domingo, 23 de julho de 2006

Sedutores e paciência...

De tempos a tempos, de 6 em 6 meses ou talvez com um espaço de tempo ainda maior, recebia um telefonema do estrangeiro. Um homem estrangeiro, europeu, de falas mansas e palavras doces que, quando a conheceu, se fez de galante incompetente, ao não ser capaz de distinguir a simples simpatia da conversa para sedução.
Não foi bem sucedido, tal como acontecia a todos os homens que a abordavam de rompante, sem subtileza ou delicadeza, com conversas excessivamente directas e avanços através da básica tentativa de observar todos os recantos da sua pessoa com as próprias mãos. Insuportável, pensava ao vê-lo enquanto sorria tentando encontrar uma saída sem recorrer necessariamente à expressão, guardada como último recurso, mas infelizmente utilizada mais vezes do que o desejável: DESAPARECE! E ao proferir a palavrinha mágica sabia que assinava uma guerra para a vida, porque associava-se sempre uma sacudidela brusca e seca. Não suportava pessoas intrusivas.
Este sedutor de meia tijela também não gostou da atitude dela. Homem que se diz homem não gosta de ouvir um "NÃO!" às babuseiras que diz a seu belo prazer, caindo no ridículo com a consciência de as dizer de forma sincera. Homem que se diz homem, e que se sente um eterno Don Juan, é mentiroso e ridículo, e para estes não há a menor paciência! Inicialmente demonstram-se desgostosos com ar de cão abandonado pela incompreensão feminina mas, como não esquecem e muito menos aceitam a negação do que para eles é uma evidência, mais tarde usam o "chega para lá" da pior forma, denegrindo a vida de uns e de outros com histórias de maledicências que jamais existiram. E mais uma vez acabam por cair no ridículo, sem se darem conta disso.
Mas ontem, o JE recebeu um telefonema da estranja, do tal lançando ares de sedutor. Fantástico... mas não há paciência! Enfim... cada um tem o seu karma e eu, por certo, ando a acumular os de vidas passadas!!!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...