segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Sobre o ensino em Portugal

Estava eu hoje, numa das minhas aulas, a falar sobre os baldios, terrenos utilizados comunitariamente e existentes há um bom par de séculos, mas cuja importância sofreu uma grande evolução ao longo do tempo, sendo ora valorizados, ora alvo de tentativas de eliminação quando um dos meus alunos, responde à questão, que eu colocara acerca da relação entre os baldios e o aumento das áreas florestais, da seguinte forma, e cheio de certezas:

- Ah Professora, já sei. Isso aconteceu mesmo na altura do Marquês de Pombal, quando ele mandou plantar o Pinhal de Leiria.

E perante a minha perplexidade e alucinação, ele reforçava:

- Sim sim, tenho a certeza. Foi mesmo nessa altura, por causa da construção das naus para os descobrimentos. O Marquês de Pombal é da altura do D. José.

Aí, eu já não sabia mesmo o que fazer... rir, sair da sala a correr ou simplesmente explicar que o Marquês de Pombal e o Pinhal de Leiria não se aproximam nem na época nem na estratégia de desenvolvimento, que o D. Dinis também existiu e que os descobrimentos ocorreram algures entre um e outro. Pois bem, evitei a fuga e, entre a hipótese hilariante e a pedagogia, lá lhes fui dizendo que não, que ele estava enganado, esperando que a colega pudesse ajudar mas nem assim porque, meio a medo ia lançando, e enquanto eu me mantinha incrédula:

- D. João... ou D. Sancho II?

Pois... é verdade que eles são de ciências mas quando lhes perguntei que História de Portugal é que eles tinham aprendido no liceu, a resposta foi demasiado simplista: tiveram uma disciplina chamada Geografia Histórica, e o que estudaram foi mesmo que reis casaram com que rainhas, que filhos tiveram e ainda as batalhas. Pois sim... pensei e disse: Mas não tiveram História de Portugal? É que no meu tempo tínhamos. A resposta não tardou e foi, no mínimo, muito animadora:

- Ah, mas isso foi no seu tempo, é que a Professora é muito mais antiga...

Ora bolas, tenho de admitir que o dia hoje não me correu assim lá muito bem. E eu a pensar que ainda era uma jovem mocinha com menos de 40 anos e sou definida como “muito mais antiga”...?! Assim, sem mais nem menos... como se fosse um móvel? OK, tenho de ver a parte positiva da definição... para alguns dos meus alunos... sou uma obra de arte!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...