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Amendoeira em flor

À porta da minha casa vive uma amendoeira brava/selvagem. Ninguém a plantou, pelo menos que se saiba, e ninguém se ocupa a cuidar dela. Todos os anos em Janeiro floresce e, de ano para ano, com maior robustez e vigor. Creio que este ano está no seu auge: cheia e de tal forma carregada de flores brancas que não caberia nem mais uma. Todos os dias, pela manhã e à noitinha cruzamo-nos e troco duas ou três palavras com ela. Pouco percebo de flores mas dizem que gostem que se converse com elas, mas percebo de pessoas e tenho a certeza que a conversa nos faz bem, temos a sensação que nos ouve e que partilha connosco as alegrias e as tristezas, as angústias e as preocupações, os desejos mais profundos. Quando está vento, como hoje, os ramos baloiçam, as flores e as folhas, que as acompanham, mexem-se, fazendo-nos acreditar que têm a sua própria capacidade de comunicar, concordando connosco, ou pelo contrário fazendo-nos ver que não estamos certos e que devemos ouvir a voz da razão. E hoje, apesar do vento, que soprava com intensidade, a amendoeira em flor estava acompanhada de uma lua, meia cheia meia vazia, mas muito luminosa. Foi uma imagem absolutamente inspiradora e tranquilizante.

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Calulu de Galinha, Pato ou Porco

Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
pau de pimenta;
óssame;
fruta pão;
farinha de mandioca;
Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou ama…

O Tubarão de STP – I Parte

Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, das suas particularidades, as mais apelativas e as outras... que representam riscos, mas que, por essa mesma razão, têm também o seu “quê” de sedução.
O tubarão de São Tomé é uma dessas particularidades, à volta do qual se tecem considerações, se contam histórias e se criam mitos, a maioria sem certezas. Sempre ouvi falar muito acerca do tubarão e nem sei porquê, talvez por ser um animal pouco simpático, que não permite grandes contactos com o Homem e que, apesar de tudo, existe em grande quantidade por aquelas águas. A maioria revelava desconhecimento sobre tipos e quantidade, principais riscos e ameaças, número de ataques e praias onde aparecem mais frequentemente. Mas as conversas evidenciavam sobretudo medo e desconforto. Havia quem: tivesse terror de o encontrar; dissesse já o ter avistado numa passagem de ano no pontão do Marlin, que era inof…