quarta-feira, 9 de abril de 2014

Descompasso


Uma e outra vez, o regresso é estranhamente marcado pelo descompasso, pelo desritmo e requer uma rápida descomplicação. Parece um paradoxo que a vida retome à velocidade da luz sem dar tempo para incorporar as mudanças. Acordo aos pulos e aos trambolhões como se tivesse um comboio atrás de mim a empurrar-me para a frente, obrigando-me a saltar para o lado, fugindo e evitando o atropelo. E o que aligeira a sensação é ainda usufruir do leve leve que teimo em tornar permanente com o retorno no pensamento...

No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Abre os olhos porque alguém te pode estar a observar... ;-)

Observar os outros é uma actividade absolutamente inspiradora sobretudo quando o alvo do nosso olhar atento não se apercebe que, pelos motivos mais diversos, passou a ser do nosso interesse estimulando-nos a criatividade. Aos meus olhos quase não há limites para a observação e para a criatividade - e a excepção é a privacidade alheia.

Há tempos fui buscar alguém ao representante oficial de uma marca de automóveis e enquanto aguardava pela sua chegada deparei-me com um cenário magnífico para observação. Magnífico não por ser bonito mas, em boa verdade, por ser hilariante. O representante automóvel era alemão, supostamente marcado pelo rigor, exigência e trabalho árduo. Estacionei o carro pensando caminhar à beira-rio e tirar fotografias a gaivotas e patos marinhos que por ali abundam mas a maré estava vaza e o enquadramento ribeirinho não era famoso. Antes pelo contrário, até era desolador e mal cheirento porque o lodo emergiu com a falta de água e o único motivo interessante eram as gaivotas e andorinhas marinhas a bicar o lodo em busca de moluscos. Então centrei-me no cenário à minha frente: a zona da lavagem automóvel. Aparentemente não seria nada de mais mas avisto dois homens, um português e outro de leste, que limpam à vez o tablier de uma van. Ambos de luvas, conversam e riem muito mais do que limpam e, talvez por isso, tenham de entrar e sair da carrinha à vez. Há comportamentos absolutamente misteriosos e daí serem tão interessantes. Mas muito mais aliciante é um africano, certamente proveniente da Guiné-Bissau, não apenas pela fisionomia mas também por se chamar Baldé. O Baldé passou a ser meu por alguns momentos porque captou toda a minha atenção e é absolutamente fascinante. O homem só limpa filtros de ar condicionado e a forma como o faz é surpreendente. Passo a explicar: não há jacto de ar nem pano, apenas o filtro e um sapato, pelo que ele bate com as placas no longuíssimo pé calçado com uns ténis pretos. À medida que bate com a placa no pé olha à sua volta pelo canto do olho como se houvesse muito mais para observar mas não se apercebe sequer de que eu estou ali e a observá-lo. Depois estica-se e dá uns dez passos com uma das placas que havia encostado à parede. O ar que aparenta é um misto de cansaço com dedicação. Ele sabe o que faz e demonstra preocupação com a eficácia do resultado. Como é zeloso nem vale a pena atribuirem-lhe outras incumbências de forma a que a sua prestimosa atenção não seja desviada. De repente percebo que, enquanto escrevo, o meu Baldé desapareceu do meu campo de visão mas uma certeza eu tenho: ele volta já que deixou aguns filtros encostados à parede sem os ter limpo com as acertivas batidelas no pé. E eu... bem eu fiz um intervalo para fotografar gaivotas a bicar o lodo porque acredito que quando o encantamento da paisagem abrandar ele estará de volta para concluir a tarefa que assumiu na perfeição...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Just live....

A dada altura, a minha consciência crítica disse-me: 
- "Viver a vida" é fazer coisas que nos tornam felizes e a felicidade transforma-nos em pessoas melhores. Por isso não desistas de um sonho se acreditas que ao realizá-lo vais ser feliz.
E ao regressar dei comigo a pensar que, por vezes e em boa verdade, as consciências críticas são de uma sabedoria extrema...

No rescaldo de São Tomé e Príncipe, Abril 2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Viver é bom, eu gosto... parte 1

Viver é bom, eu gosto. Mas apesar de gostar tenho de reconhecer que, de tempos a tempos - com muito maior frequência do que gostaria ou desejaria - a minha estrela da vida tem-me posto à prova. Ainda não percebi porquê, ou para quê. Acredito, ou tenho acreditado, que seja uma forma de crescer e me tornar numa pessoa melhor. Mas ainda não percebi bem se esta é a verdade, ou a principal razão, porque há tanta gente que passa por tanto e nem por isso aprende ou se torna melhor. Seja como for, ou tiver de ser, ainda acredito que cada tropeção me faz aprender qualquer coisa. Já dei os meus, é verdade. Diria até que alguns foram excessivos ou evitáveis e talvez por isso hoje seja como sou. Os anos têm passado de forma rápida, parece-me que nem sei por alguns passarem mas na verdade, ao olhar para trás, percebo que me fui modificando e cada ano tem resultado num processo de aprendizagem. Ou melhor, de tropeções com algumas queda. Mas tenho a consciência que me tenho conseguido levantar mesmo que, por vezes, esse exercício tenha requerido algum esforço.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014... :-)

Quem diria, hein? Estamos a finalizar mais um ano. Difícil, este... E ao tentar um balanço do que fiz, do que fui ao longo dos últimos 365 dias, percebo que não estou com vontade. Nem de fazer balanços nem tão pouco de elaborar listas de intenções. Para quê?, pergunto-me. Mas depois de muito olhar para o teclado do computador com algum desalento e para a caneta que tranquilamente está pousada mesmo ao meu lado, percebo que quase tudo nesta vida (porque sobre as outras nada sei) representa um desafio, ou mais do que um. E este é também um momento desafiante que me obriga a novas leituras sobre os outros, a repensar a forma como com eles me relaciono, a valorização que faço de algumas coisas, o meu introsamento com os espaços... E dou comigo a fazer resistência à minha própria inércia. Vamos a isto, portanto! Não ao balanço que seria muito moroso e é uma tarefa introspectiva. Mas pensaria em alguns propósitos inevitáveis, se bem que não estejam ainda pensados com uma ordem particular:
a) gerir o tempo de tal forma que me permita encontrar e reencontrar todos aqueles que comigo querem estar;
b) redefinir prioridades procurando a essência;
c) procurar modelos de flexibilização nas relações interpessoais;
d) ter maior receptividade para as opções alheias, mesmo que não me pareçam as mais certas;
e) olhar para o futuro com expectativa e sem receios;
f) ter maior vontade para arriscar;
g) deixar o passado onde ficou;
h) esquecer o orgulho excessivo;
i) aceitar o que a vida tem para me oferecer...
Feliz 2014!!!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Um Homem exemplar "just passed away"


Um Homem exemplar "just passed away". Exemplar por ter ultrapassado mágoas e negado rancores depois de ter vivido em condições subhumanas marcadas por injustiças. Tornou-se o símbolo de tantos outros que viveram sofrimentos incalculáveis sem a sua capacidade de acreditar e resistir. Teve a força de ver mais longe, de ir mais além, de ter deixado uma marca pela sua forma de vida. Foi um unificador e reconciliador mas sobretudo, para mim, ele foi um exemplo de persistência fazendo-nos acreditar que vale sempre a pena lutar por um sonho. Definitivamente, desistir não fez parte do vocabulário deste Homem e também por isso foi um Homem Grande e será sempre uma referência. Assim sim, vale a pena viver!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Queria só dizer-te...

Ah pois hoje é o teu dia. Farias 79 anos se andasses por aqui. Na verdade, para mim - para nós - continuas a andar porque estás sempre presente. Só que de outra forma. Queria dizer-te, apesar de o saberes bem, que me fazes falta e que tenho saudades tuas. Terei sempre...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Isto há coisas...

O que fazer quando percebemos que as pessoas em quem acreditámos durante o tempo de uma vida não são o que pensámos? Quando realizamos que os valores e os princípios que sempre nos fizeram acreditar que orientavam o seu viver afinal estão a anos-luz do nosso quotidiano...? E depois ainda tentam passar por pessoas grandes, sérias, justas e iluminadas e nos tentam fazer crer que a distância anos-luz é apenas uma questão de pormenor. Torna-se impossível re-olhar para aquelas pessoas da mesma forma porque entre nós passou a existir um fosso marcado pelo desencantamento e pela desilusão que esvazia de conteúdo tudo o que continuamente nos forçámos a acreditar. E de repente, parece que 2+2 deixou de ser igual a 4... No final da história dá-me a sensação que o autocolante de otária que mantive na testa durante décadas vai permanecer para sempre. Apesar de pensar cá para comigo que a estranheza aterrou ao pé de mim, tento fazer o meu melhor sorriso e fingir que nada sei...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Reflexão tardia

E se a tua intuição te diz que te estão a "meter o pé"... respira fundo, pensa antes de agires e com o melhor sorriso que conseguires fazer capacita-te que és muito melhor do que esses trapaceiros que te rodeiam... e sobretudo que melhores dias virão porque há mais marés do que marinheiros!!!!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O tempo...

Há semanas que voam... os minutos eclipsam-se, as horas fluem e os dias desaparecem sem nos darmos sequer conta do que é que fizemos, ou não conseguimos fazer... E depois... ah pois é... depois há semanas como esta em que o tempo parece não querer passar... os dias estendem-se, as horas rendem, os minutos alongam-se e os segundos demoram uma eternidade a passar... e a próxima semana parece que nunca mais chega... bfffff... 
O tempo é mesmo marcado com compassos emotivos, emocionais...

terça-feira, 12 de março de 2013

TURISMO RESPONSÁVEL EM RESERVAS DA BIOSFERA

Estou a realizar um estudo sobre TURISMO RESPONSÁVEL EM RESERVAS DA BIOSFERA e gostaria de contar com a sua colaboração com a resposta a um breve questionário, de resposta simples e que não requer mais do que 5 minutos do seu tempo. 

A participação é totalmente anónima não sendo possível identificar o respondente. As respostas serão apenas utilizadas para fins científicos, requerendo um tratamento e análise de conjunto. Os resultados do Estudo serão tornados públicos no final de 2013.

Agradeço desde já a disponibilidade e colaboração,

Brígida Rocha Brito
Ph.D
Professora Universitária
Investigadora
Start Survey Start Survey Start Survey

http://surveys.questionpro.com/a/TakeSurvey?id=3442000

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Adeus 2012... Olá 2013!!!

Adeus 2012. Foste um ano que não deixou grandes saudades. Não por culpa tua porque, em boa verdade, quando chegaste vinhas com as melhores intenções e todos nós pensámos que tu irias ser "O Ano". E foste, mas pelas piores razões. Graças a algumas pessoas de excelsa inteligência que passaram os dias a imaginar a melhor forma de dar cabo de um pequeno país à beira-mar plantado. Desculpa a sinceridade, 2012, mas contra tudo e contra todos espero mais do teu irmão mais novo, o 2013. Deixa-me dizer-te com alegria "Bye bye 2012" e com expectativa apreensiva... "Hellooo 2013!!!"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

D. Berta: até uma dia...

A D. Berta foi uma das primeiras pessoas que conheci na Guiné-Bissau e que fui revisitando sempre que regressei àquele país. Estávamos algures em Março de 1996, ou Abril, e eu andava por lá a fazer a pesquisa  para a dissertação de Mestrado. Nessa altura passei horas a falar com ela, aliás como toda a gente que passava por Bissau, ou que lá vivia, e a comer a gelados que ela me oferecia no meio dos meus receios de principiante em terras de África. As recomendações tinham sido mais do que muitas - cuidados a ter com o que comia e bebia, sendo impensável socorrer-me de gelo, gelados, sumos de fruta e tanto mais por causa das águas e de tudo o que se poderia seguir. Mas comi gelados deliciosos, magníficos, caseiros e muito confiáveis, já que não me aconteceu nada a não ser usufruir de bons momentos e regressar a Lisboa muito mais rica pelas experiências que por lá tive :-) No calor do final dos quentes anos 90 em Bissau, aqueles gelados tiveram o sabor da vida...
A D. Berta - avó Berta, como muitos lhe chamavam - era uma senhora encantadora, deliciosa, uma cabo-verdiana como tantas outras a viver em Bissau há muitos anos. A Pensão Central era o ponto de passagem e de encontro. Por lá almocei e jantei vezes sem conta, ouvi histórias que jamais se repetem ou relatam, vi pessoas que nunca imaginei sequer poder avistar, usufrui da companhia de amigos e conhecidos que por lá viviam, sentei-me na varanda a receber a brisa possível e a observar a vida que corria sem parar lá em baixo com sons, cores e movimento únicos. Ali bebi coca-cola debaixo de chapéus de sol encarnados e marcados com a marca da bebida, e senti-me reconfortada antes das viagens loucas para o sul e para o norte, ou depois delas.
A D. Berta deixou este Mundo e partiu para outras paragens com a certeza de que viveu intensamente e de forma sábia, alimentando amizades e tendo uma infinita receptividade para com todos os que com ela se cruzassem. Foi um bonito exemplo de vida e certamente que, onde quer que esteja nesta altura, está feliz por ter cumprido a sua missão. Ela ficou no coração de todos pela bondade, compreensão, amizade, tolerância. E tanto mais... E um dia, certamente, voltaremos a reencontrar-nos...


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pensamentos analógicos ou da sauna ao sacador de mãos


Há tempo que não fazia sauna e talvez por isso me surpreenda com as atitudes de algumas pessoas. Pois bem, o que se passa é o que a seguir explico. Estando dentro da cabine percebo que uma grande parte das frequentadoras do equipamento o utiliza como se de um secador se tratasse. Algumas pessoas - a maioria com a qual me tenho cruzado - entra na sauna, pensava eu, para uns minutos de desintoxicação. Engano meu. A maioria, considerando que apenas eu por lá permaneci por 10 minutos, entra e após o duche, que não faço a menor ideia se foi ou não eficaz, limpa-se cuidadosamente coma toalha, inclusivamente entre os dedos dos pés de forma a retirar qualquer resquício de humidade. Depois há algumas variantes, umas acabam por sair após a secagem, outras abrem os braços baloiçando-os, enrolam-se de novo na toalha e saem. Uma simples observação do comportamento destas pessoas num equipamento de uso comum em contexto de lazer é absolutamente hilariante. Sobretudo para quem, como eu, também lecciona Animação do Lazer e do Recreio. Num dia de aulas pus-me a pensar nesta experiências e, nem que ligeiramente, a sensação foi de "déjà vu". Nesse milésimo de instante realizei a cena.
Quando vamos à casa de banho de um centro comercial ou de um cinema, cada vez mais constatamos que, em substituição dos toalhetes de papel, surgem os secadores de mãos. Barulhentos e muito desagradáveis, apesar de supostamente mais ecológicos por não utilizarem papel, mas sem dúvida profundamente prejudiciais para quem tem problemas no ouvido interno. Fujo deles, portanto. Mas já vi, por pura curiosidade, o seu funcionamento: um jacto forte de ar, quente ou frio, que ajuda a eliminar a água secando as mãos. Para acelerar o processo de secagem, parece habitual sacudir as mãos ou esfregá-las em movimentos sem sentido pré-definido, ora em círculos, ora na vertical, fazendo com que o ar circule ainda mais depressa e assim as mãos ficam sem humidade aparente. Pois na sauna, a lógica parece ser semelhante para quem sai do duche. Não percebo como funciona, já que, por característica, a sauna acelera o processo de transpiração através dos poros e, por uma questão de higiene e de bem-estar, o duche só é suposto acontecer no final da sessão.
A parte mais engraçada de toda a cena foi quando, perante a minha perplexidade uma das dançarinas da sauna me olha com ar incomodado e diz: - "não gosto nada deste calor, faz-me sentir mal...". Eu fiquei ainda mais estupefacta, não sabia se haveria de rir ou chorar. Depois de assistir ao pormenor da arrumação dos frascos numa bolsa impermeável e da coreografia da secagem corporal, oiço-a dizer que se sente incomodada com o calor. Então porque entrou??? A única reacção que consegui ter foi um sorriso, que certamente resultou num tom amarelo esverdeado porque preenchido por uma incompreensão desconsolada, mas ainda consegui dizer: -"pois... na sauna faz calor, muito calor". Ela saiu abanando-se, servindo da mão como leque, e eu fiquei a pensar que as pessoas andam a ter reacções verdadeiramente estranhas... 

em 26 de Outubro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Conferência de Luanda sobre a Paz e Segurança na região do Golfo da Guiné

CONFERÊNCIA DE LUANDA SOBRE A PAZ E SEGURANÇA NA REGIÃO DO GOLFO DA GUINÉ
LUANDA, 27-29 de Novembro
Temas em debate (lá estarei no painel 8)Painel #1: O Golfo da Guiné, zona de paz e segurança.Painel #2: A influência da paz e segurança na região do Golfo da Guiné para a estabilidade e desenvolvimento do Continente Africano.Painel #3: A extensão da Plataforma Continental, necessidade e desafio
 para a região do Golfo da Guiné.
Painel #4: O estado e as consequências da imigração ilegal para a paz e segurança na região do Golfo da Guiné.
Painel #5: A experiência da CEDEAO na manutenção da paz e segurança. Lições para a região do Golfo da Guiné.
Painel #6: A importância da segurança da região do Golfo da Guiné como rota de transporte marítimo.
Painel #7: A contribuição do mecanismo de manutenção da paz e segurança na África Central, à segurança da região do Golfo da Guiné.
Painel #8: O ecossistema da região do Golfo da Guiné como parte do seu ambiente de segurança.
Painel #9: A região do Golfo da Guiné na rede de produção e comércio internacional de droga.


domingo, 18 de novembro de 2012

Da Guiné, com a Guiné, para a Guiné

Somos muitos os que, num qualquer momento, nos apaixonámos por África e que, após uma primeira incursão à Guiné-Bissau, sentimos que a nossa vida mudou para sempre. Por lá conhecemos pessoas excepcionais, percorremos paisagens de encantos múltiplos, observámos espécies de cores e formas únicas que evidenciaram também alguma curiosidade por nós. 
E é muito gratificante sempre que encontramos outras pessoas que, como nós, não sendo guineenses, têm o mesmo sentimento em relação àquele povo que só merece o que de melhor existe ou que pode ser concebido.
Hoje foi um dia em que um blogger me contactou com o objectivo de partilharmos ideias sobre a Guiné-Bissau. Excelente, foi para mim uma enorme honra. Ora, aqui está: é no CART 3494 & Camaradas da Guiné. Tem muita informação que vale a pena explorar. Obrigada, grande dinamizador.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Como o macaco do conto: cego, surdo e mudo...

Os relatos de torturas na Guiné-Bissau continuam e os pormenores são absolutamente atrozes e de uma desumanidade impensável. Basta consultar algumas páginas da net (blogs, jornais digitais, grupos, facebook...). Não há quem pare esta gente? O que é feito da comunidade internacional? Ainda têm dúvidas e não querem ser acusados de ingerência??? E entretanto... como ficam as consciências de uns e de outros, deixando que alguns lunáticos que se sentem guerreiros do Apocalipse, agindo de forma mais cruel do que o mais feroz dos animais, continuem a agredir, a mutilar e a matar...? Para que servem afinal as organizações internacionais de carácter humanitário, tão defensoras dos direitos humanos, mas se calhar só no conforto da poltrona, e que se apelidam de cooperantes??? Seguramente que estou a passar por uma fase mais do que crítica e céptica... mas sou incapaz de compreender a ausência total de acção, incluindo por parte das representações estrangeiras no país. Fazem-me lembrar o macaco que, para não se comprometer, declara-se cego, surdo e mudo...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Once again... o medo reina em Bissau

Não, não parece ser justo e, em boa verdade, não é. A Guiné-Bissau está de novo a viver sob o clima do medo... Ataques verdadeiros ou supostos, mortes, perseguições, detenções e desaparecimentos com ou sem mais mortos. Está prestes a instalar-se o clima do terror. Ninguém merece viver assim, a pensar que um qualquer dia pode ser o seu e que esse dia está tão próximo que pode ser o já e o agora. Ninguém - ou quase - gosta de pensar no dia em que tudo muda.
Tenho para mim que viver com insegurança e na incerteza não é viver. É como se soubéssemos antecipadamente em que dia iríamos morrer e ainda com a certeza de termos o bónus da tortura mais ou menos violenta. Pior do que sentirmos que esse era o nosso fado seria olharmos para os que queremos muito e de quem gostamos porque são a nossa essência e sabermos que esse era o seu destino. Não queremos sofrer, e muito menos sem percebermos porquê, mas imaginarmos que os que mais amamos nesta vida estão a sofrer... faz-nos sofrer duplamente. É de enlouquecer a mente mais sã...
Viver em clima de medo permanente, a pensar que o que quer que seja pode acontecer, ver os dias a fugirem como se um qualquer monstro corresse desenfreadamente atrás de nós não é viver. É sobreviver aos impulsos, aproveitando os minutos que nos deixam como se fosse uma benesse. É olhar os dias a prazo e sabendo que a validade está a expirar...
E a pergunta que repito vezes sem conta, com o aperto no coração que sentimos quando ao olharmos para o que gostamos vemos possibilidades reais de destruição, é: quando é que o povo guineense terá paz, uma paz desejada e merecida..?! Porque tudo o resto não passam de pormenores que alguns procuram perpetuar sem sentido... 
E ainda me dá vontade de dizer bem alto para que todos oiçam: OLHEM AS CRIANÇAS NOS OLHOS E DIGAM-LHES, POR FAVOR, QUE ELAS SÃO O FUTURO DE UM PAIS FANTÁSTICO. NÃO AS DESILUDAM... POR NADA...

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...