Não é dele que estou farta. É de mim a gostar dele! Para grandes males, grandes remédios: a partir de hoje, vou mudar-me!
02/07/2005
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
Não é dele que estou farta. É de mim a gostar dele! Para grandes males, grandes remédios: a partir de hoje, vou mudar-me!
02/07/2005
Estou na ressaca das férias! Nitidamente dou comigo a querer esquecer: não as férias mas alguns sentimentos vividos em África; pessoas que me marcaram e que eu quis marcar, mas na vida das quais não deixei sequer um sinal, de tal forma que, por certo, já me terão esquecido; paisagens que me parecem hoje mais do que distantes, apenas sonhadas e não vividas. Não sei se tenho vontade de voltar e também, com toda a certeza, este será um sentimento que, daqui a um bom par de dias, me parecerá mais um sonho. Mas é esta a minha realidade de hoje. Estranha e que vem de muitas e muitas desilusões, insistentemente sentidas, de forma quase teimosa, quase doentia. Aqueles dias não existiram. Terei sido eu a recriá-los?
O sentimento de pós-férias é quase sempre depressivo: é um período mais curto do que desejaríamos; nunca descansamos tanto quanto necessitamos; deixamos sempre muitas actividades radicais e diferentes da rotina diária por praticar; o tempo por cá está sempre pior do que lá; o sentido da responsabilidade e do cumprimento das tarefas assola-nos de forma irreversível. Mas sobretudo porque a paisagem altera-se completamente.
Estou de volta...
Havia dias em que a tristeza e a angústia chegavam tão depressa que mais parecia terem sido trazidas por um raio numa noite de tempestade com trovoada, rasgando o céu com a urgência do encontro com o destino. Havia dias em que a saudade dos que já cá não estão para uma festa e um abraço, uma palavra ou apenas um olhar, se tornava insuportável. Havia dias em que o desconforto causado pelo desencanto e pela desilusão, que a vida se tinha encarregado de tornar presentes, se revelava sufocante. Havia dias em que tinha vontade de desistir porque sentia que mais nada fazia sentido. Mas nem para isso tinha coragem...
- Achas possível viver sózinho? – perguntou-lhe o coração de manteiga pelo qual ela se apaixonara uns anos antes e pelo qual ainda sentia um baque quando ele entrava numa sala sem que ela o esperasse, e que se desfazia com qualquer saia que passasse pelo seu campo visual, consciente dos estragos que provocava ou até involuntariamente e sem querer perturbar.
Mas aquele era talvez um dos homens mais naturalmente perturbados, que se dizia sensível às belezas femininas, que se encantava com qualquer rabo de saias e que se deslumbrava com qualquer tipo de beleza. Para ele não havia mulheres feias e muito menos desinteressantes. Em qualquer uma conseguia encontrar um sinal de arrebatamento que o fazia balançar, desengonçava e podia até desestruturar. Aquele era um homem emocionalmente muito desorganizado e ela que procurava, antes de mais, orientar-se. Tinha até a mania de oferecer bússolas aos amigos porque era uma forma de reconhecer os pontos seguros da sua vida. Pois àquele nunca oferecera nenhuma, talvez o mal estivesse mesmo aí...
- Já alguma vez te apaixonaste de forma tão intensa que eras capaz de largar a vida que tens por esse sentimento e para correres atrás do motivo do teu desassossego? Já te sentiste fundir noutra pessoa e ser capaz de qualquer loucura por ela? – respondeu ela com a consciência que estava a ser traída pela sua própria voz, que soava a desilusão contida, resultado de uma expectativa alimentada durante anos.
Ele olhou-a e encolheu os ombros sem perceber ao certo o que ela queria dizer com aquilo...
Hoje acordei, como sempre com o rádio a despertar-me, e tive a alegre sensação de estar de novo em STP. Foi hoje, no programa da manhã em 104.3, RCP (Rádio Club Português).
Em vez da música habitual, o som era a voz do João Carlos Silva (Roça de S. João, Teia d’@rte e Na Roça com os Tachos), que falava, como só ele sabe fazer: da magia de STP; das roças; do turismo; da natureza e da paisagem; da criatividade na cozinha; do bem estar que uma boa refeição, bem confeccionada e degustada com prazer, provoca no corpo e na mente; na cultura mestiça porque mesclada de origens, que a tornam única.
Foi bom ouvi-lo a conjugar palavras, como sempre, de uma forma muitíssimo feliz para quem o ouve. Tudo sai perfeito – o sentido das palavras, os sons, os “tum tum tum”, o sorriso que nos transmite com a voz e que visualizamos, a alegria de viver e a capacidade de acreditar no que faz e no que diz. Foi reconfortante ouvir a recomendação de sempre “Façam o favor de serem felizes. Muito felizes!”.
Hoje, o meu despertar foi magnífico. Obrigada João Carlos!
Os efeitos da globalização fazem-se sentir um pouco por todo o lado, o que contraria, em parte, o Síndrome dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, resultante da conjugação de diferentes factores como a situação de insularidade, a pequena dimensão, a distância em relação aos principais centros internacionais e o isolamento, agravados por um outro leque de factores que se podem classificar em históricos, demográficos, económicos, sociais, culturais, já para não falar nos climatéricos e nos geográficos que, não determinando, condicionam o percurso de cada país.
Ao olharmos para um PEID, leia-se Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, fazemos quase sempre uma leitura imediata de condenação ao insucesso, ao bloqueio e à estagnação. Mas São Tomé e Príncipe revela-se, de quando em vez, um grande país. Digo-o, não por ser uma eterna apaixonada das “ilhas encantadas” mas sim porque a realidade é só uma. STP está a modernizar-se, pode até ser ao ritmo “leve leve”, mas este dá-lhe o encanto da sedução prolongada.
Para terem uma ideia do porquê do que digo, sigam o meu breve raciocínio: em 2000 não havia luz nas ruas da cidade e uma consulta à Internet era uma aventura. Em 2001 abriu um cibercafé – bar Tropicana – as ruas da cidade não pareciam as mesmas, porque iluminadas. Daqui para a frente, e até hoje, foi ver as mudanças ocorrerem, a modernização ser uma realidade e os sites de divulgação do país proliferarem. Hoje, a informação disponível na net sobre o país é já abundante, seja através de Grupos de debates, generalistas e temáticos, de páginas pessoais ou intitucionais ou de blogs. O INE nacional disponibiliza informação on line; alguma legislação é também encontrada; os jornais digitais multiplicam-se... Mas, melhor do que tudo isto, a Presidência da República de São Tomé e Príncipe já tem site disponível na net. Para quem interessar, alguns links estão ainda em construção, mas a imagem visual é muito agradável e o conteúdo apela ao diálogo. Vale a pena consultar já que, além de tudo o mais, contem informação importante como decretos, discursos, e permite ver as caras dos assessores do Presidente.
No site do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, o destaque vai para a Guiné-Bissau. Há documentos oficiais, papers e relatórios, informações gerais e links úteis .
Maputo, 31 de Dezembro de 1998
Hoje é o último dia do ano. Um dia passado na mais perfeita solidão apesar de estar contigo. Ou de ser suposto estar contigo porque foi por ti que vim, mas tu, tu não estás nem aí. Estou e sinto-me só, o que é uma contradição. À minha volta há dezenas de pessoas, gente de todas as cores, tamanhos, feitios e idades. Falam uma variedade de idiomas, riem, conversam, discutem ou namoram-se. E eu, estou sozinha num sítio onde não conheço ninguém e ninguém me conhece, a não seres tu. Ninguém se importa sequer com isso mas também não era suposto que alguém, a não seres tu, se preocupasse.
É estranho este ambiente que está a ser recriado à beira desta piscina magnífica, dando uma imagem de festividade sem que eu sinta que posso, por algum momento, fazer parte dela. Sinto-me uma pateta alegre por ter vindo fazer uns bons milhares de quilómetros para a terra das acácias de flor vermelha, onde a água rola ao contrário nos lavatórios e até as estrelas têm no céu uma imagem desconhecida para mim. E fi-lo por ti, para ti, mas não quero, por um segundo que seja, que o percebas. Esperava-te diferente, é verdade, mas se não estás, não quero que fiques e que me enganes mais.
De pensar que apenas cheguei ontem e já estou arrependida. E sabes porquê? Porque me fazes sentir a mais, depositando-me aqui e eclipsando-te sem uma palavra. E de pensar que foste tu que insististe para eu vir, fazendo projectos.
O calor sufoca-me e cala as palavras que gostaria de dizer e as gargalhadas que tinha necessidade de dar. Mas não há condições para o riso aberto, franco e descontraído. Pode ser que tudo mude como o tempo, afinal hoje também já fizeram muitos tempos: sol e calor abrasador como no verão; trovoada e chuva como no Inverno... só que sem frio.
Diz-me, o que faço eu aqui? – pergunto-te em silêncio, sem emitir um som que seja. Olho-te, quando apareces, quase sempre de fugida, e querendo dizer-te tanto, calo-me...
Ando numa fase cansativa em que as arrumações são a minha prioridade. Não arrumações em sentido figurado, mas sim tudo o que tem que ver com a limpeza e a recolocação dos objectos nos sítios depois das obras necessárias após o incêndio em Março. É engraçado perceber que a casa tem mais coisas do que devia porque agora já não sei bem os sítios de cada peça e sobram-me algumas... Não tenho jeito para engenharia, portanto.
No meio do cansaço houve uma tarefa que me deu um infinito prazer: a caixa onde tinha guardado as minhas conchas e os búzios trazidos de África, uns apanhados nas longas caminhadas pela praia, outros oferecidos e uns quantos comprados. Todos têm um significado e uma história, desde os mais pequenos aos maiores. E todos, sem excepção, me fazem sorrir. Afinal, enquanto por lá andei, tratei um por um com um carinho e atenção particulares. Lavei-os, esfreguei-os, limpei-os, envernizei-os e sequei-os cuidadosamente.
E hoje retirei-os do caixote, desembrulhei-os, de novo um por um, e voltei a limpá-los. Ao pegar-lhes, as imagens vividas passaram à frente dos meus olhos com uma estranha nitidez: foram momentos vividos há tempo mas pareceram-me ainda muito presentes. E as personagens reapareceram: o companheiro, o amigo e as amigas, as falsas e interesseiras conhecidas, as falaciosas confidentes, o intriguista, os vendedores.
E pela proximidade das memórias, tentei ouvir o som do mar na boca dos búzios mas a distância imperou e não me deixou escutá-lo.
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Como é boa a companhia das crianças, pensava Adelaide, após ter usufruído da companhia de uma maravilhosa criança de 5 anos, durante uns breves 30 minutos. A dada altura ele disse-lhe: “Que saudades eu tenho de sentir os pés na areia...”, e ela aproveitou a deixa e perguntou-lhe: “queres ir à praia?”. A resposta não se fez tardar naqueles enormes olhos castanhos. E lá foram. Ele correu com os pés descalços atrás das gaivotas e Adelaide sorria atrás dele, caminhando calmamente, enquanto pensava no quanto é bom ter espírito de criança e nunca se cansar de correr, rir, brincar, sonhar, desejar e realizar. O tempo não passou para eles, voou, mas aquele final de tarde, numa praia quase deserta no início do verão, ficará na memória dos dois.
Por vezes sentia-se dividido entre o que desejava muito e o que sentia ser a atitude justa e correcta, regulada pela medida certa. Isso acontecia-lhe com maior frequência desde que saíra de África que, como gostava de dizer enquanto massajava o queixo com um sorriso espalhado no rosto e o olhar vago das lembranças, era o continente dos infinitos sonhos e dos 2 Ms, majestoso e mágico. Em África tudo parecia simples demais e as respostas aos problemas não requeriam grande teorização porque eram directas e os meios para os solucionar, os mais imediatos porque os possíveis.
Mas aqui, a vida passou a complicar-se e todos os actos, por mais lineares que parecessem inicialmente, complexificavam-se com uma incontrolável rapidez, tornando-se obrigatoriamente consequentes. Também aqui, a vida ganhou o tom da intelectualidade até à última consequência e quanto mais básico for o problema, maior reflexão parece necessitar. Dá a sensação que por cá as pessoas teimam em não ser felizes porque têm de ser muito sérias e excessivamente adultas para se tornarem credíveis e confiáveis. Perderam o sentido do riso e da gargalhada, do disparate e da leveza a que o ser é dado, da ternura e da compreensão, da descontração e do “savoir faire” em função das necessidades do momento. Mas por certo ganharam a racionalidade e o falso, mas permanente, sentido crítico em relação a tudo e a todos, menos a si próprios.
“Quando entregamos o coração, arriscamos mais do que a nós mesmos. Colocamos em risco a pessoa que o recebeu”
Nora Roberts in “Entre o Céu e a Terra”, pg. 264
Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...