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O desespero ou a insustentabilidade?

E qualquer pessoa que passasse por STP poderia ter vivido esta saga! Simplesmente porque o Príncipe é uma ilha que faz parte do imaginário de qualquer conhecedor ou interessado por Africa, por ambiente e por turismo. E a única forma razoável de lá chegar em tempo útil era recorrer às asas do bichinho que está retratado para a posteridade no post que se segue.

O que é mais irónico e estranho, ao mesmo tempo, é que ainda ontem este avião efectuou as ligações “para e de Libreville” e “para e do Príncipe”. Não há dúvida que o aparelho era resistente, mais do que muitos poderiam pensar dadas as avarias que de vez em quando lhe sucediam. Mas supostamente eram pequenas maleitas, percalços num caminho que se quis que fosse mais longo do que poderia ser. O "coração" não era de ferro e ele já não era nenhum adolescente. Esta é a primeira e a principal lição que se pode retirar desta aventura. As outras aparecem na sequência, de forma a que jamais nos esqueçamos que o acaso faz parte da vida e que nem sempre traz boas surpresas: nada é eterno; nada dura para sempre; tudo precisa de ser cuidado, tratado, alimentado... senão acaba por morrer, definhar, desaparecer!

No caso, ninguém quis tomar muita atenção, nem aos sinais que de vez em quando emitia, queixando-se da idade, nem à opinião técnica do piloto, que o conhecia melhor do que qualquer outra pessoa porque com ele partilhava tempos e espaços, numa intimidade própria dos que se sentem familiarizados.

E agora, como o que não tem remédio, remediado está, é preciso assentar os pés no chão e encontrar alternativas e andar para a frente, ou para ser fiel ao tema, voar bem para o alto. Não é fácil mas certamente é possível. E não se pode deixar passar muito tempo com reflexões aprofundadas. Há que agir com rapidez e de forma certeira. Só que o cenário não é brilhante nesta fase em que as finanças nacionais deste país dependente a mais de 80% da ajuda externa estão a tocar no fundo, havendo até quem diga que se tornou insustentável e inviável do ponto de vista económico, apesar do petróleo, do turismo, do cacau que continua a apodrecer na árvore porque não compensa colhê-lo, ou do café “que dá trabalho por demais”...

Eu quero continuar a acreditar que esses são apenas pessimistas, os cépticos, os destrutivos. Mas... às vezes dou comigo mesma a pensar: “estarei eu apenas a sonhar???”

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