Avançar para o conteúdo principal

Uma surpresa agradável

Um dia recebi um mail de um membro de um e-grupo de debates sobre STP, ao qual pertenço desde o início da sua constituição, dizendo apenas "preciso de falar consigo". Pensei cá para comigo "quem será este e o que é que quererá?". Respondi-lhe. Ele queria essencialmente ouvir as minhas impressões acerca do projecto que estava a implementar no arquipélago, uma iniciativa de TT, inédita e com particularidades. Afinal eu trabalhava sobre países africanos há algum tempo, conhecia muito bem STP e estava a preparar a pesquisa para o doutoramento, sobre turismo ecológico, o que implicava uma deslocação longa com estadia por lá.
Não fiquei imediatamente seduzida pela ideia, devo confessar, e adoptei uma atitude crítica em relação a muitos aspectos, entre os quais a organização, o planeamento, a preservação ambiental e os cuidados a ter nessa matéria, a forma como os contactos interculturais iriam ser estabelecidos e por aí fora, os cuidados de saúde pública a ter. Fiz recomendações sem fim e alertei-o para os principais riscos - às tantas parecia um corvo agoirento. Mas eu conhecia bem o país, as comunidades locais e principalmente os estrangeiros residentes, estes aparentemente sempre disponíveis mas na realidade apenas à espera do primeiro precalço para darem início à sessão de crítica e maledicência. Eu não queria que isso acontecesse.
A minha ideia era - e é ainda - que o projecto tinha de ser bem sucedido a todos os níveis, e assim muitas mentes supostamente pensantes e influentes iriam ficar sem fala com os resultados. Não poderia haver por onde pegar e para isso tudo tinha de estar perfeito.
Começámos a trocar impressões através de mail e do msn, comigo sempre de pé atrás, representando para ele uma medida de aferição da receptividade e da exequibilidade do projecto. Passou muito tempo, desde as conversas iniciais até ele me convencer que era uma iniciativa de cooperação, ambientalmente integrada e promotora de intercâmbio cultural assente no respeito e na valorização das diferenças.
Acabei por o conhecer em STP, passado um bom par de meses. Encontrámo-nos por lá poucas vezes e, quase sempre de raspão, jantámos em casa de um amigo meu uma vez e a minha atitude crítica manteve-se sempre presente.
Aquando da realização da primeira edição, apoiei-o em STP, escrevendo, mais do que uma vez, para a "revista piá", estabelecendo alguns contactos instituicionais e resolvendo questões pontuais. A minha visão crítica foi-se mantendo em certa medida até hoje. Mas ganhei carinho pela iniciativa e fiz um amigo, que se preocupa comigo e me apoia quando necessário. Ele pode bem dizer o mesmo em relação a mim. Na verdade, os contactos por mail diminuiram e pelo msn terminaram simplesmente, mas, de quando em vez, escrevemos a saber notícias e vamo-nos mantendo informados sobre as evoluções pelas quais vamos passando. O projecto, esse, contiuou e continuará, apesar da minha perspectiva mais cautelosa e das apreensões que me caracterizam naturalmente, vai sendo aperfeiçoado com o tempo. Quem sabe se não radica na preserverança tranquila do João Brito e Faro o sucesso da iniciativa.
Mas, quando penso naquele mail inicial, devo reconhecer que resultou num conjunto de agradáveis surpresas.

Mensagens populares deste blogue

Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
pau de pimenta;
óssame;
fruta pão;
farinha de mandioca;
Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
O tubarão de São Tomé é uma dessas particularidades, à volta do qual se tecem considerações, se contam histórias e se criam mitos, a maioria sem certezas. Sempre ouvi falar muito acerca do tubarão e nem sei porquê, talvez por ser um animal pouco simpático, que não permite grandes contactos com o Homem e que, apesar de tudo, existe em grande quantidade por aquelas águas. A maioria revelava desconhecimento sobre tipos e quantidade, principais riscos e ameaças, número de ataques e praias onde aparecem mais frequentemente. Mas as conversas evidenciavam sobretudo medo e desconforto. Havia quem: tivesse terror de o encontrar; dissesse já o ter avistado numa passagem de ano no pontão do Marlin, que era inof…