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Contemplação em final de tarde

Ao observar o bando de pássaros que voa, dançando numa coreografia bem organizada e cheia de sensibilidade, dou comigo a pensar que gostava de poder voar e contemplar mais de perto o céu, o horizonte, as árvores, os animais terrestres e até os Homens. A perspectiva dos pássaros é magnífica e privilegiada. Depois, e enquanto animo apresentações em powerpoint sobre educação ambiental em África, oiço um cão vizinho, que tem por dono um veterinário onde eu naturalmente nunca levaria um animal meu, num lamento tão sofrido que faz bradar os céus, tirando a paciência aos mais tolerantes. Como é possível que um animal emita sons confrangedores e tão sentidos. Ai... já falei com ele várias vezes: com o cão, porque o dono só pode ser uma pessoa intratável. Ao ouvir-me, cala-se, porque o que quer é companhia, mas quando regresso, recomeça na lamúria de quem se sente sozinho e abandonado numa fria tarde de sábado. O mar, lá ao longe, está tranquilo, denso e escuro, contrastando com um céu, que poderia ter sido pintado pelos deuses, que é como quem diz por mãos inspiradas: cinzento rosado com nuvens de todos os feitios possíveis e imaginários, paisagem que é quebrada apenas pelo esvoaçar dos pássaros, o bando dançarino que tanto me deslumbra e encanta...

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Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
pau de pimenta;
óssame;
fruta pão;
farinha de mandioca;
Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
O tubarão de São Tomé é uma dessas particularidades, à volta do qual se tecem considerações, se contam histórias e se criam mitos, a maioria sem certezas. Sempre ouvi falar muito acerca do tubarão e nem sei porquê, talvez por ser um animal pouco simpático, que não permite grandes contactos com o Homem e que, apesar de tudo, existe em grande quantidade por aquelas águas. A maioria revelava desconhecimento sobre tipos e quantidade, principais riscos e ameaças, número de ataques e praias onde aparecem mais frequentemente. Mas as conversas evidenciavam sobretudo medo e desconforto. Havia quem: tivesse terror de o encontrar; dissesse já o ter avistado numa passagem de ano no pontão do Marlin, que era inof…