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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2006

Vida na TABANCA (TABANKA), Calequisse, Março 2006

Onde a água escasseia, a vida faz-se à volta do poço
Tabanca com telhado de palha
Tabança com telhado de zinco

Guiné Bissau: quinta parte

O trabalho começou de imediato, o que foi bom. Afinal era mesmo para isso que eu ali estava. O ritmo foi intenso, não dando grande margem para parar e pensar, a não ser à noite após o jantar quando ficava na conversa com a Didi. Todos os que estavam envolvidos nesta fase do estudo, o trabalho de campo, corresponderam ao máximo das minhas expectativas, o que me deixou surpreendida, no bom sentido do termo entenda-se. Posso até dizer que por ter percebido que o envolvimento de todos era grande, bem como a vontade de atingir os objectivos que eu lhes propusera, aproveitei todas as potencialidades do “meu grupo”. Encontrei pessoas interessadas e interessantes, disponíveis, sempre prontas a cumprir com as metas e a ultrapassar as dificuldades que iam surgindo. A frase que mais se ouvia e que passou a lema foi “não tem problema”, e na verdade era mesmo assim que eles pensavam, tudo tem uma solução. Trabalhei com o Leandro e o Armando, o Adelino e o Simôncio, o Flaviano e o Neto. A todos fic…

Guiné Bissau: Quarta Parte

A chegada ao Canchungo fez-se no final da tarde de domingo. A primeira impressão foi de estranheza: afinal aquilo que mais me parecia um povoado alargado era mesmo uma cidade. Só podia ser pelo número de habitantes porque no que toca às infraestruturas, tanto de acolhimento como de apoio, ou de ligação, aquele espaço estava a anos luz de ser urbano. Já vi muitas cidades em África, com características muito diferentes mas aquela era de facto diferentes. A estrada de acesso era “picada”, com tantos acidentes de relevo quanto a que ligava a cidade a Bula, talvez até tivesse mais altos e baixos, devido ao trânsito excessivo associado aos efeitos das chuvas.Uma das primeiras imagens que retive, e que ainda guardo por ser impossível de esquecer, foi a dos abutres, claro. Ali estavam eles em quantidade, para não fugir à regra, só que em vez de sobrevoarem as ruas, estavam tranquilamente pousados em cima dos telhados, mirando o que se passava apenas uns metros abaixo dos seus bicos. Espertos,…

Canchungo, Guiné Bissau

A entrada da "Cooperativa Agro-Pecuária dos Jovens Quadros do Canchungo", que me acolheu, Guiné Bissau, Março 2006
A estrada que me ligava ao Canchungo, Guiné Bissau, Março 2006
A Casa da Didi e do Leandro, Canchungo, Guiné Bissau, Março 2006

Guiné Bissau: Terceira Parte

E o Norte esperava-me pelo que me pus a caminho. A estrada é maioritariamente de terra batida, "picada", estreita e acidentada, dando uma ideia muito próxima de se estar numa montanha russa. A paisagem é bonita mas revela dureza, evidenciada pelo solo ressequido e pela vegetação intercalada, nem sempre densa. Diria mesmo muito pouco densa. As árvores com que me fui cruzando eram imensas, de tronco larguíssimo e comprido mas com pouca folhagem, encontrando-se muitos embondeiros, ali chamados de "cabaceiras", e muitos "poilão" (a ocá santomeense). O que vi, e que mais me deslumbrou durante a viagem até ao Canchungo, foram os pássaros, que sobrevoavam o ar, mesmo à frente do carro. Nós quase chocávamos com eles que de forma espedita provocavam o condutor, pondo à prova a sua falta de paciência para com algumas coisas simples, respondendo ao esvoaçar com aceleradelas repentinas e sem razão de ser que, se não estivesse atenta, quase me projectavam para o vidro.…

I Simpósio Lusófono de Educação Ambiental

Por favor divulgue e participe:
I Simpósio Lusófono de Educação Ambiental

Tardes dos dias 06 e 07 de Abril de 2006 Inicia, o que se pretende que seja uma série de encontros, onde representantes de países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor Leste) e Galiza têm a oportunidade de discutir estratégias comuns e aproximações para implantação de políticas nacionais de educação ambiental e de programas de cooperação.
Programa:
06.abril 14:30H – 18:30H
Facilitação: Joaquim Ramos Pinto (Portugal), Pablo Meira (Galiza) & Michèle Sato (Brasil)Abertura com entidades oficiais da CPLP Luis Chainho – Ministério do Ambiente de Portugal
“A Educação Ambiental como Factor de Aproximação na CPLP” Marcos Sorrentino – Órgão Gestor de Educação Ambiental do MMA Brasil
“A Comunidade de Países de Língua Portuguesa enfrentando as questões ambientais planetárias” Mesa 1 Antônio Fernando Guerra
“Pesquisas em Educação Ambiental nas identi…

Guiné Bissau: Segunda Parte

A chegada a Bissau, após o segundo voo, fez-se de forma tranquila, se é que isso é possível depois do muito stress vivido no dia anterior. O ar estava mais limpo o que representava uma maior visibilidade, se bem que a poeira ainda permanecesse. O calor começou de imediato a fazer-se sentir e o meu dia estava longe de acabar. À chegada encontro um novo aeroporto, Osvaldo Vieira. Há que não esquecer que não ia à Guiné Bissau desde Abril de 1996, ou seja há 10 anos e a minha vontade de ver coisas novas ou melhoradas era muito grande. Costuma dizer-se que a esperança é a última a morrer e é bem verdade!Depois de uma passagem na fronteira para carimbar o passaporte, com o inacreditável pedido de “uma ajuda” acompanhado de um sorriso, e da demora na recolha das bagagens, saímos e combinámos os procedimentos seguintes: trocar dinheiro; comprar um cartão de telemóvel de uma das redes locais, no caso Areeba por ser a que me disseram ter maior cobertura no norte; munir-me de águas suficientes p…

Guiné Bissau: Primeira Parte

A verdade é que esta viagem não tinha de correr bem. Talvez tivesse mesmo de correr mal sem que eu tenha a capacidade de perceber porquê. Mas hoje, depois de tudo o que vivi no tão curto espaço de tempo de uma semana e três dias, que me pareceram uma eternidade, compreendo que todos os acontecimentos indiciavam uma viagem que viria a ser uma complicação num dia só.A partida era no dia 10 bem cedo, chegando eu com três horas de antecedência porque o trânsito esteve a meu favor e, naquele dia, não houve filas. À chegada percebo que não me antecipei tanto quanto pensava porque à minha frente para efectuar o check in estava já uma multidão que se disser que ultrapassavam os 50 não estou a exagerar. Lá fui para o fim da fila, aguardando calmamente mas com algum espanto dada a quantidade de pessoas que se aglomerava à minha frente: só podiam ter dormido no aeroporto...!!! Eu estou habituada a viajar para África mas uma coisa como aquelas ultrapassou tudo o que já vira antes. Mais stressante…

Guiné Bissau

Para um seguimento atento da situação na Guiné Bissau nada melhor do que passar pelo AFRICANIDADES, onde o Jorge Neto vai deixando notícias e fotografias, relatos e todo o tipo de informações de forma muito actualizada.

3ª Festa Africana no B.leza

O ISU, em colaboração com o B.leza, irá realizar pela terceira vez a festa Nô Djunta Nô Dança no dia 29 de Março pelas 22h30. Esta iniciativa conta com a participação de alguns artistas convidados que irão actuar com a banda do b.leza e tem como objectivo a angariação de fundos para projectos de solidariedade em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola. O dinheiro angariado pela equipa de voluntários responsável por esta actividade reverterá na totalidade para estes projectos.

Regresso Antecipado

Regressei a Portugal. Estou aquilo a que se pode chamar de “abananada”, confusa, intranquila, resultado da ansiedade vivida nos últimos dias. Tenho muito para contar até porque escrevi bastante nestes dias. Dia a dia, quase na lógica de um diário. Foi uma experiência muitíssimo forte. Intensa em todos os sentidos possíveis de imaginar. Conheci pessoas de grande riqueza interior, que convivem calmamente com situações de intranquilidade por as considerarem normais. E vivi momentos de apreensão (para não dizer medo). Vim cansada, não fisicamente mas sim psicologicamente, e muito sensível no que toca às emoções, reconheço. Voltarei para falar de vivências num local onde qualquer coisa pode acontecer, principalmente quando não estamos preparados e não contamos com ela.

De partida!

E lá me vou ausentar deste espaço por uns tempos. Para onde desta vez? Para esta paisagem e outras próximas. A ansiedade pré-viagem aumenta, pela responsabilidade acrescida que esta missão implica e pela consciência do retorno à minha primeiríssima África.Guiné Bissau: aí vou eu!!! A Todos os ficantes: até ao meu regresso, daqui a algumas semanas...A foto foi retirada daquiMAS FICA UMA ADENDA EM MAIÚSCULAS E COM UM PEDIDO DE DESCULPAS AO JORGE NETO DO AFRICANIDADES POR ESTAR MAL REFERENCIADA. A FOTO É DELE E É UMA EXCELENTE ANTEVISÃO PARA MIM...Obrigada a todos pelos comentários. Vou dormir porque amanhã a alvorada é bem cedo... :-)

Estudos da História de Cabo Verde

Cooperação sem Desenvolvimento

O meu colega e amigo João Milando, angolano de gema,lança na próxima 6ª feira, dia 10 de Março, pelas 18h30, o livro "Cooperação sem Desenvolvimento" na Livraria Buckholz, Rua Duque de Palmela, nº 4, em Lisboa. Esta é certamente uma obra de referência no que ao desenvolvimento em geral diz respeito, e a África em particular. A notícia foi também largamente divulgada pelo Fernando Gil no MACUA(de onde a foto foi retirada).

Nos anos de uma Mana

Hoje é um dia especial porque uma das manas é pequenina e, para mim, os dias de anos são sagrados e devem ser comemorados de forma única. Ela é também uma pessoa particular pela sua forma de ser e de estar, com um entendimento único da vida e um espírito positivo e optimista que faz dela uma pessoa simplesmente inimitável! Pois se a mana hoje fez anos, foi dia de reencontro familiar e, claro está, as conversas ao almoço foram tão animadas que prometi aos presentes fazer aqui uma referência. Não, não sejam completamente curiosos porque não posso aqui relatar o teor dos ditos e contos. Mas foi muito divertido, apesar do meu ar, por vezes, mais sério e a pedir contenção... Mas foi divertido, animado e um almoço muito alegre. Parabéns à Mana João!

O stress da antecipação

É sempre assim. Os dias que antecedem as viagens são muito vividos de forma muito stressada: há uma infinidade de coisas para fazer e ultimar; há a sensação de se deixarem assuntos pendentes e por resolver; há a noção que, se a experiência que se irá ter é grandiosa, uma parte da vida fica aqui à espera do regresso. É estranho mas absolutamente fascinante. E em todas as viagens que faço retomo esta confusão emocional e de sentires. O stress da antecipação é fantástico!

Educação Ambiental e Áreas Protegidas em contexto insular africano

Já estão disponíveis os textos das comunicações apresentadas nas XIII Jornadas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), sob o tema “Educação Ambiental e Comunidades Educativas", que teve lugar em Lisboa em Janeiro de 2006.
No site da ASPEA pode-se aceder aos textos clicando no link “Boletim” e aqui seleccionar as comunicações que se pretende ler ou gravar. Os ficheiros são disponibilizados em formato pdf (e fazendo um pouco de publicidade... a minha intitulou-se “Educação Ambiental e Áreas Protegidas em contexto insular africano”, onde STP é referido, bem como de forma mais superficial Cabo Verde e Bijagós).

Momentos de sonho

Há momentos em que nos apetece agarrar o Mundo, o Sol, as Nuvens, o Mar e as Montanhas. Tudo nos parece possível de conseguir e alcançar porque a nossa vontade é tão grande que nos sentimos com a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos e atingir qualquer meta. A vida é feita de esperança, os limites e as impossibilidades não existem e, sempre que alguém nos procura trazer de novo à terra, reagimos qual Calimero humano, com a consciência de que a incompreensão se generalizou. E assim vivemos, como se flutuássemos, num estado de levitação permanente semi-consciente, semi-sonhador, que é muito agradável enquanto dura. Depois, começamos a descer à terra e a realizar que afinal nem tudo é possível e que é mesmo fundamental aprendermos a viver felizes com o que temos e que vamos realizando, porque agarrar o Mundo é mesmo um sonho que só se vai conseguindo passo a passo... “leve leve” :-)

Explicações

Há uns dias escreveram-me dizendo: “Andas excessivamente africanista e pouco intimista. Sinto falta de ler as tuas histórias, as aventuras das viagens, os sonhos, os encontros (e os desencontros). E ainda não nos falaste sobre as tartarugas (...)”. Não liguei muito a estas palavras porque de imediato pensei que a pessoa que escreveu estava a brincar comigo como faz tantas vezes. Mas de facto é verdade! Ando a escrever sobre temas “sérios”, pouco pessoais e principalmente de divulgação, e quem se habituou a ler 85% do que habitualmente escrevo, naturalmente nota diferença. E hoje tomei consciência disto, no meio do almoço com um amigo, que por sinal inspirou alguns dos meus textos :-) Há fases assim em que falamos pouco de nós porque, sei lá eu, há talvez pouco a dizer, ou quem sabe temas muito mais interessantes para explorar...Fiquei de falar sobre as tartarugas e o regresso a São Tomé, após um longo mas importante afastamento. Há quem diga que não devemos voltar aos locais onde form…

Reencontros

Esta é uma fase de reencontros. Na verdade, gosto muito de rever as pessoas de quem gosto e que, pelos motivos mais diversos, não via há algum tempo. Não via, não falava ou conversava. É bom “pôr a escrita em dia”, saber o que se tem feito e como se está, discutir ideias e fazer projectos, rir em conjunto das situações caricatas que cada um viveu, compreender através do olhar o que não se diz porque não se pode ou não se consegue expressar por palavras. E esta é uma altura em que tenho reencontrado pessoas que fazem parte da minha vida mas de quem não estou tão próxima fisicamente quanto gostaria. Reencontros de amigos e companheiros de aventuras, de colegas que o tempo ajudou a transformar em amigos, aproximações de cumplicidades. É uma fase boa, saborosa, de reconhecimento e de apreciação.