segunda-feira, 17 de abril de 2006

Poster apresentado no Congresso Ibero Americano de EA, Joinville, Santa Catarina, Brasil

E foi este o poster que levantava um pouco o véu sobre a minha actual área de investigação. Na avaliação ficou em 01, entre 1500 seleccionados para exposição. E eu fiquei muito feliz!!!

O tema é, claro: Educação Ambiental e desenvolvimento comunitário na África insular, passando pelas escolas, pelas comunidades e também pelo turismo. Tudo com um objectivo: uma relação mais equilibrada com o ambiente, preservando o meio e protegendo espécies.

Os casos que foram falados: São Tomé e Príncipe, como não podia deixar de ser, Cabo Verde e o arquipélago dos Bijagós na Guiné Bissau.

domingo, 16 de abril de 2006

Exposição: Arquipélago dos Bijagós, um património a preservar




No Museu Nacional de História Natural (MNHN) entre 22 de Abril a 30 de Junho de 2006
Realizada na sede da UNESCO (Paris), de 24 a 28 de Fevereiro de 2005 pelo PRCM – Programa Regional de Conservação da Zona Costeira e Marinha da África Ocidental, a exposição “Arquipélago dos Bijagós: um património a preservar” foi apresentada no âmbito da Conferência Internacional “Biodiversité, Science et Gouvernance”. No Palais de la Porte Dorée, mais especificamente no Aquarium Tropical, esteve patente de 6 de Abril a 6 de Novembro de 2005.

O objectivo da Exposição é dar a conhecer o Arquipélago dos Bijagós (Guiné-Bissau), o modo de gestão tradicional dos seus recursos que preserva a biodiversidade, assim como as ameaças exteriores que pesam sobre uma natureza extraordinária, até aqui preservada pelas comunidades rurais. Com esta exposição pretende-se o apoio ao Arquipélago dos Bijagós para obtenção da classificação de Sítio de Património Natural e Cultural Mundial, sob a égide da UNESCO. O CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, com um longo percurso de cooperação com os Países de Língua Oficial Portuguesa, nas suas duas linhas de intervenção que são a Educação para o Desenvolvimento e a Cooperação para o Desenvolvimento, dará continuidade a esta iniciativa com a sua implementação em Portugal. Contribuindo assim para a emergência de uma opinião pública portuguesa mais informada nas áreas abrangidas pelo Projecto, que incita à consciência crítica e activa, tal como a promove a Educação para o Desenvolvimento.
Arquipélago dos Bijagós: uma incrível biodiversidade…a proteger
O Arquipélago dos Bijagós é o único arquipélago da costa ocidental africana com oitenta e oito ilhas espalhadas numa superfície de 10000 km2. Destas ilhas, apenas uma vintena estão sistematicamente ocupadas, sendo as outras ilhas objecto de explorações sazonais ou ilhas consideradas sagradas pelo povo dos Bijagós. Com cerca de 30 mil habitantes, maioritariamente composta pela etnia que dá o nome à ilha, as ilhas dos Bijagós possuem uma riqueza natural excepcional, tanto a nível dos seus recursos naturais como a nível cultural. Nos últimos vinte anos, o arquipélago tem vindo a sofrer fortes pressões exógenas, de cobiça dos seus recursos pescatórios e agrícolas e de exploração com motivos de implementação de turismo nas ilhas. Ora, estas intervenções não se têm revelado positivas para a vida dos Bijagós, influenciando negativamente a sua fauna, flora, a sua cultura e tradição. Conscientes deste perigo, instituições nacionais e internacionais uniram esforços para em parceria pensarem a questão da salvaguarda do património natural e cultural dos Bijagós, colocando em prática mecanismos que visam reforçar os grandes equilíbrios preservados pelo seu povo. Estas acções passaram pela realização de importantes trabalhos científicos, nomeadamente a elaboração de uma cartografia completa do Arquipélago e a criação de uma Reserva de Biosfera, no âmbito do programa MaB (Man and Biosphère) da UNESCO. No centro da Reserva, dois grandes Parques Nacionais foram criados em 2000 para uma maior protecção da biodiversidade (hipopótamos, tartarugas, manatins, etc.)
Arquipélago dos Bijagós: entre a tradição e a modernidade
As instituições responsáveis pelo desenvolvimento durável do arquipélago recorreram a dois fotógrafos profissionais, Jean François Hellio e de Nicolas Van Ingen, que passaram dois meses com os Bijagós em dois períodos do ano: estação seca e estação das chuvas. No Museu Nacional de História Natural (Lisboa) podemos ver a selecção dos seus trabalhos, assim como os objectos representativos do modo de vida dos habitantes, dando-os a conhecer e sensibilizando uma grande parte do público. Pretende-se deste modo, e em simultâneo, a valorização e preservação dos recursos dos Bijagós e o desenvolvimento sustentável que mantenha o Meio-Ambiente são e uma cultura viva para a população do Arquipélago. A exposição permite introduzir os seguintes painéis temáticos: a natureza, a biodiversidade e os recursos; os ritos culturais e religiosos para gerir o espaço e seus recursos; a globalização e as pressões exógenas; a Reserva de Biosfera, quadro apropriado para a ciência, a educação e a conservação em benefício da comunidade e do país. Cada temática ilustrada preocupa-se em colocar em revelo a relação entre o homem e o ambiente, mostrando em particular como a cultura bijagó influencia o estado da natureza e vice-versa. Um espaço é igualmente dedicado aos trabalhos científicos realizados no arquipélago, nomeadamente os trabalhos do laboratório CNRS Géomer que acompanha este processo desde 1989.
O Museu Nacional de História Natural convida à descoberta e apresenta ao grande público o Arquipélago dos Bijagós, centro de uma riqueza natural e cultural mundiais!
Esta exposição mostra as grandes orientações da UNESCO em matéria da conservação e do desenvolvimento durável.
ORGANIZAÇÃO CIDAC em COLABORAÇÃO com MNHN - Museu Nacional de História Natura, Instituto Marquês de Valle Flôr e Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa
PATROCÍNIOS:

Museu Nacional de História Natura, Rua da Escola Politécnica nº 58, 1269-102 Lisboa, Serviço de Marcações de Visitas Guiadas e Animadas, Tel: 21 3921824/25, Fax: 21 390 58 50, HORÁRIO: Seg a sexta das 10h-13h e das 14h-17h, Sábado das 15 às 18

ACESSOS:Metro do Rato (linha Amarela), Autocarros Carris nº 58 (paragem, Escola Politécnica), nº 100 (paragem: Príncipe Real), nº6, nº9, nº27, nº38 e nº49 (paragem no Largo do Rato)
ENTRADA GRATUITA

BOA PÁSCOA!!!

Hoje é mais um dia especial que sabe sempre bem viver em família (ou junto das pessoas que são importantes). É um dia doce e terno. Vale a pena aproveitá-lo bem. BOA PÁSCOA!!!!

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Voltei... voltei...

Pois até podia parecer o refrão de uma canção do Dino Meira mas não é!

:-)

Voltei hoje. Cansada depois de uma estadia que ainda me falta digerir, mas que foi rica em emoções e contradições. O Brasil é muito diferente de África, em tudo, e eu quase me esquecia disso. E depois de um regresso atribulado pelas horas de voo, pelas más condições do “bicho voador” e pelo desfasamento horário, que é sempre um factor de baralhação mental.

Bem, nada que umas boas horas de sono não resolvam!

 

quarta-feira, 29 de março de 2006

Vida na TABANCA (TABANKA), Calequisse, Março 2006

Onde a água escasseia, a vida faz-se à volta do poço

Tabanca com telhado de palha

Tabança com telhado de zinco

Guiné Bissau: quinta parte

O trabalho começou de imediato, o que foi bom. Afinal era mesmo para isso que eu ali estava. O ritmo foi intenso, não dando grande margem para parar e pensar, a não ser à noite após o jantar quando ficava na conversa com a Didi. Todos os que estavam envolvidos nesta fase do estudo, o trabalho de campo, corresponderam ao máximo das minhas expectativas, o que me deixou surpreendida, no bom sentido do termo entenda-se. Posso até dizer que por ter percebido que o envolvimento de todos era grande, bem como a vontade de atingir os objectivos que eu lhes propusera, aproveitei todas as potencialidades do “meu grupo”.

Encontrei pessoas interessadas e interessantes, disponíveis, sempre prontas a cumprir com as metas e a ultrapassar as dificuldades que iam surgindo. A frase que mais se ouvia e que passou a lema foi “não tem problema”, e na verdade era mesmo assim que eles pensavam, tudo tem uma solução. Trabalhei com o Leandro e o Armando, o Adelino e o Simôncio, o Flaviano e o Neto. A todos fica o meu agradecimento, pelo esforço e competência, pela dedicação e cuidado, pelo companheirismo e bom ambiente que permitiram em qualquer situação, particularmente nos momentos mais stressantes em que o medo me fez companhia. Nestas alturas, olhava-os e eles sorriam dizendo “Brígida, não tem problema, é normal”. Eu retribuía o sorriso mas não pensava como eles. Para o trabalho faltou-me um sector, o Cacheu, e foi pena porque gostaria de os ter conhecido também pessoalmente. Enfim, aguardei por eles dois dias mas, face à ausência de comunicação e de justificação, decidi alterar alguns dos pressupostos que definira e partir para o terreno com os presentes, avançando com o trabalho que era possível realizar.

O que este trabalho me permitiu de melhor foi a aquisição de experiência e de conhecimentos sobre a vida real das famílias nas tabancas. Aqueles são locais únicos, riquíssimos do ponto de vista humano, social e relacional, onde as pessoas mais do que viver, muitas vezes sobrevivem, sabe-se lá de que forma porque o que têm é tão pouco que nos custa a acreditar como ainda é possível sorrirem. A verdade é que o sorriso também não é uma expressão fácil para aquelas gentes, sejam crianças, jovens adultos, adultos ou velhos, homens ou mulheres. Os olhos são tristes e curiosos mas tímidos e a aproximação nem sempre é rápida como noutras regiões africanas que tão bem conheço.

terça-feira, 28 de março de 2006

Guiné Bissau: Quarta Parte

A chegada ao Canchungo fez-se no final da tarde de domingo. A primeira impressão foi de estranheza: afinal aquilo que mais me parecia um povoado alargado era mesmo uma cidade. Só podia ser pelo número de habitantes porque no que toca às infraestruturas, tanto de acolhimento como de apoio, ou de ligação, aquele espaço estava a anos luz de ser urbano. Já vi muitas cidades em África, com características muito diferentes mas aquela era de facto diferentes. A estrada de acesso era “picada”, com tantos acidentes de relevo quanto a que ligava a cidade a Bula, talvez até tivesse mais altos e baixos, devido ao trânsito excessivo associado aos efeitos das chuvas.

Uma das primeiras imagens que retive, e que ainda guardo por ser impossível de esquecer, foi a dos abutres, claro. Ali estavam eles em quantidade, para não fugir à regra, só que em vez de sobrevoarem as ruas, estavam tranquilamente pousados em cima dos telhados, mirando o que se passava apenas uns metros abaixo dos seus bicos. Espertos, pensei eu cá para comigo, assim não se cansam e sempre que percebem que há desperdício, qualquer que ele seja, lá se dignam a uma incursão até ao solo. Estes são de facto animais que não gostam de estragação...

O fim da estrada desembocava num largo, que eu vim a perceber depois que era a principal praça da cidade. Ali era o centro onde tudo se passava e dali era possível partir para todo o lugar, a qualquer hora do dia ou da noite. Bastava acertar com o condutor. Na praça tanto se vendia pão, tipo baguete mas mais larga, menos estaladiça e com a massa mole, como cartões de telemóvel. Era possível apanhar transporte para a capital, para o Cacheu, Caió, Calequisse ou qualquer outra localidade, e chegava-se da região ainda mais ao norte, São Domingos, em particular depois do conflito ter começado. Ali jogava-se “oril” e cartas, bebia-se o que houvesse e conversava-se, vendiam-se animais e até bananas. Aquela praça foi para mim o principal ponto de referência nos primeiros dias por ser ali que eu ia jantar, invariavelmente pelas 20 horas, no único local que me disseram ser possível: as traseiras da Casa Monteiro, que era uma “loja vende tudo o que há”. Era um pequeno restaurante chamado “Vulcão”, onde tanto se assistia ao telejornal ou a um jogo de futebol, como se bebia cerveja ou comia qualquer coisa. Eu jantava e escrevia as palavras que me vinham à mente, pela associação de ideias que o local e as experiências do dia possibilitavam. Mas ao “Vulcão” voltarei com mais pormenor porque este foi um local importante durante a estadia.

No Canchungo fui directa à Associação que me acolheria e cujos representantes iriam trabalhar comigo nos dias que se avizinhavam. O local pareceu-me apaziguador, tranquilo e absolutamente pacífico. O terreno era vedado mas aberto, o que pode parecer um contra-senso: vedado apenas para demarcação de espaço; aberto a qualquer visitante que chegasse em paz, conforme se veio a confirmar uns dias mais tarde. A casa era simples, tal como os seus habitantes: acolhedores, afáveis, amistosos e simpáticos, trabalhadores e muito organizados, com um grande espírito solidário. Eram pessoas simples e despretenciosas que me puseram à vontade como se me conhecessem há um bom par de anos. Ele era o Leandro e ela a Didi, um casal engraçado e que fez tudo para que me sentisse em casa. Em breve virá um Moisés, ou quem sabe uma menina.

 

 

Canchungo, Guiné Bissau

A entrada da "Cooperativa Agro-Pecuária dos Jovens Quadros do Canchungo", que me acolheu, Guiné Bissau, Março 2006
A estrada que me ligava ao Canchungo, Guiné Bissau, Março 2006

A Casa da Didi e do Leandro, Canchungo, Guiné Bissau, Março 2006

segunda-feira, 27 de março de 2006

Guiné Bissau: Terceira Parte

E o Norte esperava-me pelo que me pus a caminho. A estrada é maioritariamente de terra batida, "picada", estreita e acidentada, dando uma ideia muito próxima de se estar numa montanha russa.
A paisagem é bonita mas revela dureza, evidenciada pelo solo ressequido e pela vegetação intercalada, nem sempre densa. Diria mesmo muito pouco densa. As árvores com que me fui cruzando eram imensas, de tronco larguíssimo e comprido mas com pouca folhagem, encontrando-se muitos embondeiros, ali chamados de "cabaceiras", e muitos "poilão" (a ocá santomeense).
O que vi, e que mais me deslumbrou durante a viagem até ao Canchungo, foram os pássaros, que sobrevoavam o ar, mesmo à frente do carro. Nós quase chocávamos com eles que de forma espedita provocavam o condutor, pondo à prova a sua falta de paciência para com algumas coisas simples, respondendo ao esvoaçar com aceleradelas repentinas e sem razão de ser que, se não estivesse atenta, quase me projectavam para o vidro. Os pássaros eram de todas as cores e feitios. Simplesmente magníficos, deslumbrantes, elegantes, encantadores.
Gostei também de me cruzar com um grupo de macacos que atravessava de forma trapalhona a estrada precisamente no local e no momento em que eu passava. Um, o último do grupo, parou especado a olhar para o carro e eu tentei segui-lo até onde o meu campo de visão permitia. Foi uma coincidência engraçada e que interpretei como um bom sinal. Mas afinal não seria completamente...
As aldeias à beira da estrada iam-me parecendo pequenas, degradadas e muito espaçadas. A minha impressão inicial foi a de uma região particularmente desertificada, muito mais do que a imagem que eu retivera há dez anos atrás. Talvez por ter visitado outras regiões, não sei bem.
A viagem continuou, passando por Bula e Có, até chegarmos à entrada do Canchungo, cidade que eu esperava que fosse bonita, tanto pelas fotografias que já tinha visto, como pelas poucas palavras que o condutor pronunciara a respeito: "Canchungo é muito bonita. Cidade bonita do tempo dos portugueses". Mas para mim, o Canchungo revelou-se uma cidade castanha, cor de terra, árida e de cheiros intensos mas não perfumados, onde as pessoas me fixavam. Afinal eu era mesmo a única branca por ali e se a curiosidade fazia com que olhassem com atenção, registando a minha fisionomia, o meu aspecto por certo não terá sido do agrado da maioria já que os olhares eram sérios e as minhas tentativas de sorrir estiveram longe de ser correspondidas.
(continua)

I Simpósio Lusófono de Educação Ambiental

Por favor divulgue e participe:
I Simpósio Lusófono de Educação Ambiental

Tardes dos dias 06 e 07 de Abril de 2006 Inicia, o que se pretende que seja uma série de encontros, onde representantes de países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor Leste) e Galiza têm a oportunidade de discutir estratégias comuns e aproximações para implantação de políticas nacionais de educação ambiental e de programas de cooperação.
Programa:
06.abril
14:30H – 18:30H
Facilitação: Joaquim Ramos Pinto (Portugal), Pablo Meira (Galiza) & Michèle Sato (Brasil)Abertura com entidades oficiais da CPLP
Luis Chainho – Ministério do Ambiente de Portugal
“A Educação Ambiental como Factor de Aproximação na CPLP”
Marcos Sorrentino – Órgão Gestor de Educação Ambiental do MMA Brasil
“A Comunidade de Países de Língua Portuguesa enfrentando as questões ambientais planetárias”
Mesa 1
Antônio Fernando Guerra
“Pesquisas em Educação Ambiental nas identidades lusas”
Rosemeri Melo e Souza
“Vivências em redes de Educação Ambiental nos enraizamentos lusos”
Marília Andrade Torales e Joaquim Ramos Pinto
“Identidades da Rede Lusófona de Educação Ambiental”
Debate
Mesa 2
Alberto Vieira da Silva
“Sentimentos e pertencimentos”
Brígida Brito - Centro Estudos Africanos/ISCTE (Portugal)
“Experiência dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”
Aidil Borges
“Experiências em Cabo Verde”Debate
Pablo Meira
“O itinerário de um sonho”
Debate
07.abril 14:30H – 17:00H
Constituição de três grupos temáticos sob o fio condutor: “sentimentos e pertencimentos dos itinerários de um sonho”
- Colóquio de pesquisa
Facilitação: Antônio Fernando Guerra
- Vivências em redes
Facilitação: Rosemeri Melo e Souza
- PALOP
Facilitação: Brígida Brito (Portugal) & Aidil Borges (Cabo Verde)
17:00H -18:30H
Plenária final para apresentação das conclusões dos 3 grupos temáticos, sistematização e Carta Luso-galega de Educação Ambiental
Facilitação: Joaquim Ramos Pinto, Pablo Meira & Michèle Sato

sábado, 25 de março de 2006

Guiné Bissau: Segunda Parte

A chegada a Bissau, após o segundo voo, fez-se de forma tranquila, se é que isso é possível depois do muito stress vivido no dia anterior. O ar estava mais limpo o que representava uma maior visibilidade, se bem que a poeira ainda permanecesse. O calor começou de imediato a fazer-se sentir e o meu dia estava longe de acabar. À chegada encontro um novo aeroporto, Osvaldo Vieira. Há que não esquecer que não ia à Guiné Bissau desde Abril de 1996, ou seja há 10 anos e a minha vontade de ver coisas novas ou melhoradas era muito grande. Costuma dizer-se que a esperança é a última a morrer e é bem verdade!

Depois de uma passagem na fronteira para carimbar o passaporte, com o inacreditável pedido de “uma ajuda” acompanhado de um sorriso, e da demora na recolha das bagagens, saímos e combinámos os procedimentos seguintes: trocar dinheiro; comprar um cartão de telemóvel de uma das redes locais, no caso Areeba por ser a que me disseram ter maior cobertura no norte; munir-me de águas suficientes para os dias que se aproximavam. A proposta foi partir naquele dia para o norte para que o trabalho não atrasasse e a mim a ideia não me pareceu nada descabida. Assim foi, mas antes quis fazer uma incursão pela cidade que há alguns anos atrás me acolheu.

A cidade estava suja, muito mesmo, e notei-a mais degradada, o que era naturalmente de esperar, tendo em conta que a reconstrução e a reabilitação patrimonial em África não são normalmente entendidas como prioridades. Notei que algumas estradas estão alcatroadas, fazendo um estranho contraste com outras, pela proximidade, muitas vezes ligando-se umas às outras. A explicação que me deram para esta situação, que me pareceu estranha, teve uma conotação política. Ora bolas, pensei cá para comigo, terá sempre de ser assim? Pois parece mesmo que sim. Infelizmente! Também o que foi em tempos o Palácio Presidencial, aquela área onde não se podia sequer passar, está hoje em ruínas, bem como o Mercado Central, onde se vendia artesanato, frutas e legumes, depois de ter ardido por completo, está encerrado evidenciando os sinais do incêndio. Hoje, na rua do Mercado, as mulheres vendem os seus produtos em bancas de madeira, fazendo pensar nas dificuldades com que irão certamente confrontar-se quando as chuvas começarem. E já não falta muito...

Depois, fui dar uma volta com um amigo que actualmente reside em Bissau, passeámos de carro pelas ruas da cidade para “matar saudades” e rever os “djugudi”, os abutres que por motivo nenhum abandonam este pequeno país, fazendo a sua ronda para conseguir alimento. E não são esquisitos nem sequer selectivos. Continuam a ser incómodos para quem os vê e não nutre particular simpatia, e além do mais representam uma população em crescimento. Vá-se lá saber porquê... Não, de facto esta não é uma imagem muito inspiradora mas, penso eu, terei de me habituar.

Depois de tomarmos o pequeno almoço num café para mim novo, porque antes não existia, fizemos uma incursão a pé por Bandim, aquele fantástico mercado onde se vende de tudo um pouco e que é um mundo dentro da capital. Percorremos as ruas mais estreitas e escuras, repletas de gente, e ele comprou música local, não em CDs, mas sim em cassetes, bem à maneira tradicional.

Em Bandim os cheiros estão mais intensos do que nunca, a sujidade acumula-se nas ruas e nos cantos porque além de tudo o que se vende, também se cozinha, lava e seca loiça. Ali há espaço para tudo. Há quem venda e quem compre, quem cozinha e quem come, quem dorme, quem brinca, quem namore e seduza, quem penteie e costure. Ali não há problema, a não ser que quem visita deve ter algum cuidado, talvez muito, com o que leva nos bolsos para que não saia de lá sem nada. Eu não me posso queixar porque, apesar dos infinitos avisos, a minha entrada, permanência e saída foram completamente pacíficas.

O almoço fez-se na Pensão Central, o espaço da D. Berta, também conhecida por “Avó Berta”, com a simpatia que lhe conheci há 10 anos atrás, acolheu-nos tão bem como sempre na companhia do seu fiel cão que por sinal está muito mais calmo e menos refilão do que já foi em mais novo. O restaurante continua igual ao que sempre foi e ali senti-me tranquila, talvez pelo sorriso e as palavras doces dela, ou pela comida, ou ainda por ser domingo e a cidade estar quase deserta.

Com o fim do almoço a partida para o norte tornava-se necessária: a estrada é degradada, maioritariamente numa picada marcada pelos acidentes do relevo, pelo movimento de outros veículos e pelos factores naturais. Não me podia atrasar porque ainda tínhamos pela frente cerca de duas horas e meia de caminho. Mais para mais do que para menos. E lá fomos, eu e o motorista que me acompanharia no trabalho de campo, homem pouco conversador e muito menos sorridente, que não gostava de perguntas e evitava as respostas.

(continua)

sexta-feira, 24 de março de 2006

Guiné Bissau: Primeira Parte

A verdade é que esta viagem não tinha de correr bem. Talvez tivesse mesmo de correr mal sem que eu tenha a capacidade de perceber porquê. Mas hoje, depois de tudo o que vivi no tão curto espaço de tempo de uma semana e três dias, que me pareceram uma eternidade, compreendo que todos os acontecimentos indiciavam uma viagem que viria a ser uma complicação num dia só.

A partida era no dia 10 bem cedo, chegando eu com três horas de antecedência porque o trânsito esteve a meu favor e, naquele dia, não houve filas. À chegada percebo que não me antecipei tanto quanto pensava porque à minha frente para efectuar o check in estava já uma multidão que se disser que ultrapassavam os 50 não estou a exagerar. Lá fui para o fim da fila, aguardando calmamente mas com algum espanto dada a quantidade de pessoas que se aglomerava à minha frente: só podiam ter dormido no aeroporto...!!! Eu estou habituada a viajar para África mas uma coisa como aquelas ultrapassou tudo o que já vira antes.

Mais stressante do que a espera foi realizar que me esquecera de levantar dinheiro para todo o tempo da estadia, tarefa que foi de imediato transferida para a minha mãe. Após o check in, já com o dinheiro e depois das despedidas que deixam o coração apertado, dirigi-me para as partidas. Tomei o pequeno almoço, que também me esquecera, e acabámos por embarcar.

O voo foi atribulado com muita turbulência e infinitas recomendações do pessoal de bordo, por vezes e sempre que havia incumprimento de forma ríspida, para que apertássemos os cintos e nos mantivéssemos sentados. Havia um problema que foi mencionado pelo comandante de imediato e após a descolagem: uma tempestade de areia do Sahara que descia, e que no momento deixava a cidade de Bissau envolta numa nuvem impenetrável. Assim, foi-nos indicado que tentaríamos a aterragem duas vezes, mas se não fosse possível partiríamos para Dakar, e aí logo se veria. Assim foi: a primeira tentativa foi frustrada por nos termos aproximado da pista sem descermos o suficiente; a segunda resultou numa alucinação que me permitiu ter uma visão de grande proximidade das árvores. Estávamos quase a aterrar quando sentimos o avião baloiçar para a esquerda, depois direita e por fim levantar de novo. Pensei que morríamos ali pela proximidade das árvores mas afinal vim a saber que a fatalidade podia mesmo ter acontecido, só que com o que estivemos prestes a chocar foi com a torre de controle. Milimétrico segundo me disseram mais tarde. Ao fim da terceira tentativa, em que já não descemos o suficiente para arriscar uma aterragem, voltámos para Dakar!

Em Dakar o rumo dos acontecimentos não melhorou: todas as vozes eram de descontentamento e pouca resignação e as ordens foram no sentido de embarcarmos para o regresso a Lisboa, já que a TAP garantiria novo voo para Bissau na madrugada do dia seguinte mas não garantia nem alojamento nem transporte para quem ficasse em Dakar. Como sempre nestas coisas, e para que ninguém diga que não teve oportunidade de escolha, 56 passageiros não só se recusaram a regressar a Lisboa como formaram um bloco de oposição aos que queriam embarcar. Eu queria!!! E como entendo que não posso obrigar ninguém a fazer o que não quer, assim como também não me parece muito democrático obrigarem-me a fazer o que não me convém, fiquei fula, manifestei o meu desagrado face a tamanha irracionalidade e regressei mesmo a Lisboa depois de um novo embarque que se revelou simplesmente caricato e surrealista: aos bocadinhos, em grupos de 4 pessoas, para que não houvesse mais problemas!!!

Chegada a Lisboa depois de nova fase de turbulência e muito cansada desta confusão, vim para casa com a intuição que alguma coisa não estava a correr bem desde o início, o que não era muito auspicioso. Não falei nisso de forma aberta mas quem me conhece bem sabe, e sentiu, que eu estava tensa. Muito. Demasiado!

(continua)

 

Guiné Bissau

Para um seguimento atento da situação na Guiné Bissau nada melhor do que passar pelo AFRICANIDADES, onde o Jorge Neto vai deixando notícias e fotografias, relatos e todo o tipo de informações de forma muito actualizada.

3ª Festa Africana no B.leza


O ISU, em colaboração com o B.leza, irá realizar pela terceira vez a festa Nô Djunta Nô Dança no dia 29 de Março pelas 22h30. Esta iniciativa conta com a participação de alguns artistas convidados que irão actuar com a banda do b.leza e tem como objectivo a angariação de fundos para projectos de solidariedade em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola. O dinheiro angariado pela equipa de voluntários responsável por esta actividade reverterá na totalidade para estes projectos.

terça-feira, 21 de março de 2006

Regresso Antecipado

Regressei a Portugal. Estou aquilo a que se pode chamar de “abananada”, confusa, intranquila, resultado da ansiedade vivida nos últimos dias. Tenho muito para contar até porque escrevi bastante nestes dias. Dia a dia, quase na lógica de um diário. Foi uma experiência muitíssimo forte. Intensa em todos os sentidos possíveis de imaginar. Conheci pessoas de grande riqueza interior, que convivem calmamente com situações de intranquilidade por as considerarem normais. E vivi momentos de apreensão (para não dizer medo). Vim cansada, não fisicamente mas sim psicologicamente, e muito sensível no que toca às emoções, reconheço. Voltarei para falar de vivências num local onde qualquer coisa pode acontecer, principalmente quando não estamos preparados e não contamos com ela.

quarta-feira, 8 de março de 2006

De partida!



E lá me vou ausentar deste espaço por uns tempos. Para onde desta vez? Para esta paisagem e outras próximas. A ansiedade pré-viagem aumenta, pela responsabilidade acrescida que esta missão implica e pela consciência do retorno à minha primeiríssima África.

Guiné Bissau: aí vou eu!!! A Todos os ficantes: até ao meu regresso, daqui a algumas semanas...

A foto foi retirada daqui MAS FICA UMA ADENDA EM MAIÚSCULAS E COM UM PEDIDO DE DESCULPAS AO JORGE NETO DO AFRICANIDADES POR ESTAR MAL REFERENCIADA. A FOTO É DELE E É UMA EXCELENTE ANTEVISÃO PARA MIM...

Obrigada a todos pelos comentários. Vou dormir porque amanhã a alvorada é bem cedo... :-)

terça-feira, 7 de março de 2006

Estudos da História de Cabo Verde

Cooperação sem Desenvolvimento



O meu colega e amigo João Milando, angolano de gema, lança na próxima 6ª feira, dia 10 de Março, pelas 18h30, o livro "Cooperação sem Desenvolvimento" na Livraria Buckholz, Rua Duque de Palmela, nº 4, em Lisboa.
Esta é certamente uma obra de referência no que ao desenvolvimento em geral diz respeito, e a África em particular.
A notícia foi também largamente divulgada pelo Fernando Gil no MACUA (de onde a foto foi retirada).

domingo, 5 de março de 2006

Medicina & Saúde

A ler a entrevista da Mana João sobre Vacinas e Meningite Pneumocócica (“Defender as crianças do Pneumococo”), na secção Saúde Infantil da revista “Medicina & Saúde”, número 101, Março de 2006, páginas 16-18.

sábado, 4 de março de 2006

Nos anos de uma Mana

Hoje é um dia especial porque uma das manas é pequenina e, para mim, os dias de anos são sagrados e devem ser comemorados de forma única. Ela é também uma pessoa particular pela sua forma de ser e de estar, com um entendimento único da vida e um espírito positivo e optimista que faz dela uma pessoa simplesmente inimitável! Pois se a mana hoje fez anos, foi dia de reencontro familiar e, claro está, as conversas ao almoço foram tão animadas que prometi aos presentes fazer aqui uma referência. Não, não sejam completamente curiosos porque não posso aqui relatar o teor dos ditos e contos. Mas foi muito divertido, apesar do meu ar, por vezes, mais sério e a pedir contenção... Mas foi divertido, animado e um almoço muito alegre. Parabéns à Mana João!

O stress da antecipação

É sempre assim. Os dias que antecedem as viagens são muito vividos de forma muito stressada: há uma infinidade de coisas para fazer e ultimar; há a sensação de se deixarem assuntos pendentes e por resolver; há a noção que, se a experiência que se irá ter é grandiosa, uma parte da vida fica aqui à espera do regresso. É estranho mas absolutamente fascinante. E em todas as viagens que faço retomo esta confusão emocional e de sentires. O stress da antecipação é fantástico!

Educação Ambiental e Áreas Protegidas em contexto insular africano

Já estão disponíveis os textos das comunicações apresentadas nas XIII Jornadas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), sob o tema “Educação Ambiental e Comunidades Educativas", que teve lugar em Lisboa em Janeiro de 2006.
No site da ASPEA pode-se aceder aos textos clicando no link “Boletim” e aqui seleccionar as comunicações que se pretende ler ou gravar. Os ficheiros são disponibilizados em formato pdf (e fazendo um pouco de publicidade... a minha intitulou-se “Educação Ambiental e Áreas Protegidas em contexto insular africano”, onde STP é referido, bem como de forma mais superficial Cabo Verde e Bijagós).

sexta-feira, 3 de março de 2006

Momentos de sonho

Há momentos em que nos apetece agarrar o Mundo, o Sol, as Nuvens, o Mar e as Montanhas. Tudo nos parece possível de conseguir e alcançar porque a nossa vontade é tão grande que nos sentimos com a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos e atingir qualquer meta. A vida é feita de esperança, os limites e as impossibilidades não existem e, sempre que alguém nos procura trazer de novo à terra, reagimos qual Calimero humano, com a consciência de que a incompreensão se generalizou. E assim vivemos, como se flutuássemos, num estado de levitação permanente semi-consciente, semi-sonhador, que é muito agradável enquanto dura. Depois, começamos a descer à terra e a realizar que afinal nem tudo é possível e que é mesmo fundamental aprendermos a viver felizes com o que temos e que vamos realizando, porque agarrar o Mundo é mesmo um sonho que só se vai conseguindo passo a passo... “leve leve” :-)

 

Explicações

Há uns dias escreveram-me dizendo: “Andas excessivamente africanista e pouco intimista. Sinto falta de ler as tuas histórias, as aventuras das viagens, os sonhos, os encontros (e os desencontros). E ainda não nos falaste sobre as tartarugas (...)”. Não liguei muito a estas palavras porque de imediato pensei que a pessoa que escreveu estava a brincar comigo como faz tantas vezes. Mas de facto é verdade! Ando a escrever sobre temas “sérios”, pouco pessoais e principalmente de divulgação, e quem se habituou a ler 85% do que habitualmente escrevo, naturalmente nota diferença. E hoje tomei consciência disto, no meio do almoço com um amigo, que por sinal inspirou alguns dos meus textos :-) Há fases assim em que falamos pouco de nós porque, sei lá eu, há talvez pouco a dizer, ou quem sabe temas muito mais interessantes para explorar...

Fiquei de falar sobre as tartarugas e o regresso a São Tomé, após um longo mas importante afastamento. Há quem diga que não devemos voltar aos locais onde formos felizes. Eu não sou assim tão radical, aliás sou-o em relação a poucas coisas e cada vez menos. Eu fui muito feliz em São Tomé. Esta frase até me faz lembrar alguém :-) E mais do que feliz, ali vivi e dei azo às emoções, libertei-me e senti-me viva, no bom e no mau sentido. Tudo foi vivido intensamente, de tal forma que o afastamento foi necessário em altura própria e o regresso, mais do que desejado, resultou na perfeição. São Tomé é um encanto, um local onde me sinto bem e me reencontro comigo mesma. E a vontade de regressar permanece, o que é muito bom!

 

Reencontros

Esta é uma fase de reencontros. Na verdade, gosto muito de rever as pessoas de quem gosto e que, pelos motivos mais diversos, não via há algum tempo. Não via, não falava ou conversava. É bom “pôr a escrita em dia”, saber o que se tem feito e como se está, discutir ideias e fazer projectos, rir em conjunto das situações caricatas que cada um viveu, compreender através do olhar o que não se diz porque não se pode ou não se consegue expressar por palavras. E esta é uma altura em que tenho reencontrado pessoas que fazem parte da minha vida mas de quem não estou tão próxima fisicamente quanto gostaria. Reencontros de amigos e companheiros de aventuras, de colegas que o tempo ajudou a transformar em amigos, aproximações de cumplicidades. É uma fase boa, saborosa, de reconhecimento e de apreciação.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Países Visitados

Sugestionada pelo que li no Chuinga, e como sou dada a curiosidades, tentei perceber no que têm dado as minhas viagens. O resultado foi: 17 países e 7% do Mundo (representado a encarnado). Xê... o que me falta conhecer(tudo o que é branco no mapa)!!! Na verdade, tenho repetido muitos destinos... é no que dá quando se gosta muito...! (E... a Guiné Bissau, STP e a República Dominicana quase não se percebem...).

1ª Quinzena de Cultura Africana

Exposição de Fotografias: Olhando África

Por causa do inverno...

Por causa do frio ligamos aquecimentos e todo o tipo de aparelhos possível e imaginário, de forma a criarmos um ambiente confortável. Por causa do frio, vestimos roupas quentes e enroscamo-nos em cobertores, mantas e edredons. E porque nunca é suficiente, por causa do frio aquecemos água e, depois de ferver, enchemos sacos de borracha para que, durante a noite, os pés se mantenham quentes e o sono seja apaziguador e reconfortante.

Pois é, e por causa do frio, mais ou menos há um ano liguei o ar condicionado no calor, e o aparelho pegou fogo, o que resultou numa sessão de oxigénio na ambulância dos bombeiros e numa carga de trabalhos nos meses sequentes, com visitas de peritos de companhias de seguros, orçamentos, obras e limpezas. As sessões prolongaram-se e a casa só ficou mais ou menos pronta no Outono. Foi um estrafego impossível de esquecer!

Mas para que não me esqueça das venturas e desventuras do Inverno, há dois dias, num dos picos de frio do ano, preparava-me para encher os sacos de água quente e, com a água bem fervente, em linguagem culinária em cachão, entorno uma boa quantidade, qb, em cima da mão de forma a deixar uma boa parte bem queimada, vermelha e dorida. A sorte foi ter tido rapidez nos reflexos e puxado a manga igualmente molhada para cima, aliviando o pulso e o início do braço. E depois, o tratamento foi imediato e não deu tempo para criar bolhas. Apesar disso estou com os movimentos reduzidos, não posso conduzir e escrever com papel e caneta é uma aventura. A mão direita está empapada num creme cicatrizante, compressas embebidas em soro fisiológico e ligada. E eu ando por aqui e por ali com um ar de infeliz...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

IV Bienal de Arte e Cultura


Acontecimento cultural a registar nas agendas.
São Tomé e Príncipe acolhe a IV Bienal de Arte e Cultura em São Tomé e Príncipe, entre 25 de Junho e 25 de Julho de 2006.
Reúne um conjunto de eventos de importância nacional, regional e internacional: música e dança; artes plásticas com escultura e pintura; fotografia; workshops e palestras; poesia; turismo; gastronomia.
E, além de tudo isto, há a paisagem, as praias e o Obô, os sorrisos, a simpatia acolhedora e as tradições culturais; os animais e as plantas.
Tudo isto e muito mais em São Tomé e Príncipe, um arquipélago de sonhos, uma vez mais com a mão do João Carlos Silva e da Isaura.

Carnaval

E já estamos no Carnaval outra vez, com as máscaras, os papelinhos e as serpentinas. O que acho sempre estranho nesta altura do ano é que, além da diversão ser quase uma obrigação padronizada, a maioria das crianças gosta de se mascarar enquanto que os adultos libertam energias descascando-se, apesar do frio arrepiante que faz, usam apitos e martelinhos, dançam e fazem comboios sem destino, sentindo-se balançar ao som de música brasileira. É a loucura...! Porque é que eu cresci a não gostar de Carnaval? Afinal só me divertia mesmo quando era gaiata e me mascarava de tudo o que podia para ir para a escola, porque eram dias diferentes, ou quando ia ao Coliseu ver o circo, que me continua a encantar, comer lápis de chocolate e atirar saquinhos de serradura feitos pela minha avó. Hoje dou comigo a pensar que também gostava de me divertir assim, sem pressões e de forma descontraída, aos pulinhos, bater com os martelinhos na cabeça de qualquer um, atirar papelinhos a toda a gente e serpentinas pela janela.

"Às portas do Mundo": a resposta de esclarecimento da Administração da Pro Justitiae

A resposta da Administração da Fundação Pro Justitiae às dúvidas indignadas, do Jorge Neto e minhas, no que respeita à ausência de informação sobre a passagem da Exposição Às Portas do Mundo pela Guiné Bissau, chegou, antes mesmo de eu ter tido tempo para escrever a perguntar. E a resposta vem no sentido de esclarecer as inúmeras razões que justificam a ausência de referências no site à apresentação das obras em Bissau, apesar do apoio que a Pro Justitiae continua a dar à cultura guineense: ainda não estiveram reunidas as condições necessárias que possibilitassem a apresentação dos trabalhos.

Da minha parte fiquei esclarecida, apesar dos meus posts terem sido mal interpretados pela Administração, quando procurei divulgar o evento. De qualquer forma, aqui fica a referência feita na carta, deixando em aberto a possibilidade de, até 2007, a exposição poder ser apresentada na Guiné Bissau, (já que aliás está representada por artistas nacionais): “(...)  não estarem total e definitivamente fixados os detalhes da mostra do projecto cultural da Fundação em Bissau (...) Aguardamos serena e confiadamente.(...)”. Vamos também nós aguardar que as condições se reúnam e que o povo guineense tenha a oportunidade de, num futuro próximo, assistir à mostra de elementos artísticos dos Países da CPLP, já que todos ficariam(íamos) a ganhar!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Moçambique sacrificada, uma vez mais

Moçambique foi de novo objecto das atenções internacionais por uma causa dramática: um sismo de amplitude considerável: 7.5 na escala de Richter, que durou 3 minutos, fazendo-se sentir principalmente na capital. Como se a angústia que estes abalos provocam já não fosse bastante, houve danos materiais e, muito pior, 2 mortos e 13 feridos a lamentar. Esperemos que não mais e principalmente que as réplicas que possam ocorrer sejam de menor gravidade.

Chocolate de STP em Bruges

Acabei de receber uma notícia muito simpática e que, por certo, contribuirá para a felicidade de muitos, pelo menos todos os que puderem passar por Bruges em Abril. O motivo: visitar o Festival do Chocolate, apreciar as obras cuidadosamente elaboradas pelos artistas plásticos e provar tudo o que por lá houver (ao que consta serão milhares de produtos que podem ser provados).

Bruges é uma cidade magnífica. Visitei-a uma única vez, no meio de sessões de trabalho em Bruxelas, e fiquei encantada, ou não se tratasse de uma cidade medieval, muito arranjada e apelativa. Em Abril vai ser o palco de um dos mais doces eventos, intitulado “Choco-Laté”, e só de pensar nisso já me sinto completamente envolvida pelo adocicado e aveludado sabor do chocolate de leite, ou pelo paladar intenso do um pouco de amargo ou semi-amargo, ou ainda pelo aroma estimulante dos bombons, ou... É delicioso pensar em chocolate e muito reconfortante saber que STP, que em tempos idos foi o maior produtor mundial de cacau, vai estar presente e mostrar, a quem quiser e tiver oportunidade de assistir, todo o processo desde o cultivo da árvore até à confecção e transformação do cacau em chocolate.

E depois mais magnífico é aprender que o chocolate tem mais utilidades do que as tradicionais de derreter para beber, fazer doces ou comer em barra: com ele podem produzir-se máscaras faciais, cremes de beleza e de massagem, terapêutica vária para aliviar o stress diário, contribuir para uma alimentação equilibrada e dar alegria ao espírito. Digam lá que afinal não é bom ter falta de magnésio...!

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Da janela


Da janela do escritório, aliás de uma grande parte da casa, os meus olhos regalam-se e descontraem-se com diferentes paisagens: naturais, humanas e urbanísticas. Hoje que estou "(a)variada" decidi-me a registar o entardecer numa das partes acessíveis ao meu campo visual (e fotográfico). O verde, que a esta hora já está quase negro, o azul do mar que parece violenta e a infinitude do céu, em tons mesclados mas reconfortantes.
Sabe bem olhar lá para fora, apesar do "meu" bando de pássaros esvoaçantes ter feito folga (ou terei sido eu que me atrasei...?!). Está frio, ou sou eu que estou desconfortável?

Não gosto...

Não gosto de vacinas. Nem da palavra em si, nem de as tomar. Sei que são um mal menor, necessárias e, em algumas circunstâncias, obrigatórias. Nestes casos, lá vou cabisbaixa e resignada mas sem agrado, fazer o que tem de ser feito: levar uma injecção, normalmente no braço e fugir, o mais rapidamente que me é possível, do local onde as seringas e as agulhas abundam.

Não gosto de seringas e muito menos de agulhas e a sensação de ser espetada é absolutamente arrepiante e confrangedora. Até no dentista fico em transe quando sou avisada que o tratamento requer anestesia. Não acho graça nem à picada nem à sensação com que se fica de dormência e insensibilidade, e fico sempre muito irritada quando isto me acontece.

Mas dizia eu, não gosto de vacinas apesar de reconhecer a sua utilidade. Hoje foi um dia de desconforto para mim. Não por tomar uma vacina injectável, isso seria quase terrificante, mas por saber que ingeri uma quantidade não desprezível de bichinhos, que estou em crer que certamente actuarão em minha defesa em caso de necessidade, ou seja de contactar com o antipático bicho da cólera. Mas a ideia de ser uma “vacina viva” só por si desorganiza-me as ideias e o estado de alma. Não, hoje não estou particularmente bem disposta. Mas sei que fiz bem em tomar a primeira dose. A segunda será na próxima semana.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Investimentos em São Tomé e Príncipe


Foi hoje oficialmente lançada a obra de Kiluange Tiny, Rute Santos e N'Gunu Tiny "Investimentos em São Tomé e Príncipe, Legislação Básica", ISBN 9724027104, 461 pags, pela Almedina. A obra pode ser adquirida on line.
O lançamento decorreu na Sala de Protocolos do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Os autores estão de parabéns pela disponibilização de documentos legais compilados de forma criteriosa. Um grande avanço para STP, um auxílio para os pretensos investidores e um instrumento fundamental para quem estuda o arquipélago.

Ainda "Às portas do Mundo"


Ainda a propósito da exposição Às Portas do Mundo, o Jorge Neto apela à indignação. E com toda a razão. Eu já tinha reparado que, apesar da participação de vários artistas guineenses, a Exposição passa por todos os países da CPLP menos pela Guiné Bissau. É estranho e parece inconcebível. Quem sabe se não será um erro na divulgação. Vou escrever para a organização a perguntar e, logo que tenha resposta, comunico. Mas enquanto a resposta não chega, aqui fica uma imagem de um dos artistas guineenses: Nu Barreto.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Alguém

É bom sentir saudades de Alguém: é sinal que há um Alguém especial nas nossas vidas; que faz parte de nós; que nos faz falta quando não está perto. Ao ouvir os Trovante na rádio dizendo “Há sempre alguém que nos diz «tem cuidado»; há sempre alguém que nos faz pensar um pouco; há sempre alguém que nos faz falta”, dou comigo a pensar que, muito melhor do que haver alguém que se encaixa em cada uma das frases, o que é verdadeiramente magnífico é esse Alguém reúna os três requisitos: a preocupação com o nosso bem estar; a capacidade de nos ajudar a crescer e a melhorar; o preenchimento e a sintonia. A saudade é um sentimento bom que nos faz tomar consciência do que é verdadeiramente importante.

Chuva

Gosto de ouvir a chuva cair, com uma musicalidade ritmada, ora escorregando docemente pelas goteiras, ora batendo com força nos vidros das grandes janelas que habitualmente me fazem companhia. Gosto de ver a chuva cair em fios contínuos e geométricos, desenhando linhas bem definidas e consistentes, que interrompem a tranquilidade da paisagem que me rodeia, marcada por tons azuis, verdes e brancos. E gosto de ver a chuva batida pelo vento, provocando uma sensação de falta de orientação que gera inevitavelmente confusão, levantando rapidamente a água e, de forma sucessiva mas inesperada, com grande eficácia, mudando-lhe o sentido. Gosto de dias de chuva, depois de um longo período de seca, desde que o sol possa aparecer de quando em vez para iluminar a alma e aquecer o corpo e o coração. E sobretudo gosto de ver, ouvir e sentir o cheiro da chuva quando estou completamente resguardada, quente e confortável. Os últimos dias têm sido assim: calmos; contemplativos; de muito trabalho ao som da chuva e dando descanso ao rádio.

 

Terra encantada



Brígida Rocha Brito, STP, Janeiro 2006
Será possível olhar, rever, relembrar e não sentir uma saudade imensa, infinita?
Esta é uma terra encantada, sonhada, relembrada, impossível de esquecer. E cada vez que a visito maior é a minha certeza. A tranquilidade do mar e do verde do Obô é contagiante. Cada vez mais! Aquela é também um bocadinho a "minha terra"...

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Às Portas do Mundo


É uma EXPOSIÇÃO ITINERANTE que vai percorrer, ao longo de 2006, os países da CPLP, com mostras de arte diversificadas. Vale a pena estar atento às datas e locais apresentados no site. Fica um agradecimento ao João Soares que me alertou para a iniciativa.
Aqui fica um registo da arte de AKAÍZA MOTA (STP), retirado daqui

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Dores de cabeça

Significa incapacidade para pensar, trabalhar, fazer o que quer que seja, além de fechar os olhos num quarto escuro e deixar-me envolver pelo silêncio apaziguador. E é o resultado de sonos incompletos e de noites longas em frente ao computador. Daqui a fazer asneiras é um passo e esta tarde dei comigo, com o computador e com a papelada que me rodeia, completamente envoltos em iogurte por ter agitado o frasco, esquecendo-me que já o tinha aberto. Agora... vou descansar...!!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Um local de sonho


No Africanidades, além das reposrtagens, notícias e curiosidades, o Jorge Neto apresenta como ninguém imagens, desta feita de uma região lindíssima na Guiné Bissau. A foto é "emprestada" e retirada de lá. E tem mais, se lhe escreverem a perguntar onde fica o local "além do paraíso", ele responde com atenção, cuidado e pormenor, numa descrição que nos transpõe de imediato para as águas quentes e as paisagens florestais, povoadas por espécies que nos habituamos a ver nos documentários do National Geographic e outros semelhantes. Magnífico e aqui fica o meu agradecimento pela possbilidade de antecipação.

V Congresso Ibero-americano de EA e África

V Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental
Primeiro grupo de trabalhos selecionados
Veja lista do primeiro grupo de trabalhos selecionados:

Apresentação em Pôsteres
Apresentação Oral
http://www.viberoea.org.br
A EA no continente africano será um dos temas em análise, além de ter assegurado um evento integrado, o I Simpósio em EA dos Países Lusófonos.

Há coisas que permanecem

Às vezes, quando estou muito cansada como hoje, é bom sentir que algumas coisas permanecem: o bando de pássaros que continua a voar no final da tarde numa dança imparável; a imensa árvore, que tanta gente na minha praceta desdenha por causa das folhas que caiem e que hoje está completamente nua, que, independentemente do revestimento que tem, me encanta e tranquiliza; o mar lá ao fundo que continua aparentemente calmo, pelo menos visto daqui; o vizinho da frente que, quando lava o carro, dá a sensação de ter uma discoteca móvel, como as que se vêem em África, com a particularidade de ninguém dançar kizomba; a sensação de falta de sensibilidade nas pernas depois de estar sentada a teclar durante horas que me parecem infinitas e intermináveis; a angustiante percepção de estar a bloquear o raciocínio perante tarefas simples por estar há demasiadas horas com codificações; a vontade de comer bolachas com chocolate ou qualquer outra coisa crocante por me auxiliar na concentração enquanto trabalho, com a terrível consciencialização de estar a engordar, o que significa “alerta vermelho ou necessidade de ir até ao ginásio”. Há coisas que não mudam, permanecem sempre. E normalmente apercebo-me disso quando o trabalho aperta, me sinto realizada e feliz. Mas muito cansada!!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

abcd Introdução à Cooperação para o Desenvolvimento

Está disponível on line, sendo possível efectuar o download do ficheiro, a obra de referência, no que à cooperação diz respeito, de Ana Paula Fernandes e de Manuela Afonso intitulada “abcD Introdução à Cooperação para o Desenvolvimento”, com edição do Instituto Marquês de Valle Flor e OIKOS. São 139 páginas de conteúdos importantes para todos os que se dedicam a estas questões.

Dia dos namorados

E o Dia dos Namorados passou por mim muito rapidamente, de forma fugaz e quase sem que dele me lembrasse. Há alturas assim, em que o que mais me preocupa é o trabalho, a responsabilidade que envolve, a possibilidade de conseguir um produto de qualidade, o rigor das metodologias e a perfeição do resultado final. Veio tudo ao mesmo tempo, o que é muito bom por sinal, mas obrigou-me a fazer escolhas e a recusar possibilidades que também seriam mais do que interessantes. Tive vontade de dizer “sim”, não afectivamente, mas aos novos projectos, às possibilidades de realização, aos novos desafios. Mas infelizmente não posso aceitar alguns e o último era tão aliciante... em Timor, esse recanto quase nas antípodas que, ao que consta faz lembrar São Tomé. Mas nessa altura estarei eu pela encantadora Guiné, pelo que não me posso queixar. Em sentido nenhum! E assim disse “não”, com o coração a dizer “ohhhhh fica para a próxima”...

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Recomendações Conferência Internacional sobre Tartarugas Marinhas São Tomé

FOR IMMEDIATE RELEASE:

Contactos:

Manuel Jorge de Carvalho do Rio

Director executivo

ONG MARAPA – Mar Ambiente e Pesca Artesanal

CP 292 S. Tomé – São Tomé e Príncipe

Tel./Fax: (239) 22 27 92 / 91 66 81

marapa@cstome.net / ong.marapa@gmail.com

 

Entrega das Recomendações da Primeira Conferência Internacional sobre Tartarugas Marinhas em São Tomé.

São Tomé - 11 de Fevereiro de 2006 -   Foi entregue ontem ao Ministro do Ambiente, Infra-estruturas e Recursos Naturais, Eng. Deolindo Costa Boa Esperança, na capital Santomense, as recomendações concernentes ao Primeiro Encontro Internacional sobre Tartarugas Marinhas, que decorreu nos dias 30 e 31 de Janeiro de 2006 na República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Na cerimónia de abertura da conferência, Sua Excelência o Sr. Presidente da República, Fradique de Menezes, demonstrou a grande sensibilidade da Nação com as ameaças enfrentadas pelas tartarugas marinhas no arquipélago. Durante o encontro, os debates entre os peritos internacionais e nacionais convidados e os representantes da sociedade civil Santomense (pescadores, palaiês de peixe, tartarugueiros, artesões, ONG etc.) foram bastante animados em cada tema discutido.

Em relação à Investigação sobre estas espécies, recomendou-se aos países em volta do oceano atlântico uma maior integração dos esforços científicas, com vista à intensificação dos estudos e a criação de uma base nacional de dados sobre tartarugas marinhas em São Tomé e Príncipe.

De forma a melhor implicar as Comunidades costeiras nas acções de conservação, alem da educação ambiental, evidenciou-se a necessidade de promover alternativas económicas à captura e reactivar o diálogo com os tartarugueiros, com objectivo de uma reconversão completa dos mesmos.

Com relação à Pesca, viu-se que o desenvolvimento do sector (pesca artesanal e industrial) somente será compatível com a preservação das tartarugas marinhas uma vez avaliado o estado do recurso halieûticos do país, e tomadas medidas adequadas de regulamentação e fiscalização das práticas que afectam negativamente o ecossistema marinho.

As tartarugas marinhas podem e devem ser base do desenvolvimento de um Turismo sustentável, a traves da implementação de mais projectos de ecoturismo com base comunitária, da sensibilização dos turistas e operadores sobre a fragilidade da biodiversidade Santomense, e do controle dos produtos feitos a partir de tartarugas.

Em termos de Legislação , verificou-se o atraso na ratificação e aplicação das convenções internacionais assinadas por São Tomé e Príncipe, como o Memorando de Abidjan e a CITES, assim como a necessidade urgente de elaborar uma lei específica às tartarugas marinhas, junto às partes envolvidas na sua conservação no país.

A ONG Santomense MARAPA (Mar Ambiente e Pesca Artesanal), executora do Programa Nacional de Protecção das Tartarugas Marinhas sob financiamento do Projecto Espèces Phares (UE) e do Fundo Francês para o Ambiente Mundial (FFEM), recorda que este evento só foi possível organizar graças aos apoios da União Europeia, da Cooperação Francesa, Portuguesa, da Assembleia Nacional, do Ministério da Economia e de outros parceiros privados mobilizados por esta causa em São Tomé e Príncipe.  

Para mais informação, contactar a ONG MARAPA em São Tomé : marapa@cstome.net / ong.marapa@gmail.com

 

###

Sobre o Artesanato

No Akoka em Cabo Verde, o post sobre o artesanato está excelente. Vale a pena ler e ver as fotos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Revista "Água em Revista", secção de Educação Ambiental

Não costumo fazer autopromoção mas, desta vez, apetece-me divulgar uma revista técnica, vocacionada para analisar tudo o que tem que ver com ÁGUA, esse recurso absolutamente indispensável à vida, mas efémero porque esgotável, situação que tantas e tantas vezes tendemos egoisticamente a esquecer, ao lhe darmos utilizações erradas. Falava eu em autopromoção porque colaborei no último número, com uma entrada sobre “Educação Ambiental em contexto insular africano”, integrante da secção de Educação Ambiental. A publicação chama-se “Água em Revista”, encontra-se online, e terá uma edição conjunta com o jornal Público. Segundo me garantiram no próximo dia 10 de Fevereiro. O site está muito completo e dispõe de infinita informação acerca das questões ambientais a nível nacional e internacional, como congressos e encontros, publicações e links. Aqui fica a deixa... just in case de vos apetecer passar por lá. Mas a edição em papel é a forma mais tradicional de leitura, e sabe sempre tão bem...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A Equipa

Aqui fica o registo para a posteridade da Equipa que trabalhou intensamente sobre a conservação da Tartaruga Marinha em São Tomé e Príncipe: Dr. Gervásio do Rosário, Presidente da MARAPA, João, Director Adjunto; Jean Pierre Agnangoye da RAPAC GAbão; Frédéric Airaud e Jorge Carvalho da MARAPA (Técnico e Director); Alain Gibudi do Programa KUDU Gabão; técnico da MARAPA e Jacques Fretey da IUCN (todos em pé). Quase sentados: Joana Hancock da Associação ANAI Costa Rica; técnico da MARAPA; César Coelho do Programa TAMAR Brasil; Rogério Ferreira, o Homem responsável pela excelente organização do Encontro, MARAPA; Elísio e Bastien Loloum da MARAPA, et moi même.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Voltei!

Independentemente do tempo de estadia e do que por lá se fez, o regresso dos locais onde nos sentimos bem é sempre um desassossego. Acabei de regressar de mais uma visita ao “país encantado” e a avaliação é mais do que positiva. Esta foi uma experiência completamente diferente de todas as vividas anteriormente. Em tudo. Por tudo. Valeu a pena e aqui ficam registados os meus agradecimentos a todos os que realizaram o sonho do regresso, tornando possível a experiência da aprendizagem contínua.

Como regressei com o superlativo do espírito “leve leve” J, não consigo de imediato escrever e descrever, relatar e enumerar, caracterizar e qualificar todas as emoções que senti desde o momento em que o avião aterrou até à partida. Foi uma semana de intensa actividade, de contínua observação, de partilha de espaços e de percepções com as mais diferentes pessoas. Mas irei fazê-lo em breve.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Conferência Internacional sobre conservação de Tartarugas Marinhas

Fotografia de Pedro Norton de Matos, STP, Novembro 2005
Vai decorrer, entre 30 de Janeiro e 3 de Fevereiro, o I Encontro Internacional sobre conservação de Tartarugas Marinhas em São Tomé e Príncipe. Vai ser uma iniciativa inédita no arquipélago, permitindo a reflexão e o debate, complementados pela realização de ateliers com grupos comunitários em aldeias piscatórias e trabalho de campo com ecoguardas. Em breve darei eco do Encontro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Prenda Magnífica

É bom recebermos prendas e hoje recebi uma muito especial e absolutamente magnífica. Assim é porque, em primeiro lugar, a pessoa que a ofereceu é um amigo, daqueles com letra GRANDE, que será sempre uma pessoa muito especial. É uma daquelas raras pessoas na vida de quem não guardo segredos e que, por mais tempo que passe sem nos vermos, quando nos encontramos continuamos a falar como se tivéssemos estado juntos na véspera. Em segundo lugar, é uma penda de Natal, e esta é uma época que, só por si, é magnífica. Em terceiro lugar porque o presente é a edição limitada de uma obra que me marcou e com a qual me revi em muitas ocasiões. É um livro que já andara a namorar e com o qual me deliciara: o Equador Ilustrado. Está aqui ao meu lado e não me canso de o abrir e de me surpreender com as imagens dos postais. Simplesmente magnífico. Esta foi uma surpresa mais do que magnífica e uma prenda com um infinito significado! Obrigada, Amigo!

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Investimentos em São Tomé e Príncipe

Foi lançado em Portugal um livro da co-autoria de Rute Martins Santos, Kiluange Tiny e N'Gunu Tiny, que resulta na compilação de legislação específica sobre investimentos em São Tomé e Príncipe. O livro intitula-se: “Investimentos em São Tomé e Príncipe - Legislação Básica” e é uma edição da Livraria Almedina e Faculdade de Direito da Universidade Nova

 

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...