domingo, 27 de fevereiro de 2005

Abrandamento

Não parando por completo, o ritmo da escrita vai abrandar por duas semanas, mais coisa menos coisa. Motivo: África...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Ver, rever e sonhar

Novas fotos de São Tomé, em particular do Príncipe, em Caminhadas e Descoberta
A ver e rever, nunca cansa porque nunca é demais sonhar com o que não se conhece, viver e reviver momentos a partir de imagens, de fotografias e de palavras.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

YESSSSS

YESS! YESS! YESS!
Hoje foi um dia muiiiiiiito importante!!!

Estou farta, cansada, saturada!

Estou farta, cansada, saturada de gente que vem e vai ao sabor do seu próprio egoísmo. Que chega de rompante, invadindo o tempo e o espaço como se tivesse esse direito, e que parte com a maior das facilidades porque... vá-se lá saber porquê, quando muitas vezes o próprio desconhece as razões. Porque já chorou, estrabuchou e gritou contra alguma coisa ou alguém, aliviou o desespero e quando se sente melhor, bem e feliz, decide partir porque a função de ombro foi cumprida.
Estou farta, cansada, saturada de gente que usa, põe e dispõe, sem cuidado de recolocar no mesmo local onde encontrou a atenção, o carinho e o afecto, a compreensão e a palavra amiga, que não se preocupa com mais nada a não ser consigo próprio.
Estou farta, cansada, saturada de gente que está sempre acima de qualquer outra coisa, que se sente acima dos outros, que se reconhece o direito de recolher cuidados e preocupações, sem olhar para trás e para o lado só para se certificar que não estragou o caminho por onde passou, e que não se reconhece o dever de perguntar aos outros - como estás?

Sherlock Holmes da vida alheia

Algumas histórias faziam-me lembrar historietas e historinhas mal contadas e mal elaboradas. Havia sempre uma pontinha que não encaixava, um pormenor solto que não fazia ali falta, uma relação de factos que não fazia sentido. Sentia-me um Sherlock Holmes de trazer por casa, a tentar encontrar as ligações e a coerência possível. Mas infelizmente o sentido perdia-se facilmente e ficava apenas com vontade de perguntar, sabe-se lá a quem:
- Não te esforces tanto com os pormenores, simplesmente porque não fazem sentido. Estás a tentar dizer-me alguma coisa de forma indirecta? Ou a querer confirmar algo que estejas na dúvida? OK, se é isso então, vai directa ao assunto. Torna-se mais simples, menos desgastante e mais honesto do que estar a inventar enredos que rapidamente e com a maior das facilidades são desmontados... não achas? É que o trabalho que me dá ser o Sherlock Holmes da vida alheia, a milhares de km de distância, é uma função chata e pouco compensadora, sobretudo porque não me sinto habilitada para tal... E se o querem fazer comigo, é mais fácil perguntarem directamente. Não há muito para saber, e ninguém, a bem dizer da verdade, tem que ver com isso, mas enfim, quem não tem mais com o que se ocupar, preocupa-se com a vida alheia...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Grandes pancas

- Há pessoas com grandes pancas e que são capazes de fazer coisas que tu nem consegues imaginar - afirmou ele com ar certo.
- Pois não sei. O que não entendo é a razão que move as pessoas a inventarem situações, a marcarem encontros simplesmente para chatear a cabeça a alguém, apresentando propostas supostamente consistentes, criando expectativas e alimentando futuros que nunca chegaram a ser, a...
- Ouve o que te digo, há pessoas que têm cada panca... e cabe-te a ti saberes identificá-las para não caires uma e outra vez - reforçou ele com ar entendido.
- Pois... grandes pancas... uns tentam curar as suas, criando nóias na cabeça dos outros. Isso é que é. Má formação, mesquinhez, pequenez, falta de vida própria. Estou farta de gente assim - respondi-lhe irritada.

Na minha vida

Na minha vida e nas minhas passagens por África agradeço:
1. Aos meus verdadeiros amigos (onde se destaca a minha família), que estão presentes sempre que deles preciso, com os quais tenho prazer em estar e que sei que, independentemente do que fizer ou do que acontecer, estão ali prontos para me ouvir, secar as lágrimas que os meus olhos deixem escapar e rir em conjunto de tudo e de nada;
2. Aos meus amigos contextuais, que é sempre bom rever, com quem passei momentos de alegria, de dúvida e de tristeza, na procura de uma relação mais forte e que tem vindo a crescer e a sedimentar-se;
3. Aos meus conhecidos prazeirosos, com os quais é bom trocar duas ou três palavras e um sorriso, partilhar o tempo de um café, um jantar de quando em vez, mas que o tempo e as contingências da vida não permitiram que a amizade fosse construída;
4. Aos meus conhecidos, com os quais não tenho empatia nem antipatia;
Mas principalmente:
5. Aos meus "não amigos", por me terem permitido crescer, melhorando-me a mim mesma na tentativa de ser diferente deles, recusando a mesquinhez e a pobreza de espírito que os caracteriza;
6. Aos equívocos que, com o tempo, me ensinaram a distinguir o verdadeiro do falso, o amigo verdadeiro e leal do dissimulado e enganador, a prioridade do supérfluo. Estes foram os que na realidade me enganaram porque, em algum momento, confiei na bondade aparente, na simpatia forjada, na simplicidade demonstrada, na confiança facilmente oferecida. Estes foram os que, da pior forma, me ensinaram mais, aqueles que jamais me voltarão a enganar e, de todos, os que ignoro e sobre os quais não quero nunca mais ouvir falar. Apesar de tudo, são os que insistem em se manter nas proximidades da minha vida, tentando prejudicar. Dá vontade de lhes dizer - desistam porque já não conseguem - mas nem vale a pena, um dia hão-de cansar-se!!!!

Soluções

- E quando África está no horizonte dos teus sonhos e fica a um passo de o alcançares?
- Fico triste porque sonhei com o que não realizei
- E o que fazes a seguir?
- Penso nas razões porque não consegui realizar o sonho, choro um pouco, tenho de confessar. Mas como não posso chorar eternamente, delimito uma estratégia para recuperar o tempo perdido. Se vejo que não vale o esforço, penso que Deus quando fecha uma porta, abre sempre uma janela. Sorrio e, de repente, percebo que a vida sorri também para mim, com ou sem África.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Perdão

E a capacidade de uma mulher em perdoar, fazendo desaparecer os piores momentos que algum dia pensou viver, é infinita. Muitas vezes basta um sorriso, um olhar, um toque, uma palavra doce ou ver as lágrimas correr pela face de quem lhe fez mal. Primeiro lamenta-se, chora, grita. Parece que lhe estão a tirar a vida célula a célula. Quem se preocupa com ela corre, muda a vida e desfaz os planos só para a acompanhar, para lhe dar força e ajudar a passar aqueles segundos dificeis. Mas de repente o discurso muda, altera-se e quem a ouve subentende nas palavras o perdão que há-de vir muito mais depressa do que se poderia imaginar quando se ouviu as primeiras frases envoltas por lágrimas sofridas. E, quase a seguir, vem um sinal de boa disposição e de reconcilização - a ausência de notícias, de mensagens tristes ou contentes, tanto faz. E nós ficamos simplesmente sem perceber o que pode causar tamanha mudança em tão curto espaço de tempo. Mas ainda bem, sei lá eu, que se entendam!

Tem de haver...

"There's always a way to save the day", é verdade. Tem de haver uma forma. Não sei qual mas tem de haver.

E agora...?! Perguntam alguns

Agora, vamos pôr mãos à obra e trabalhar com esperança numa mudança que se faça de coerência e competências, de esperança e de vontades, de apoios e de equilíbrios, de parcerias e de objectivos definidos e reconhecidos como comuns, de capacidades comprovadas, sem arrogância e com a humildade própria dos sábios, sem atender a boatos e difamações gratuitas, mas antes fundamentada nas certezas que permitem andar em frente, com brio e confiança!

domingo, 20 de fevereiro de 2005

Já fui

Portei-me bem e lá fui, pela manhã, cumprir o meu dever e exercer um dos direitos que, enquanto cidadã portuguesa, me assistem. Fui contente e consciente do que ia fazer e estou tranquila.
E vocês, já lá foram? Já passa das quatro e meia e só podem passar por lá até às sete da tarde!!!

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Visão Rodoviária

Que as relações podem ser vistas como estradas todos sabemos. Mas o que é curioso é a cada tipo de estrada, um tipo de relação:
1. a relação autoestrada - segue direita, sem precalços e a alta velocidade, requerendo uma taxa, relativamente à qual se reclama sempre de ser excessiva
2. a relação estrada nacional - congestionada mas mais barata que a autoestrada, chegando invariavelmente ao mesmo destino, se bem que requer mais tempo
3. a relação estrada de montanha - cheia de curvas e acidentes de terreno, com muitos riscos mas envolvendo grande emoção
4. a relação rua de cidade - sem interesse, monótona e com muito trânsito, um pára-arranca permanente
5. a relação rua sem saída - sem comentários...

O problema

O problema não radica na impossibilidade, mas na incapacidade associada à falta de vontade de aceitar que não pode ser.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Hakuna Matata

E, sem saber cantar, esta noite ao jantar vou dar o meu melhor por incutir na minha amiga o espírito Hakuna Matata brilhantemente expresso em "O Rei Leão"!!!

Hakuna Matata! What a wonderful phrase
Hakuna Matata! Ain't no passing craze
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
Hakuna Matata?
Those two words will solve all your problems
I'm a sensitive soul though I seem thick-skinned
And it hurt that my friends never stood downwind
And oh, the shame He was ashamed
Thought of changin' my name What's in a name?
And I got downhearted How did ya feel?
Hakuna Matata! What a wonderful phrase
Hakuna Matata! Ain't no passing craze
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna--
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
(Repeats)
I say "Hakuna"
I say "Matata"

Amor ou doença?

Teoricamente, quando vimos uma amiga a sentir o desespero do abandono e da rejeição, devemos chamá-la à razão e dizer-lhe:
- "Esquece! Para ter tido esta atitude, ele não te merece. Segue a tua vida para a frente. Já viste como és gira, esperta, inteligente, conversadora, uma mulher interessante e que desperta as atenções masculinas. Porque ficas nesse sufoco? Gostas dele mas tens de ver que ele só te está a prejudicar com este chove não molha, quero-te, amo-te e desejo-te mas depois... passa-se e trata-te mal. Só não te bate porque a violência que ele utiliza nas palavras e a forma como te destrata é inqualificável. Tens de aprender a gostar de ti primeiro e só depois terás uma relação equilibrada, com alguém que te faça feliz, que te queira bem, que se preocupe contigo, que te ame de verdade."
Mas antes de conseguirmos dizer o que quer que seja, ao vê-la num desespero tal que nem mais vontade de viver demonstra, ficamos sem palavras. Impotentes, simplesmente porque nem mais acreditávamos que ainda houvesse amores assim. Aquela mulher, bonita de cara, corpo e alma, está num sofrimento indescritível porque tinha um sentimento, por aquele moço com alma de pássaro, grande, imenso, infinito. Não se vê sem ele porque criou uma dependência excessiva, acreditou piamente nas palavras, não pôs em causa 1 milésimo de segundo que fosse.
E agora eu dou comigo a pensar - mas afinal tinham razão quando me diziam que o amor se podia transformar numa doença, e eu não acreditava...

Dúvidas sobre a dignidade afectiva

1. Será que a resolução dos desgostos amorosos e dos equívocos emocionais requer sempre um afastamento, uma rutpura, um "adeus para sempre que nunca mais te quero ver" ou um "sai, sai da minha vida"?
2. Ajudará o distanciamento a sarar as feridas, deixando-nos menos magoados?
3. Quando fomos infinitamente magoados, serão os retornos possíveis?
4. Ao ouvirmos um "não me escrevas nunca mais" ou um "esquece-me" sentimos a nossa dignidade profundamente ameaçada. Será algum dia possível eliminar estas frases da nossa memória?
5. Haverá um limite padronizado para dizermos conscientemente a nós mesmos "Chega! Este gajo não me faz mais mal porque eu não deixo!"?
6. Porque será que, quando uma mulher é rejeitada, tenta arranjar biliões de justificações para consiguir ler na rejeição precisamente o contrário?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Amigos

Tenho vontade de abraçar a minha amiga que está a passar por maus momentos, confortá-la e dizer-lhe, como se diz a uma criança, que tudo vai passar rapidinho e que ela se vai recompor rapidamente. Mas estaria a mentir-lhe e ela não o merece. E creio até que não conseguisse aguentar mais uma série de "não verdades".
E tenho vontade de ir ter com o meu amigo, que está a uma distância incomportável para que me predispusesse a tal viagem, para falar com ele, ou melhor ouvir as razões dele. Mas creio que nesta altura, ele também não as tem e estará a viver momentos de dúvida, de incerteza, de confusão mental e afectiva.
É terrível, nestas alturas, sentirmos afeição pelos dois porque se torna muito mais difícil confortar um, esquecendo o outro. Mas eu só lhe queria dizer, a ele, tudo o que, de acordo com o que conheço dele, ele sabe e sente. Ela não merecia nada do que está a viver. Não assim, não desta forma, não à distância de uns simples 5.000 km - coisa pouca - não sem uma conversa, não apenas com um mail. Não, quando se viveram momentos difíceis há tão pouco tempo por situações idênticas. Não quando as expectativas são demasiado altas, tendo sido ele a criá-las, a alimentá-las e ela a recebê-las. Não assim, amigo.

Desconforto

É que, apesar de não ser nada directamente comigo, fiquei com uma sensação desconfortável para o resto da tarde. A vida de um europeu em África tem destas coisas. É por vezes, algumas... muitas mesmo, uma vivência repleta de contradições.

Atropelo Emocional

Como se pode definir um homem que:
1. pede a namorada em casamento, cheio de certezas, após uma fase conturbada de avanços, recuos e indecisões,
2. define planos para mobilarem em conjunto uma casa, combinam datas e fazem projectos para o futuro próximo,
3. passados dois meses de tudo ficar combinado, ele escreve-lhe dizendo que ela é tudo para ele – a mais terna das companheiras, a mais atenciosa das amigas e confidentes e a melhor das amantes – mas trocou-a porque, como qualquer homem, não consegue resistir a um bom par de pernas e mais alguns atributos complementares,pede-lhe que o esqueça, ficando tudo arrumado, via mail.
A esta simplicidade poder-se-ia dar o nome de “atropelo emocional”. Ela ficou destroçada, e assim continua, só chora e ameaça matar-se. Mas afinal, ainda haverá homens que mereçam tamanha abnegação depois de tal desfaçatez? Pois eu não creio que haja!

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...