terça-feira, 1 de abril de 2008

Déjà vu...

Há alturas em que, qual Lei de Murphy, tudo o que tem de acontecer... acontece!!! As condições astrais parecem encontrar-se e, de forma bem cuidada, tornam os dias de uma pessoa numa sucessão de acontecimentos pouco felizes. O meu pé esquerdo voltou a sofrer os percalços e o desconforto de quem não vê por onde anda, fazendo relembrar momentos e vivências de STP, algures em Janeiro de 2003. Tinha acabado de regressar de Lisboa, após o Natal passado em família como é hábito e manda a tradição. Convidaram-me para ir fazer uma prospecção de um novo percurso de caminhadas no norte da ilha, bem no meio da floresta e eu aceitei contente e feliz porque era mesmo para isso que lá estava. A correr fui até casa buscar umas botas de borracha, para reduzir os riscos de um encontro com uma ou outra cobra preta. E sempre correndo coloquei mal o pé na borda de um passeio onde tinha havido uma obra e que não ficara concluída, e, truz catrapus, lá fui parar ao chão para deleite de alguns santomenses que arranjavam quase eternamente o telhado do que viria a ser o edifício de espaço comum no bairro. Além de ter rasgado as calças, senti o pé inchar rapidamente e, ao olhá-lo, percebi que o cenário não era brilhante pois a pele estava já arroxeada.
Depois de tudo acabei por não conseguir andar, pelo que a possibilidade de realizar aquela caminhada virava sonho. O dia foi passado com gelo, recordo-me como se fosse hoje e, ao chegar à noite, tinha o pé num trambolho tão grande e com tão mau aspecto que lá fui ao Hospital ter com um médico português que lá prestava serviço e que conhecia há algum tempo. O diagnóstico não poderia ser mais animador: gesso ou internamento para manter o pé quieto e inactivo. A sensação que tive foi a de que durante três longuíssimas semanas o tempo pararia e a minha permanência não fazia qualquer sentido, sobretudo por não haver sequer canadianas disponíveis, nem pagando. Tudo acabou por se organizar, todos me convenceram a ficar e produziram umas muletas bem artesanais que resolveram o problema na altura.
Ontem, inexplicavelmente, tive a estranha sensação de déjà vu porque, uma vez mais, a dor voltou depois de colocar mal o pé num desnível de alcatrão, o pé voltou a inchar e eu lá fui fazer radiografias. Desta vez não saí de gesso mas com uma nova aparelhagem que me obriga a manter o pé quieto e imobilizado. E assim vou andar de novo durante 3 semanas, intercalando com a perna esticada em cima de uma cadeira para descansar. Diagnóstico...?! Pois foi ruptura dos ligamentos da articulação entre o perónio e a tíbia. Pode até parecer estranho, já que aparentemente tudo se passa junto ao tornozelo enquanto o perónio e a tíbia ficam mais para cima. Mas, ao que parece, é mesmo assim...!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...