quarta-feira, 6 de outubro de 2004

A minha primeira África (continua)

África sempre me fascinou. Foi um continente muito falado no decorrer da minha junventude, pelo qual fui criando um sentimento misto de curiosidade e apreensão pelo desconhecido. Começou por ser uma percepção contraditória que, a bem dizer da verdade, se foi perpetuando à medida que fui conhecendo um e outro país. A ideia inicial não mudou muito, portanto. Uma vida repleta de contradições, manifestadas por vontades interiores pouco consensuais, estranhas e difíceis de definir. Talvez por isso tão apaixonantes e sedutoras.
Parti para Bissau, o meu primeiro destino africano, em meados da década de 90, com a imagem fotográfica de uma África de filme, onde a savana imperava, habitada por animais selvagens de grande porte e onde tudo de bom - e só isso - poderia acontecer na vida de uma muito jovem senhora, a viajar sózinha por um mundo desconhecido.
Aterrei no aeroporto de Bissalanca a meio da noite - uma pista invadida por capim, repleta de pessoas que observavam o avião a rolar na pista, acompanhadas por cestos vazios, com fruta ou com peixe. A minha estranheza foi imensa e a minha curiosidade por saber mais e mais, impossível de descrever. As portas do avião abriram e as emoções que passavam por mim misturavam-se de tal forma que ainda hoje não as consigo definir.
A sensação mais evidente foi a de intensidade - de calor e de humidade, de cheiros misturados a terra molhada, fruta e mais qualquer coisa que inicialmente não percebi ao certo o que era.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...