segunda-feira, 11 de abril de 2005

Nostaláfrica III

Ser-se nostálgico com quem não conheceu, não viveu e não sentiu África pode ter duas consequências perfeitamente opostas. A saber:
1. Acham-nos uns chatos saudosistas. A conversa torna-se num monólogo, que termina muitas vezes em discussão e com a expressão ofendida e ofensiva "Mas se gostas tanto e é lá que te sentes bem, porque não vais para lá?". Nestes casos a conversa fica por aqui, depois de um levantar de voz em que os saudosistas e os não saudosistas tentam fazer valer os seus argumentos, sem o conseguirem e sem mudarem de opinião. É desgastante e torna-se, ao fim de algumas tentativas, um desconsolo traduzido em desencontros. Não vale a pena porque estas duas mentes nunca se hão-de entender no que a África diz respeito.
2. Acham-nos pessoas interessantes, com um passado repleto de vivências invejáveis e sedutoras, por termos conhecido culturas diferentes, ambientes ricos e cheios de diversidade. As conversas tornam-se num diálogo permanente de perguntas e respostas porque tudo o que contamos nunca é suficiente, já que os nossos interlocutores querem saber sempre mais do que aquilo que lhes contamos. Estas conversas são um desafio porque começamos a falar de florestas ou de espécies ameaçadas e acabamos a conversa nas práticas de feitiçaria. É que, em África, tudo tem relação com tudo. É impossível falarmos de um tema sem o relacionarmos com outros 30.000.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...