quarta-feira, 23 de março de 2005

Bairro Alto

Há uns bons anos atrás, um dos meus restaurantes preferidos no Bairro Alto era o Cantinho do Bem Estar. O dono tinha dias de boa disposição para variar um pouco o sentimento de desconforto com a vida, que a cara evidenciava todos os dias. A comida não era do outro mundo mas tinha uma boa relação qualidade preço, procurando o espaço recriar a imagem bairrista, pequeno e acolhedor, compensando em grande medida o mau feitio do proprietário Tiago. Um dia discutimos porque, pensava eu, ele tinha obrigação de servir bem todos os cliente e eu, que lá ia muitas vezes na semana com amigos e familiares, escolhi o que ele me aconselhou e mal. Ele não admitiu e não se desculpou, antes pelo contrário, gritou que se fartou com um ar de dama ofendida e eu não voltei lá durante uns 4 ou 5 anos. Fui lá ontem e voltei a jurar para nunca mais, pelo menos até me lembrar. Ele continua ofendido, com a cara de sempre ou talvez um pouco pior, zangadíssimo comigo e mantendo a mesma má vontade em relação ao mundo em geral, que deve cultivar nas horas vagas. Pior, serviu-me de novo mal - o que valeu foi o arroz de tomate que continua magnífico, mas é imperdoável o peixe que serve.
Na véspera fui ao Caracol (Rua da Barroca, 14, telf. 213427094) que continua mais do que recomendável, ano após ano. Os donos cultivam a arte da simpatia e do saber servir, sugerindo o que de bom têm, o ambiente continua animado qb e muito acolhedor, a comida é excelente. Vale a pena ir uma e outra vez e voltar sempre.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...