segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Raio Verde I

Aqui ficam alguns excertos do que escrevi no artigo
(revista piá, Ano 1, Maio 2004, nº 18, pg. 22-24)

"(...) Muito se tem falado e discutido sobre o Raio Verde, havendo quem o refira como Azul, dependendo das condições atmosféricas e sobretudo da percepção do observador. Na verdade, ao longo dos tempos, o fenómeno adquiriu: um carácter místico, pelo mistério que a sua rara observação envolve; um sentido mítico dado que a observação é entendida como um ritual; uma conotação simbólica por ser equacionado com a esperança, a felicidade e a realização de desejos do foro emocional e afectivo. (...)"
"(...) Julio Verne, em “Raio Verde” (1882), é dos primeiros autores a descrevê-lo, «um verde que nenhum pintor, algum dia, conseguiria obter na sua paleta, um verde que não se encontra na variedade de tonalidades da vegetação ou que o mais límpido mar poderia produzir. Se houver verde no Paraíso, não pode ser mais do que a sua sombra, que é com certeza o Verde Verdadeiro da Esperança».Verne apresenta-o como um fenómeno único e de rara beleza, auspicioso, indiciador de bons momentos, convertendo o seu observador em pessoa afortunada. Na verdade, além do relato apresentado, o autor apela também à emotividade do leitor pelo misticismo implícito, recriando o momento em que o fenómeno pode ser observado.
No final de um pôr-do-sol no mar, quando a luz do Sol, antes de desaparecer, muda de cor e se torna amarelada, quem conseguir observar o verde do Raio verá os seus pensamentos e desejos mais íntimos, bem como os das pessoas à sua volta, magicamente revelados.(...)"

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...