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A mostrar mensagens de Junho, 2017

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados com infinito e profundo carinho. Quando, num acto de boa vontade, emprestamos a nossa extensão e, por distração ou confiança excessiva, a perdemos de vista e para sempre, sentimo-nos devastados pelo sentimento de perda, ficamos sem rumo, desasados, a flutuar em suspensão como se, de repente, caíssemos em queda livre. A caneta partilhou momentos únicos e foi através dela que os sentimentos mais escondidos ganharam vida, as sensações e as primeiras impressões foram traduzidas naquelas páginas em branco dando-lhes forma e sentido. Apenas os que gostam verdadeiramente de escrever compreenderão este desassossego de alma. A relação que se estabelece com uma caneta é de grande proximidade, cumplicidade até, por isso é escolhida com grande critério. Como em tudo nesta vida, também no que toca às canetas, não serve qualquer uma, precisa de ser leve e de toqu…