sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ali sinto que vivo...

Av.12 de Julho, São Tomé
Aquele é um sítio repleto de locais mágicos que me trazem conforto, uma sensação de regresso às origens. Não! Nem tudo é perfeito por lá. Mas as emoções que tudo me transmite continuam a ser de reencontro, de apaziguamento, de vida. A maioria das pessoas não entende quando o digo mas ali sinto, mais do que em qualquer outro lugar, a vida a correr em mim, a fluir ora de forma acelerada com o empolgamento da juventude, ora com calma e ternura de uma maturidade recente. Ali sinto que vivo...

Percepção de "déjà vu"


Praia Piscina, São Tomé, Agosto 2012
Num ou noutro dia, a sensação foi de "déjà vu", como se algumas situações que se estavam a viver já tivessem ocorrido. Não com estas pessoas, com outras, mas por momentos, e como se apenas a percepção de um flash me permitisse tomar consciência do que se estava a passar, visualizei fotografias antigas que foram sendo registadas na minha memória. Dez, doze anos, uma eternidade que se perpetuou e que, com o passar do tempo, me permitiu reter mais os bons momentos do que os de incerteza e angústia. Ainda não consigo definir com exatidão se é o contexto que determina as minhas percepções ou se, na verdade, o que tantas vezes presencio é pura e simples realidade. Algumas histórias parecem repetir-se apesar dos contornos serem diferentes, talvez mais difusos e menos evidentes. Ou talvez seja eu que os defino assim. Com o regresso, a sensação de "déjà vu" não se atenuou, antes pelo contrário, talvez tenha sido mesmo reforçada. A distância em relação ao que se observa e vive ajuda a conjugar as peças que pareciam estar fora do puzzle. E vale a pena? Vale sempre a pena!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Inspiração...

A minha última estadia em São Tomé foi profundamente inspiradora, aliás como sempre. As ilhas têm um efeito em mim que resulta numa percepção diferenciada do tempo com valorização dos momentos vividos. Não sei se com os outros se passa o mesmo, ainda não percebi. Mas, na verdade, tenho a sensação de que por lá vivo de uma forma mais intensa e com um sentido mais positivo.  

Habitualmente escrevo muito quando estou em São Tomé e este blog começou, em parte, por ser o resultado desse misto de inspiração com vivências intensas. Desta vez, escrevi menos. Involuntariamente e sem grande consciência... A inspiração acompanhou-me na mesma mas retive-a numa espécie de contenção que nem sempre é positiva. 
Alguém disse-me um dia que quando se escreve menos vive-se mais. Quem me disse isso foi uma pessoa que habitualmente não gosto de recordar mas tenho de reconhecer que até tinha razão quando me dizia isso com ar supostamente sábio (supostamente porque não era uma pessoa muito credível...). 
A semana passou rápido, as actividades multiplicaram-se e os tempos para a escrita escassearam. Quem sabe se com uma espécie de inspiração distanciada não retomo a abertura de alma de anos anteriores pelos canais da blogosfera...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Regressar ao local onde se foi feliz


Diz-se por aí que não devemos regressar aos locais onde fomos felizes. Não percebo porquê e não concordo. Passo a explicar: os locais onde fomos felizes estão, para nós, carregados de valor simbólico já que, por tudo e por nada, o presente é invadido pelas recordações ternas dos que achamos que foram os melhores momentos de uma vida. Não que não possamos viver outros tão bons ou melhores no mesmo local ou noutro, com as mesmas pessoas ou outras. Mas tendemos a associar ao espaço imagens e representações que o enriquecem e reforçam, fazendo com que para nós passem a ser locais especiais. Gosto de regressar aos locais onde fui feliz. Volto a ser feliz, uma e outra vez, tantas quantas as recordações permitirem sem que isso me impeça de sentir felicidade de outras formas. E com o passar do tempo, aquele é um lugar feliz só porque as vivências felizes são tantas que acabam por se entrecruzar da forma mais feliz que é possível. São Tomé é o meu lugar feliz :-)
Praia do Governador, 25 de Agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Seminário Internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais" - NOTA DE IMPRENSA

NOTA DE IMPRENSA

 

Entre 20 e 23 de Agosto de 2012 realiza-se em São Tomé e Príncipe o Seminário Internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais". A organização do evento é o resultado de uma parceria internacional entre entidades públicas de São Tomé e Príncipe (Direcção-Geral do Ambiente e Direcção de Florestas), Universidades e Centros de Investigação Científica de Portugal (Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa e Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) e espanholas (Centro de Extensión Universitária e Divulgación Ambiental de Galícia e Universidade de Santiago de Compostela), Organizações da Sociedade Civil (MARAPA, Associação Portuguesa de Educação Ambiental, Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental).

Está prevista a realização de visitas, no âmbito das quais serão desenvolvidas atividades práticas e dois dias (22 e 23) de debates em sala, que decorrerão no Palácio dos Congressos, na cidade de São Tomé.

Para além da reflexão e do debate, marcadamente contextual e de orientação mais teórica, com a realização deste evento procura apresentar-se um contributo pragmático, estando prevista a realização de ações de formação e de intervenção in loco com grupos comunitários, de jovens, escolas, representantes da sociedade civil e de entidades públicas.
Tanto a reflexão como as ações a promover são orientadas a partir de grandes eixos temáticos: o mar; as florestas; a biodiversidade; o turismo; as atividades agrícolas; a pesca; a gestão de rssíduos; e a Educação Ambiental, tendo como grande eixo orientador a cooperação internacional. Por outro lado, os atores que intervêm na identificação local, nacional e internacional dos problemas e das medidas estratégicas a implementar são entendidos como centrais para a troca de experiências e de conhecimentos.

Os resultados que se espera alcançar são: 

1.       contribuir para uma reflexão alargada e debate crítico e construtivo entre atores locais e internacionais; 

  1. dar continuidade a ações anteriormente iniciadas;
  2. reforçar conhecimentos mediante a capacitação de grupos previamente identificados a nível local e que são considerados como grupos-chave para a promoção de mudanças; 
  3. estabelecer parcerias para o desenvolvimento de projetos com equipas interdisciplinares e internacionais

Tal como tem vindo a suceder em eventos anteriores, tratando-se de uma organização em parceria de âmbito internacional com envolvimento de diferentes tipos de entidades, procura-se uma aprendizagem de todos, com o envolvimento de todos porque, acima de qualquer outra preocupação, o que move este tipo de eventos é a construção de mudanças com continuidade, ao longo do tempo, seguindo os princípios da sustentabilidade.

Mais informações em: http://climatechangestp2012.weebly.com ou pelo email climatechange@gmail.com

 

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domingo, 6 de maio de 2012

Lua cheia de vida e energia



Hoje é uma noite especial: é noite de lua cheia. Redonda, luminosa, grande, intensa, inspiradora. Há muitos anos que não a via desta forma, tão cheia de vida, tão mensageira de boas novas, tão auspiciosa. Faz tempo em que, por terras tropicais, quentes e húmidas, uma lua assim cheia de luz me inspirou e encheu de felicidade. Hoje, ao olhar pela minha janela o que vejo é uma noite tranquila depois de dias de tempestade, um céu cheio de vida e energia quando as pensei adormecidas. Hoje a vida pode começar aqui...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Mais do mesmo na RGB

Ora bem, mais do mesmo... ontem à noite, ao ler a notícia de que Carlos Gomes Jr tinha sido libertado para a reunião com a CEDEAO, pensei que poderia não ser definitivo. Para quê o Golpe Militar se passados quatro dias eram libertados e tudo voltaria à normalidade? Achei estranho mas, como antes do cepticismo tento acreditar na Humanidade, assumi que poderia ter havido negociação. Pois não, o PM deposto foi mesmo detido após a reunião com a CEDEAO e os militares, ao estilo simpático, afável e democrático que os caracteriza já ameaçaram... just the same...

"ULTIMA HORA: Comando Militar proibe todas as manifestacoes e avisa que havera consequencias para quem desrespeitar a ordem. AAS"
e
"ULTIMA HORA: Comando Militar emite novo comunicado instando os guineenses para se absterem de manifestar, quer a favor quer contra. Avisam que qualquer violacao tera consequencias. AAS

mais em http://ditaduradoconsenso.blogspot.pt/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Grito de indignação...

O jornalista guineense, António Aly Silva, foi entretanto libertado depois de agredido publicamente. Uma manifestação pacífica foi dispersada de forma violenta provocando dois feridos, um em estado grave. As fronteiras - marítimas, aéreas e terrestres - foram fechadas. O recolher obrigatório mantém-se. O Primeiro-Ministro democraticamente eleito e o Presidente da República interino continuam detidos, sabe-se lá em que condições. Os militares continuam a dizer que não querem ascender ao poder e que procuram uma solução "pacífica" mas a violência associada ao reinado do medo parece fazer dos dias dos guineenses o hábito. A comunidade internacional (leia-se as organizações internacionais com capacidade de intervenção) parece manter-se cega, surda e muda como os três macaquinhos do conto infantil. Apetece-me gritar perante tamanho tolerância e passividade. Só valem a condenação e as ameaças porque as acções ficam para próximas núpcias. Não gosto de política e, para dizer a verdade, não percebo, nem quero perceber, o que move as pessoas para enveredarem por este estranho meio. Mas custa-me assistir a injustiças e actos absolutamente cruéis sem poder fazer nada. Mantenho-me impotente à distância, querendo confortar todos os amigos guineenses, os que por lá vivem e os que em boa hora vieram para Portugal. Assusta-me ver o trabalho desenvolvido ao longo de anos perder-se como se de magia se tratasse. E sentir que, em momentos diferentes, acreditei nos projectos que acompanhei, nas pessoas que deles fizeram parte e que com esforço lhes deram andamento. E estas pessoas merecem tudo e muito mais. Porque acreditaram e defenderam a sua terra, os seus recursos, os seus compatriotas. Dá-me vontade de gritar ao Mundo apelando-o a gritar comigo: SALVE-SE A GUINÉ-BISSAU! Um grito de misericórdia e compaixão, de solidariedade e entre-ajuda, de benevolência e consensualidade. Um grito de indignação por não entender o PARA QUÊ TUDO ISTO? Estou indignada. Sentida. Dorida. E como eu muitos mais...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

António Aly da SIlva, jornalista detido no meio da crise da Guiné-Bissau

Partilhem, por favor. Esperemos que não seja um dos últimos gritos desalentados mas sempre corajosos do António Aly da Silva. Ele merece ser posto em liberdade porque mais não fez do que alertar o Mundo inteiro, ou quem o tem seguido, dos riscos que a Guiné-Bissau sofre. Partilhem, divulguem. Pelo Facebook, pelos blogs, por onde puderem e conseguirem!
O jornalista António Aly Silva foi preso esta manhã em Bissau, pouco depois de ter deixado no seu blogue DITADURA DO CONSENSO [http://ditaduradoconsenso.blogspot.pt/] este

"Apelo dramático à comunidade internacional"
[é devido também um apelo dramático para que nada aconteça ao Aly e para que ele possa imediatamente ser restituído à liberdade. É PRECISO PARTILHAR ISTO!]

"Mais de um milhão de guineenses estão reféns de militares... guineenses. Temos sido sacudidos e violentados, usurpam e tolhem-nos os nossos direitos, até o mais básico. Até quando mais a comunidade internacional vai tolerar que gente medíocre - alguma classe política, e militar faça refém todo um povo? A história endossará uma boa parte da responsabilidade à comunidade internacional.

Ajudem o povo da Guiné-Bissau; não os abandonem, agora, mais do que nunca. Tiveram todos os sinais de que uma insurreição era possível, ainda que desnecessária. Nada justifica o levantar das armas, é intolerável o disparo de armas pesadas numa cidade com mais de quatrocentas mil pessoas. É criminoso, acima de tudo. Tiveram tudo para estancar a hemorragia e a orgia de violência. Sabem há muito que este é um país que nasceu, cresceu e vive sob laivos de militarismo.

Agora, tudo está calmo. Não há tiros, nem feridos nas urgências e menos ainda corpos na morgue resultado de mais uma brutalidade da canalha. Não se sabe quem morreu - espero e desejo que ninguém tenha sido morto. Um país é o último, e único, refúgio seguro para o seu povo. Foi traumatizante ver mulheres e crianças a chorar; é triste ver homens e jovens a fugir de homens e jovens como eles. É desolador. Estou abatido, e, sobretudo cansado. Não tenho sequer forças para gritar.

Olho e registo tudo. Depois escrevo, na certeza de que alguém me vai ler e comungar dos mesmos sentimentos. O meu blogue, hoje, foi já acessado por mais de 50 mil pessoas. Ficará para a estatística. Teria preferido uma visita por dia, a ter de suportar cem mil pares de olhos tristes e enevoados: estão a matar-nos, estão a destruir as famílias, a tornar as crianças violentas.

O pior da Guiné-Bissau, meus caros...é o guineense!

Um abraço a todos,

António Aly Silva"


terça-feira, 3 de abril de 2012

Exposição digital "O Desafio do Desenvolvimento" (Projecto Coerência.pt)

Exposição digital "O Desafio do Desenvolvimento" (Projecto Coerência.pt). Fotos lindas, magníficas com legendas orientadas para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). 
Muito me honra que a equipa do Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) tenha incluído uma das minhas fotos, neste caso no sul da Guiné-Bissau, região de Tombali :-)



Seminário Internacional "Alterações climáticas e repercussões sócio-ambientais"

Actualizações no site do Seminário Internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais", São Tomé, Agosto 2012. Muita informação disponível para consulta: as actividades propostas estão delineadas; os formulários para inscrição com comunicação, para participação nas actividades e pedido de cartas-convite e declarações de aceitação estão disponíveis. Também a secção Recursos está introduzida, sendo ainda sujeita a mais complementos e actualizações.
E agora também o guia do participante do Seminário Internacional STP 2012

domingo, 25 de março de 2012

Second Call for papers - Seminário internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais" - São Tomé e Príncipe, 20-23 Agosto 2012

Second CALL FOR PAPERS (sorry for cross posting)

 

Seminário internacional "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais" - São Tomé e Príncipe, 20-23 Agosto 2012

 

De 20 a 23 de Agosto de 2012, realizar-se-á em São Tomé e Príncipe o Seminário Internacional sob o tema "Alterações Climáticas e suas repercussões sócio-ambientais". Esta é uma iniciativa que resulta de anteriores momentos de reflexão, sendo uma parceria entre a Direcção-Geral do Ambiente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, o OBSERVARE, Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), a Universidade de Santiago de Compostela (USC), o Centro de Extensión Universitaria e Divulgación Ambiental de Galicia (CEIDA), a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental (NEREA) e a MARAPA (Mar, Ambiente e Pesca Artesanal).

 

As inscrições para participação com comunicação, em poster ou em oficinas estão abertas na página web do Seminário em http://climatechangestp2012.weebly.com pelo que a Organização convida todos os interessados a preencherem o formulário online ou a enviarem um mail para climatechangestp2012@gmail.com

 

Pela Comissão Organizadora,

Brígida Rocha Brito

quinta-feira, 15 de março de 2012

Faz hoje 7 anos...

Hoje é, supostamente, um dia importante na minha vida. Faz hoje precisamente 7 anos que prestei provas públicas de Doutoramento, quando as inscrições se faziam por 5 anos. Portei-me bem e cumpri o prazo, entreguei a tese um mês antes do prazo e esperei 9 longos meses pela defesa. Os membros do júri estavam deslocalizados entre o Alentejo (Universidade de Évora), Minho (Universidade de Braga) e Lisboa (Universidade Autónoma de Lisboa, Universidade Lusófona e ISCTE), sendo que alguns viajavam e nem sempre estavam em Portugal.
Foi, eventualmente, uma das melhores épocas da minha vida. Escolhi um tema prazenteiro - a relação entre o turismo ecológico e o desenvolvimento sustentável em África - e que, de facto, me deu muito mais prazer do que as angústias inerentes a este tipo de processos. O mais difícil acabou por ser o campo de estudo. Por razões que agora nem importa referir, todo o projecto foi elaborado a pensar em Moçambique, país que me inspirou para a problemática do turismo. Mas depois, por enredos intrincados, mantive o tema e emigrei para São Tomé, deixando Moçambique para outras núpcias.
Fiz um interregno na actividade pedagógica, que já fazia as minhas preferências, e voei para o arquipélago dos meus sonhos, onde o turismo era uma actividade que tinha tanto de irregular como de potencial. E por lá fiquei uma longa temporada que permitiu fazer de tudo um pouco. Fiz a pesquisa assente em estudos de caso combinados, privilegiando o turismo em espaço rural, as roças, recorri a actividades ecoturísticas informais e fiz muitas caminhadas, segui de perto (muito de perto) o Ilhéu das Rolas, ainda não Pestana mas Rotas d'África/Rotas do Café, e as acções de conservação de tartarugas marinhas. Conheci pessoas fantásticas com as quais ainda hoje mantenho contacto (e outras menos de quem nem me quero lembrar, o que não é nada de extraordinário e faz parte da vida), passei momentos muito agradáveis, andei por todo a ilha - a pé, de carro, de canoa e de lancha. Não apanhei paludismo (aliás, estranhamente nunca apanhei em nenhuma das Áfricas por onde tenho andado). Ri muito, chorei um pouco, angustiei-me qb, sonhei e criei expectativas, senti que a vida passava por mim sem eu a conseguir agarrar mas também a abracei vezes sem conta. Numa palavra, vivi. E não há nada mais importante do que isso.
Regressei a Lisboa quando dei a pesquisa por concluída. Mas fui sempre, até hoje, voltando às ilhas dos meus sonhos e que têm um lugar guardado no meu coração. Sem ter passado por tudo o que por lá vivi, não seria a pessoa que sou hoje. Ao voltar terminei a tese, preparei a defesa e três dias antes das provas públicas vivi o impensável. O aparelho de ar condicionado da sala incendiou-se enquanto falava para ninguém contando os minutos de forma a não ultrapassar o tempo regulamentar previsto para estas apresentações. O início de noite do dia 12 de Março foi passado primeiro a apagar o fogo e depois a respirar com uma máscara de oxigénio na boca numa ambulância dos bombeiros. No dia 15 de Março de 2005 lá fui até ao Auditório Afonso de Barros no ISCTE, a conversar com  meu Eu interior, acreditando que tudo estava a terminar. Uma fase que passava e o Mundo que se abria à minha frente.
A defesa correu bem (diria muito bem, mesmo). Depois da minha apresentação, como sempre com powerpoint que incluía esquemas, mapas e muitas fotografias, cumpriram-se os tempos de cada um (ainda eram tempos diferenciados para cada arguente), eu tentei defender-me o melhor que podia e sabia. Parece que bem. No final, nem realizei bem o que o Presidente do Júri queria dizer com "nota máxima por unanimidade" e menos ainda, o que o arguente principal (Professor Francisco Ramos) me dizia: "nos doutoramentos é comum os candidatos pensarem que com as provas públicas chegaram ao fim de um percurso. Mas o caminho começa aqui e agora, com mais responsabilidade e mais trabalho". Só percebi depois, quando fui buscar o certificado que a nota foi de facto máxima, não podia ser melhor, "distinção e louvor por unanimidade". E tenho vindo também a perceber o que é que o Professor Francisco Ramos queria dizer com "o caminho começa aqui e agora, com mais responsabilidade".
Faz hoje 7 anos, portanto, que a minha vida (re)começou, com menos tranquilidade e mais angústias, repleta de dúvidas existenciais que nem vale a pena materializar através da escrita. Faz hoje 7 anos que a vida nas ilhas dos meus sonhos foi ficando progressivamente mais longe de mim. Mas jamais longe do meu coração.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Livro - SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - UM PARAÍSO SEM RUMO" por José Simões



A apresentação do Livro "São Tomé e Príncipe - Um Paraíso sem rumo" de José Simões terá lugar na Casa da Beira Alta, no Porto, no próximo dia 18 de Fevereiro, pelas 16h. Um evento a não perder para quem estiver no Porto ou por lá perto. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal e esperança para 2012

O Natal é época de encontros e reencontros. É a altura ideal para parar um pouco e fazer um balanço sobre o que fomos durante o ano que finda, o que somos e o que queremos ser. É momento de ponderar e reflectir. É uma época de alegria e de esperança porque, para lá de tudo o mais, temos a oportunidade de nos tornarmos pessoas melhores, partilhando.

 

Feliz Natal e votos de um novo ano repleto de boas surpresas e de grandes realizações.

Brígida Rocha Brito

 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Rádio Jovem Bissau

Rádio Jovem
Guiné-Bissau
Bissau
Tel: 00245 553 77 98/664 44 23

A Rádio Jovem é um canal de características locais, alternativo, assumindo a responsabilidade e a missão pela prestação do serviço público a Juventude Guineense. Como objectivos centrais tem, no plano interno, fazer chegar a todo o país a informação e a realidade nacional em todos os domínios, participando na mudança da mentalidade juvenil.
No Plano externo, temos a ambição de levar o mais relevante do nosso quotidiano à diáspora guineense radicada nas 4 partes do Mundo e, com a ajuda imprescindível de todos, trazer a actualidade dessas nossas comunidades aos aqui residentes.
O Bairro de Cuntum foi escolhido para receber o centro emissor, instalando-se os primeiros estúdios na casa de Joaquim, arredores da cidade de Bissau após algumas obras de adaptação.
No dia 14 de Agosto de 2005 foi ao ar a primeira emissão da Rádio Jovem, com a duração excepcional de 6 horas.
Durante o período das emissões experimentais, que durou quase quatro meses, a RJ emitia cerca de doze horas diárias divididas em dois períodos, das Oito ao meio dia e das 16 as 22 horas, com intervalos obviamente.
Em 2006 a RJ assegurou um total de 16 horas por dia. Para além da música, maioritariamente Guineense e, mais ou menos largas, a outras músicas, portuguesa, brasileira, Antilhas, latino-americana, senegalesa, da Guiné Conakry e sobre tudo dos cinco países africanos da expressão portuguesa, a emissão da RJ tem uma forte vertente informativa e espaços orientados no sentido do debate, da interactividade, da cultura e do desporto.
A Rádio Jovem mantém ao longo da sua emissão vários espaços com informação Nacional, com destaque para o “Jornal das 21h00, o grande bloco informativo.
De segunda a sexta-feira, pelas 12h00 horas, a RJ emite, o “Jornal da Tarde”, espaço informativo Juvenil que inclui reportagens, além de ser o primeiro noticiário do dia, funciona como uma antevisão do que vai ser actualidade.
Destaque ainda para a informação não-diària, constituída por vários programas ao longo da semana, de interesse variado, como debates, documentários informativos e culturais, informação desportiva, etc.
- Para colmatar alguma dessas dificuldades, a Administração da Rádio Jovem da Guiné-Bissau vem por este meio dirigir esta carta ao Departamento de Administração da TMN.
- Tem como objectivo pedir uma criação de parcerias, no sentido de solicitar à Fundação, equipamentos necessários à Rádio para o melhor desempenho das suas funcionalidades, equipamentos como:

· Gerador
· Computadores
· Impressora
· Fotocopiadora
· Scanner
· Mesa de mistura
· Microfones
· Auscultadores
· Secretarias/Cadeiras
· Gravadores para reportagens
· Emissora
- A Rádio Jovem precisa dos equipamentos mencionados para puder trabalhar cada vez melhor contribuindo assim para o desenvolvimento do país, sendo que no caso do gerador, este ser de particular importância devido à constante falta de energia eléctrica que se verifica em Bissau e ter esse equipamento à disposição é fulcral.

Com os melhores cumprimentos

Braima Darame
O Director

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Prémio de LITERATURA AFRICANA

O prazo de candidatura ao PRÉMIO DE LITERATURA AFRICANA IMVF 2011 foi alargado até ao próximo dia 4 de Novembro.
Mais informações na página do Instituto Marquês de Valle Flôr

domingo, 30 de outubro de 2011

"A pessoa mentiu" ou apenas seremos pacóvios?


Pensar no que nos tem estado a acontecer neste Portugalzinho, que em tempos idos foi uma grande Nação, faz-me lembrar um episódio real. Há uns anos, num país africano que não vale a pena aqui e agora identificar, o então Presidente da República referia-se à Primeira-Ministra da época de forma desagradada com a seguinte frase: "a pessoa mentiu". Nunca chegou a referir o nome dela, apenas a mencionando como "a pessoa", fazendo pensar a quem ouvia que nem disso era merecedora. Na altura foi tema de conversa sem fim, explorado até à exaustão, porque a comunicação social publicitou a frase repetindo-a vezes sem conta e de forma legitimada, já que também ele reforçara a ideia por diversas vezes e sempre que era interpelado para comentar um determinado tema. A frase ficou-me na memória e sempre que me vou lembrando da expressão facial do dito senhor, em parte revoltada, em parte incrédula, dou comigo a sorrir. Hoje, ao ver as notícias, e tendo a campanha eleitoral ainda tão presente, dá-me vontade de repetir sem parar, para não me esquecer nunca mais: "a pessoa mentiu"!!!!. É que o que é pior de tudo aquilo que nos está a acontecer é que, efectivamente, "a pessoa mentiu"!!!! Pior, muito pior: quanto mais vamos andando para trás no tempo mais somos obrigados a despersonalizar as figuras e, apesar de tudo, a frase permanece: "a pessoa mentiu"!!!! Porque na verdade a pessoa não é uma mas muitas mais e não foi só uma que mentiu mas uma infinidade delas. E depois? Depois temos de reconhecer que não somos um povo de brandos costumes nem vivemos conformados com a nossa própria (des)sorte. Somos é uns pacóvios do pior!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Inscrições para o Congresso Internacional "As tendências Internacionais e a posição de Portugal"



Aproximam-se as datas do I Congresso Internacional do OBSERVARE. Toda a informação está disponível em http://observare.ual.pt/conference. Aí se pode ver:
 O programa pormenorizado (com relevo para as oito conferências em plenário, das quais uma só agora anunciada – a de Giuseppe Ammendola da New York University);
       O conjunto das parcerias académicas e dos patrocinadores;
As secções em pormenor (um total de 86 comunicações científicas);
A lista dos congressistas inscritos (com participantes vindos da Alemanha, da Argentina, do Brasil, de Espanha, dos Estados Unidos, da Finlândia e da Noruega).
Recordamos que as inscrições ainda estão em aberto até ao limite da capacidade das salas disponíveis. Basta preencher o formulário on line ou inscrever-se directamente na recepção do congresso.

The date of the 1st OBSERVARE International Conference is fast approaching. All information available at http://observare.ual.pt/conference, where you will be able to find out more about the following:
The detailed programme (with emphasis on the eight plenary conferences, one of which has now been announced – by Giuseppe Ammendola from New York University);
The number of academic partners and sponsors;
The sections in detail (a total of 86 scientific papers);
The list of registered delegates (with participants from Germany, Argentina, Brazil, Spain, USA, Finland and Norway).
We take the opportunity to remind you that registration is still open up to the capacity of the rooms. Simply fill out the online form or register directly at the reception of the Conference.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...