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O "Nómada da Pós Modernidade"

Quando pensava nele não sabia como o definir. Ao fim de um bom par de anos, desde que se tinham cruzado pela primeira vez numa África imensa, que ela definiria mais tarde como “o Grande Espaço”, porque olhando para a paisagem a imagem que retinha era de uma área infinita, conseguiu por fim encontrar uma expressão para o definir. Aquele era o que em Sociologia se chamaria de “nómada pós moderno”. Não parava quieto mais do que dois anos no mesmo local, e dois anos representavam a eternidade. Fugia dos outros, da vida e de si próprio. Procurava dar a ideia de ter uma elevada auto-estima, e por essa razão dava-se ao luxo de tratar os outros de forma variável, mas quase sempre mal. Tornava-se arrogante com as graçolas, dizia mal da África onde estava oficialmente para reconstruir a vida que lhe pregara partidas incontáveis apanhando-o desprevenido, mas na verdade estava ali de passagem e sem grandes expectativas. Enganava-se enganando os outros. Era um daqueles que se serviam das Áfricas deste mundo em proveito próprio e não pela paixão que poderia nutrir pelas terras e pelas gentes. Este “nómada pós moderno” era o tipo de pessoa que quem ama verdadeiramente África não quer encontrar, mas que infelizmente é muito mais comum do que se pode pensar à partida.

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Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
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óssame;
fruta pão;
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Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
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