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Diferentes perspectivas

Às vezes, e sem nos darmos conta, escrevemos textos que geram discussões sem fim por diferenças de perspectiva. Ora sigam o meu raciocínio: certo dia passei por um local que conheci bem, e que na génese senti sempre que fazia parte de mim, mas que, por ter estado durante um período fora, não visitava há algum tempo e notei diferenças. Falo de Sesimbra. Achei que, com as mudanças, ficou mais feia porque olhei em volta e percebi que a construção civil aumentou de tal forma que tive a sensação que alguns espaços desapareceram e que o crescimento urbanístico passou a pôr em risco a entrada do sol nas ruas, fazendo com que perdesse a graça. Cheguei a casa e escrevi um longo texto sobre a desagradável imagem que retive, desabafando para o mundo que aquela vila, onde antes me sentia segura, aparenta hoje uma paisagem diferente e que essa diferença me desagradou. Passados alguns meses, ou seja apenas há uns dias, um defensor do progresso, da inovação e da mudança da terra comentou a minha mensagem com ar de ofensa e desagrado, diria mesmo com um tom pouco simpático, quase me chamando de pouco civilizada e desconhecedora da realidade sobre a qual falei antes. A minha perplexidade foi total já que o que procurei traduzir naquelas palavras não foi mais do que uma forma de sentir pessoal e que também encontrei noutras pessoas. Mas como não costumo apagar os comentários resolvi responder directamente e o mais civilizadamente que consegui. Isto tem dado uma tamanha conversa e troca de palavras, nem sempre simpáticas que até fui chamada de presunçosa. É uma chatice as pessoas não respeitarem as diferenças de opinião e de perspectiva, estarem permanentemente a questionar os outros como se os quisessem pôr à prova, e disputarem uma troca de palavras como se esta fosse a competição das suas vidas. É que nem sempre estamos com vontade de competir e guerrear e quando emitimos opiniões pessoais, a maioria das vezes, não procuramos fazer mais do que isso. Mas há pessoas que também têm uma perspectiva diferente acerca disto...

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Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
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tomate;
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Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
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