Uma excelente forma de começar um dia de anos é com um passeio à beira mar, de preferência com os pés descalços e “de molho”. Revigorante, reconfortante e revitalizante. O passeio dos 3 “re”, seguido do "dolce farniente". Pena que a temperatura da água do mar seja muito mais fria do que em África. Mas, mesmo assim, será melhor do que nada. E assim vai ser!
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
terça-feira, 31 de maio de 2005
Como começar bem o dia de anos
Signos
De signo... sou GÉMEOS!!! Aqui ficam alguns dos meus traços, segundo http://astrologia.sapo.pt/, no link características dos signos.
Deve ser o meu “outro eu” a falar neste momento mas... não me reconheço nestas características... sobretudo nas que dizem respeito ao Amor... Vá-se lá saber porquê...
Adaptáveis * Curiosos * Aventureiros
22 de Maio a 21 de Junho
O 3º signo do Zodíaco
Elemento: Ar, Mutável
Planeta Regente: Mercúrio
Princípio: Activo
Parte do corpo: Mãos, Braços e Pulmões
Estação do ano: Fim da Primavera no hemisfério norte
Incensos: Alecrim e Jasmim
Pedras: Ágata
Dia: Quarta
Metal: Platina
Cor: Amarela
Personalidade dos Gémeos: "Fala comigo"
A maneira mais fácil para conhecer um Gémeo é numa festa. Vemo-los entrar em todas as conversas. Querem-se sentar com a banda, meterem-se com as empregadas, e discutirem misturas com o empregado do bar. Eles rodopiam mais rápido do que conseguimos seguir. Se tentar pedir a um Gémeo para se concentrar numa só coisa, eles simplesmente não conseguem. Têm de mostrar o pouco conhecimento que têm sobre todos os assuntos, e procurar saber o que nós sabemos e porquê e onde e como conseguimos essa informação. São faladores, e espalham o seu talento pelo mundo. Adoram receber nova e interessante informação, para de seguida a espalharem. Não esquecer que existem duas pessoas dentro de um Gémeo, e ambas querem mudança, variedade e estimulação mental constante. É quase como se os dois estivessem a lutar dentro do Gémeo, deitam fumo e rasgam papéis aos bocadinhos. Um Gémeo desaparecerá num ápice e alguém aparecerá no seu lugar, que poderá ter algo interessante a dizer.
AMIZADE
Os Gémeos estão sempre rodeados por pessoas, eles fascinam e seduzem. São difíceis de aproximação, temos de passar pela multidão. Têm poucos verdadeiros amigos. Precisam de estímulo e alguém que partilhe dos mesmos estranhos interesses. São difíceis de acompanhar. Mantêm-se à volta de pessoas que compreendam porque estão sempre atrasados, estão simplesmente muito ocupados.
AMOR
Porquê amar? E o que é o amor afinal? Um Gémeo questionará isto, não conseguem fechar as suas mentes o tempo suficiente para o coração tomar o controlo. Assuntos do coração não são importantes para os Gémeos. Confundem a monogamia com aborrecimento, precisam da sua liberdade. É preciso entretê-los constantemente, seduzi-los e dar-lhes estímulo mental. O aborrecimento é o seu maior receio. Deixem-nos ser o que eles realmente são: "Confusos".
Mas afinal... quem será o astrólogo que me chamou confusa? Logo eu...?! Que sei tão bem o que/quem quero e o que/quem não quero!!!
O dia de anos
O dia de anos sempre foi um dos meus preferidos. Em pequena achava que era mesmo um dia diferente e que não era preciso ir à escola. Afinal era o dia em que eu nascera e por isso se tornava tão especial. Sim, no dia em que nascemos só devíamos mesmo fazer as coisas que gostássemos, sem obrigações. Lazer, lazer, lazer! E prendas, claro, muitas prendas. Este era um ponto de discórdia em minha casa, já que eu gostava que os presentes fossem surpresa, mas, nos dias que antecediam a data, não resistia a percorrer os cantos todos da casa até descobrir os embrulhos.
Era uma trabalheira que dava um gozo indescritível. Ainda hoje me lembro do meu coração a bater mais depressa quando me decidia a empreender esta tarefa arriscada. Os níveis de adrenalina subiam só de pensar que podia ser descoberta numa situação constrangedora, envolta por papel de embrulho e laçarotes. Eram minutos fantásticos e o encontro, dos meus olhos com as caixas ou sacos, memorável. Uma vez descoberto o local secreto, dedicava-me a abrir os presentes, um por um, com todo o cuidado, esperando que ninguém percebesse onde a minha curiosidade me levara. Este meu desejo era em vão porque, não só percebiam o que eu fizera como, ficavam zangados, o que era terrível porque eu não os queria desiludir, só que não resistia.
No dia de anos, recebia as prendas na mesma e fazia uma enorme festa como se os estivesse a ver pela primeira vez, mas os outros ficavam tristes porque entendiam que aquele momento era um ritual que eu estragara.
Fui crescendo e fui percebendo que a vida não era, na totalidade, como eu desejava e que o Mundo nem sempre entendia bem estes meus devaneios infantis. Apesar de tudo, fui bafejada pela sorte e, por imperativos da profissão, tive sempre a possibilidade de, com alguma flexibilidade, escolher os meus horários laborais. Claro que quando, com muito tempo de antecedência, escolhia os dias de trabalho e propunha os horários, tinha sempre em atenção a “minha data”. E fui-me habituando a ter aquele dia livre para fazer o que muito bem me apetecesse.
Com o tempo a magia do dia de anos foi-se perdendo, tal como outros encantos, e hoje penso mesmo que já não se devia fazer anos a partir dos... trinta e... Claro que o ritual das prendas continua a ser magnífico, para quem dá e para mim que recebo, apesar de ter perdido a prática no que respeita à quebra do ritual da oferta com a antecedente busca. Mas a ideia de fazer mais um ano é terrível. Só de pensar que passaram 12 meses por mim sem que eu tivesse realizado grandes feitos, mas com o aparecimento de novas rídulas (espero que ainda não sejam rugas) no contorno dos olhos, da proximidade dos cabelos brancos (que ainda não chegaram), de mais umas gramas (para não dizer quilos) entre outras coisas assusta-me.
Eu que era a “menina dos anos” aqui em casa e que estou ad eternum condenada a ser uma criança, mas agora mais velha (madura...???), penso que, se há greves a tanta coisa, também devia haver a greve ao dia de anos.
África na Expo 2005 do Japão
África está representada na Expo2005 no Japão http://www-1.expo2005.or.jp/en/venue/globalcommon05.html e, pelo que sei, alguns dos pavilhões têm despertado interesse nos visitantes. Este é o caso de São Tomé e Príncipe. Na maioria dos casos, os visitantes não tiveram ainda o privilégio de conhecer o arquipélago, mas têm demonstrado, aos técnicos que por lá se encontram deslocados, interesse numa próxima visita. Há que reconhecer que é um bom trabalho a favor da divulgação das potencialidades e recursos nacionais, principalmente com o objectivo da dinamização do turismo.
Mais uma receita de Calulú de Pato, Galinha ou Carne de Porco
Ingredientes: maquequê, jimboa, mússua, couve, olho de libo, otâje, cominhos, mesquito, ponto, damina, tartaruga; ossame, tomate, cebola, malagueta grande, óleo de palma, pau pimenta, 1 fruta pão, beringela, quiabo, carne escolhida
Modo de preparação:
Corte em pedaços a carne escolhida, tempere com pimenta, cominhos, sal, casca de pau pimenta seca e flores de mesquito. Deixe marinar. Lave muito bem os ingredientes, pique as folhas, descasque a fruta pão e corte em quatro partes. Refogue as folhas, quiabo, maquequê, beringela, tomate sem pele, pisado ou esmagado com as mãos, cebola picada, malagueta cortada em duas lascas, a carne escolhida, óssame batido, pau pimenta e coloque numa panela com um pouco de água, leve ao lume e deixe cozer. Acrescente água quente ao refogado. Retire a fruta pão e pise, ou melhor triture-a. Enquanto o calulú estiver ao lume, pise um pouco de cominhos, sal, casca de pau pimenta seca, flores de mesquito e acrescente ao calulú, não esquecendo de pôr um ramo de mesquito. Prove e rectifique os temperos. Acompanha-se com angu (feito com banana pão ou prata, pontada entre “madura e crua”, pisada no almofariz ou triturada com varinha. Pode-se acompanhar também com arroz branco ou farinha de mandioca.
segunda-feira, 30 de maio de 2005
Há dias assim
Há dias assim em que inexplicavelmente somos invadidos por uma energia imensa, que nos parece infinita. Andamos quilómetros, corremos, fazemos mil e uma coisas, sentimo-nos incansáveis e imparáveis, desdobramo-nos em pequenos e grandes gestos, multiplicamos acções e o Mundo parece-nos pequeno. Mas, também de repente, a quebra apodera-se do nosso corpo e do nosso espírito e damos connosco sem nos conseguirmos mexer mais. Até que um novo dia chegue.
Menu da Semana Gastronómica de STP
SEMANA DE SÃO TOMÉ – RESTAURANTE Terreiro do Paço (Lisboa)
Cozinha equatorial, feita de ingredientes e temperos exóticos (preços entre 12.10€ e 13.90€ o prato)
Segunda-feira, dia 30 de Maio
Azagoa de carne (carne de porco, folha de Mandioca e feijão vermelho com farinha de mandioca)
Calulu de peixe (garoupa, tomate, malagueta e quiabos com arroz e farinha de mandioca)
Terça-feira, dia 31 de Maio
Molho de fogo (peixe fumado, peixe salgado, tomate, coentros e limão com banana cozida)
Jogo (cação e garoupa, fruta pão com arroz e farinha de mandioca)
Quarta-feira, dia 01 deJunho
Feijão à moda da terra (feijão vermelho, peixe fumado, tomate, ossame e pau de pimenta com arroz)
Arroz de Peixe da Terra
Quinta-feira, dia 02 de Junho
Muqueca de Peixe (pargo, tomate, beringela, óleo de palma com arroz)
Peixe Limão (garoupa, matabala, piri-piri, farinha de mandioca, sementes de óssamo e mocócó)
Sexta-feira, dia 03 de Junho
Azagoa de Peixe (corvina e pargo fumados, folha de mandioca e feijão vermelho com farinha de mandioca)
Calulu de Carne (galinha, tomate, cebola, malagueta e quiabos com arroz e farinha de mandioca)
Sábado, dia 04 de Junho
Calulu de peixe (garoupa, tomate, malagueta e quiabos com arroz e farinha de mandioca)
Domingo, dia 05 de Junho
Azagoa de carne (carne de porco, folha de Mandioca e feijão vermelho com farinha de mandioca)
OS DOCES DE SÃO TOMÉ (entre 3.20€ e 3.50€)
Aranha
Arroz de milho
Cocada
domingo, 29 de maio de 2005
As Relações Europa-África II
STP e VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais
Já se encontram disponíveis alguns textos de comunicações apresentadas no VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais que teve lugar em Coimbra em Setembro de 2004.
O meu contributo foi sobre o tema: “Turismo Ecológico em São Tomé e Príncipe: da Ecopedagogia à preservação Ambiental”
SAHARA
Não sendo um “grande filme”, o Sahara é divertido e dispõe bem, permite ver paisagens e locais em África, relembrar paragens conhecidas e sonhar com novos destinos. As situações criadas aproximam-se de um misto de aventuras ao jeito dos “Salteadores da Arca Perdida” e do 007. E como o cinema é um espaço lúdico onde vamos para descontrair, este é um filme adequado.
sábado, 28 de maio de 2005
I Mostra Gastronómica dos Países de Língua Portuguesa
A STUDIUM e a Associação Amigos do Príncipe, numa organização conjunta com o Restaurante Terreiro do Paço, vão realizar a I Mostra Gastronómica dos Países de Língua Portuguesa, sob a orientação do Chefe Vitor Sobral.
O evento decorrerá entre 25 de Maio e 5 de Junho naquele restaurante. Com este evento pretende-se, promover a gastronomia tradicional dos PALOP e apoiar projectos de Saúde e Educação das Crianças de Rua que vivem nestes países.
Contactos : RESTAURANTE TERREIRO DO PAÇO
TEL: 210312850; FAX 210 312 859
Email: terreirodopaco@quintadaslagrimas.pt
A gastronomia é uma vertente forte da Cultura de qualquer Povo. A mesa é um espaço privilegiado de encontro e de encontros, ou não estivesse a mesa simbolicamente associada à ideia de reunião, de comunhão, de refeição. Em África este conceito de partilha é mesa é elevado à forma de arte.
A primeira semana gastronómica traz à mesa do restaurante TERREIRO DO PAÇO a cozinha de São Tomé e Príncipe. É uma ocasião para saborear o CALULU de São Tomé e o MOLHO DE FOGO do Príncipe entre outros manjares exóticos e que raramente chegam às nossas mesas.
A gastronomia de São Tomé e Príncipe caracteriza-se pela sua excelência, pelo apelo de todos aromas, de todos os paladares, e de todas as cores numa simbiose entre a prodigalidade da natureza da terra e a sabença culinária das suas gentes.
É uma cozinha de tacho, feita de tradições passadas de geração em geração. É uma cozinha tão fascinante como o é este pequeno país ao qual Portugal está tão ligado.
O restaurante Terreiro do Paço situa-se na praça do mesmo nome, junto aocais onde durante séculos partiram as naus, caravelas, paquetes rumo às Terras de África e do Oriente donde voltavam carregadas do cheiro de especiarias, esperanças, recordações, fortunas, de cacau e café.
O Terreiro do Paço enquanto cais de ver partir assumiu um papel importante como entreposto comercial e cultural. E, como entreposto cultural, o Terreiro do Paço quer este ano, no qual se comemoram 250 anos do grande terramoto de Lisboa, ser o epicentro da vida gastronómica do Mundo
Português na capital.
Parte da receita desta mostra gastronómica será doada à Associação para a Reinserção das Crianças Abandonadas e em Risco de São Tomé, que desenvolve um meritório trabalho em prol da melhoria das condições de vida das crianças mais carenciadas deste país.
quinta-feira, 26 de maio de 2005
Mais um mail anónimo
E hoje recebi mais um daqueles mails que nunca virei a saber quem teve a ideia do envio.
Mas o conteúdo é bonito e tenho de reconhecer que me sabe sempre bem ler uma mensagem assim. Aqui fica o registo do texto recebido:
“Antes de magoar um coração,
Veja se não está dentro dele.
Pois se um dia chorei
Não foi porque perdi
E sim porque amei”.
Bem... apesar de não saber quem magoei, torno públicas as desculpa e agradeço o afecto.
quarta-feira, 25 de maio de 2005
Há coisas engraçadas, apesar de tudo...
Podia ter-me dado para melhor. Imaginem que, num serão de véspera de feriado, fui reler o historial de mensagens que troquei com alguém que, um dia, fez parte da minha vida, aqui há muito tempo e de forma fugaz, numa África distante, bem a sul do Equador, e à qual não regressei desde essa altura. Como é meu hábito nestas coisas dos afectos mal geridos, guardei as palavras trocadas nos diferentes momentos, com o único objectivo de um dia mais tarde as reler. Foi o que hoje fiz, e a culpa é da televisão que não se decide a cativar os caseiros como eu. E pronto, vim para o meu posto para me entreter e distrair um bocadinho do cansaço que me vai na alma e fui reler palavras trocadas e religiosamente guardadas entre papel e uma caixa de correio perdida nos cantinhos da net.
Quem ele foi não interessa, e quem ele é hoje muito menos. O que é importante é que o resultado não foi brilhante, o que se passou naquele curto espaço de tempo teve um final muito pouco feliz e as vivências possíveis não ultrapassaram as expectativas. As minhas, como é óbvio. Não chegou sequer a ser uma história de amor porque não passou de um entusiasmo criado em clima tropical e alimentado à distância via e-mail e, de quando em vez, por correio, através dos postais que ele me enviava dos locais por onde passava. Uma história moderna mas pouco proveitosa, portanto.
O engraçado de tudo isto é que, ao ler os e-mails trocados nas diversas fases pelas quais passámos desde que nos conhecemos, a sensação que fica é a de ter existido uma grande cumplicidade afectivo-emocional, marcada por intimidades, e do nosso efémero e condenado relacionamento ter sido muitíssimo profundo. Apesar do contexto, ainda há coisas engraçadas...
Estranha relação
Para ser franco, e o mais sincero possível com a vida, Joaquim já não sabia o que fazer para chegar ao fim do dia com um sorriso aberto estampado no rosto, uma palavra amável ou um espírito positivo e optimista. Já tentara de tudo um pouco: andar a pé à beira do rio; encontrar um amigo que já não via há algum tempo; jantar com o grupo de sempre; ler umas páginas do último livro que adquirira; ouvir música relaxante; fazer desporto; frequentar aulas de Yoga e de relaxamento; comer um gelado ou sentar-se num jardim a contemplar as flores e a escutar os pássaros.
Nos dias em que alterava a rotina, introduzindo um não sei quê de diferente, parecia que tudo corria melhor. Com ele, com a mulher e com todos os outros que, por um qualquer motivo incluído o acaso, se cruzavam com ele. Mas nos outros dias, em que repetia gestos, contactos ou percursos, sentia-se a viver uma eternidade difícil de suportar. E o mundo desabava sobre a sua cabeça e nas suas mãos de forma pesada e dura. Que o dissesse a mulher, Maria, que invariavelmente o recebia, abrindo a porta, com um silêncio sofrido e adivinhatório dos passos que se sucediam após o toque de campainha.
Joaquim era um homem amargo com a vida, com os outros e sobretudo consigo próprio, sem o reconhecer, procurando demonstrar uma auto-estima acima do comum dos mortais. Falava do que gostaria de ser como se fosse, evidenciando as suas melhores características, até aquelas com que sonhava. Por não gostar de nada em si, idealizava-se o melhor dos homens e procurava convencer-se a si próprio que não havia igual, apesar de não passar de um ser medíocre em qualquer esfera da sua vida – afectiva, profissional, relacional.
Maria era uma mulher às direitas, íntegra, respeitadora e cordata, boa profissional e meritória no seu desempenho, mas ao lado de Joaquim anulava-se por medo da mão pesada no silêncio, do olhar rude na intimidade, dos gestos bruscos, desprovidos de emoção, de sentimento e de afecto. Nos dias bons, tolerava-o e nos maus, perante o descontrole sem motivo aparente, odiava-o calada, sem proferir palavra ou emitir qualquer som. Procurava simplesmente passar despercebida naquela imensa casa que ambos construíram e partilhavam.
Aquele era um casal que tinha tudo para deixar de o ser mas, apesar de ninguém entender como ou porquê, ambos insistiam em se manterem juntos. Havia muito a preservar e que não queriam perder e contudo deixavam escapar o que de melhor podiam viver, a tranquilidade, a paz, o afecto, o amor.
Sono
Hoje é um daqueles dias em que o cansaço decidiu visitar-me e, acredito, alojar-se por uns dias. Há muito que não tinha esta sensação estranha de querer dormir, dormir, dormir sem parar. Em STP havia dias assim, em que, por mais e melhor que se tivesse dormido, não apetecia fazer nada e o sono ficava, de forma contagiante, por uma temporada. Normalmente antecedia tempestades e temporais de chuva batida pelo vento, acompanhadas de calor forte, intenso, imparável, provocando os sentidos. Mas aqui, só pode estar relacionado com o calor repentino e a única coisa que provoca é mesmo o sono.
segunda-feira, 23 de maio de 2005
Lua
Depois de um dia cansativo e desgastante não há nada como contemplar o céu iluminado pela lua. Hoje cheia, redonda, imensa e particularmente bonita, de uma cor quente: amarelo torrado. Dou comigo a sorrir sozinha pelas lembranças do luar africano, lá para os lados da Boca do Inferno, que me assolam a alma. Absolutamente inspirador e muito saboroso...
domingo, 22 de maio de 2005
STP na revista VOLTA AO MUNDO
STP é tema de capa da Revista Volta ao Mundo de Junho de2005. A reportagem “São Tomé e Príncipe, um segredo no Equador” (pg. 52-78) é marcada por fotografias variadas de São Tomé, do Ilhéu das Rolas e do Príncipe, com Bom Bom incluído. Fotos espectaculares que merecem ser guardadas.
O texto contém algumas imprecisões, mas vale a pena ler. O jornalista Paulo Rolão, autor do texto, e o fotojornalista Luís Filipe Catarino, responsável pelos registos fotográficos, revelam-se encantados e seduzidos (o que é absolutamente normal!!!) numa curta estadia, passando por alguns (mas não muitos) locais. Os alojamentos privilegiados foram Clube Santana, Ilhéu das Rolas e Bombom, havendo referências ao Miramar. Turismo Rural visitado: S. João e Bombaim. Roças visitadas: Agostinho Neto, Monte Café, Sundy e S. Joaquim.
As praias referidas como as melhores: em São Tomé, Tamarindos, Conchas (extenso areal a perder de vista...?!), Lagoa Azul (com areia...?!); no Príncipe, Banana e Macaco. Fiquei desiludida porque não referem, por exemplo, as praias de Micondó e Piscina, nem roças emblemáticas para visita e passagem como Água Izé, que me parece obrigatória, Vista Alegre, Ponta Figo, Java, Colónia Açoreana, entre tantas outras...
Ainda como restaurantes aconselhados: apenas o Pirata, o Bigodes, o Filomar e o Café e Companhia (aconselhamento muito limitado...); como pratos típicos: calulu e djogó; fruta: apenas a banana (...?!xê...). Não falam na jaca, na cajamanga, no safu, no mamão... nem no búzio, no peixe andala, no polvo grelhado, no magnífico e saboroso concon... e tantos outros pratos típicos!
Em termos de aconselhamento, o artigo parece ficar muito aquém das expectativas, não disponibilizando informação importante e útil, mas a imagem é sedutora e aliciante. Um aspecto a referir – apoiaram-se na Navetur (Bibi e Luís Beirão) e no Luís Mário, que me parece ter sido uma boa opção.
Mas devem portanto ter perdido a melhor parte de STP...
Nada do que foi volta - VI
- “Responde-me uma pergunta Abel. Já sentiste alguma vez que, quando se quer muito uma coisa, por se querer tanto e durante demasiado tempo, de repente chegamos à conclusão que a deixámos de querer?”
Abel ficou calado com a perplexidade de quem não entendeu a questão que Vera lhe colocara. Por vezes, ela parecia ter uma complexidade interior tão grande que se tornava incompreensível. Mas afinal, o que queria ela? Vera era mesmo uma complicadinha, nunca percebia o que era mais do que óbvio. E sem dizer nada pensava:
- “Durante uma infinidade de tempo gostou de mim e sofreu porque eu não lhe dava toda a atenção que ela achava que merecia. Conhecemo-nos numa altura em que eu queria aproveitar o tempo de liberdade, sem prisões e sem obrigações. Ninguém me pode condenar por isso. Eu estava ali, naquela África onde tudo é permitido a um estrangeiro, para viver e me divertir. Mulheres não me faltaram e ela não podia ser a única. Eu não lhe podia dar isso e ela sabia-o desde o início. Eu gostava dela e de estar com ela mas não de forma permanente. Não podia ser e eu não estava disponível para isso. Mas agora que a minha vida mudou, o que se passa com ela para não querer? Há realmente mulheres estranhas, enquanto estão em África desfazem-se em paixões e afectos, só querem amor e carinho, mas quando de lá saem passam-se, mudam, ficam frias e distanciadas, parece até que enregelam...”
Vera apaixonara-se por Abel, depois de muitas insistências, dele se fazer presente e de a apoiar em tudo o que ela precisava. Tornou-se o braço direito daquela mulher que não passava despercebida no raio dos poucos quilómetros quadrados onde, por motivos diferentes, tinham escolhido viver. Apoiava-a discretamente, era o seu escudeiro, o seu polícia e o seu bombeiro. Estava ali para o que desse e viesse. Não havia dúvidas que, durante os meses em que a conquista decorreu, aquela Vera era uma terra desconhecida, falada como sendo inóspita, pelo feitio reactivo em relação a brincadeiras que algumas pessoas tinham e que não lhe agradavam, mas para ele tornara-se uma delícia muito apetitosa, uma descoberta diária que se ia revelando cada vez mais interessante, uma companheira. Além do mais, para Abel este era um trunfo que não queria perder. Dos amigos, nenhum acreditava que ele a conquistasse, mas ele confiava nas suas capacidades porque conseguia tudo o que queria.
Abel só não contou que, durante o tempo em que estiveram juntos, mas também quando a vida os afastou, e ele aproveitou para se ir orientando, Vera foi sabendo de tudo o que se passava à volta dele e sofria à distância. Aquela África era sua, era assim que a via, e as mentiras de Abel, as suas intrusões, os devaneios e desassossegos em que passou a viver, desiludiram-na. Em momento algum, ela quis acreditar que Abel era tão linear no que aos afectos respeitava porque queria sentir-se diferente aos olhos dele. Se o desamor de Abel a desgostou, o tempo ajudou-a a conhecê-lo e a perceber que a frase, que alguém lhe repetia sucessivamente “Tu mereces melhor!”, era a única verdade que existia naquela relação.
sábado, 21 de maio de 2005
Nada do que foi volta - V
- “Vamos ficar juntos, juntinhos, vem para aqui, ao pé de mim. Vá lá, não te faças esquisita e diz que sim. Diz, diz, diz... vá lá. Não te lembras de tudo o que já vivemos juntos? Não te apetece de novo?” – e Abel estendeu a mão em direcção a Vera, fechando os olhos como se quisesse transformar um sonho em realidade.
Vera não se mexeu um milímetro e olhava-o incrédula. Fora Abel que errara há uns tempos atrás, que faltara à honestidade prometida, que a enganara naquela terra de ninguém, umas portas à frente daquela em que coabitavam. E agora quase se fazia de vítima por estarem separados. Não, ela não queria voltar para ele desta forma. Era uma incongruência porque, além de tudo o mais, arriscava-se a que, após um fugaz envolvimento, ele a deixasse de novo. E Vera aprendera qualquer coisa com ele: apenas pisar o solo que se conhece bem. O risco era, para ela, demasiado grande e o custo a pagar por um entusiasmo incomportavelmente alto.
Nostalgia
A nostalgia acompanha os que viveram sentimentos fortes, lutaram e ultrapassaram, amaram e sofreram, tiveram dias felizes em locais inesquecíveis, perpetuando lembranças simplesmente por se quererem recordar; os que marcaram os locais por onde passaram pela realização, e as pessoas com quem contactaram pela diferença de atitude.
A nostalgia não abandona os que se deram, se apaixonaram e entregaram a causas e a ideais; os que souberam dizer “Eu quero” com determinação, contra tudo e todos, numa altura em que ninguém acreditava ser possível e que, no momento certo, escolheram dizer “Não!” com a certeza de ser a melhor escolha, sem haver lugar para o lamento, o queixume ou o arrependimento.
E eu sinto-me nostálgica muitas e muitas vezes porque faço presentes os bons momentos que um dia vivi, afastando da memória os que assim não foram.
Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis
Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...
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"Líder das mulheres de Cutiá, na Guiné-Bissau, garante fim da excisão genital. Médico local diz que não há certezas" - Jornal EXP...
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Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...
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Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, d...
