Lembras-te de ouvirmos em conjunto - às vezes muito juntos - o "Honesty" do Billy Joel? Lembras, certamente porque o som acompanhava-nos no jantar dando direito a conversas sem fim, a sorrisos, a algum riso e muitos silêncios. Esta música também estava num dos cerca de 100 CDs que, quando parti, te emprestei, a teu pedido. Ou doei... ou dei... Vá-se lá saber que acasos desta vida fizeram com que tu nunca os devolvesses. Nem os CDs nem a pasta que os protegia. Vá-se lá saber a que mãos e ouvidos foram parar. E que corações foram tocar... Talvez eu até sempre tenha suspeitado, mas talvez isso agora não interesse saber. E também talvez nunca tivesse feito sentido procurar saber...
Esmiuçar o passado é desenterrar as memórias mais profundas, até aquelas que não queremos mais lembrar, por isso o certo é deixá-las estar no sítio de onde não devem sair...
Mas vou-te dizer uma coisa que talvez devesses saber. Para mim, o pior de tudo foi perder a pasta. Era de pele, genuína e tinha um valor, mais do que material, simbólico e afectivo. Não sabias e não tinhas de saber, tinhas apenas de devolver. Nunca mais a vi e custa-me acreditar - apesar de ser mais do que claro e óbvio para mim - que a ofereceste num momento de delírio estúpido, ou de falta de lucidez causado por um qualquer entusiasmo e empolgamento a que tanto eras dado.
Pois foi, apesar de tudo fui feliz contigo e tu foste tão infinitamente estúpido. Talvez ainda sejas. Acredito que a estupidez afectiva não se corrige, ao contrário, agrava-se com a idade e a tua já deve pesar um pouco. Se continuas estúpido, sinceramente já não me interessa comprovar. Deixo a tarefa da certificação para quem tenha vontade ou paciência para passar por provações dolorosas...!
NOTA BEM: os CDs eram cópias, o único valor que tinham era mesmo o sentimental por estar associado a uma época, e esse acaba por se esbater com o tempo até desaparecer...
Lisboa, 3 de Janeiro de 2018, a propósito de um sentimento perdido algures na proximidade do Equador