"Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto amargo de fel
Depois vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar um bocado de mel"
Gonzaguinha, "Grito de Alerta"
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
domingo, 3 de abril de 2005
Capítulos
A vida dela era feita de capítulos, uns longos e outros curtos, uns que se tornavam reais, e até demasiado, enquanto que outros não passavam de sonhos. A vida dela em África foi marcada por episódios, uns que se transformaram em capítulos e outros que não passaram disso mesmo, um episódio sem importância. Mas ela conseguia identificá-los um por um, falar sobre eles, descrevê-los, explicar os sentimentos associados, as pessoas envolvidas, a importância dos efeitos decorrentes. Nada lhe escapava porque, para o bem e para o mal, a memória era um dos dons com que nascera.
E está na altura de regressar ao tema Moçambique. Muito em breve a história continuará, ponto por ponto.
Perfídia
Tinha uma infinita capacidade de se surpreender com as características de algumas pessoas. Costumava chamar-lhes qualidades por serem intrínsecas e estruturais e não pelo sentido positivo que normalmente se lhes atribui. A perfídia era uma das que a enervavam mais e para a qual ela se revelava completamente intolerante. E sem querer nomear ninguém porque não gostava de personalizar os sentimentos, a não ser os excepcionalmente bons, reconhecia que algumas pessoas que conhecia, outras que julgava conhecer e outras ainda que pensara que um dia viria a conhecer, mas que o tempo e as atitudes à distância eliminavam qualquer vontade, eram pérfidas.
Há coisas
Há, há coisas e há pancas, muito maiores do que as minhas, que são inocentes, ingénuas, passageiras, previsíveis, lineares, inócuas, entre outros tantos adjectivos de qualificação. Mas há quem tenha pancas grandes, imensas, infinitas, intoleráveis, arquitectadas, permanentes, imprevisíveis, complexas. Para estas, como uma ex-colega minha diria, "Já não há..." paciência que aguente (eu termino a frase dela porque não me parece bem publicar a original no blog!!!! Mas imaginem o que viria no lugar das reticências).
Tinha dias assim
Tinha dias assim, em que gostava de se sentir uma diva, bonita e observada, comentada e apreciada, causadora de inveja feminina perante os olhares intensos dos homens. Não que fosse bonita de facto, mas havia qualquer coisa nela que cativava, chamando a atenção e prendendo-a. Não era naturalmente sedutora mas seduzia, sem fazer por isso. Nem ela sabia explicar como ou porquê e isso fazia-a sentir bem. Tinha dias. E tinha outros em que fazia por parecer feia, sentindo a irritação crescer no seu interior sempre que via alguém olhá-la, fixando-a, ficando preso a sabe-se lá o quê. Porquê? Porque tinha dias em que, olhando o espelho, não gostava do que via e queria que todos fizessem também essa avaliação. Mas havia qualquer coisa nela que cativava, estando bonita ou feia.
Porque gostava de João Paulo II
Gostava deste Papa porque ele reunia um conjunto de requisitos que considerava importantes. Ao olhar para a sua figura reconhecia um olhar terno, atento e compreensivo, a sua figura inspirava bons sentimentos, de bondade e de perdão. O seu Papado caracterizou-se pelo conservadorismo em questões que eu própria considero fundamentais e que requerem capacidade de acompanhamento das mudanças, tais como o uso de preservativo ou o reconhecimento e o respeito das opções e das diferenças sexuais e do foro mais íntimo, desde que não se prejudique ninguém, como é óbvio. Mas a sua actuação marcou pela diferença na abordagem de temáticas importantíssimas. Foi um Papa aberto às diferenças culturais e à aproximação de povos, reconhecendo as diferentes religiões e crenças, procurou conhecer todos os cantos do Mundo e a civilização no sentido mais abrangente, na procura incessante da Paz. Representou a personificação do sofrimento resignado, e sendo um Homem de comunicação morreu sem falar.
Apesar das dúvidas existenciais e de contornos religiosos que me assolam de quando em vez, este foi um Papa que admirei pela convicção e pela força, pela capacidade de lutar e por nunca desistir. Fiquei triste com a sua morte, porque ao fim de mais de 20 anos a vê-lo, sei que terei dificuldade em gostar tanto do próximo, mesmo sem saber quem ele é. Levarei tempo a afeiçoar-me de novo, porque precisarei de sorrir com as atitudes pouco protocolares e de aproximação aos fiéis, com a determinação que transmite confiança e com a fé inabalável. Que João Paulo II descanse em Paz e que o novo Papa, que não terá por certo um trabalho fácil, faça um bom trabalho.
sábado, 2 de abril de 2005
Hoje
Hoje, tal como todos os dias do ano, é dia de aniversário para alguém.
Hoje é, para mim, um dia especial porque um amigo faz anos. Tem nome de flor e cheiro natural, cativa como um jardim e talvez também por isso lhe tenha oferecido, em tempos, um dos meus livros preferidos, emblemático mas que para alguns pode parecer um "fait divers": O Principezinho do Saint Exupéry.
Ele mereceu-o porque era um amigo especial, diferente de todos os outros, por todas as razões e mais algumas. Mas a principal era ter-me cativado. E o que é cativar, perguntou-me ele numa das longas conversas que tinhamos, iluminados pela luz das velas enquanto bebericávamos um chá, acompanhados pela música de um dos 80 cds que eu levara comigo. A resposta para estas e outras dúvidas, pensei, estava naquele pequeno livro que nos fala de amizade, da importância dos pormenores e de tantas outras coisas. Ele já o tinha mas, segundo confessou, nunca lhe dera a devida atenção. Foi em África que o leu, depois de eu o ter oferecido. Nada mais adequado.
Aqui fica um beijinho de Parabéns:
" - O que é um ritual? - perguntou o Principezinho
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora diferentes das outras horas(...)"
Leve leve
Sabe bem viver um dia atrás do outro, devagar devagarinho, como diria um qualquer santomense com um grande sorriso na face e um olhar tranquilo: "leve leve só". Nem sei porquê mas é bom ouvir a chuva cair e vê-la escorregar pelos vidros, sentir o cheiro da terra molhada e olhar o mar, cheio e escuro num dia de temporal. É bom deixar o tempo passar calmamente e perceber a infinidade de coisas que se pode fazer em 60 segundos, quanto mais numa hora.
sexta-feira, 1 de abril de 2005
O Papa
Gosto deste Papa, apesar de nem sempre ter estado de acordo com as ideias por ele defendidas e professadas. Mas gosto dele e lamento muitíssimo o sofrimento que tem tido ao longo da sua vida. Este Homem vai ficar para a História porque, acima de qualquer outra coisa, tem sido um exemplo de fé, de resignação perante a dor e o sofrimento, de confiança e de determinação, de luta e de força de vontade. A Ele presto a minha homenagem enquanto está vivo. E aqui fica expressa a minha admiração pela forma como viveu.
quinta-feira, 31 de março de 2005
A gula e o Anisakis
Já aqui falei do Anisakis que me acompanha e que nunca me abandona, dia e noite. A minha alergia alimentar, ao peixe e mariscos, mas que pode activar com qualquer elemento alergénico e libertador de estamina. Pois é, foi detectado em idade adulta depois de me provocar angioedema, vulgo inchaço na cara e garganta associado a manifestações dérmicas e gástricas.
O meu mal é ser completamente louca por peixe mal passado, aquele que fica bem agarrado à espinha, depois de grelhado, com os lombos suculentos e deliciosos. E marisco... qualquer um, desde percebes a lagostins, passando pelas gambas, de todos os tamanhos e cores, e pelas ameijoas.
Como sei os riscos que corro, normalmente porto-me bem e ando em pé à conta de carne, massas e legumes. Mas, de quando em vez, decido comer e pronto, tenho momentos de prazer gastronómico acrescidos pelo aguçar do paladar e da expectativa de que um dia não sentirei os terríveis e assustadores efeitos. Como e delicio-me, saboreio lentamente como se fosse um dos últimos prazeres desta vida e que por isso tem de ser bem aproveitado. E é quase imediato. O meu sofrimento recomeça uma vez mais para que nunca mais me esqueça da apreensão que me causam a rouquidão e a grossura na garganta, a dormência no lado esquerdo do corpo e os enjoos seguidos de maratonas para a casa de banho. E tudo por causa da "gula"...
Ao "velho conhecido"
A propósito de um dos meus últimos posts sobre afectos, tema da minha predilecção, recebi um mail que foi ao encontro do que quis transmitir, talvez de forma menos clara. O ciúme, o sentimento de posse e a dor também se sentem nas "amizades sexuadas", como um "velho conhecido" lhes chama. Ele tenta convencer o universo feminino que este tipo de relacionamento é imune aos afectos comprometidos e que permitem exigências e cobranças.
Acho mesmo que ele se tenta convencer sobretudo a ele próprio, defendendo-se de quem quer que seja que lhe venha pedir explicações. Mas não é bem assim, e a verdade é que se nos enciumamos com a falta de atenção de um amigo de infância ou de uma outra qualquer pessoa a quem nos afeiçoámos, mais sentimos quando o contacto físico se torna constante e a condição por excelência desse relacionamento. Porquê? Porque temos medo de perder o afecto, que ele se ausente, uma ou outra vez, e quem sabe para sempre.
O meu "velho conhecido" anda baralhado, ou sempre terá andado, com a palavra afecto e com todas as derivantes - afeição, afeiçoar, afectividade, afectivo. Será que não entende que tudo tem que ver com afectar - "dizer respeito a"? E agora lembrei-me de "O Principezinho" e do A. Saint-Exupéry, um dos meus gurus espirituais, pela coerência e pela beleza do que escreveu, e que está cada vez mais actual. Provavelmente, nem ele nunca pensou que viria a ser tão importante na vida de alguém que não conheceu como é na minha!!!
quarta-feira, 30 de março de 2005
Inspiração
É fantástico como algumas pessoas têm capacidade de nos inspirar: pensamentos, sensações, sentimentos, reacções. Até a escrita. Essas não são sempre as pessoas com quem nos damos melhor, de quem mais gostamos ou que nos fazem bem. Antes pelo contrário, são muitas vezes aquelas que nos provocam sensações desagradáveis e que nos fizeram mal em algum momento da nossa vida, de forma voluntária e consciente ou talvez não... fica a dúvida. Também, muitas vezes, as vivências mais marcantes, e que recordamos diariamente, que nos dão a ideia de termos um post-it amarelo colado à memória, são as que nos fizeram sofrer mais.
Conversas desencontradas
E, em conversa com um velho conhecido de uma África inesquecível, onde não fui feliz, velho não pela idade que o acompanha mas pelo tempo em que nos conhecemos, ele disse-me:
- É um problema essa tua mania insistente de quereres ver amor em tudo, sem perceberes que esse é um imenso abismo que separa a tua vida do prazer. Pior, é um interminável labirinto do qual tens dificuldade em sair para veres o quão bela e feliz pode ser a vida. O amor só pode ser bom quando recíproco, igual, equiparado, e isso é tão raro... quando não é um sentimento chato porque frustrante... as amizades sexuadas são muito mais vantajosas.
Eu ri e ele continuou: - repara requerem respeito e acima de tudo verdade, ninguém engana ninguém, há reciprocidade e troca de afecto e de prazer, conversa-se sobre tudo e os intervenientes aprendem um com o outro. Mas não há o compromisso, a obrigação, o ciúme e a posse que se tornam tão irritantes e que desgastam a relação, fazendo com que o amor se vá...
- Mas sempre me conheceste assim, a acreditar no amor, não? Posso ser muito tradicional mas esse tipo de relação de que falas não é para mim, não me interessa sequer, está longe dos meus parâmetros e dos meus objectivos. Não é isso que quero para mim...
- Sim, sempre te conheci assim mas gostava que mudasses a forma como vês a vida. És demasiado sonhadora...
- Pois desilude-te meu caro, continuo a acreditar que o amor não só é possível como existe. E até te digo mais, quero continuar a acreditar porque sei que um dia vai ser recíproco. Não contigo porque não faz sentido, porque eu não gosto de ti nem tu de mim. Já gostei, mas não agora e tu nunca sentiste esse tipo de sentimentos por mim. Mas também não quero deixar de sonhar. Gostava sim que não insistisses...
- Não podes dizer isso com tanta certeza. Eu gostei, naquela altura gostei muito de ti e até há bem pouco tempo também. Mas agora já não. Não quero e não posso gostar de alguém que não me quer.
- Ah... ok... - disse eu para terminar a conversa. Na verdade não acredito numa palavra do que ele teima em repetir cada vez que fala comigo, de tempos a tempos. Mas também não vale a pena contrariá-lo porque senão, a conversa passa a discussão. E essa nunca quis ter. Muito menos agora.
- É um problema essa tua mania insistente de quereres ver amor em tudo, sem perceberes que esse é um imenso abismo que separa a tua vida do prazer. Pior, é um interminável labirinto do qual tens dificuldade em sair para veres o quão bela e feliz pode ser a vida. O amor só pode ser bom quando recíproco, igual, equiparado, e isso é tão raro... quando não é um sentimento chato porque frustrante... as amizades sexuadas são muito mais vantajosas.
Eu ri e ele continuou: - repara requerem respeito e acima de tudo verdade, ninguém engana ninguém, há reciprocidade e troca de afecto e de prazer, conversa-se sobre tudo e os intervenientes aprendem um com o outro. Mas não há o compromisso, a obrigação, o ciúme e a posse que se tornam tão irritantes e que desgastam a relação, fazendo com que o amor se vá...
- Mas sempre me conheceste assim, a acreditar no amor, não? Posso ser muito tradicional mas esse tipo de relação de que falas não é para mim, não me interessa sequer, está longe dos meus parâmetros e dos meus objectivos. Não é isso que quero para mim...
- Sim, sempre te conheci assim mas gostava que mudasses a forma como vês a vida. És demasiado sonhadora...
- Pois desilude-te meu caro, continuo a acreditar que o amor não só é possível como existe. E até te digo mais, quero continuar a acreditar porque sei que um dia vai ser recíproco. Não contigo porque não faz sentido, porque eu não gosto de ti nem tu de mim. Já gostei, mas não agora e tu nunca sentiste esse tipo de sentimentos por mim. Mas também não quero deixar de sonhar. Gostava sim que não insistisses...
- Não podes dizer isso com tanta certeza. Eu gostei, naquela altura gostei muito de ti e até há bem pouco tempo também. Mas agora já não. Não quero e não posso gostar de alguém que não me quer.
- Ah... ok... - disse eu para terminar a conversa. Na verdade não acredito numa palavra do que ele teima em repetir cada vez que fala comigo, de tempos a tempos. Mas também não vale a pena contrariá-lo porque senão, a conversa passa a discussão. E essa nunca quis ter. Muito menos agora.
segunda-feira, 28 de março de 2005
Os ventos da mudança
Bem ao ritmo leve-leve só, STP começa a sentir os efeitos da globalização. Nos primeiros anos em que visitei em trabalho o arquipélago nem luz havia nas ruas da cidade. Hoje STP já não é o que era, sobretudo na capital, e já se sentem os ventos da mudança. Há luz, água corrente e potável nas habitações (desde que não se trate de casas tradicionais, em madeira e sobre estacas), telefones e tv numa grande parte das residências da cidade e a internet está vulgarizada. A verdade é que, quando conheci STP, tudo se tratava através de um contacto personalizado e o "face to face" era imprescindível. Hoje já se pode consultar muita documentação oficial na net, desde dados estatísticos até legislação. Vale a pena consultar a Juristep.
O tempo
Um dia quis parar o tempo porque tinha a sensação que ele corria à minha frente, numa fuga sem fim. Nunca consegui fazer com que ele parasse e talvez também por isso gostasse tanto de África. Ali o tempo não pára mas abranda. Um dia vale por dois. O ritmo é vagaroso, lento e saboroso. Ali a sensação é do tempo estar do meu lado, disponível para a realização de todos os meus sonhos. Mas contudo ele passa também mais depressa do que eu gostaria ou quereria, desliza ao meu lado, voa por cima da minha cabeça numa provocação sem fim, sabendo que nunca teria a possibilidade de o agarrar, prender, fechar...
sábado, 26 de março de 2005
Tempestade
Esta noite de vendaval faz-me lembrar um final de tarde vivido em São Tomé. O dia tinha estado calmo e tranquilo, apesar do céu estar carregado do cinzento que já me parecia vulgar. Eu estava em casa com a perna em gesso em cima de uma cadeira, em frente do computador a trabalhar o capítulo da metodologia da minha tese. Parti o pé esquerdo, o que me frustrou a pesquisa, atrasando-a por algum tempo mas recriando momentos únicos e permitindo vivências intensas daí para a frente. Por infinitas razões, partir um pé em África não é o mesmo que o partir em Portugal ou na Europa. O calor torna quase insuportável o peso do gesso e o pé parece-nos um trambolho, os meios são particularmente menores pelo que a disponibilidade de recorrer aos materiais recentes, leves e mais frescos em substituição do gesso, não é possível. Aceitei, com as lágrimas nos olhos, o meu karma e conformei-me à ideia de não haver sequer canadianas que me ajudassem a andar. Depois lá me arranjaram umas muletas de madeira, à moda antiga, que se colocam debaixo dos braços e que são um verdadeiro suplício, mas ao ver o meu desespero, e perante a hipótese de regressar a Lisboa, um amigo sacrificou um tapete de ginástica para acolchoar as benditas muletas, agrafando-as. Resolveu, de facto, e lá andei de muletas de madeira adornadas a verde. Fiquei, portanto, e não me arrependi. Foi um período engraçado, cheio de ternura, fazendo emergir sentimentos fortes.
Durante a fase-gesso houve uma tempestade, daquelas à maneira tropical, que já tinha vivido nas Caraíbas mas que julgava impossível em São Tomé. Afinal este é o país da não amplitude térmica, onde as temperaturas simplesmente não variam e se caracterizam pela constância e o vento é quase impensável, apesar de chover muito. Naquele final de tarde estava sozinha, aguardando a hora do jantar em casa do meu amigo, e trabalhava. De repente ouvi um estrondo, a portada de uma das janelas bateu com tanta força que ficou presa até à minha partida, e com o susto, mesmo com o pé em gesso entre os dedos e o joelho, com 300.000 recomendações para nunca o apoiar no chão, dei um pulo da cadeira e fiquei em pé. Nesse dia, os deuses estavam de tal forma zangados, vá-se lá saber com quem ou porquê, que caíram árvores na cidade, voaram galhos, telhados foram levantados e tudo voou pelos ares. Foi um problema dramático e os resultados de gravidade, já que 11 pescadores desapareceram nas suas frágeis canoas utilizadas na pesca artesanal. Tempestade do mar, disseram alguns, e eu fiquei a pensar: numa ilha tão pequena, a tempestade poderá vir de terra?
Durante a fase-gesso houve uma tempestade, daquelas à maneira tropical, que já tinha vivido nas Caraíbas mas que julgava impossível em São Tomé. Afinal este é o país da não amplitude térmica, onde as temperaturas simplesmente não variam e se caracterizam pela constância e o vento é quase impensável, apesar de chover muito. Naquele final de tarde estava sozinha, aguardando a hora do jantar em casa do meu amigo, e trabalhava. De repente ouvi um estrondo, a portada de uma das janelas bateu com tanta força que ficou presa até à minha partida, e com o susto, mesmo com o pé em gesso entre os dedos e o joelho, com 300.000 recomendações para nunca o apoiar no chão, dei um pulo da cadeira e fiquei em pé. Nesse dia, os deuses estavam de tal forma zangados, vá-se lá saber com quem ou porquê, que caíram árvores na cidade, voaram galhos, telhados foram levantados e tudo voou pelos ares. Foi um problema dramático e os resultados de gravidade, já que 11 pescadores desapareceram nas suas frágeis canoas utilizadas na pesca artesanal. Tempestade do mar, disseram alguns, e eu fiquei a pensar: numa ilha tão pequena, a tempestade poderá vir de terra?
E hoje como naquele dia, o vento bate nas janelas levando tudo pelo ar...
sexta-feira, 25 de março de 2005
Hussel
O chocolate Hussel é fantástico porque aromático, com uma coloração apelativa e artisticamente bem feito, doce no paladar e encorpado. Para satisfazer os pequenos prazeres do meu dia-a-dia não é muito adequado porque tem preços incomportáveis, mas nas épocas festivas gosto de passar por lá, entrar e comprar alguns exemplares para oferecer às pessoas de quem mais gosto. Hoje andei, de Hussel em Hussel, à procura de ovos que, mesmo caros, estavam esgotadíssimos. Não havia um único, nem para comprar nem para ver. Rendi-me aos coelhos de chocolate, também magníficos e que cumprem bem a sua função. Mas quando se entra no site da Hussel percebe-se logo porque é que fabricam chocolates desde 1949.
Sanhá no Africanidades
O post sobre Sanhá no Africanidades está fantástico. Vale a pena ler e relembrar a Guiné Bissau, apesar da história se poder passar numa qualquer África.
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