Avançar para o conteúdo principal

Perplexidade e chuva de estrelas

Estou perplexa comigo mesma. Sempre fui fã de chuvas de estrelas, daquelas que acontecem de vez em quando no céu. Mas neste ano, o bichinho dos desejos a cada rasgo no céu foi-se. Vá-se lá saber porquê, ou talvez seja melhor nem pensar muito!!!

Há muitos anos vi uma chuva de estrelas com um namorado que com o tempo se tornou em amigo. Namorávamos na altura há coisa de um ano e eu continuava tão encantada por ele quanto nos primeiros tempos da conquista e da sedução. Não posso garantir mas creio que foi numa noite de 14 para 15 de Agosto e estávamos acampados numa quinta em Vila Velha de Ródão à beira rio, que pertencia a um estrangeiro, acho que inglês, a quem ele foi pedir para ali montarmos arraiais. Éramos só os dois, uma tenda, o meu ex-Peugeot 205 branco e pouco mais. Lembro-me que nos deitámos ao relento e ficámos ali a aguardar que uma chuva de estrelinhas começasse a cair sobre nós como se fosse um espectáculo em que o pano abria e os actores entravam e criavam cenas. Ainda hoje me recordo de estar com a cabeça em cima da barriga dele, que não tinha J, e de estar cheia de expectativa a contá-las porque cada uma que vinha representava um desejo. Nessa noite fiquei para lá de desiludida com tudo o que os locutores de rádio diziam das chuvas de estrelas porque elas não caiam assim tão rapidamente e era mesmo preciso estar com alguma atenção para as ver, apesar de estar escuro por não haver luzes na zona e da região ser propícia à observação.

Hoje a expectativa das chuvas de estrelas desvaneceu-se um pouco. Talvez porque já dei a oportunidade ao evento e ele não correspondeu às expectativas ou quem sabe se os desejos estão a escassear por incredulidade ou cepticismo. A verdade é que hoje não penso olhar para o céu, muito menos às 2h da manhã, hora em que dizem que as estrelas cairão em força…

 

Mensagens populares deste blogue

Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
pau de pimenta;
óssame;
fruta pão;
farinha de mandioca;
Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
O tubarão de São Tomé é uma dessas particularidades, à volta do qual se tecem considerações, se contam histórias e se criam mitos, a maioria sem certezas. Sempre ouvi falar muito acerca do tubarão e nem sei porquê, talvez por ser um animal pouco simpático, que não permite grandes contactos com o Homem e que, apesar de tudo, existe em grande quantidade por aquelas águas. A maioria revelava desconhecimento sobre tipos e quantidade, principais riscos e ameaças, número de ataques e praias onde aparecem mais frequentemente. Mas as conversas evidenciavam sobretudo medo e desconforto. Havia quem: tivesse terror de o encontrar; dissesse já o ter avistado numa passagem de ano no pontão do Marlin, que era inof…