sexta-feira, 22 de julho de 2005

Sonhos

Desde pequena que sonho muito tanto de noite, quando me deito para dormir, como de dia, sentada num sofá, a contemplar o mar que se vê da minha janela ou a ouvir música. Gosto de sonhar e de me sentir noutros mundos, noutras vidas, a viver situações únicas e que não se repetem porque os sonhos só são sonhados uma vez.

Mas há sonhos que me dão a estranha sensação de “déjà vu”, já que acabo por viver alguns episódios sonhados em noites anteriores, quando o inconsciente está desperto e actua sem me dar conta da sua presença ou o desejar. Não são bons nem maus e é difícil qualificá-los. Muitas vezes não interferem directamente comigo mas com situações do dia-a-dia com que me confronto, que presencio ou que me contam.

Às vezes, tenho mesmo receio de voltar a sonhar porque o que me é revelado durante o sono nem sempre é bom e o medo está na pergunta que fica sem resposta ao acordar “e se isto acontecer mesmo?”. Por sorte a maioria destes meus sonhos, que só me aparecem em estado inconsciente, não se realiza: é que, muitas vezes, são absolutamente estranhos ao misturarem pessoas num campo surrealista... São terríveis, constrangedores, por vezes agressivos fazendo-me acordar a meio da noite em sobressalto.

Mas há ainda outros que me desconsolam, não pelas situações criadas mas sim por me dar conta que, ao acordar, eles terminam também. Estes são os sonhos bons, fantásticos, magníficos que ficam normalmente por terminar e na melhor parte, nos quais o desfecho nunca chega a ser conhecido e que me criam aquela necessidade de espreguiçar até à exaustão, sentindo que cada músculo é esticado até o corpo se sentir confortável. Estes sonhos são tão bons, tão doces, tão cheios de ternura e simpatia, com tanto afecto demonstrado sem medo, sem receio, sem vergonha que quase tenho vontade de pedir à fada, que tem o poder de me embalar num sono feliz, que me ajude com a varinha e os pós de perlimpimpim a dormir só mais um pouquinho, para poder viver por mais uns minutinhos aquela excelsa sensação do que é a felicidade.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...