Consoada familiar e tranquila. Regresso a casa com a habitual passagem pelas ruas da Baixa para ver as iluminações e escolher a mais bonita rua de Lisboa. Um ritual que me acompanha desde que me lembro de ser gente. As ruas estão aparentemente desertas e as iluminações tentam dar cor e vida à cidade que parece deserta. Só parece porque os "sem abrigo" continuam por ali. Ao sair da casa que foi da avó e hoje é da tia onde sempre se passou a noite de 24, o coração aperta ao ver que as carrinhas da Comunidade Vida e Paz também circulam por ali, estando uma parada na Praça da Figueira e outra no Rossio. E isto tem dois significados: um desolador e outro espantoso. O primeiro diz-me que, de facto, a cidade continua a ter pessoas que vivem na rua - cada vez mais - e que não são apenas adictos ou desestruturados. São pessoas que perderam muito, quase tudo. Quase porque continuam com vontade de viver mesmo sem ter a possibilidade de apreciar o brilho das luzes, as cores ou o movimento das ruas. Pessoas que um dia foram como eu e que hoje não têm Natal, que tudo o que desejam é ter um sítio quentinho para dormir e que por isso se deitam em cima das grelhas de respiração do Metro. E ali estão uns quantos deitados no cartão que colocaram na grelha e outros que se aproximam de quem lhes pode dar o conforto de uma palavra, um copo de leite quente ou uma sandes. Aperta o coração. O significado espantoso é que, para que a carrinha circule e possa confortar na mínima proporção os que não têm qualquer conforto, há equipas de 4 a 5 pessoas que deixam de ter consoada, saem do conforto das casas da família e afastam-se das lareiras para passarem uma noite de reencontros gratificantes com quem nada tem, nada espera e agradece tudo. Acabámos por parar na Praça da Figueira e entregámos o que horas antes planeámos em excesso: um bolo rei, uma caixa de broas e outra de sonhos de leite. Não foi uma acção extraordinária de abnegação porque nada do que demos nos fazia falta e representou apenas numa migalha do que poderíamos ter feito naquela noite. Mas ajudou-me a perceber que gostava de regressar às equipas de distribuição de alimentos e conforto das quais fiz parte há tantos anos... 91...? 92...? Pensar que tantas e tantas vezes temos em excesso e que poderíamos partilhar... Pensar que com um sorriso e uma palavra podemos melhorar a noite desassossegada de quem dorme na rua... Dá vontade de regressar àquelas equipas...
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
sábado, 27 de dezembro de 2014
Noite de Consoada
Consoada familiar e tranquila. Regresso a casa com a habitual passagem pelas ruas da Baixa para ver as iluminações e escolher a mais bonita rua de Lisboa. Um ritual que me acompanha desde que me lembro de ser gente. As ruas estão aparentemente desertas e as iluminações tentam dar cor e vida à cidade que parece deserta. Só parece porque os "sem abrigo" continuam por ali. Ao sair da casa que foi da avó e hoje é da tia onde sempre se passou a noite de 24, o coração aperta ao ver que as carrinhas da Comunidade Vida e Paz também circulam por ali, estando uma parada na Praça da Figueira e outra no Rossio. E isto tem dois significados: um desolador e outro espantoso. O primeiro diz-me que, de facto, a cidade continua a ter pessoas que vivem na rua - cada vez mais - e que não são apenas adictos ou desestruturados. São pessoas que perderam muito, quase tudo. Quase porque continuam com vontade de viver mesmo sem ter a possibilidade de apreciar o brilho das luzes, as cores ou o movimento das ruas. Pessoas que um dia foram como eu e que hoje não têm Natal, que tudo o que desejam é ter um sítio quentinho para dormir e que por isso se deitam em cima das grelhas de respiração do Metro. E ali estão uns quantos deitados no cartão que colocaram na grelha e outros que se aproximam de quem lhes pode dar o conforto de uma palavra, um copo de leite quente ou uma sandes. Aperta o coração. O significado espantoso é que, para que a carrinha circule e possa confortar na mínima proporção os que não têm qualquer conforto, há equipas de 4 a 5 pessoas que deixam de ter consoada, saem do conforto das casas da família e afastam-se das lareiras para passarem uma noite de reencontros gratificantes com quem nada tem, nada espera e agradece tudo. Acabámos por parar na Praça da Figueira e entregámos o que horas antes planeámos em excesso: um bolo rei, uma caixa de broas e outra de sonhos de leite. Não foi uma acção extraordinária de abnegação porque nada do que demos nos fazia falta e representou apenas numa migalha do que poderíamos ter feito naquela noite. Mas ajudou-me a perceber que gostava de regressar às equipas de distribuição de alimentos e conforto das quais fiz parte há tantos anos... 91...? 92...? Pensar que tantas e tantas vezes temos em excesso e que poderíamos partilhar... Pensar que com um sorriso e uma palavra podemos melhorar a noite desassossegada de quem dorme na rua... Dá vontade de regressar àquelas equipas...
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Isto é tudo uma grande aldrabice!!!
Dia 9 de Junho, data inesquecível. Há dias em que me apetece dizer: isto é tudo um GRANDE aldrabice! E hoje é o dia...!!!! E mais inesquecível quando a aldrabice se faz mesmo na nossa cara, às claras e sem que possamos fazer alguma coisa para a transformar em algo sério. Pois não pude... foi mesmo ali à minha frente e estando eu plenamente consciente de que estava a ser enganada e que a aldrabice estava legitimada por quem a fez... that's the way it is... that's life in Portugal... Oh cegada....
sábado, 26 de abril de 2014
"Potencial Turístico de São Tomé e Príncipe", Entrevista a Abílio Bragança Neto, STPtv
"Potencial Turístico de São Tomé e Príncipe". Entrevista a Abílio Bragança Neto no canal STPtv, disponível em http://www.youtube.com/user/Canalstptv. Uma conversa cordial numa tarde bem passada sobre temas que me são muito queridos: o turismo; o ambiente; a educação ambiental; as pessoas; o desenvolvimento E ainda o Manual de Educação Ambiental em preparação MARAPA e ASPEA, um projecto financiado pelo GEF sob coordenação do PAPAFPA
Visualizar em Entrevista à STPtv
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
O sorriso que revela a vontade de eclipsar
Quanto mais o tempo passa maior força ganham as memórias. O
sol, sobretudo na hora do nascer e do ocaso; as cores, a densidade do verde, a
imensidão do azul, o contraste das tonalidades que reforçam a dimensão das
paisagens; os cheiros, a intensidade do odor da terra húmida mesclada com o da
fruta madura e o das flores a desabrochar. E as pessoas, sempre próximas, sorridentes, simples, receptivas, disponíveis, sem exigências ou cobranças, tão perto da
imagem da felicidade livre e desapegada. Sempre sonhei com este cenário
composto por diferentes elementos que se conjugam numa harmonia equilibrada a
tocar a perfeição.
Nas alturas mais desgastantes e sempre que sinto necessidade
de me eclipsar e me tornar invisível - o que, reconheço, acontece de vez em
quando, nem que seja por um milésimo de segundo - revisito os momentos que
ficaram registados no back up da
minha memória virtual e recupero a sucessão dos episódios mais felizes, ou dos que não sendo completamente felizes se revelaram divertidos e me fazem sorrir. E, sem ter consciência da figura que faço nestas ocasiões, com alguma frequência sou despertada por uma
interpelação surpreendida, habitualmente em tom de desagrado, que me obriga a perceber que afinal não me tornei invisível... Alguém que naquela altura está perto de mim, observa a minha estratégia de fuga e simplesmente não compreende o meu comportamento e demonstra-o como se isso alterasse o que sinto e o que mais me apetece fazer. Percebo que durante a fracção de segundos em que me refugiei
nas lembranças recuperadas pelas fotografias virtuais da minha memória, mantive no rosto uma expressão difícil de explicar, muito mais difícil quando o sorriso espelhado passa a breves e esporádicos risos, mesmo não chegando à gargalhada. Além deste sorriso projectado para o vazio da
realidade presente e que quase todos qualificam como "estranho" e
"vago"... o olhar distancia-se como se o meu inconsciente quisesse
viajar e a velocidade da luz fosse o melhor meio de transporte.
terça-feira, 22 de abril de 2014
O bem-estar é essencial nas viagens e na vida...
Na viagem de regresso a Lisboa, 04/04/2014
domingo, 20 de abril de 2014
Ilhas que inebriam
São Tomé, 2 de Abril de 2014
Conversas cruzadas... ligadas???
Caminhar na rua e ouvir conversas alheias é uma actividade
que distrai. Bem sei que pouco, ou mesmo nada, tenho a ver com a vida dos
outros mas, em boa verdade, se os visados quisessem manter segredo não falavam
de forma a que as outras pessoas, como é o meu caso, ouvissem. Enquanto
caminhava apressada pela rua por estar atrasada para uma reunião acabei por
pensar no quanto é estranho o mundo social dos afectos. Por mais que se confie
em alguém para um desabafo há sempre forma de outros saberem os meandros da
vida. Todos acabam por comentar os desassossegos de uns e de outros com um tom
crítico como se estivessem imunes a situações semelhantes. Nunca se está
verdadeiramente resguardado - pensei - a não ser que nos fechemos numa concha e
não partilhemos com ninguém o que sentimos em determinado momento. Mas o mais
engraçado é que, por vezes, é possível ligar conversas e cruzá-las. No meu
caminho encontrei um primeiro grupo sentado numa esplanada que conversava sobre
a vida de um qualquer rapaz ausente da mesa:
- Ele era mesmo muito inseguro na relação, desconfiava de
tudo e muitas vezes sem motivo - dizia um dos três com ar entendido.
Continuei a descer a rua e chegando ao Marquês de Pombal
passei por uma paragem de autocarro onde estavam duas raparigas também em íntima
conversa:
- Não estás bem a ver as cenas que ele me fazia. Ciumento
até mais não. Despachei-o.
Dei comigo a pensar: mas será coincidência temática ou o grupo
sentado na esplanada e estas duas raparigas da paragem de autocarro falam da
mesma pessoa? Jamais conseguirei descortinar o fundo das duas histórias e muito
menos se têm ligação mas depois de ter escutado não pude deixar de as
relacionar. As inseguranças fazem parte da vida afectiva e só não as sentem
quem não se sente verdadeiramente ligado.
sábado, 19 de abril de 2014
Protegida...
Há muito que não sentia a segurança de dormir debaixo de uma rede mosquiteira como se estivesse protegida de tudo e de mais alguma coisa. Ali, rodeada pela rede branca bem esticada, reina o bem-estar, uma tranquilidade infinita, a paz procurada há muito. Sem esforço o sono chega para acalmar o cansaço e as emoções do dia.
São Tomé, 29/03/2014
A alegria do regresso
Uma e outra vez, a chegada às ilhas é marcada por infinitas
expectativas e descompasso no coração. Aqui há calor. Não apenas térmico,
afinal estamos na latitude zero e o Equador faz-se notar, mas sobretudo o calor
humano das pessoas simples, quentes, de sorrisos afáveis e disponíveis, de
olhares directos e francos. Pessoas que me fazem sentir bem, como se estivesse em
casa, pelo envolvimento de proximidade com o que me parece ser a essência da
vida. Foi sempre esta a sensação e hoje percebo que, apesar de a sentir no mais
íntimo de mim mesma, nem sempre a consegui traduzir por palavras de forma clara.
A viagem foi dura, difícil, com prolongadas e cansativas
esperas. Pensando bem as últimas viagens têm mesmo sido assim como se houvesse
alguma coisa que me estivesse a pôr à prova e uma voz sussurrasse baixinho ao
meu ouvido - "vamos a ver até onde resistes". Eu, que sou torcida,
vou resistindo porque sei que vale a pena. Passadas as turbulências, as filas e
os momentos em que fomos deixados em modo de pausa sem descanso, a chegada à
cidade foi semelhante a tantas outras: a tranquilidade interior regressou e
desceu sobre mim transmitindo-me paz. Nâo sei exactamente o que é que os meus
companheiros de viagem sentiram ao chegar, não aprofundámos o tema. Mas para
mim, a sensação repete-se. Uma enorme vontade de fechar os olhos e calmamente
respirar fundo para me ir apercebendo de todas as sensações: a humidade e o
calor; os cheiros; o movimento da cidade que, depois de despertar, ganha forma;
as cores; os sons... E, de repente, é como se tivesse feito um "shut
down" do modo anterior, passando a uma fase muito mais sensorial que vai
permanecer junto de mim por mais uns dias, tantos quantos os da estadia com
desconto de mais ou menos um mês após o regresso. Nas ilhas tudo parece mais fácil,
tudo, ou quase, se articula com ligeireza.
O primeiro dia vai passando e é bom rever caras conhecidas, olhares
surpresos com sorrisos abertos acompanhados de abraços sentidos. A alegria do
reencontro manifesta-se na expressão facial, no olhar e nos movimentos
corporais. Aqui as pessoas riem na totalidade. É bom perceber que se lembram de
nós e que se sentem felizes por nos rever, passe o tempo que passar...Após a chegada a São Tomé, final do 1º dia. 28 Março 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O que dizem os teus olhos...
Há pouca coisa tão fascinante quanto olhar nos olhos de alguém. Para lá da cor, que pode ser
mais ou menos bonita, do formato e do brilho, todos os olhos têm expressão: falam;
riem; choram. Os olhos transmitem sensações, emoções, sentimentos e dizem-nos o que vai na alma de alguém, são pouco enganadores, basta querermos
compreender o que significa a expressão de cada olhar. Há olhares tristes,
perdidos, sentidos, ressentidos. Olhares magoados, afogados, desesperados. Olhares
cansados, conformados. Olhares zangados, amuados, destroçados. Olhares ternos,
delicados, quentes, envolventes, insistentes. Olhares confiáveis, calorosos,
acolhedores. Olhares tranquilos, felizes, apaziguados, esperançados. Olhos que
riem e que choram, que gritam e lamuriam. Olhos que pedem e suplicam. Olhos profundos,
atentos, confiantes e que inspiram. Olhos ausentes, distraídos, desconfiados,
duvidosos. Todos os olhos transmitem vida porque estão carregados de emoção. Todos os olhos reflectem o que se sente através da expressão do olhar.
São Tomé e Príncipe, antes do regresso. Abril 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Nada se repete. Tudo se revive...
Depois de um almoço ligeiro no Passante, ao chegar ao Ilhéu. Abril 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
No Príncipe...
Na partida do Príncipe, Abril 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Há pessoas...
São Tomé e Príncipe, Abril 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Conversas tardias misturadas com sorrisos e muito riso
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Viver é bom... eu gosto - parte 2
Viver é um desafio permanente e usufruir plenamente da vida implica sabedoria, coragem, determinação e alegria. Sabedoria para fazer as escolhas certas nos momentos em que decidir é crucial. Coragem para assumir riscos. Determinação para não vacilar perante os obstáculos. Alegria para relativizar as injustiças e as dificuldades com a capacidade de sorrir sempre. Viver é uma tarefa difícil e desafiante mas muito saborosa.
No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014
No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Escrevinhar...
Desde que, com alguma consciência, me lembro de mim mesma há um caderno e uma caneta que me acompanham para todo o lado. Um caderno que pode ter a forma de bloco, agenda ou folhas soltas e desordenadas - um espaço vazio que aguarda pelo traço por vezes irregular da minha mão, onde posso registar com total liberdade o que vejo, o que penso, o que sinto ou o que simplesmente me apetece dizer ao Mundo em determinado momento. Um espaço em branco que me serve de companhia e me permite voar para outros contextos, outros mundos e assumir outras personagens que tranquilamente misturam ficção com realidade. A caneta não é importante - desde que escreva pouco me importa a cor.Escrevo muito. Há muito. E desenho rabiscos nos intervalos para me apaziguar. Muito do que escrevo não divulgo porque há uma esfera de intimidade privada que jamais é relatada por não ter qualquer interesse para quem lê e não viveu as situações, não partilhou os momentos, simplesmente não esteve lá. Muito do que escrevo em determinado momento, ao ser lido e relido soa a mensagem desconexa, logo não pode sair da folha rabiscada e tantas vezes reescrita.
São muitos os cadernos e bloquinhos que guardo religiosamente como se fossem um apêndice de mim mesma. E se calhar são porque, em parte, evidenciam o que me vai na alma, as ideias que surgem, as que fogem a correr e as que vão permanecendo. Por cá andam protegidos e resguardados dos olhares alheios que certamente não compreenderiam muito do que ficou registado. Só eu sei o significado de cada texto identificado com uma data e um local e de cada caderno que acumula palavras e desenhos. Mas nesta altura até eu fico perplexa: escrevo num bloco e num caderno em simultâneo, o que, tenho de admitir, traduz algum caos na organização da minha escrita...
São Tomé e Príncipe, Abril 2014
A retoma
No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Cenários
Cenários, cenários e mais cenários... criam-se cenários por tudo e por nada. Tudo seria mais fácil, mais simples até, se cada um não criasse um cenário diferente. Um cenário não passa disso mesmo, uma representação que, em boa verdade, não retrata a realidade, apenas a recria. Por isso é um cenário!
No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014
No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Deixa-me contar-te um segredo
- Deixa-me contar-te um segredo: aqui a vida passa por nós sem pedir licença. Resta-nos cumprimentá-la e, por vezes, agarrá-la com um abraço.
- O que sinto quando aqui chego é uma transformação interior que apenas se percebe pelo sorriso permanente - respondi - aqui sinto-me feliz, compensada e descansada. Tem sido sempre assim, dia após dia, semana após semana, mês após mês... ano após ano... apesar de, por vezes, continuar a ter sensação de que continuo ligada a experiências passadas - reforcei - é até estranho...
- Mas não acreditas que o que somos é o reflexo do passado, das experiências, dos momentos felizes e também de tudo que nos derrotou. Eu acredito nisso... E daí talvez nem sempre seja fácil regressar onde se foi feliz. O espaço fica marcado por lembranças... como se quem connosco partilhou momentos nunca tivesse partido completamente - repliquei.
Ele calou-se e, fixando o olhar num ponto que eu não consegui identificar, respondeu-me de forma directa e simples:
- Já pensaste que a melhor forma de regressares a um qualquer local que te marcou sem te prenderes excessivamente nas imagens que criaste ou nos momentos que viveste, tenham sido felizes ou não, é seguires o olhar dos outros e tentares perceber o que pensam e o que sentem. A vida continua para além de nós mesmos e do que registámos em determinado momento. Tenta ver através dos olhos dos outros. Os teus vão certamente enganar-te porque te levarão de novo ao passado.
São Tomé e Príncipe, Março 2014
O Mistério das Ilhas
Para mim, as ilhas combinam mistério com encanto. Gosto de ilhas - já o disse vezes sem conta. Sinto-me confortável quando as visito e enquanto por lá permaneço, fazem-me bem porque me transmitem tranquilidade o que faz com que me sinta em paz comigo mesma e com os outros. Depois do regresso, e por uns tempos, continuo a sentir a leve sensação de estar a flutuar, o que é indescritível porque magnífico. Mas há ilhas e ilhas e estas, que permanecem no meu coração, têm feitiço. São ilhas encantadas que, pelo deslumbramento, mudaram a minha vida para sempre obrigando-me a regressar uma e outra vez. São tantas as vezes que regresso que sinto que nem sequer cheguei a partir. A partida nunca é definitiva nem se faz completamente. Há algo que fica, que permanece e não me deixa seguir viagem para tudo o que se segue. Há sempre uma parte de mim que resiste e ao partir fica uma inevitável incompletude. São ilhas que tocam, prendem, agarram, abraçam... São ilhas quentes e envolventes. São ilhas ternas, humanas... São terras de sonhos onde acreditamos que tudo - ou quase - é possível. São ilhas que me fazem feliz...
São Tomé e Príncipe, Março 2014
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