Fazes-me falta...


À medida que envelhecemos deveríamos ter a capacidade proporcional aos anos de ser resilientes perante a dor da perda, aceitando-a. Mas não é assim. Nem sempre. Pelo menos, não comigo. O que sinto é precisamente o contrário, uma crescente intolerância à dor e uma profunda incapacidade em aceitar a perda de tudo o que mais gosto.
A vida parece ser uma construção imparável e só nos damos conta disso quando, de repente, aquilo que andámos a construir se desmorona. Nessa altura, somos assolados por um turbilhão de emoções, a maioria, conflituantes e de difícil aceitação. Tudo se confunde e o vazio invade-nos de repente e sem pré-aviso com um sentimento devastador que ganha terreno.
Sentimentos que, ao longo do tempo, se aprofundam, relações que se enraízam, laços que se estreitam até ser imperceptível onde começa uma parte e acaba a outra. A vida mistura-se e confunde-se e habituamo-nos a viver assim nesta rede emocional que não se desfaz até que um dia um dos elos se quebra. A perda ganha espaço, a saudade invade os segundos e domina os dias, não nos deixando margem para fazermos escolhas. A vida perde sentido e a força esmorece dando a sensação de desfalecimento.
Cada perda que a vida impõe diminui a minha capacidade de resistir e de aceitar a ausência marcando uma parte de mim para sempre. 
Fazes-me falta e, independentemente do tempo ir passando rapidamente, a expressão do teu olhar está retida na minha memória e todos os dias te relembro.

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