridge vim ter depois de uma viagem atribulada e longa. Sim... estamos na União Europeia e no Mundo Desenvolvido mas também aqui nem tudo é fácil, sempre. A cidade é bonita, verde, habitada por seres diversos, entre os quais aves de cores e feitios diferentes, esquilos e tanto mais. A arquitectura é magnífica, antiga e bem reabilitada. Tudo aqui parece fazer sentido e portanto preserva-se. Não sei como é a vida académica mas a avaliar pelo número de Colleges e espaços verdes circundantes, só pode ser boa. Estudar aqui deve ser bom, até me dá vontade de voltar a estudar. Tudo, ou quase tudo, se faz a pensar nos estudantes e no tempo que aqui passam. A prová-lo a Conferência Internacional onde vim participar. Os estudantes estão em peso, fazem perguntas, interpelam os palestrantes e participam mais do que em corpo em mente. Todos os que já não são estudantes observam o rumo das actividades sentindo que foram aceites mas que não são o objectivo principal da reunião. O saber faz-se com eles, os que achamos normalmente que menos sabem. E assim se vai fazendo ciência, aceitando interpelações, trocando ideias e sugestões num sistema de ensino, apesar de tudo, mais aberto do que o nosso.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

INFORMAÇÃO - DEFESA DA TESE DE DOUTORAMENTO DE EUGÉNIO DA COSTA ALMEIDA

Por motivos de saúde, a defesa da tese do Eugénio da Costa Almeida, agendada para amanhã, 29 de Abril, pelas 15h no ISCSP, foi adiada. Oportunamente será indicada nova data.
Votos de rápidas melhoras, Eugénio "Pululu"

domingo, 11 de abril de 2010

Luanda: impressões, parte II

A vida na maior parte da cidade de Luanda pode revelar uma infinita capacidade de sobrevivênciam e de adaptação à adversidade. Não na Luanda rica, na outra, a que claramente é dominante.

A rica Luanda é limpa e bem parecida, podendo fazer imagem de postal tuístico, senão agora, daqui a uns anos. Não faz porque oficialmente não se podem tirar fotografias a monumentos, pessoas ou paisagens, só à socapa é que se vão registando algumas imagens. Não entendo porquê, afinal a magnífica baía de Luanda e a Avenida Marginal poderiam representar o ex-libris angolano vocacionado para o turismo em meio urbano, ou de negócios. O património de traçado colonial tem vindo a perder-se, ao que soube. Pena, penso eu, já que os edifícios são de extrema beleza e o passado, bem ou mal recordado, faz parte da História de cada um, e de todos em conjunto, e não se deve renegar. Os condomínios fechados de luxo proliferam dando a sensação de que aqui o dinheiro se multiplica. O Centro Comercial na entrada da cidade dá conta disso: lojas estrangeiras de marca registada; restaurantes com esplanada; cinemas com estreias europeias; parque de estacionamento vigiado com guarda e pago. Na Luanda rica sonha-se e tem-se a sensação de que os sonhos são concretrizados. Tudo é possível: ter casa com piscina e court de ténis, segurança 24h por dia, toda a espécie de mordomias. A vida é um luxo e tem de ser bem aproveitada. Só que não é para todos, não pode ser porque se todos tivessem acesso deixaria de ser a cidade mais cara do mundo, ainda mais do que Tóquio. Como poderá ser, pergunto-me depois de ter uma panorâmica geral. E não é preciso andar por cá muito tempo para perceber como tudo funciona.

Na Luanda pobre, o lixo abunda, reproduz-se com uma enorme facilidade, aparece em qualquer local, está em toda a parte. É de todas as formas e feitios, misturam-se plásticos e latas com papel, matéria orgânica e indiferenciados, lodo e resíduos animais e humanos. Há de tudo um pouco. As pessoas convivem com os lixos com a maior normalidade. Fazem parte da vida uns dos outros como se fossem indissociáveis. As vendeiras, quitandeiras ou zungueiras, montam as suas pequenas bancas junto de amontoados de lixo, fazendo pequenas ou grande lixeiras, dependendo dos casos. As pessoas que por ali passam, e são muitas, parecem milhares num vai e vem sem parar, compram uma maçã, um alguidar, uns chinelos. O que houver. E há de tudo porque em Luanda tudo se vende e de tudo se compra.

As diferenças são abissais: os ricos são muito ricos e os pobres, mais do que isso, são miseráveis. Aqui percebe-se o que é viver abaixo do limiar da pobreza. Mais do que a análise dos relatórios e dos indicadores oficiais, uma incursão à Luanda pobre é uma experiência enriquecedora por se conseguir avaliar o quanto é dura esta realidade. Pior do que não ter o mínimo para viver, é conviver com lixeiras, nelas brincar e chapinhar em poças lamacentas porque dá para refrescar, desatolar um carro que ficou enterrado no lodo, quase submerso, e depois lavar as pernas e os pés lamacentos numa poça de água verde, com resíduos e seguramente carregada de bactérias e fungos, mas sentir a aliviada sensação de estar limpo de novo. Esta é uma experiência dura: contactar com a pobreza conformada e sem esperança. Por muita vontade que se tenha em contribuir para a mudança, porque se está descontente com a forma de vida, a resposta é sempre a mesma: para quê? Só eu penso assim, não vale a pena. E assim tudo permanece. O trabalho não permite ganhar a vida, só sobreviver, as crianças vivem como os pais viveram, eventualmente com menos até.

Ontem, num dos bairros de Luanda pobre, enquanto por lá andei fui falando com mulheres, crianças e alguns homens, Fotografiei-os e fez-se festa. A alegria era comum a quase todos porque o dia era diferente dos anteriores e dos que se seguem, mas também porque lhes chegou um pouco de vaidade e orgulho quando os deixei ver o quanto são bonitos e sorridentes. Foi um dos momentos raros em que alguém de fora os visita, fotografa e acarinha. Tudo corria bem para eles até que um dos mais velhos decidiu que o fim da festa tinha chegado e pegou num chinelo encarnado que, como outro qualquer objecto coersivo, resultou na perfeição dispersando os mais novos. Sim, estes conhecem o peso do chinelo e a sensação do impacto da borracha na carne. Ainda chegou a tocar em alguns mas seria certamente mais incisivo se eu não tivesse intervido. Tinha sido ele quem tinha pedido as primeiras fotos e ficara orgulhoso de si mesmo quando se viu e pediu mais. Porque não teriam os outros direito a uma foto e a ser vaidosos? Sorriu e de forma condescendente respondeu: só mais uma, então. E assim foi. Percebi depois que estava num dos locais com maior índice de criminalidade da cidade, eventualmente do país. Todos me olhavam com ar de curiosidade acrescida mas, apesar das intensas recomendações, não senti animosidade por parte de ninguém.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Luanda: impressões, parte I

Em Luanda oiço as notícias sobre o mais recente golpe de Estado na Guiné-Bissau, depois de ter recebido um sms de um amigo dando conta de mais uma crise. De novo a instabilidade que regressa àquele pequeno país africano, tão rico em gentes e culturas, tão pobre em recursos. Tão vulnerável a esquemas paralelos e não formais.

A vida em África é dura, penso nisso sempre que lá estou. A Guiné-Bissau parece ser um laboratório vivo de dificuldades e dureza, como se fosse necessário provar uma vez mais a capacidade de resistência. Pois se alguém tem dúvidas, pode ficar tranquilo. A população da Guiné-Bissau é resistente, aguenta fundo quase tudo e merece ter paz, nem que seja por tudo o que já passou.

Em Luanda a vida também é dura, difícil, repleta de problemas e constrangimentos, mas a aparente estabilidade político-governativa parece aliviar, superficialmente, as dificuldades do dia-a-dia. Pelo menos adormece-as. A vida também se faz de esquemas, trocas e baldrocas, mas os níveis são diferentes, superiores, inflaccionados. E quem se conseguir mover nos círculos certos e no momento oportuno consegue passar à frente e avançar na vida. Quem não consegue fica para trás... muito para trás, esquecido, como se não existisse ou fosse um ser de outro planeta bem distante. É duro viver de forma bloqueada, para alguns sem esperança, porque o futuro não chega, fica lá mais à frente num apeadeiro qualquer onde o comboio não pára. Nos bairros periféricos não há futuro, só presente e passado. O passado foi melhor do que o presente. A vida não se faz fácil e a fé esmorece abrindo caminho para novos cultos, ou quem sabe os mesmos mas com novas formas e diferentes protagonistas. Tudo vale para fazer passar uma fé em troca de um contributo sob a forma de dízimo, umas vezes mais e outras menos, mas proporcional ao rendimento anual do crente. As igrejas proliferam, são de todas as formas e feitios, sempre atentas às fragilidades de uns ou de outros. Até é pouco justo que seja nas situações de maior insegurança ou desconforto que os novos mentores de uma fé desmontável surjam como salvadores, mas aposta-se na crença de que fica garantido um lugar de paz na passagem para uma outra vida qualquer...

terça-feira, 23 de março de 2010

Reflexões partilhadas

A apresentação pública do livro teve sala cheia. Foi bom rever alunos actuais e anteriores, colegas de hoje, de ontem e de sempre, familiares e amigos. Foi bom ter-vos por perto num dia tão importante. Obrigada a todos os que presencialmente partilharam este dia comigo e aos que, não podendo estar por ali, se lembraram e torceram para tudo correr pelo melhor. Correu!

Para todos os que se interessam pelo desenvolvimento local, o livro continua disponível na Livraria Barata, na Av. de Roma, 11A em Lisboa.

Lançamento do Livro "Abrindo Trilhos. Tecendo Redes"

Professor Luís Moita (Autor do Prefácio do livro e Director do Departamento de Relações Internacionais da UAL), Prof. Clara Carvalho (Presidente do CEA/ISCTE-IUL), Brígida Rocha Brito (coordenadora)

Os organizadores do livro: Brígida Rocha Brito (coordenadora), Joaquim Ramos Pinto e Nuno Alarcão

Foi ontem, dia 22 de Março, no final da tarde que o evento teve início: a Prof. Clara Carvalho, Presidente do Centro de Estudos Africanos (CEA/ISCTE-IUL) fez a apresentação inicial, muito elogiosa. Depois, o Professor Luís Moita teceu considerações sobre o desenvolvimento local, a pertinência do livro e os autores. Por fim, eu contei a "história" do livro: como surgiu, porquê e para quem. A sessão terminou com os autógrafos. Tudo no enquadramento fantástico da Livraria Barata, um ícone do estudo e do saber em Ciências Sociais. A sala estava cheia. Foi magnífico!

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...