quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Tristeza

Sim estou triste, poderia ter-te respondido quando me disseste que estava amarga e azeda em relação ao que por lá tinha vivido.
Mas os meus sentimentos não são de azedume ou de amargura e não têm que ver com a terra. Não! Têm que ver com a forma como as coisas acabaram por acontecer, como eu fui tropeçando perante uma assistência atenta, que não deixava nenhum deslise passar em branco, por estar ávida de escandalozinhos. E tu foste mais do que um deslise na minha vida.
Estou cansada de ser usada e falada, aproveitada e comentada.
Sim... já percebi que os contos de fadas só foram inventados para dar às crianças a ideia que a realidade não parece ser tão má quanto é. Já sei que os argumentos dos filmes, em que quase tudo acaba bem, só são mesmo possíveis nos filmes e que, se pegassem na minha vida para a passar numa tela, não teria o menor interesse porque sucessivamente as minhas histórias têm um final oposto ao feliz, ficando sempre com resquícios nos diferentes níveis da memória.
Não quero um príncipe, nem um cavalo branco, nem um resgate para uma vida só idealizada em sonhos. Mas quero ser feliz, ao lado de quem eu ame e que corresponda aos meus sentimentos.
Será que dá para tu entederes isso...?! Percebes agora? Não se trata de amargura ou de azedume.
Só que... não, claro que não percebes porque nunca te disse isso, porque não lês o que escrevo e nem sei se algum dia lerás, porque tenho dúvidas quando penso se quero que leias.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...