sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Breve passagem

Não tenho tido tempo para mais do que uma breve passagem por alguns dos “meus espaços de culto”. Aqui fica um pedido de desculpas, relembrando que não vos esqueci. Nem poderia. Nunca!

África Minha
Africanidades
Água Lisa
A Megafauna
À Sombra dos Palmares
Bioterra
BLOGDAMARTA
Chuinga II
Digitalis
Fazendo Caminho
Kitanda
Legendas & Etcaetera
Mar Adentro
Maschamba
Nas Asas do Amor
No Cinzento de Bruxelas
O Canto da Heidi
Os Albuquerques
Pululu
Transpórtis Virtual di Kauberdi Pa Aulil
Xicuembo

 

Guiné... ai Guiné...

Tenho de confessar:

o Nino Vieira surpreendeu-me.

Não esperava uma "acção interventiva" desta natureza tão cedo.

Ele antecipou todas as minhas expectativas.

Para ser o mais honesta possível, devo admitir que não sei o que pensar e muito menos o que dizer.

Quando ouvi as primeiras notícias na rádio, senti um aperto no peito por incompreensão, desilusão, desassossego, desconforto.

Há que dizer: BASTA a esta “amputação” legalizada da Democracia, à noção de tudo se poder fazer quando se está legitimado pela loucura do poder, pela ambição desmedida e pelo descontrolo na gestão das relações e do próprio Estado.

A Guiné merece muito mais do que conflitos em permanência.

A Guiné precisa de organização, de tranquilidade e de encontrar o seu rumo próprio no caminho da PAZ.

É motivo para dizer: ESTABILIDADE PRECISA-SE!

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Petição: Português, língua oficial das NU

No Pululu encontrei o link para a petição: Português, língua oficial das NU. A causa é importante, pelo que aqui fica o apelo, com um agradecimento ao Eugénio da Costa Almeida.

STP em imagens... simplesmente deslumbrante!






Novas Fotografias no blog
Caminhadas e Descobertas em São Tomé e Príncipe. São da autoria do António Ferreira de Sousa e aqui fica uma pequeníssima mostra. Para descontrair um pouco do stress do dia-a-dia, passem por lá e sintam o doce "leve-leve" nos olhares, nos sorrisos e nas paisagens. Nem vale a pena eu dizer o quanto são magníficas porque sou sempre muito suspeita na avaliação de fotos de STP... Há paixões que duram uma vida, o que é que se há-de fazer...?!
Não percam estes momentos únicos de prazer que a objectiva do António nos proporciona. Só visto...

Educação Ambiental e Comunidades Educativas


A ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental - vai promover as XIII Jornadas de Educação Ambiental, nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro de 2006, subordinadas ao tema: “Educação Ambiental e as Comunidades Educativas”, no auditório do Instituto Português da Juventude, Parque EXPO, em Moscavide.

OBJECTIVOS
- Proporcionar espaços de convivência para diálogo e troca de saberes na área da Educação Ambiental
- Criar espaços para apresentação de pesquisas e experiências em Educação Ambiental
- Contribuir para o reforço do papel da Educação Ambiental em Portugal e sua avaliação
- Reforçar o papel das redes de EA na construção de sociedades sustentáveis

TEMAS
- Caminhos e sentidos para uma Educação de Qualidade
- Parcerias na Educação Ambiental para a Sustentabilidade
- Transversalidade na Educação Ambiental
- Comunidades Educativas – Responsabilidade e Participação
- Carta da Terra e Educação Ambiental
- Políticas e estratégias públicas de Educação Ambiental

POPULAÇÃO-ALVO
Educadores, professores, técnicos de autarquias, monitores, intervenientes em programas de educação, ambiente, cidadania e sustentabilidade

MODALIDADES DE INSCRIÇÃO
Sócios da ASPEA com as quotas em dia: 80 Euros
Não Sócios: 100 Euros
Jovens até os 25 anos: 60 Euros (Número de inscrições limitadas)
(Inclui a participação nas XIII Jornadas da ASPEA, pasta de documentação e 2 refeições)

Não percebo...

Não percebo porque é que os homens mentem. Já sei... estou a fazer uma generalização, a tomar o todo pela parte, a fazer um juízo de valor que nada tem de científico e que decorre da experiência do dia-a-dia, ou seja uma avaliação de senso comum (os meus alunos vão fazer algum comentário na próxima 2ª feira...), cometendo certamente uma injustiça para com todos os homens que são verdadeiros. A estes, as minhas desculpas, mas é a todos os outros que este post se dirige.

Mas o que acontece é que, invariavelmente e com muito mais frequência do que eu desejaria, de vez em quando apanho um a mentir com todos os dentes que tem na boca, o que causa em mim tamanho sentimento de irritação e revolta, dando-me uma vontade inexplicável de desatar ao estalo. Mas na verdade, como por natureza não sou violenta, não o faço, controlo-me respirando 10 vezes tão fundo que todo o ar que poderia ficar retido num dos becos da minha interioridade é obrigatoriamente expelido. Acabo a sorrir e olhar tranquilamente para ele a pensar “és tolo de todo, para não dizer pior, que não percebes que, como diria a minha bisavó que era de Celorico da Beira, Bispado da Guarda, Lugar de Vale de Azares, é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo”.

Não é fácil mentir e esta é uma tarefa que não é adequada a todos, requerendo muito treino, capacidade de improvisação qb associada à característica do “encaixe”. É preciso à vontade, que é como quem diz, uma grande lata para reinventar situações, alterar a realidade a seu belo prazer e ficar ofendido quando alguém duvida ou questiona. Além de uma infinita e profundíssima convicção, é necessário que quem ouve tenha receptividade para acreditar em quase tudo, que é como quem diz que o Kilimanjaro ou as ilhas Fidji estão à venda e que qualquer banco concede um empréstimo para que os possamos comprar. Tudo é possível, mas depende da apetência comercial e da capacidade de persuasão: é preciso saber negociar e vender uma ideia porque sem isso não se consegue mentir, por mais que se tente.

Ouvir um mentiroso chega a ser hilariante se estivermos na disposição de explorar a sua competência, ajudando ao treino. Mas nem sempre isso acontece, ou melhor, em mim, é cada vez mais rara esta compreensão e flexibilidade. Sou chamada de mau feitio, antipática, intolerante, rígida e outras alternativas a que o meu nome é sujeito de quando em vez. O problema, que acho que nem todos entendem, é que não nasci para marinheira e por isso tenho alguma dificuldade em embarcar em histórias da carochinha ou em fragatas de papel que, ao serem colocadas na água, se desfazem com grande facilidade. E quando embarco, normalmente acabo por me arrepender.

Já não há paciência para as mentirinhas de nada, aquelas que não aquecem nem arrefecem, que não prejudicam nem beneficiam ninguém a não ser o ego de quem as diz, convencidíssimo de estar a relatar a última descoberta ou um feito que merece grande admiração. E é fantástico quando apanhamos esse alguém a mentir na nossa cara, sem que ele se dê conta do que se está a passar. As afirmações são proferidas com aparente convicção mas por serem tão fáceis de desmontar, tornam-se óbvias para o ouvinte e se, por um lado, dá vontade de lhe dizer “APANHEI-TE... vê se te tocas, não precisas de te justificar, nem de inventar histórias ou razões... simplesmente não precisas”, por outro, dá uma vontade de rir tão grande que acabamos por explorar um pouco mais as historietas da tanga de uns e outros.

A questão é uma mentira até pode valer a pena se o que estiver subjacente for uma causa nobre, mas também se assim é não há necessidade de mentir. Mas uma mentira de treta, sem finalidade, só chateia, desgasta e gera desconforto pela falta de confiança. Meus caros, não mintam, por favor...

terça-feira, 1 de novembro de 2005

B.Leza

No Ma-schamba encontrei o link para a petição que está a ter lugar a favor da manutenção do B.Leza. Quem pode dizer que nunca passou por lá e não ouviu músicas africanas num ambiente descontraído? O B.Leza faz parte das memórias de todos nós. Eu sou sincera, não tenho passado por lá mas a verdade é que também não tenho passado por mais lado nenhum! Há muitos anos que não vou ao B.Leza mas a ideia de perder aquele espaço e de saber que, se quiser lá dar um salto, não posso é angustiante! Assinem a petição... e divulguem-na.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Artistas plásticos africanos

Um pintor de Anno Bon (Guiné Equatorial) radicado em Barcelona procura contactos, fotografias ou sites de artistas plásticos de STP para intercâmbio de experiências e eventual trabalho conjunto.

Ele tem um site onde apresenta um pouco da sua obra que vai expor em Barcelona.

Chama-se GHUTY MAMAE e o e-mail para contactos é: ghuty_mamae@yahoo.es. Quem tiver alguma referência que possa ajudá-lo, escreva directamente para o Ghuty. Ele agradece e a cultura africana também!!!

A saga da inspecção

O meu carro é velhinho mas tem-se portado tão bem comigo que lhe tenho uma fidelidade quase incondicional. Digo quase porque em parte se deve à impossibilidade de ser de outra forma. Mas agora o meu “bogas”, como lhe chamo com carinho e afeição, está renovado e afinadíssimo e só de pensar, que um dia acabarei por ter de me render às evidências e trocá-lo (ou comprar outro), angustia-me. Tudo isto por causa da bendita inspecção que é, para mim, um bicho de 7 cabeças e um drama existencial com o qual me confronto de ano a ano, sempre em Outubro.

Na semana passada lá comecei eu a organizar os meus dias tendo em conta que teria de levar o “bogas” ao “doutor” para que depois pudesse fazer o exame e passar nas duríssimas provas. E assim foi, na 6ª feira, bem cedo e pela manhã lá fui à oficina fazer a revisão dos 180.000 ao “bogas” e confrontei-me, uma vez mais, com aquelas pequenas complicações que para mim se revelam de grandes dimensões e consequências: pastilhas e discos de travões; correia da distribuição; não sei o quê o alternador – será também uma corrente...?!; fole da transmissão; óleo e filtros, de óleo e ar; outras nóias que tais, que para uma mulher prática se podem tornar num quebra cabeças.

Bom, o resultado de não ter “nada de especial”, conforme o mecânico, muito jovem e muito simpático, me transmitiu, fazendo-me olhar para tudo o que era peça como se eu pudesse compreender o funcionamento pelo menos de uma delas..., bem... o resultado foi 472 euros e uns cêntimos. Coisa pouca já que não tinha nada de especial e estava bom de motor... Fui ainda esclarecida que precisava de lhe mudar os “cascos”, comprando “sapatos” novos porque os que tinha já estavam muito desgastados. Claro que esta já eu esperava, não só porque há muito que não comprava novos como também por o sentir mais rebelde na estrada.

Saí da Precision e lá fui até à garagem Rio de Janeiro na infinita esperança de poder remediar o problema de uma forma qualquer, sabe-se lá qual, mas eles até podiam ter alguma ideia interessante. E gastar mais uma dinheirada em pneus não vinha nada a calhar. Depois de olharem para os pneus com um ar entendido perante quem não pesca nada, o diagnóstico foi o mais animador possível – se fosse fazer a inspecção com aqueles pneus, não havia possibilidade de passar, nem em 5%. Fiquei muito feliz... e lá me conformei a comprar 4 pneus, o que resultou em mais 190 euros.

Sexta feira foi um dia para esquecer, daqueles que felizmente só temos um de quando em vez, em que as minhas dores de cabeça aumentaram de tal forma que tinha a desagradável sensação dos olhos estarem prestes a saltar... Fui dormir e no sábado de manhã levantei-me bem cedo e fui ao centro de inspecções, pensando que num quarto de hora me despachava... pois é, mas enganei-me! Saí de lá eram 11h45 porque tinha 40 carros, contados um a um, à frente do “bogas”. Foi uma manhã magnífica!!! Bem, ele passou no exame – e não podia ser de outra forma, depois do dinheiro que gastei com ele na renovação – mas vim de lá doente, com dores de cabeça e de garganta e com uma sensação quase de alucinação provocada por produtos tóxicos.

Os centros de inspecção são terríveis focos poluentes, tóxicos e de envenenamento. Para quem é alérgico, deviam ser proibidos e os que lá trabalham deveriam ter condições especiais e regalias extra. A culpa não é dos centros mas de todos os que levam à inspecção carros que não pegam e que quando se decidem a pegar deixam uma nuvem de fumo preto, e de cheiro nauseabundo, num perímetro de 10 metros, revelando falta de respeito e de cidadania. E eu que o diga que aqui estou resumida, e sem vontade, ao pc e a um apetecível sofá da sala, sem poder sair de casa e pronta para ouvir a minha irmã mais velha a ralhar, logo que chegue aqui e olhe para mim, por eu não me ter vacinado. Oh... xê!

Gripe...?!

Pois não sei se é gripe ou qualquer familiar que me visitou nos últimos dias e que, ao que parece, veio para ficar. Esta sensação de soneira permanente intercalada com arrepios de frio, dores de cabeça, garganta e corpo é verdadeiramente desconfortável. E logo agora que me apetecia tanto escrever... mas não tem havido condições. Apetece-me estar quieta e sossegada, sem barulho e luz, bem quentinha e aconchegada. Já sei que... se a mana e os colegas lerem este post vão ralhar comigo porque bla bla bla... a culpa é minha por não ter feito a vacina e ter mais do que indicação para isso: alérgica a 999%, a tudo e mais alguma coisa. Mas como sou teimosa e resistente... aqui estou eu de molho!

domingo, 30 de outubro de 2005

Exposição de Fotos - Guiné Bissau

No Centro Comercial Colombo, em Lisboa, decorre, entre 31 de Outubro e 13 de Novembro, uma exposição de fotografias sobre a Guiné Bissau. A mostra fotográfica vai ter lugar num dos locais por excelência da valorização da sociedade de consumo e, por contraste, o que é apresentado revela dificuldades de sobrevivência, tendo por causa a precariedade da saúde, em particular os surtos de cólera que têm sido alvo de incremento. As fotografias são da responsabilidade de José Júlio Soares Pereira.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

I Simpósio de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa

O I Simpósio de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa, sob o tema "Educação Ambiental no Mundo das Diferenças Culturais - temáticas e perspectivas" terá lugar entre 5 e 8 de Abril de 2006, em Joinville no Brasil. As inscrições para participação estão abertas até dia 15 de Novembro.
Aguardam-se as participações de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O Brasil e Portugal estão já representados e muito bem.

DIVULGUEM, POR FAVOR!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Sobre o ensino em Portugal

Estava eu hoje, numa das minhas aulas, a falar sobre os baldios, terrenos utilizados comunitariamente e existentes há um bom par de séculos, mas cuja importância sofreu uma grande evolução ao longo do tempo, sendo ora valorizados, ora alvo de tentativas de eliminação quando um dos meus alunos, responde à questão, que eu colocara acerca da relação entre os baldios e o aumento das áreas florestais, da seguinte forma, e cheio de certezas:

- Ah Professora, já sei. Isso aconteceu mesmo na altura do Marquês de Pombal, quando ele mandou plantar o Pinhal de Leiria.

E perante a minha perplexidade e alucinação, ele reforçava:

- Sim sim, tenho a certeza. Foi mesmo nessa altura, por causa da construção das naus para os descobrimentos. O Marquês de Pombal é da altura do D. José.

Aí, eu já não sabia mesmo o que fazer... rir, sair da sala a correr ou simplesmente explicar que o Marquês de Pombal e o Pinhal de Leiria não se aproximam nem na época nem na estratégia de desenvolvimento, que o D. Dinis também existiu e que os descobrimentos ocorreram algures entre um e outro. Pois bem, evitei a fuga e, entre a hipótese hilariante e a pedagogia, lá lhes fui dizendo que não, que ele estava enganado, esperando que a colega pudesse ajudar mas nem assim porque, meio a medo ia lançando, e enquanto eu me mantinha incrédula:

- D. João... ou D. Sancho II?

Pois... é verdade que eles são de ciências mas quando lhes perguntei que História de Portugal é que eles tinham aprendido no liceu, a resposta foi demasiado simplista: tiveram uma disciplina chamada Geografia Histórica, e o que estudaram foi mesmo que reis casaram com que rainhas, que filhos tiveram e ainda as batalhas. Pois sim... pensei e disse: Mas não tiveram História de Portugal? É que no meu tempo tínhamos. A resposta não tardou e foi, no mínimo, muito animadora:

- Ah, mas isso foi no seu tempo, é que a Professora é muito mais antiga...

Ora bolas, tenho de admitir que o dia hoje não me correu assim lá muito bem. E eu a pensar que ainda era uma jovem mocinha com menos de 40 anos e sou definida como “muito mais antiga”...?! Assim, sem mais nem menos... como se fosse um móvel? OK, tenho de ver a parte positiva da definição... para alguns dos meus alunos... sou uma obra de arte!

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

O riso

Hoje estou mesmo sensível à rádio ou então o que se tem dito é mesmo muito bonito e importante: “O riso é a distância mais curta entre duas pessoas”. Vale a pena rir, ou pelo menos sorrir, ou tentar, sobretudo quando é muito difícil...

Aproveitar a Vida

Hoje fui a Cascais e no regresso, fui mudando o posto do rádio, que só passava músicas inaudíveis, até chegar à RDPÁfrica onde a música alternava com conversa. Falava-se de aproveitar a vida: o que é e quais as melhores formas de o fazer. Claro que me detive no 101.5 FM porque, além da música africana ter a particularidade de me aquecer a alma, gostei de ouvir as entrevistas aos ouvintes. E o tema, que pode ser lido aqui, foi-me tão útil que dei comigo a pensar que, nos últimos tempos tenho feito muitas coisas, umas que me dão mais prazer do que outras, e muitas mais irei fazer nos próximos tempos. Mas aproveitar verdadeiramente a vida, todos os momentos, ou a maior parte deles... bem, disso tenho-me esquecido. E na verdade, há que aproveitá-los ao máximo porque aqueles que passam não voltam, por mais que os queiramos repescar. E o JPMartins, o animador do programa, teve a proeza de fazer com que eu parasse o carro junto ao mar, apesar do vento e do céu enfarruscado que pairava sobre a minha cabeça, saísse e sentisse toda aquela energia revigorante. Fechei os olhos, com as ondas a bater com força na falésia, ouvi o som do mar, as gaivotas na alegre vidinha esvoaçante, e senti-me a descontrair. Foi bom porque, além de andar a pé, exercitei o espírito, soltando-o das nuvens que teimavam em ensombrar os pensamentos e as recordações. E depois, conscientemente admiti para mim mesma que o local onde vivo é mesmo muito bonito e tem muitas vantagens. Agora chove lá fora, e quase não distingo o mar do céu por ambos estarem cinzentos, mas a minha alma azulou e clareou. É motivo para dizer: obrigada JPMartins!

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

ELOGIO AO AMOR

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

“Quero fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

ser uma criança...

Ao olhar o meu sobrinho, apetece-me cantar o que oiço na rádio neste momento em que passa a publicidade à Casa do Gil:

Faz-me falta ter a tua esperança

Faz-me falta estar ao pé de ti

Faz-me falta ser uma criança

Faz-me falta ser igual a ti

E... se alguém souber, por favor dê-me uma pista... afinal, porque é que temos de crescer?

Jogo de Xadrez

É uma tristeza quando se joga com a vida das pessoas, e com os seus sentimentos, como se de pequenas e insignificantes peças de xadrez se tratasse. Com uma mistura de simplicidade no entendimento de cada peça e uma atitude estratégica no jogo, em que o objectivo é apenas ganhar e tudo o que estiver no meio não conta. É permitido afastar, derrubar, ultrapassar, mover as peças ao sabor das necessidades e tendo em atenção a vitória. É uma visão simplista, mas por vezes realista, e de tão realista, revoltante!

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Mudança

Às vezes apetecia-me perguntar-lhe o que é que o fizera mudar de forma tão radical. Mas não valia a pena, já sabia a resposta: não fora ele que mudara mas a vida e eu também. Fora eu que mudara, não ele. E talvez neste ponto ele tivesse alguma razão. Eu também mudei.

Fotografias de STP

O link de fotografias do Grupo Caminhadas e Descoberta em STP está a ser actualizado com uma reportagem do António Ferreira de Sousa para a qual não há palavras, por ser simplesmente deslumbrante: fotografias de extrema qualidade, com perspectiva e de grande diversidade. As fotos são recentes, de Outubro de 2005. Uma visita e observação destes registos é um privilégio e ter a possibilidade de rever STP e “matar saudades” é a concretização de um sonho.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...