sábado, 31 de maio de 2008

Uma boa surpresa

Hoje recebi uma boa surpresa a antecipar um fim-de-semana de festa. Foi uma acção engraçada e que soube bem. Ao chegar à sala para uma aula sobre movimentos de população, e depois de termos já falado sobre a importância dos símbolos no reforço das identidades, deparo com uma mesa bem "decorada": duas caixas de Pastéis de Belém e uma réplica da Torre.
Quando falávamos do tema exemplifiquei a importância do sistema simbólico com uma conversa que tive em Santiago de Compostela num daqueles jantares animados que por lá se têm. Perguntaram-me então qual o símbolo em que eu falaria a um estrangeiro e que retratasse a identidade nacional. O primeiro que me ocorreu foi a Torre de Belém. O grupo com quem petiscava não acreditava no que ouvia. Para eles era um só: o Galo de Barcelos. Inacreditável para os meus ouvidos mas foi a mais pura das verdades! Aquela figura irritante que me deixa simplesmente siderada só de o ver.
A conversa virou uma disputa divertida de argumentos, principalmente porque um deles era coleccionador dos ditos Galos. Fiquei louca só de imaginar as prateleiras do imenso móvel da minha sala repletas de Galos de Barcelos de todos os tamanhos. Foi a loucura... hilariante!!! Como era possível um deles coleccionar aquele enervante e enlouquecedor de crista alta enquanto eu trago artesanato em forma de tartaruga de todos os lados por onde passo. Bem os tentei convencer que a Torre de Belém é um elemento identitário bem mais digno, que encerra uma história edificante e faz parte do imaginário orgulhoso de cada um que se sente português. Aquele magnífico edifício de arquitectura tem um significado e é uma referência identitária!!!
Na altura não fui bem sucedida nas justificações: de forma impensável para mim, os galegos ficaram com a ideia deles; da minha parte dormi mal porque aquela imagem não me saía da cabeça. Parecia praga! Bom... aqui para nós... não cheguei bem a perceber se foi só para avaliarem a minha reacção... porque... o Galo de Barcelos... ui... que nervos!
Ao longo das aulas, estes meus alunos andaram a provocar-me dizendo que já sabiam o que me oferecer no Natal... um Galo de Barcelos. Só de imaginar até sentia arrepios :-) Mas afinal sairam-se bem!!! E foi magnífico quando no fim da aula, bem devagarinho, abri uma das caixas, que tinham estado durante toda a sessão a tentar a minha capacidade de resistência, e confirmei que não era apenas uma provocação do momento. Ali estavam eles a olhar para mim. Redondos, estaladiços, au point e prontos a serem apreciados. Na verdade um Pastel de Belém faz maravilhas :-) Obrigada caríssimos!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...