
A avó tem uma infinita paciência para o moço, de tal forma que brinca com ele aos leões quando está em terreno sólido e aos golfinhos quando o meio é aquático. Uma das tias brinca, e fala com ele, como se tivesse a mesma idade, ou seja aos pulos, aos chapões “bomba” e às corridas para ver quem nada mais depressa. A outra faz de cavalo no meio da piscina de água salgada, com ele nas cavalitas, a dizer “anda cavalinho”. É um espectáculo certamente lindo de se ver porque ao olhar para as bordas e cadeiras em volta, as caras apresentam um sorriso divertido, dando a sensação que a hora do sono ficará para mais tarde porque, na verdade, é impossível descansar com aquele quarteto por perto. Uma das tias, a mais nova, refila com a outra porque, em certas ocasiões, ela parece bem mais nova do que a criança, fazendo mais barulho e alarido.
A dada altura, e enquanto a tia mais séria descansava um pouco, o mocinho pega no telemóvel e começa a disparar fotografias, dizendo com um ar satisfeito da sua obra “Gi, ficaste muita gira”, e guarda o telemóvel no saco. Ela sorri e fecha de novo os olhos até que o telemóvel começa a tocar. Ela atende com voz ensonada, vê que é um amigo com quem faz alguma cerimónia, e ouve do outro lado da linha: “então, está na praia?”. Ela responde “é como se estivesse, estou na piscina”. E ele com uma voz que ela não lhe reconhece diz “Ah... e está a meter-se comigo, não é?”. Bem, não é que ele seja um estafermo completo, mas não fazem o género um do outro, além dele ter o requisito da inviabilidade: é casadíssimo, pai de prole em crescimento, e ela não está nada virada para confusões. Como é hábito, ela respondeu com um ar indignado e irritado “EU...?! Era só o que me faltava realmente. Meter-me consigo, pois sim! Mas porquê?”. E de imediato ouve como resposta “Porque acabou de me enviar uma foto sua, em que só aparece a cara e o peito e eu não percebi se estava a meter-se comigo”. Ela só teve mesmo tempo de dizer que “Não não não, foi o meu sobrinho que esteve a brincar com o telemóvel, a tirar fotografias e deve ter enviado para si”. E enquanto ela se desfazia em explicações com um ar constrangedor, já sentada e gesticulando, a outra tia, a avó e o fotografo desfaziam-se em gargalhadas, tão sonoras que eram audíveis do outro lado da linha.
Pois querem um conselho??? Não deixem crianças de 6 anos e meio brincar com os vossos telemóveis porque só sai disparate...