quarta-feira, 30 de março de 2005

Conversas desencontradas

E, em conversa com um velho conhecido de uma África inesquecível, onde não fui feliz, velho não pela idade que o acompanha mas pelo tempo em que nos conhecemos, ele disse-me:
- É um problema essa tua mania insistente de quereres ver amor em tudo, sem perceberes que esse é um imenso abismo que separa a tua vida do prazer. Pior, é um interminável labirinto do qual tens dificuldade em sair para veres o quão bela e feliz pode ser a vida. O amor só pode ser bom quando recíproco, igual, equiparado, e isso é tão raro... quando não é um sentimento chato porque frustrante... as amizades sexuadas são muito mais vantajosas.
Eu ri e ele continuou: - repara requerem respeito e acima de tudo verdade, ninguém engana ninguém, há reciprocidade e troca de afecto e de prazer, conversa-se sobre tudo e os intervenientes aprendem um com o outro. Mas não há o compromisso, a obrigação, o ciúme e a posse que se tornam tão irritantes e que desgastam a relação, fazendo com que o amor se vá...
- Mas sempre me conheceste assim, a acreditar no amor, não? Posso ser muito tradicional mas esse tipo de relação de que falas não é para mim, não me interessa sequer, está longe dos meus parâmetros e dos meus objectivos. Não é isso que quero para mim...
- Sim, sempre te conheci assim mas gostava que mudasses a forma como vês a vida. És demasiado sonhadora...
- Pois desilude-te meu caro, continuo a acreditar que o amor não só é possível como existe. E até te digo mais, quero continuar a acreditar porque sei que um dia vai ser recíproco. Não contigo porque não faz sentido, porque eu não gosto de ti nem tu de mim. Já gostei, mas não agora e tu nunca sentiste esse tipo de sentimentos por mim. Mas também não quero deixar de sonhar. Gostava sim que não insistisses...
- Não podes dizer isso com tanta certeza. Eu gostei, naquela altura gostei muito de ti e até há bem pouco tempo também. Mas agora já não. Não quero e não posso gostar de alguém que não me quer.
- Ah... ok... - disse eu para terminar a conversa. Na verdade não acredito numa palavra do que ele teima em repetir cada vez que fala comigo, de tempos a tempos. Mas também não vale a pena contrariá-lo porque senão, a conversa passa a discussão. E essa nunca quis ter. Muito menos agora.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...