quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Ai ai ai... Orfeu da minha alma

Ai ai ai... que a vida não é uma coisa fácil. Há quem diga que quem a faz mais difícil somos mesmo nós, mas eu sou céptica às vezes, não sempre. Mas há dias em que o cepticismo me invade e penso que algumas forças estão reunidas para nos dificultar a vida, pelo menos de quando em vez, por mais que a queiramos e desejemos fácil. Pois é, isto está hoje complicado... divaguei, viajei por outros blogs mas na véspera de um feriado pouco se pode exigir. Anda tudo no passeio e na galdeirice e a produção diminui. É a mais pura das verdades...

Mas passava eu pelo Digitalis e o que vejo... pois é o Mito de Orfeu continua e persiste, a velha questão do filho de Calíope (e de Apolo?), o músico dotado que, quando tocava lira, os pássaros paravam de voar para o escutar, casado com a bela Eurídice com quem viveu uma história trágica, como quase todas as de amor verdadeiro, culminando com a morte da amada e mais tarde com a sua própria morte.

“São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua”

Vinicius de Moraes, Soneto de Orfeu

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Posted by Brigida Rocha Brito to ÁFRICA DE TODOS OS SONHOS at 10/05/2005 12:01:13 AM


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