quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Prémios literários Sonangol

Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estão de parabéns!!! A notícia apareceu-me através do PULULU e depois pesquisei mais e encontrei-a no AFRICANIDADE.

O Prémio Sonangol da Literatura 2005, a distinção mais importante atribuída em Angola, reconheceu dois escritores, um santomense (Malé Madeçu, que na verdade é o pseudónimo de Manuel Teles Neto) com a obra “Retalhos do Massacre de Batepá” e outro caboverdiano, Fidalgo Preto com a obra “Baban – O Ladino”.

Os membros do juro consideraram que as obras se destacaram "salvaguarda dos valores étnicos e sócio-culturais dos seus países", já que Malé Madeçu promove "uma valorização do património cultural de S. Tomé e Príncipe", e o livro premiado "constitui a memória da ruptura entre o império e a colónia". “Retalhos do Massacre de Batepá” possui "um grande valor como epopeia da resistência político-cultural, que alimenta o patriotismo das gerações jovens, geralmente desconhecedoras da sua própria história".

O romance "Baban - O Ladino" está "profundamente estruturado no sistema sócio-cultural de Cabo Verde", retratando "o problema da cidadania" no quadro da "conquista da liberdade democrática".

O júri atribuiu uma menção honrosa à obra “Levélengué – As Gravanas de Gabriela”, do escritor são-tomense Natasha Lueje, pseudónimo de Joaquim Rafael Branco.

Este prémio concede 25 mil dólares ao vencedor e será entregue em Luanda numa cerimónia a realizar a 25 de Fevereiro de 2006, data do aniversário da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola, patrocinadora deste prémio.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Confissão desconfortável...

Tenho de fazer uma confissão desconfortável, mas que espero que seja perdoável, dado o dia de hoje ser de comemoração e de aniversário... :-)

Durante um ano andei meia escondida neste cantinho, atrás destas palavras. Não, não é exactamente o que estão a pensar. Eu sou mesmo eu, a minha identificação é real e as fotos que aqui fui colocando na “fase egocêntrica” e com o meu cão são mesmo minhas. Eu sou eu e os textos são mesmo sentidos, traduzindo sentimentos e vivências.

A confissão é que durante este tempo procurei não divulgar o meu espaço pela família, pelos amigos mais próximos e conhecidos. Com a família só o fiz há relativamente pouco tempo e com os amigos... apenas hoje: acabei de enviar um mail pedindo-lhes para passarem por cá (não sei se vão mesmo amuar comigo e não aparecem... mas espero que me perdoem!).

E tenho de confessar ainda que esta opção teve uma razão de ser: quando criei este cantinho não tinha a certeza de querer dar-lhe continuidade e a verdade é que lhe ganhei o gosto e hoje sinto-me muito bem por cá, a escrever e a ler o que os meus amigos “netianos e blogueiros” têm para dizer. Estes são espaços de aprendizagem e de prazer.

Ao Kitanda, com atraso...

A comemoração do aniversário dos blogs é uma ocasião muito engraçada porque nos aproxima ainda mais, o que é fantástico porque na maioria dos casos só nos conhecemos através dos nossos cantinhos. Tomei mesmo consciência disso há pouco... é que recebi mensagens, todas muito, muito, muito bonitas e que me deixaram o ego nos píncaros.

Mas imperdoavelmente... não cumprimentei, nem deixei uma mensagem ao Cacusso. É que o Kitanda é pouco mais velho do que o espaço que tenho vindo a construir, devagar devagarinho, bem ao ritmo vagaroso que conheci e aprendi a gostar em África. O Cacusso tem-me ensinado muito sobre a cultura africana e aprender, além de ser uma tarefa incontornável porque imparável, implica sonhar e não há nada melhor. Parabéns Cacusso pelo magnífico Kitanda! Um excelente trabalho sobre e para África.

O 1º ano da vida de um Blog

O “África de Todos os Sonhos” faz hoje, dia 24 de Agosto, um ano!

Quando o criei nunca pensei que tivesse condições para chegar até aqui.

Comecei por teclar textos e pensamentos que fui escrevendo durante as minhas viagens ao continente que nos fica na alma após o termos visitado pela primeira vez, e este começou por ser um blog de “sistematização de emoções e de vivências” traduzidas em palavras. Daqui a tudo o que ficou registado ao longo de doze meses foi um pequeníssimo passo. Fui-me entusiasmando pouco a pouco, “leve leve só”: recriando algumas situações; relatando outras; dando vida a outras eternizando-as como forma de as eliminar para sempre da minha vida; repesquei ainda outras que julgava perdidas e que se revelaram promissoras.

Escrevi muito mais do que poderia pensar inicialmente e escrevi um pouco acerca de tudo, muitas vezes ultrapassando o primeiríssimo princípio: África, “a minha”, e os sonhos a que me permiti durante as viagens que efectuei. Mas continuo a sonhar e África permanece no meu horizonte porque creio que já faz parte de mim, ou talvez seja eu que faço parte daquele maravilhoso continente... Não sei e isso também não é importante. O que conta é que hoje tenho a estranha, e por vezes assustadora, sensação de não me conseguir disciplinar de forma a parar. Apetece-me continuar: escrever, criar, partilhar e dialogar. É que também nunca pensei que viesse a gostar tanto da opção “comentários”. Revelaram-se fantásticos e muito saborosos.

E queria dizer-vos que devo, em primeiro lugar, este ano de vida do “África de Todos os Sonhos” a todos os que me lêem, que começaram por me escrever directamente, quando eu era uma resistente à troca partilhada de opiniões e de sugestões, e que hoje comunicam comigo através do meu e-mail, da caixa de comentários e dos seus próprios blogs, que consulto com regularidade. Se eu “perdi a cabeça” ao criar este blog, vocês fizeram com que ele ganhasse vida e por isso partilho a minha alegria com todos.

Muito obrigada e, se me é permitido fazer um pedido: continuem a visitar-me por aqui.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Naturlink

No Fazendo Caminho encontrei o link da Naturlink. É um contributo fantástico para quem se preocupa com o ambiente e que passará para o lado direito deste blog, já que será objecto das minhas consultas mais frequentes. Obrigada L.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Alguns factores de diferenciação: ainda sobre os incêndios...

Os incêndios em Portugal e em África são muito diferentes. Na verdade, nos países africanos que conheci e pelos quais passei, mais ou menos tempo em função dos casos, não me recordo de haver situações de fogos postos como por cá acontece. Pois claro, também não há tantos interesses económico-produtivos envolvidos. Não há uma indústria transformadora tão importante, o papel não é considerado um bem tão necessário e os negócios da madeira são bem mais frágeis. Não há grandes empresários locais a provocarem desflorestação de grandes áreas com abate de árvores em massa para vender e também não há grandes industriais a procurá-la. A madeira cortada, mesmo de forma clandestina, não oficial e por isso ilegal, apesar de em maior quantidade do que seria suposto e desejável, destina-se maioritariamente ao consumo local e imediato por ser uma das principais fontes de energia familiar, senão mesmo a mais importante.

Estava eu a ver o telejornal com terríficas imagens a passarem pelo écran, mesmo à frente dos meus olhos que não se afastavam por um segundo dado o peso dramático de cada uma: o fogo por todo o lado e as cenas das chamas a entrarem na cidade de Coimbra, pelos diversos bairros, com a aflição das gentes a tentarem salvar crianças, casas, animais e haveres, com a angústia e o sofrimento de verem desaparecer uma vida construída com muito esforço e sofrimento. E lembrei-me de África – mesmo nas regiões mais áridas e secas, não se assiste a este descalabro ambiental e humano.

Em África só assisti a um incêndio e foi no centro da cidade de São Tomé. Houve um problema qualquer numa oficina, por isso não teve as consequências nem a dimensão do cenário de total destruição com o qual temos de conviver por cá. Claro que os meios em São Tomé, bem como em toda a África, são muito precários e é uma grande ideia que a infeliz moda incendiária dos tugas não chegue lá.

SOCOOOORRO... Estamos a ARDER!!!

Dá vontade de gritar para ver se alguém dá atenção. Portugal, aquele pequeno país com pretensões a grande, quase sempre esquecido no meio do mundo desenvolvido, e que faz fronteira com o magnífico Oceano Atlântico, está literalmente a arder. Ao ritmo que as chamas avançam, chegando já às grandes cidades, queimando e destruindo tudo por onde passam por ser impiedoso, não tarda desaparecemos. Diziam que Portugal afundaria e fizeram-se piadas sem fim, com direito a cartoons, retratando-nos a afundar no oceano. Mas afinal, enganaram-se duplamente: o tema não requer brincadeira nem piadinhas porque é mesmo muito sério; o problema não está no facto de não sabermos nadar mas sim na dificuldade que temos em nos precaver contra os fogos. Ou melhor, em termos vontade de criar soluções no “ante”. Estamos prestes a desaparecer, literalmente queimados. E parece que ninguém se preocupa com a situação. É obviamente chocante, revoltante, desesperante e exasperante. Dá vontade de gritar sem parar porque, com certeza, alguém nos haverá de ouvir, se não for por cá, será algures. Alguém que faça alguma coisa: limpem as matas e as florestas, façam a manutenção dos caminhos florestais, criem postos de trabalho de guardas e vigias, melhorem as condições aos bombeiros, esses homens que são uns heróis e que fazem muito para salvar pouco e que são os primeiros a ser injustamente condenados. Mas sobretudo, invistam na educação ambiental. Pedagogia precisa-se!

Novas Referências Gastronómicas de e em STP

Depois do Jalé Ecolodge ter aberto, bem no centro da Praia Jalé, a oferta de restauração não só aumento como está a proliferar. E de pensar que, nos tempos em que era só o “Acampamento Jalé da ECOFAC”, não havia um único sítio para comer, a não ser uma barraquinha que vendia latas “quentes” de coca-cola...

Bem, de acordo com informações mais do que fidedignas, algumas das cozinheiras (e cozinheiros...) de Porto Alegre organizaram-se e começaram a confeccionar na hora comida caseira, desde que com aviso prévio. Comida de qualidade e feita “à moda da terra”: calulu, bla bla, choco na brasa, salada de polvo à Porto Alegre, peixe do dia assado e ainda açucarinha de sobremesa. É muito importante referir que há a garantia de, na confecção, se utilizarem exclusivamente produtos locais, com o nobre objectivo de promover a sustentabilidade, com excepção de carne de tartaruga ou dos ovos. A não esquecer que esta é uma espécie a proteger de forma consciente e responsável e que todo o projecto do ecoturismo passa necessariamente pela preservação do ambiente e pela protecção de espécies. E a zona da praia jalé é um dos “observatórios” privilegiados de acasalamento, desova, nidificação e nascimento com lançamento dos bebés de tartaruga para o mar, onde um dia mais tarde voltarão. É uma experiência simplesmente fantástica!

Os cozinheiros, envolvidos nesta espécie de projecto de dinamização do sul de São Tomé, receberam formação na área da gastronomia e da higiene, além de disporem de experiência profissional anterior no Ilhéu das Rolas. O atendimento é tão personalizado que, desde que demonstrado o interesse por parte do visitante, as refeições podem ser servidas localmente nas residências familiares dos cozinheiros, permitindo e valorizando um maior contacto, conhecimento e intercâmbio com as comunidades.

Para quem interessar, os contactos são: Dona Ciza, Dona Milu e Sr. Manel em Porto Alegre, através da recepção do Jalé Ecolodge (Vado), nº 261104 de São Tomé (00239).

Esta informação foi disponibilizada pelo Bastien Loloum da Marapa (praiajale@hotmail.com, http://praiajale.free.fr) e é mais do que inspiradora... verdadeiramente magnífica!!!


sábado, 20 de agosto de 2005

Estragaram a terra da minha infância...



Aquela é uma terra à beira mar plantada, situada bem ao meio de uma baía calma e tranquila, onde as águas só se mexem quando a maré vaza ou enche. Ali aprendi a nadar, perdi o medo do mar e ganhei respeito à sua força e teimosia, percebendo que numa luta com as correntes, o mais provável é eu não vencer. O mar tudo nos dá, depende da forma como o tratamos: se conversarmos com ele e o admirarmos, ele oferece-nos coisas boas e permite-nos realizar sonhos; se falamos com ou sobre ele com desdém e arrogância, ele responde-nos demonstrando quem manda.
Ali o mar continua calmo como sempre foi, azul escuro e frio, rico em peixe, molusco e marisco. Tanto assim é que a vida na vila se faz à volta dele. Não há família que não tenha gerado pelo menos um pescador e, muito menos, que não se alimente maioritariamente do que as águas e as profundezas oferecem. Os dias de comer carne eram festivos, hoje são-no menos mas o peixe continua a predominar.
A vila, como tantas outras no país, era pitoresca, com casas pintadas de branco, a roupa estendida nas janelas e no ar um cheiro intenso a maresia. Em tempos idos, na praia vendeu-se peixe, e até havia a “praia dos pescadores”, antes da lota ser passada para uma das pontas da baía, e antes de fazerem o pontão, de darem cabo da praia da doca com um projecto de melhoria das condições dos pescadores. Mas como sempre, os projectos que envolvem pobres são feios, sem preocupações estéticas de integração arquitectónica, como se eles fossem menos pessoas e não precisassem de um espaço bonito e envolvente. A praia onde todas as tardes, ou quase todas, andava de barco a remos, onde aprendi a remar no meio de traineiras de pesca e outras embarcações de madeira, desapareceu para dar origem a um amontoado de barracas que servem para armazenar redes, alguidares e outros utensílios. Pode ser útil, mas e feio. Muito feio!
O pontão foi tão aumentado que hoje quase chega ao forte, monumento histórico que faz parte das minhas referências situado bem a meio da vila, onde no verão havia concertos à noite; a construção cresceu de forma não planeada a um ritmo alucinante e o pitoresco que a vila tinha e que a tornava única, perdeu-se por descaracterização; o homem que vendia bolas e fatias de bolo de coco, húmido e magnífico, já por lá não anda; o banheiro que me ensinou pacientemente a nadar quando eu tinha 5 para 6 anos, o Sr. Domingos, já morreu e quem explora os toldos na praia do espadarte já não é o Sr. Duarte; o homem do táxi que nos levava à Carrasqueira, no meio do pinhal e longe do rebuliço da vila e a quem chamávamos “bate sorna” porque se não cantássemos e gritássemos, de quando em vez, adormeceria a conduzir já não trabalha e nem sequer se vê sentado no jardim; o castelo, lá no alto, onde comia “maçãs riscadinhas”, ácidas e suculentas, perdeu parte da imponência que tinha e poucos são os que se dignam a observá-lo cá de baixo ou a visitá-lo.
O que dizer...?! Estragaram a terra da minha infância, não onde cresci, mas onde passava os 3 meses de férias no verão, as férias da Páscoa e uma grande parte dos fins de semana durante o ano. Este era o local-refúgio da minha adolescência, onde os rapazes eram por nós conhecidos como os “piscitos”, onde as saídas nocturnas para a discoteca se faziam ao fim de semana, sem se perder um que fosse em Galápos, porque era um must quando existia, seguidas de uma incursão de madrugada a uma das panificadoras para a compra de bolos reconfortantes antes do sono, e que, na minha idade adulta, ainda me faz atravessar a ponte de quando em vez para ir comprar peixe fresco, saboroso e suculento como não chega a Lisboa, e apesar de eu não dever comer peixe por causa da minha alergia, o anisakis. Mas quem pode resistir ao peixe de Sesimbra, que faz sonhar qualquer um? Ali, naquela terra, também eu fui muito feliz!!!

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Fogo interior

A lua hoje estava, de novo, apelativa e sedutora, despertando os sentidos e acendendo o desejo. Ou, se calhar, o desejo foi aceso antes por um bombeiro fugitivo que não o apagou, deixando os sentidos incendiados. E, ao olhar a lua, apesar do vento refrescante que soprava por aquelas bandas, sentiu-se invadida pela intensidade do calor interior. E mais não lhe restou senão observá-la com a ternura das recordações.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Inesquecível São Tomé

São Tomé e Príncipe é mesmo um arquipélago magnífico e, por mais que quisesse, não me conseguiria esquecer dele. Mas na verdade também não quero, antes pelo contrário, gosto muito de me lembrar daquele lugar onde fui tão feliz. Como poderia esquecer...?

Hoje, andava eu a “passear” por esse mundo de blogs e fico contente ao ver a fotografia de um bicho espectacularmente estranho e bonito. Encontram-no aqui. E reparem bem na tonalidade e na forma das patas. É um anfíbio trepador, de seu nome Nesionixalus thomensis.

E só podia recordar-me das caminhadas, à descoberta de novos lugares e de novas emoções.

Existem algumas espécies endémicas em São Tomé e Príncipe, tanto no que respeita à fauna, particularizando-se as aves e os répteis, como à flora. Este é um arquipélago único, com uma paisagem deslumbrante. Como os espanhóis diriam: inolvidable!

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Estará o Mundo do avesso?

Dou comigo estupefacta ao ver/ouvir/ler as notícias diárias. Na verdade nem me apetece saber de mais nada do que se passa por aí, e dou razão à frase que fala das avestruzes de cabeça enfiada na areia para não verem, não ouvirem e sabe-se lá mais o quê. O Mundo está virado do avesso e as desgraças são a tónica dominante: por cá, a seca e os fogos fazem notícia e quanto mais macabra e detalhada for a cena, com relatos pormenorizados e mórbidos, tanto melhor; por fora, são as guerras e os bombardeamentos, os conflitos entre uns e outros, os cataclismos naturais como sismos e tsunamis, bem como as mortes resultantes e, como se não bastasse, as quedas de aviões que se sucedem a um ritmo alucinante. Mas afinal o que se passa com a Terra e o Mundo em que vivemos?

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Charlie e a Fábrica do Chocolate

Charlie e a Fábrica do Chocolate” é um filme espectacular, que aborda temas sérios de forma ligeira e bem humorada. Johnny Deep no seu melhor, rodeado de crianças com prestações irrepreensíveis, em cenários fantásticos com o chocolate como imagem dominante. Chocolate e cacau. Que saudades daquele estranho e bonito fruto que conheci em África...

Locais secretos e encantados ou pequenos paraísos à beira mar

“É bom termos locais secretos, que nos são familiares porque confortáveis, bonitos e que nos provocam a sensação de apaziguamento com o Mundo e com a Vida, que conhecemos bem e que não divulgaríamos por nada, simplesmente porque sabemos que em certas alturas precisamos deles só para nós”, pensava ao observar a paisagem que tinha diante de si.

Há muito que passava por aquele local à beira mar e, sem saber explicar porquê, entendia-o como o seu espaço. Para dizer a verdade, tinha o hábito de passear longamente por ali, ora acompanhada ora sozinha, ouvindo o som do mar e sentindo o sol nas costas a aquecer-lhe a alma. Aquele era um dos seus passeios preferidos, principalmente entre o Outono e a Primavera. O mar estava já ali, aos seus olhos e mesmo à mão, podia vê-lo, tocar-lhe, sentir tanto a frescura revitalizante nos dias tranquilos como nos períodos de agitação e turbulência, e gostava de se descalçar para receber as energias positivas e revigorantes que o Neptuno lhe proporcionava, pelo contacto entre a pele e a água.

“A natureza é fantástica”, repetia infinitas vezes e sem se cansar, e era nas épocas menos veraneantes que ela mais o sentia, até nos dias invernosos, com frio e alguma chuva, quando o mar dançava saltitando para junto de todos os que o provocavam, nem que fosse com o olhar ou um gracejo. Ali havia dias assim, em que o mar estava zangado e rezingão, na terra com os homens, e no Olimpo com os deuses. Mas nem nesses dias a beleza diminuía e sabia-lhe sempre muito bem uma caminhada junto à imensidão de água que tinha tanto de misterioso como de inspirador.

No Verão toda a região era invadida por milhares de pessoas, em busca do clima abrigado e da proximidade dos centros para ir a banhos, e as caminhadas pela beira mar tornavam-se cansativas, menos apelativas e menos sedutoras. Mas naquele dia, lembrou-se que, ao longo de toda a costa, havia um ou outro sítio onde se sentiria bem. E foi assim que descobriu mais um local secreto e encantado, um pequenino paraíso à beira-mar onde as ondas estão em sintonia perfeita com as rochas, onde tudo é harmonioso e reconfortante.

domingo, 14 de agosto de 2005

"JALÉ ECOLODGE" EM FUNCIONAMENTO!!!


Hoje estou muito contente!!! Recebi uma excelente notícia por e-mail e vou deixá-la aqui como forma de divulgação, incluindo o link na secção apresentada à direita do blog.

Numa das minhas iniciais incursões a STP, viajei até ao sul: não mais do que 90 km de estrada mas que representam, ainda hoje, uma aventura para quem não estiver preparado para encontrar uma estrada nacional, e única que liga a capital ao sul, esburacada, sem sinalização e estreita, mas com um enquadramento fantástico e uma paisagem deslumbrante, riquíssima em espécies florísticas e faunísticas. Vale a pena o esforço e as dores de costas que representam um bónus. A viagem para sul teve como objectivo a visita, com os representantes da ECOFAC, a um projecto inovador no arquipélago, pela sua filosofia: a observação de espécies, privilegiando as tartarugas marinhas (das quais sou fã e completa apaixonada), mas podendo também avistar-se macacos, morcegos gigantes que se alimentam de fruta, baleias e golfinhos, e uma cobrita ou outra que possa aparecer.

Claro está que adorei a visita, apesar do lodge estar ainda em construção, mas como projecto enquadrava-se por completo no que eu estava a estudar na altura, pelo que ali tinha eu mais um estudo de caso com viabilidade. Claro está que pelo ritmo santomense, naturalmente conhecido, e devido a um conjunto de constrangimentos, também normais nestas coisas, a exploração da iniciativa foi sendo atrasada e acabei por concluir a investigação e por defender o bendito doutoramento sem que houvesse novidades com importância para apresentar. Este entrou na secção das iniciativas projectadas.

Mas, dizia eu no início do post, hoje estou muito contente porque acabei de receber a grande notícia por e-mail. O ex-“Acampamento Jalé” foi oficialmente inaugurado a 7 de Agosto e denomina-se JALÉ ECOLODGE, projecto ecoturístico e vocacionado para a observação de espécies e a preservação ambiental, com envolvimento tanto das comunidades residentes no sul da ilha de São Tomé como dos visitantes. A observação de espécies animais tem sido uma realidade: macacos, morcegos, baleias e golfinhos, proporcionando imagens inesquecíveis. E depois, há a magnífica praia Jalé, onde o lodge foi construído (3 bungalows com capacidade máxima de 9 pessoas), e as praias Piscina e Xixi nas proximidades, e em Porto Alegre, os pescadores que podem levar-nos, de canoa, à inesquecível Baía de S. Miguel, apenas acessível de barco ou a pé, mas que neste último caso, requer preparação física e psicológica para um “esticão” muito esforçado.

A filosofia do projecto passa por uma dimensão educativa muito interessante porque promotora da participação de todos nas actividades desenvolvidas e é um projecto completamente ecológico, de contacto com a natureza e marcado pela simplicidade: o sistema de fornecimento de água é assegurado por um sistema de reciclagem a partir da água da chuva, na cozinha existe um fogão a lenha que facilita a preparação de refeições rápidas.

A iniciativa dispõe de um site na Internet, com versão portuguesa completa, estando a ser concluídas as inglesa e francesa, sendo actualmente o resultado de uma parceria entre a ECOFAC, a MARAPA, o Fonds Français pour l’environnement mondial, a AFVP e a Alliance Française.

Os preços praticados são muito atractivos, face às actividades que se podem desenvolver e ao enquadramento paisagístico: bungalow duplo (com rede mosquiteira) 25 euros, podendo solicitar-se uma cama extra, acrescendo 5 euros à tarifa de base.

Para contactos e reservas:
Oswaldo Mesquita
Empresa Porto Alegre
Cidade de Angolares
Rep. Dem. de São Tomé e Príncipe

praiajale@hotmail.com

ou
ONG MARAPA (Mar, Ambiente e Pesca Artesanal)
Bastien Loloum

Largo Bom Despacho
CP 292 São Tomé
São Tomé e Principe
Tel : 239-222792

marapa@cstome.net

sábado, 13 de agosto de 2005

João Carlos Silva ou "O Homem da Roça"



Na revista Visão de 11 de Agosto, pg. 72 e 73, o tema sociedade apresentagrande destaque ao João Carlos Silva (Roça de S. João). Antes de mais, ele é um grandioso embaixador de STP que tem tido um trabalho incansável e louvável de divulgação do país, sempre pela positiva e com uma alegria mágica e contagiante. Parabéns, João Carlos!!!

O mar

O mar tem efeitos benéficos altamente conhecidos e eu posso comprovar que é verdade. Quando uma pessoa está “em baixo”, com o espírito mais cinzento e nublado, podendo mesmo chuviscar ou trovejar, não há nada tão medicinal e com efeitos terapêuticos como um banho salgado em águas marinhas com ondulação. Sentir a força das águas através das ondas e o borbulhar na rebentação, dando a sensação de se estar num jacuzzi natural, é revitalizante e energizante. Depois de refrescar, sentir os raios solares, pela manhã, bem cedinho, a aquecerem a alma, começando pela pele e entrando nos tecidos, dá uma sensação de fotossíntese fantástica. Magnífico!

Educação Ambiental

Vale a pena passar pelo site do Gê-Questa ou pelo blog. Porque sensibilizar educando é preciso e faz todo o sentido.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Fim de semana... GRAAAANDE!

Ina ina ina! Hoje começa um fim de semana grande. É óptimo porque quando chega a domingo, tenho a sensação de continuar de fim de semana e na 2ª feira parece-me domingo. O que significa que a semana que vem é mais pequenina e que o novo fim de semana está mais perto. Bem, para mim as semanas são mais ou menos iguais e não tenho o stress do trânsito, das filas e da irritação dos horários a cumprir. Mas é bom sentir um pouco de quebra da minha rotina, nem que seja por haver mais gente por perto, perto de mim. Gosto de sentir a presença dos “meus”, dos que me compreendem, ou nem sempre conseguem mas que tentam. E depois é altura de fazer coisas diferentes, de me aproximar ainda mais da natureza, que é onde me sinto mesmo bem, de ir à praia e pôr os pés na areia molhada e sentir a água salgada, mais fria, muito mais mesmo, do que em África, que era magnífica, e de fazer petiscos. Que bom, estamos de fim de semana graaaande!!!!

Revitalização

Para revitalizar o espírito, nada como uma aula de hidroginástica, daquelas bem “puxadas” em que não se pára nem por um minuto para descansar. Magnífico! O desporto em água gera um efeito múltiplo: dá energia e descontrai, apazigua a alma e tonifica o corpo. Numa expressão, liberta o stress. Saio daquelas aulas outra pessoa. E de pensar que “dei umas férias prolongadas” ao clube... não voltarei a cometer este erro!

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

A Tia e o Jardim Zoológico








E cá ando eu em actividades pedagógicas, quem sabe se por deformação profissional, com o meu sobrinho, moço simpático e dado ao conhecimento sobre os animais, preferencialmente com observação directa. No outro dia fomos até ao Aquário Vasco da Gama, onde ele se deliciou, uma vez mais, com as tartarugas, o leão marinho e a foca. Não sei porquê mas não achou muita piada aos aquários mais pequenos, com excepção de um ou outro com camarões e peixes mais estranhos. Também fomos ao Pavilhão do Conhecimento, pode parecer uma vergonha mas foi a primeira vez que o visitei...
E hoje foi o dia do Zoo. Magnífico, estrondoso, permitiu-me reviver os meus tempos infantis, quando ia muitas e muitas vezes até àquele local repleto de bicharada. O meu preferido foi sempre o elefante porque me parecia simpático e tocava o sino quando lhe ofereciamos uma moeda. Esta prática perdeu-se com o tempo mas os elefantes estão por lá, felizes de tal forma que se reproduzem. Aliás, os animais estão bem tratados e há muitas crias: elefante, leão, hipopótamo, macacos, tartarugas, girafas... E há o novo residente, ou melhor os novos porque são dois, os OKAPI, bicho magnífico da família das girafas e oriundo do interior do Congo, com uma aparência estranha porque a cabeça lembra a girafa, sem pescoço comprido, o corpo um veado, o rabo e as pernas uma zebra. A mistura é magnífica e vale a pena ver. Adorei, diria mesmo que delirei com tudo e também, como não podia deixar de ser, com o espectáculo dos golfinhos e leões marinhos. De reter a excelente relação entre os tratadores e os animais.
Em todas as visitas que temos efectuado tenho percebido uma mensagem comum: a preocupação com o ambiente e com a educação de todos, incluindo das crianças que são o público alvo destas coisas, para a protecção de espécies. Excelente!

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

PERCEBERAM?

É comum e absolutamente terrificante quando, no meio de um jantar de família para comemoração dos anos de alguém, Natal ou Páscoa, um tio ou uma tia, que nos habituámos a ver pouco, nos pergunta quando é que casamos e porque é que não pensamos em ter filhos. Dá vontade de fugir para bem longe, mas como não o podemos fazer, apetece dizer, com um sorriso o mais natural possível mas que sai forçado, que preferimos os filhos dos outros, os sobrinhos, porque ficamos pelo afecto e pela brincadeira, somos mais permissivos e só temos a parte boa. Os filhos responsabilizam-nos mais do que normalmente desejamos e nem sempre estamos dispostos a abdicar da vida confortável e egoisticamente formada, cheia de liberdade e de individualismo. E depois ainda temos vontade de dizer que o casamento se vai fazendo conforme se entende, ao ritmo de cada um e sem a formalidade do tradicionalmente estabelecido. Mas ficamo-nos pela vontade de exprimir o descontentamento em relação às dúvidas de cada um e respondemos com evasivas sorridentes enquanto vamos até à cozinha para ir buscar um copo que não faz sequer falta na mesa, esperando que, no regresso à sala, o tema tenha mudado para as Presidenciais... É que a fama de ter mau feitio não nos abandona e, se a resposta saísse na medida certa que a pergunta requeria, a vida familiar no geral sofreria os efeitos do desconforto e, por certo, o encontro daquela noite não correria da melhor forma. E, na verdade, não vale a pena explicar por A+B, a quem não entende alguns pormenores, que a vida alheia só a si diz respeito.

Mas pior e relativamente inédito é quando nos encontramos com alguns amigos que já se constituíram como casais, sendo um deles ex-namorado de longa data e, de repente, no meio da conversa alguém pergunta: “E tu, quando arranjas um gajo porreiro, não é um como aquele da outra vez que te tratou mal e não prestava, mas um que te faça bem, que te queira para sempre e possas pensar em ter filhos?”. A perplexidade é total e apesar da boca se abrir, uma pessoa fica como peixe fora de água, os sons não saem e nem uma palavra se articula, apesar dos lábios se moverem, pelo que o discurso desconfortável continua: “Tu tens tanto para dar e devias pensar em ter filhos, olha que o tempo passa mais depressa do que pensas. Não esperes mais 20 anos para te juntares a alguém...”.

Pois até é verdade: o tempo passa e a vontade de ter filhos próprios, para não sentirmos que estamos a compensar a falta que nos fazem com os filhos dos outros, aumenta; a necessidade de ter um afecto torna-se por vezes insuportável porque a companhia com que sonhámos durante anos simplesmente não existe; a pessoa que desejámos para estar ao nosso lado todos os dias, que devíamos ter escolhido e que nos deveria ter desejado, que queríamos que estivesse sempre ali para nos ouvir, confortar, ajudar a ultrapassar dificuldades, partilhar momentos felizes e alegrias, construir uma vida, essa não passa de um sonho.

Mas a vida é assim e nem todos casam, como nem todos têm filhos, e nem todos conciliam os dois desejos num só. Não por falta de vontade própria mas por falta de encontro de vontades. E quando é assim não vale a pena correr atrás de um sonho que não tem condições para ser realizado.

E perante o cerco de perguntas, só dá vontade de responder aos gritos, para que nunca mais ninguém se esqueça dos nossos motivos e não volte a perguntar: Não, não casei até hoje porque os homens que passaram pela minha vida foram todos uns estafermos, porque não soube escolher e privilegiei sempre a emoção arrebatada à segurança tranquila, porque cresci a acreditar que dentro da maioria dos homens há bons sentimentos, que os transformam em príncipes doces e encantados. Só que eles não são assim, pelo menos os que conheci e pelos quais me apaixonei: de príncipes pouco ou nada tiveram. E até poderia argumentar que espero o tempo que for preciso entre uma entrega e outra, porque só consigo estar com um homem quando gosto dele, quando tenho sentimentos fortes e arrebatados e que, nesta altura, simplesmente não me apetece tê-los de novo, nem vejo por quem, que não sei quanto tempo esta fase vai durar mas que pode demorar uma eternidade e que também isso não me está a preocupar porque agora tenho outras prioridades. E dá vontade de perguntar: PERCEBERAM????

Guiné Bissau: Já está!

A Comissão Nacional de Eleições deu razão a Nino Vieira e Sanha não se conforma: vai apelar ao Supremo. A novela continua e os guineenses perdem com as estratégias individuais de liderança e de lutas pelo poder. Ironicamente penso que estamos perante a Guiné Bissau no seu melhor... Dá vontade de pedir: por favor, organizem-se... Mas parece que ninguém quer escutar o apelo.

Face ao contexto, espero sinceramente que os erros do passado não se repitam e que todos, sem excepção, trabalhem a favor da construção da paz, na busca da estabilidade e da melhoria das condições de vida das comunidades, trabalhando directamente com elas, a nível local.

E espero que este não seja apenas mais um dos meus sonhos africanos...

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Conformismo

E, ao ouvir esta letra na rádio, agorinha mesmo, dei comigo a pensar... - Retirado de “Separated Lives” de Phill Collins

“You have no right to ask me how I feel
You have no right to speak to me so kind
We can't go on just holding on to time
Now that we're living separate lives

Well I held on to let you go
And if you lost your love for me, well you never let it show
There was no way to compromise
So now we're living (living)
Separate lives”

E pronto, é a vida… o que se há-de fazer? E, já agora fica no ar a pergunta: porque é que as letras das músicas, às vezes, têm tanto que ver com a nossa própria vida? Um dia há-de ser diferente... quem sabe? E se não tiver de ser, paciência!

 

PROCURA-SE UM AMIGO

Por Vinicius de Moraes

Não precisa ser  homem,  basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter  coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar  de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos  ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por  alguém,  ou  então  sentir  falta  de não ter esse amor. Deve amar o próximo  e  respeitar  a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não  é  preciso  que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja  de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não  ser, deve  sentir  o  grande  vácuo  que  isso  deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir  pena  das  pessoa  tristes  e  compreender  o  imenso  vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se  um  amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado  de  amigo. Que  saiba  conversar  de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um  amigo para  não  se  enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve  gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida  é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se  parar de  chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive

Site do Café e Companhia, STP

Em São Tomé e Príncipe há vários cafés e um deles destaca-se pela excelente localização, já que é muito central, pela decoração, cujo tema principal é o café, ou não estivéssemos na terra dele, pelo atendimento cordial, atencioso sem se tornar chato e servil, pela qualidade do que se encontra e consome. Além do mais, é o local de encontro privilegiado. O “Café e Companhia” tem finalmente uma página da net, que merece uma consulta. Está muito bonita porque simples, directa e objectiva, de fácil acessibilidade, apresenta fotografias e informações úteis, tais como os horários de atendimento, os serviços, a possibilidade de consultar internet. E tem uma vantagem acrescida, as versões em português e inglês.

E já agora, quem estiver interessado em investir em África e mudar de vida, tem ali uma óptima oportunidade: os exploradores querem vender porque regressam a Portugal. Para contactos: Maria João em mjpombo@hotmail.com

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

STP de luto, morreu o cantor Camilo Domingos


Morreu o cantor santomense Domingos Lopes Gomes - Camilo Domingos - natural do Príncipe, com três discos de Ouro em 22 anos de carreira.


Tinha 40 anos. É uma perda para a família, para São Tomé e Príncipe e para o Mundo.

A música é uma das formas mais bonitas de eternizar a cultura de qualquer povo e os cantores africanos sabem-no fazer de forma ímpar, apesar das dificuldades que sentem de forma acrescida.

Portugal no seu melhor

Chegamos a Agosto e Portugal quase pára, o que tem aspectos muito magníficos e outros que nos transformam a vida num inferno, para não dizer desespero. Quais são os sintomas? Por um lado, os telefones tocam menos, deixamos de receber fluxos de mails de distracção, que em certas ocasiões nos entopem a caixa de correio, o trânsito reduz de forma radical, há quase sempre lugar nos restaurantes, os vizinhos vão de férias e o barulho diminui. Mas... quando precisamos de uma informação, da mais simples à mais complicada, e contactamos os serviços que nos podem, ou devem, esclarecer, deparamos com uma infinita perplexidade, como se fossemos completamente burros e as questões que colocamos não fizessem qualquer sentido. Mesmo quando alegamos prazos a cumprir, ouvimos a má vontade expressa em palavras e suspiros que desencorajam alguns e enfurecem os restantes. Se os contactos são telefónicos, desligamos com a estranha sensação, porque difícil de gerir, de termos incomodado sem motivo a pessoa que nos atendeu e quase nos sentimos na obrigação de pedir desculpa e fazer uma vénia, sabendo até à partida que ninguém nos vê. Mas com as novas tecnologias, nunca se sabe bem quem nos pode ver, porque ouvir, ao que parece é possível e comum. Mas pior que tudo, desligamos o telefone mais confusos do que estávamos antes de ligar e as dúvidas, além de não terem sido esclarecidas, multiplicam-se! E assim temos de viver... num Portugal que está no seu melhor!

Bioterra: educação ambiental na blogosfera

É sempre um prazer visitar o Bioterra: aprende-se de forma ligeira e levezinha, com a sensação de estarmos rodeados de ambientes agradáveis porque naturais e preservados. Uma forma muito interessante de promover a educação ambiental através da blogosfera. As imagens são fantásticas, os links de uma imensa utilidade, actuais e ricos em informação, e as mensagens levam-nos a reflectir sobre o futuro. Vale a pena mais uma incursão a este blog verde, azul e da cor da terra.

Galeria de Exposições do Centro Cultural Luso-Moçambique

Artistas africanos têm em Lisboa uma galeria que mostra alguns dos seus melhores trabalhos. Com pouco mais de seis meses de funcionamento, a Galeria de Exposições do Centro Cultural Luso-Moçambicano, na Loja 43 do Centro Comercial Apolo 70, promoveu seis exposições.

Com 235 sócios, o centro visa actuar em diversas áreas para além da Cultura, com realce para a área social, onde se acompanham cidadãos moçambicanos com menores recursos, hospitalizados, presos, mulheres e crianças.
A literatura africana é entendida como uma componente importante para a divulgação das línguas, tendo o Centro o objectivo de editar jovens escritores.

Neste momento, a Galeria tem em exposição obras de Malagatana, Lívio de Morais, Magina e Heitor Pais, que podem ser adquiridas.


sábado, 6 de agosto de 2005

Só pode ser...

Brincadeira...! E, no caso, de mau gosto! A discrepância na contagem dos votos na Guiné Bissau é de 2 votos... ?! Os descontentes só podem conformar-se, portanto, e respeitar os resultados. Mas lá que não soa bem... pois não soa! Mais informações no ExpressoÁfrica.

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Ao meu Pai

Há dias que ficam para sempre gravados e registados em nós, minuto a minuto, tornando-se impossível esquecê-los. Hoje é, para mim, um desses dias. Faz nove anos que o pior dia, por mim vivido até à data, aconteceu. Um dia triste que nunca esquecerei e que mudou, para sempre, a minha vida. A partir do dia 5 de Agosto de 1996 transformei-me.

E se, por um lado, o tempo voou, por outro, tenho a sensação que parou porque as lembranças permanecem muito presentes. Porquê? Porque “TU” eras uma pessoa infinitamente especial, pela bondade e dedicação, pelo cuidado e atenção, pela compreensão e entrega a todos os que precisaram, em algum momento de “TI”. Porque é impossível não nos lembrarmos de “TI” e da falta que nos fazes. “TU” foste o pai que, se pudesse escolher, preferiria ter, mas que por não ter tido essa possibilidade, afirmo com certezas que fui bafejada pela sorte por ser “TUA” filha, ter crescido e aprendido contigo a ser quem sou, acreditando no amor e na amizade, respeitando as diferenças e procurando ser melhor no dia de hoje do que fui ontem.

E, se me ouvires, e acredito que sim, fica a saber que me fazes muita falta!

Há dias

Há dias em que parecemos invisíveis: falamos e não nos ouvem; andamos e não nos vêem...

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

João Carlos Silva na Volta a Portugal em Bicicleta

O João Carlos Silva (“Na Roça com os Tachos” e Roça de S. João) vai estar presente na Volta a Portugal em Bicicleta, a acompanhar a RTP, não como corredor mas como animador, com os tachos e os petiscos que tão bem sabe confeccionar.

Aqui fica a dica para quem estiver por perto do circuito e quiser provar (ou relembrar) e apreciar os sabores africanos e equatoriais de São Tomé e Príncipe. E como a Volta está quase a começar...

 

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Recordações e Perplexidades

Ontem não pude estar em casa durante o dia porque iam dar mais “uma de mão” de verniz no chão. Uma vez em Lisboa, cidade que, de dia para dia, menos me encanta, até porque me deprime e angustia, e sem nada para fazer, decidi passear pelo Parque nas Nações. Este é um local que conheço bem e que faz parte das minhas ternas recordações no que aos afectos diz respeito. Foi um dos locais onde mais namorei com um dos homens mais doces que passou pela minha vida: também é verdade, e convém esclarecer, que foram poucos, por isso é fácil defini-los um a um.

Estávamos no início da década de 90 e o chamamento por África fazia-se ainda sentir de forma ligeira e pontual, já que a minha vida era feita em Portugal e eu não equacionava sequer a possibilidade de ter uma vida diferente da maioria das pessoas da minha família e dos meus amigos. Namorámos cinco anos, conjugando encontros, alguns desentendimentos e muitos momentos felizes, que resultaram numa aprendizagem mútua que nos conduziu ao que hoje somos: verdadeiros amigos, daqueles em quem seguramente podemos contar sempre, para sempre, venha aquilo que vier e aconteça o que acontecer.

A Exposição Mundial de 1998 veio transformar por completo aquela zona e as imagens que guardo, eternizadas pelo tempo. Em 1998 já não namorávamos e, por todos os motivos e mais alguns, resisti à Expo 98 e pouco a visitei. Aquele local guardava, para mim, um saudosismo tão terno quanto triste e tornou-se penosa uma simples visita. Custava-me muito voltar àquele sítio e como ninguém percebeu as minhas razões, porque eu também não as expliquei, fui chamada de todos os nomes possíveis e imaginários pelos mais próximos, verdadeiros adeptos e defensores da revitalização do espaço e da filosofia da Exposição.

No tempo em que todos corriam em direcção à Expo com uma estóica paciência que os fazia aguardar durante horas infinitas e ao sol só para entrarem num pavilhão estrangeiro e apreenderem imagens, sons ou sensações, recolherem folhetos promocionais ou qualquer outro brinde, eu fugia do Parque das Nações. Quanto mais longe melhor. Vá-se lá saber porquê ontem apeteceu-me visitá-lo. Sozinha, ou melhor com duas revistas da treta na mão, percorri o espaço de lado a lado. Vi casais apaixonados, cães em correria desenfreada ao sabor do vento, homens a praticar desporto, correndo ou pedalando, crianças a rir e idosos a descansar, em contemplação do rio. Até polícia montada em dois cavalos magníficos, cinzentos e musculados que queriam acelerar não lhes sendo permitido ultrapassar o ritmo lento do passo para o trote, quanto mais o galope.

Mas também vi um espaço onde fui tão feliz, parafraseando um apresentador de TV, melhorado e embonecado para a Expo mas que hoje... hoje foi abandonado, exceptuando alguns pontos que resistem persistindo. Os restaurantes fecharam, os antigos pavilhões não tiveram melhor destino, os embarcadouros não recebem barcos e o que seria suposto ser uma marina está simplesmente desactivado e fechado com um cadeado ferrugento... E foi isto a reabilitação da zona oriental de Lisboa? Talvez tenha sido mas de forma não sustentável e absolutamente desoladora...

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Referências curriculares

No África Minha há uma referência aos atributos do CV do Nino Vieira, extraída do DN. Realisticamente assustador e seria bom que os guineenses não se esquecessem do passado... Mas será que se esqueceram????

domingo, 31 de julho de 2005

Uma amizade fantástica


Eu e o meu cão fomos amigos verdadeiros, daqueles que, pela reciprocidade, é raro encontrar. O Porthos, Bumba para os amigos, foi um cão fantástico em todos os momentos nos 12 anos em que fez parte da minha vida. Tenho saudades dele. Muitas. Infinitas. E hoje mais do que nunca. Um cão amigo, fiel, companheiro de brincadeiras e atento nas tristezas. Um dartacão verdadeiro, um mosqueteiro por natureza, o meu preferido porque gordo e bonacheirão, sempre bem disposto e pronto tanto para um programa diferente e aventureiro como para dormitar na sala ou por onde eu ficasse. Aqui fica um breve registo dos dois. Para quem não o conseguir vislumbrar na primeira imagem, tem a segunda.

Dia de cozinhar

Para mim, hoje foi dia de cozinhar porque é domingo. Bem, até parece que por ser domingo é um dia diferente dos outros. Na verdade, todos os dias me parecem mais ou menos iguais, até nas visitas à cozinha. Não há um dia em que não passe pela cozinha para mexer nos tachos, panelas, frigideiras, colheres de pau e facas. Aliás, são várias as vezes em que faço o corredor entre o escritório e a cozinha para ali preparar as refeições. Mas hoje foi uma preparação alargada porque a família se reuniu e não faltou ninguém.

O prato foi bacalhau, um que não tem nome porque resultou de uma invenção em momento particular de inspiração e que, como saiu bem, foi sendo repetido. O que leva? Batatas fritas em quadrados pequeninos, bacalhau cozido desfiado, alho francês cortado em rodelas e cozido, camarão cozido e cortado em pedacinhos, queijo de gratinar (o Président tem uma combinação de três queijos que produz um efeito magnífico), e ainda regado com molho bechamel (com uma variação, leva uma gema de ovo). Depois vai ao forno e quando gratinado está pronto a ser devorado.

Enquanto as batatas fritavam completei o almoço com uns bolinhos de coco. Os tais que fazem maravilhas ao meu ego nos dias menos felizes em que as perguntas não têm respostas...

Logo haverá mais uma incursão até à cozinha. Pensando bem, talvez pudesse abrir um restaurante onde servisse os meus pratos. Mas falta-me o principal... dinheiro para investir... O mal da maioria, portanto!

Necessidade de mudança

Naquela manhã, tal como em todas desde que regressara a casa, acordou com umas terríveis dores nas mãos: os ossos começavam a deformar-se e só lhe apetecia gritar para libertar a angústia e o desconsolo que sentia. Não era só a dor física que a assustava mas também a possibilidade de ter umas mãos, das quais sempre se orgulhara por serem magras com dedos compridos, precocemente deformadas.

Mas por defeito ou feitio, vá-se lá saber, permanecia calada e só se queixava quando as dores ultrapassavam o seu limite. Aprendeu a chorar para dentro de si mesma e se tivessem inventado uma máquina para medir a humidade humana, ela avariaria a dita porque no seu interior corria um dilúvio. Quem a visse não perceberia, a não ser que olhasse os seus olhos bem no fundo. Eram naturalmente humedecidos de tanto chorar para si mesma. Era raro as lágrimas verterem para fora das pálpebras porque aprendera a guardá-las. "Há coisas que devem ficar onde nascem e connosco", pensava. Os olhos tinham uma cor difícil de definir porque tanto pareciam castanhos claros como verdes, tendo dias em que estavam acinzentados. Dependia do quanto ela chorava.

Sentia-se cansada destes pequenos males que vinha a sentir, um após outro, sem ser nada de particularmente grave mas que lhe povocavam sofrimento.

Mas também estava cansada da vida que tinha, da impossibilidade de mudança, da falta de oportunidades, dos sonhos irrealizados porque tinha a mania das grandezas e sonhava sempre demasiado alto, das exigências que a vida lhe impunha com uma rotina diária pouco ou nada satisfatória. Um dia haveria de surgir uma mudança e a vida passaria a sorrir-lhe. Pelo menos queria acreditar nisso e repetia mentalmente aquela frase como se quisesse chamar os bons pronúncios, porque de agoiros já andava ela farta.

Blog africaníssimo

Muito africano o Transpórtis Virtual di Kauberdi Pa Aulil. E muito bonito. Vale a pena passar por lá. Muito recomendável.

sábado, 30 de julho de 2005

Não sou o único...

"Pensas que eu sou um caso isolado
Não sou o único a olhar o céu
A ver os sonhos partirem
À espera que algo aconteça
A despejar a minha raiva
A viver as emoções
A desejar o que não tive
Agarrado às tentações
E quando as nuvens partirem
O céu azul brilhará
E quando as trevas abrirem
Vais ver, o sol brilhará
(...)"
Xutos e Pontapés

Tudo

Por momentos sentia-se demasiado cansada... e esse cansaço encerrava tudo o que era possível e imaginário...

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Um Mundo de Sensações

Em África o tempo tende a parar e os sentidos quedam-se numa contemplação apelativa. A humidade quente e colante reflecte-se nos corpos despidos e nas peles tórridas. A brisa arrefece levemente o ambiente e vai chover. Uma chuva tropical, quente, intensa e fugaz a pronunciar sensações, emoções e vivências contraditórias e temporárias mas intensas e marcantes. O tempo que não passa, leve-leve como a vida que tem tempo para ser vivida.

Ritmos marcados pela emoção, sons ternos e movimentos sensuais apelando ao retorno, tal como as ondas levando e trazendo água nova misturada com velha; limpa e suja. A renovação é profundamente assustadora mas necessária.

África das ternas recordações e dos doces momentos, dos cheiros inconfundíveis, do ar suportavelmente irrespirável. Sensações e emoções, tempos de espera e de aprendizagem: de nós mesmos, do que viremos a ser, do que fomos, do que tentamos ser e do que nunca seremos...

STP, Dezembro 2002

Guiné Bissau em recontagem

A pedido de Malam Bacai Sanhá, os votos estão a ser recontados em Bissau e no Biombo. Para mais informação ler aqui. Só na próxima semana haverá certezas...

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Nome de mulher

A vida dele podia ser definida por fases, períodos temporais mais ou menos longos em função das situações, marcados pela distância e com África no horizonte. Desejava aquele continente onde, por acaso do destino, fizera uma primeira viagem que lhe proporcionou momentos inesperados e mais do que felizes e, desde essa altura, em que foi um Homem bafejado pela sorte e pelos encantamentos, nunca mais conseguiu deixar de procurar novos lugares e novas emoções. Sentia-se impelido a mais uma viagem, a última dizia a si mesmo, mas nunca era porque seguia-se sempre mais uma. As suas Africas tinham nomes ou talvez ele gostasse de lhes dar atributos porque nelas revia as mulheres que agora faziam parte das suas recordações. Todas elas o marcaram, tanto as Africas como as mulheres que lá conheceu. Pensando bem, a sua vida mudara desde que viajara para o sul, que conhecera novas paisagens e que se permitira sonhar com novas vidas.

Guiné Bissau: Boa Sorte...

Nino Vieira venceu. Teve mais votos e menos distritos. O que espero daquele país de que tanto aprendi a gostar? Que o povo não se tenha enganado e que tenha feito a sua escolha em consciência. E o que mais? Que a ordem regresse ao país com aceitação e respeito, o que não tem estado a acontecer desde que se soube os resultados. Para um seguimento mais atento, consultem Africanidades porque o Jorge Neto tem uma tarefa incansável de relatar com pormenor todos os acontecimentos. E ainda... desejos de muito boa sorte para quem já se esqueceu do passado...

Maputo na Megafauna

Na Megafauna encontrei uma foto magnífica do pôr do sol que me relembro que existia em Maputo. Mas não é tudo, a foto ilustra um poema fantástico de Alexandre Daskalos.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Uma análise objectiva

Andava eu a visitar os blogs de leitura habitual e no Água Lisa há um post que capta toda a minha atenção. Porquê? Porque nele leio o que um dos meus blogs preferidos, e que também é visitante do “África de Todos os Sonhos”, pensa acerca do que escrevo. Uma análise directa, objectiva (como gosto) e sincera. Por tudo isto, só posso agradecer. Leiam aqui.

segunda-feira, 25 de julho de 2005

domingo, 24 de julho de 2005

Homenagem a José Negrão

O investigador moçambicano José Negrão faleceu há dias. Conheci-o em Maputo por ocasião do Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais que se realiza de dois em dois anos. Naquele ano foi em Moçambique e, por essa razão, lá fui até um país que era para mim desconhecido e que, por muitas razões, me haveria de marcar para sempre: os sorrisos das crianças; os efeitos da guerra; a vontade explícita de promoção do desenvolvimento em várias vertentes, tais como o turismo, o que me levou a escolher como tema de tese de doutoramento o turismo ecológico como via para o desenvolvimento sustentável; as acácias; as praias e a paisagem; os arredores de Maputo; o magnífico Hotel Polana; todas as pessoas, tão diferentes umas das outras, que tive oportunidade de conhecer. E o Prof. José Negrão estava por lá também e, coincidência feliz, assistiu ao painel onde a minha comunicação se inseria. O tema geral era as sociedades rurais e o desenvolvimento participativo e a minha comunicação focava o “empowerment”, o desenvolvimento local e a participação na Guiné Bissau através da actuação das ONGs locais, no caso o trabalho da ALTERNAG e de dois projectos: Mulheres costureiras do Bairro de Belém e Crianças trabalhadoras e de rua.

Estávamos em 1998 e eu hiper nervosa porque apresentava os resultados da minha tese de mestrado, defendida há pouco tempo, estava cheia de vontade de dar continuidade às investigações em África com o doutoramento e representava a Universidade onde trabalhava desde 1992 e onde ficaria até 2002. Pois o José Negrão assistiu com a atenção que lhe era habitual, comentou com o “savoir faire” dos especialistas e eu vim feliz com a noção de uma missão bem cumprida. Quando cheguei a Lisboa, um colega da Universidade ligou-me dizendo que, como habitual ouvira a RDP África e num programa, o José Negrão fizera alusão, de forma muito positiva, ao trabalho dos jovens investigadores, nomeando a comunicação por mim apresentada.

No ano passado o Congresso realizou-se uma vez mais, eu com o doutoramento já entregue e a aguardar defesa oral – estapa que se veio a revelar muito bem cumprida – e ele como figura de destaque. Aqui fica o texto por ele apresentado, linkado a partir do site do congresso, como a homenagem possível que lhe posso prestar. Eu, que me sinto honrada por o ter conhecido e privilegiada por um dia ter sido destacada por tão ilustre figura no meio das Ciências Sociais africanas.

Um futuro para Bissau

Hoje é dia grande na Guiné Bissau. Dia de esperança no futuro, na estabilidade e na paz, no respeito e na democracia. O mundo devia pôr os olhos naquela pequena nação que se caracteriza pelas diversidades e que está a aprender, devagar devagarinho, a respeitar as diferenças com o espírito sabedor da tradição. Um exemplo unicamente descrito pelo Jorge Neto em Africanidades, ilustrado com fotografias. Das eleições de hoje um dos dois vencerá, Sanhá ou Nino Vieira. O desejo é que, no rescaldo dos resultados, o respeito permaneça e que, apesar dos dois desejarem vencer, o que não puder sair vencedor saiba perder. Pela democracia e pelo futuro de um dos povos mais encantadores de África.

Perguntas sem resposta...

  1. Qual foi a primeira coisa que te passou pela cabeça quando me viste pela primeira vez?
  2. Quando tomaste consciência que tudo tinha chegado ao fim?

Como não sei as respostas... vou fazer bolinhos de côco!

Sobre o Amor...

Estou a ler “O Segredo do Chocolate” de James Runcie: livro muito engraçado que apela aos sentidos e às emoções, quer se esteja enamorado hoje ou tenha estado num ontem mais ou menos próximo, sabendo que num amanhã também mais ou menos inevitável voltará a flutuar no ar só por ouvir a voz que desperta o melhor dos sentimentos. Fala-se de muitas coisas no livro mas principalmente de paixão e de amor, do arrebatamento que sentimos por um alguém que se vem a revelar diferente nas nossas vidas num dia qualquer e sem que consigamos perceber porquê. E numa fase de cepticismo em relação a sentimentos desta natureza, em que pergunto aos meus outros eus o que é afinal o amor, e porque eles também não chegaram ainda a uma resposta consensual, ao ler as doces páginas deste livro, encontrei algumas respostas possíveis:

“Apesar das circunstâncias separarem os amantes, Ignácia dá a Diego um elixir e uma promessa: se estiveres vivo então eu estarei viva. Nunca desistas de me procurar”
...
“Quem ama verdadeiramente demora a esquecer”
...
“- Então o amor é uma escravidão?
- Uma escravidão à qual nos candidatamos com prazer”
E depois, fala-se muito do cacau e do chocolate, da forma e da cor, da textura, do aroma e do paladar. E, de forma inevitável, lembro-me de África e da primeira vez que provei cacau fresco no decurso de uma caminhada em STP, cujo percurso passava por cacauzais, que admirei as diferentes tonalidades da casca, que senti o sabor, inicialmente estranho e depois viciante. E quando, numa outra caminhada fomos conhecer o processo de secagem do cacau: a maturação do fruto em tabuleiros imensamente grandes e catalogados por tempos e o cheiro intenso, nesta fase pouco agradável; os fornos e o calor aromático, saboroso e apelativo; o armazém onde era ensacado. Uma experiência fantástica e que transbordou de sensações. Tal como no livro, os sentidos estavam no pico.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...