sexta-feira, 20 de maio de 2005

Deixa-me...

Deixa-me chorar e gritar, pensar e concluir, sorrir, rir e gargalhar.

Deixa-me aconchegar no teu abraço e sentir o calor que me transmites, confortando-me.

Deixa-me olhar os teus olhos e entender tudo o que me dizes por palavras e o que omites não falando.

Deixa-me falar sem dizer nada.

Deixa-me conversar sobre qualquer coisa ou sobre tudo.

Deixa-me ouvir os sons, sentir os sabores e ver os tons.

Deixa-me ficar e fica tu também...

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Reflexão

Com regularidade, mas não tão frequentemente quanto gostaria, viajo pelos blogs que me introduziram neste mundo da escrita partilhada. E já são muitos. Tenho constatado que, de tempos a tempos, o tom dos posts vira pessimista, derrotista, triste, pesaroso, algo depressivo. A maioria fala-nos de amores desencontrados, perdidos, de pessoas abandonadas, solitárias e “ensolidadas”. Como se o mundo acabasse com as rupturas, com a perda de um afecto, com a falta de companhia e de companheiro. Como se cada um ficasse a ser apenas metade do que já foi, incompleto e marcado pela incapacidade de ultrapassar o dia-a-dia. Como se a vida pesasse e tivesse deixado de fazer qualquer sentido, ficando cada um sem rumo. Cada um não, porque quem partiu continua o seu percurso com espírito aliviado e alma renovada. Dá vontade de postar um comentário (Chuinga como te entendo finalmente...) ou de escrever ao autor apelando ao bom senso, dizendo:

“Atenção Amiga(o), o Mundo não acabou porque aquele em quem depositaste afeição, carinho e dedicação te abandonou. Esse foi um engano com o qual te cruzaste. Não mais do que um equívoco que foi de tal forma falacioso que nunca te mereceu. Tu não viste em tempo útil mas nunca é tarde para acordar. Pensa bem que, se alguém te deixou indevidamente e sem que o tivesses motivado a tal, então é porque também não te mereceu. Olha em todas as direcções porque, mais cedo ou mais tarde, talvez só daqui a uns tempos, vais reconhecê-lo(a) sem que tenhas de fazer qualquer esforço para isso. E pára de te lamentar da vida que, na verdade, foi tua amiga fazendo-te sofrer um pouco, mas antes agora do que depois. Levanta a cabeça, endireita as costas e pensa em tudo o que podes fazer para te sentires feliz, sem dependeres de alguém que não retribuiu a tua afeição.”

E, Brígida, após teres visitado as “casas netianas” dos teus amigos deste estranho mundo e de teres constatado que na maioria o tom da escrita de hoje era derrotista, não te esqueças que a mensagem que acabaste de escrever em momento de inspiração é também um “post-it” para ti mesma. Retira uma lição da tua própria reflexão.

Nada do que foi volta - IV

Abel não sentia saudades de Vera, mas sim da vida que tinha tido quando se cruzaram, partilhando espaços e tempos, momentos únicos que jamais se repetirão e que ele nem sequer desejou que se repetissem. Sentia a nostalgia do passado pela liberdade que tinha usufruído naquele local, pela possibilidade de se relacionar com quem entendesse e de se sentir dono da sua própria vida, sem ter de dar explicações do que fazia, a quem quer que fosse. Foi aí que conheceu Vera, uma mulher independente, interessante, não particularmente bonita mas o suficiente para se destacar das outras que ali viviam, que cativava os homens e causava inveja às mulheres. Tinha os requisitos para lhe chamar a atenção.

Vera era uma mulher estranha porque demasiado directa e sincera, de uma frontalidade que Abel desconhecia porque nunca encontrara estes predicatos em ninguém. Se essa forma de ser e de estar o seduzia também o afastava e a relação deles foi, desde o início, marcada por desencontros e contradições. Havia uma atracção irresistível entre os dois que era difícil de contrariar, principalmente quando se encontravam sozinhos. Passaram a fazer parte da vida um do outro porque o contexto assim o permitiu e o destino o ditou.

Vera era, para Abel, uma conquista necessária, não só por estranhamente ser uma das mulheres mais cobiçadas do sítio, consequentemente muito conhecida e um ponto de referência num mundo que ele começava a descobrir, mas também por ter um halo de mistério à sua volta que ele queria perceber e desmistificar. Ninguém sabia ao certo o que motivava aquela mulher a viagens sucessivas e estadias solitárias, andando por onde queria e relacionando-se com quem entendia, sempre com ar de ser senhora do seu nariz. Falava a todos e, na verdade, não se dava a ninguém. Tinha consciência que era comentada pela maioria, nem sempre bem, e apesar disso continuava o seu rumo com a sábia certeza de que os ditos e contos só afectam quem neles acredita.

E, enquanto se iam conhecendo, Vera olhava Abel com a tranquilidade de estar segura porque aquele homem, apesar de simpático, não fazia o seu género e não havia a menor hipótese de se envolverem. Ela nem sequer ali estava para se envolver com ninguém. Queria apenas aprender num sítio distante, longe da protecção dos seus, conhecer novas caras e espíritos abertos, e melhorar-se como pessoa, encontrando um rumo para a vida. Abel olhava Vera como se de uma peça de caça se tratasse, tinha de a capturar, e falando com um amigo de sempre foi feita uma aposta. Ela seria sua.

Colecções

Há quem faça colecções de selos, de chávenas, de penicos, de canetas, de abre-livros, de relógios, de armas, de caixinhas, de dedais, de leques, de cromos, de vasos, de animais, de brincos e de anéis, de óculos, de postais ou de jornais antigos, temáticos e regionais. Há colecções originais e outras mais vulgares. Na verdade, desde pequena que nunca fui dada a colecções, porque requeriam uma atenção que nunca quis dar a objectos. O meu cuidado sempre esteve mais associado às pessoas e aos animais e, talvez por isso, nunca tenha percebido bem a dedicação de algumas pessoas em relação a um conjunto de folhas ou de peças, por mais raras que elas fossem, passando horas a observá-las com admiração, a limpá-las e a arrumá-las em local de destaque, não permitindo que outras pessoas lhes tocassem.

Mas desde que fui a África pela primeiríssima vez – aqui fica a homenagem a Guiné Bissau - rendi-me ao encanto de uma peça de artesanato e, sem dar conta, em cada incursão que fui fazendo a países africanos, ia comprando exemplares, diferentes e únicos, que hoje se transformaram numa colecção em constituição. O objecto que provocou os meus sentidos, captando a minha atenção, foram os pensadores em madeira. Hoje tenho-os de todas as coresm feitios, tamanhos e graus de perfeição. Uns são mais estilizados do que os outros, dos mais pequenos aos maiores, esculpidos em madeiras características de cada uma das regiões por onde fui passando, pelo que têm também tonalidades diferenciadas. Mas são lindos e, pela sua diversidade, resultam num conjunto muito harmonioso.

De novo Bissau

Recebi notícias de Bissau. O clima está mais calmo do que eu pensei inicialmente. E ainda bem. Aquele país e aquele povo não mereciam mais outra guerra e o sufoco que daí decorreria. Aguarda-se a evolução dos acontecimentos com tranquilidade. Parece que os meios de comunicação terão, uma vez mais, empolado o caso, porque quem por lá está continua a viver o quotidiano dentro da normalidade.

Fico Assim Sem Você (Adriana Calcanhoto)

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você
Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Nada do que foi volta III

A vida ensinou a Vera que chorar a ausência não só não resolve como agudiza a angústia e a sensação de perda. Mas, como chorar não é uma manifestação que a maioria das pessoas tenha por querer, Vera aprendeu a controlá-la e passou a chorar para dentro. Quando está triste, sorri e, para não ser traída pelo tremor dos lábios, trinca o inferior no canto esquerdo. Mordisca-o sorrindo para fora, mas no seu interior chove de tal forma que mais parece um dilúvio em dia de tempestade. E isso passou a acontecer cada vez com mais frequência. Abel nem disso dá conta e ela também faz porque ele não se aperceba. Ele está longe dela e pouco a vê, para dizer a verdade, cada vez menos. Por isso, o risco de tomar consciência do que se passa com ela é pequeno. E, para ela, isso é bom.

Depois de Abel, Vera não se voltou a apaixonar por mais nenhum homem. Não podia porque tendia a usar uma medida de comparação que não deixava margem para dúvidas. Abel tinha sido o “seu must” e apesar de tantas qualidades, ela sofrera muito por ele e continuava a sofrer. Era um risco viver sem afecto e sem paixão e os momentos de dureza emocional tornavam-se cada vez mais longos. Mas ela não queria sofrer mais. E contudo, a cada manhã em que acordava a lembrar-se do beijo que ele lhe dava quando saia para o trabalho, enquanto ela ficava na lazeira, ou nas noites de conversa e de amor partilhado, que ela queria acreditar que fora sentido, continuava a sofrer. Era feliz com a lembrança e infeliz com a recordação porque essa reforçava a ausência e a impossibilidade.

quarta-feira, 18 de maio de 2005

A fantástica Guiné

Na Guiné encontrei algumas coisas fantásticas de tão ímpares: a altura das papaeiras; a variedade e diversidade de mangas; a quantidade de caju; o nome que dão ao amendoim – mancarra; a quantidade de abutres no céu de Bissau e o nome que lhes chamam – jagudi; a zona ribeirinha de Bafatá; a diversidade étnica; a quantidade de crianças nas ruas de Bissau; o mercado de Bandim; as crenças e as práticas culturais; e tantas outras coisas.

Guiné

E a minha querida Guiné, o meu primeiro amor africano, está prestes a entrar em conflito. Melhor dizendo, ali o conflito é latente. Infelizmente... E a preocupação com os amigos que lá vivem, os guineenses e os outros, aumenta. Dou comigo a recordar a primeira incursão a Bissau, quando a porta do avião foi aberta no aeroporto de Bissalanca, e senti o bafo quente e húmido, o ar denso e o cheiro intenso, misturando, de forma magnífica, os aromas da terra molhada com frutas, predominando uma essência adocicada que, ao primeiro cheiro, parecia algo enjoativo. Só mais tarde, vim a reconhecer o aroma, uma mescla de manga com cajú fresco. Aquele cheiro é inconfundível e aquela sensação incomparável.

terça-feira, 17 de maio de 2005

Nada do que foi volta II

Talvez algumas coisas tivessem mesmo de ficar assim, sem retorno e sem regresso. Talvez fosse mesmo a lei da vida, ou como é que se chama às partidas pregadas pelo destino e feitas em desencontros. Por fim, naquele dia percebera que quando os sentimentos são unilineares perdem qualquer sentido e resultam em doença. E as doenças, a maioria pelo menos, cura-se. Não, Vera não se queria sentir doente de amor, essa é uma maleita que já não se usa. Amou-o, ama-o ainda e sente que talvez o venha sempre a amar, porque este é um sentimento que não se procura mas que, quanto se sente, não se confunde. Abel era o homem da vida de Vera, se é que isso existe. Podia nunca mais voltar a tê-lo, a sentir-se envolvida pelo abraço forte e pelos beijos ternos, pelo olhar carinhoso e pelos ralhetes preocupados, pelo cheiro intenso e reconfortante.
Mas uma coisa é certa, esta é a lembrança mais terna e mais saborosa que Vera tem dos homens. Abel é uma recordação que sabe a fruta de verão, carnuda e colorida, doce e sumarenta, refrescante e deliciosa num dia de calor. Talvez ele nem nela pense, mas os primeiros pensamentos de Vera são para ele e, muitas vezes, antes de adormecer, é o seu terno olhar que ela vê.

Nada do que foi volta I

“Nada do que foi volta”, pensou Vera quando se despediu de Abel. “Pelo menos não da mesma forma, ou como eu gostaria. Cada reencontro com ele é um novo momento para o conhecimento de uma faceta até aqui não revelada. É estranha a sensação, mas por mais que pensemos que conhecemos uma pessoa, acabamos por perceber, mais tarde ou mais cedo, que tivemos apenas uma visão do que ela é, ou pode ser.”
Apesar de conversador, Abel estava distante e pareceu-lhe triste. Sabia-lhe sempre bem vê-lo e aos encontros marcados não gostava de faltar. Sentia-os como rituais e defendia que esses deviam ser vividos para que as tradições se mantivessem. Não olhava para ele como um ritual ou como uma tradição mas o sentimento que tinha em relação a ele era tão profundo que queria guardá-lo para sempre.
Ouvia-o e sentia-se a partilhar alguns dos problemas que ele tinha, os possíveis e que ela podia saber. Queria apenas que ele estivesse bem, já que não podia sequer pensar no quanto gostaria que ficassem bem. E, com as devidas diferenças, a “Papisa Joana” voltou-lhe à lembrança.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Dúvida existencial

E, naquele final de tarde, depois de terminar mais um livro, que mais parecia um tratado novelístico, sobre os afectos, as paixões desencontradas, com o final possível mas longe de ser feliz, os dramas e as esperanças desta vida, pensei cá para comigo: "Também eu tenho andado atrás de um sonho, dediquei os meus dias a uma causa, a algo em que sempre acreditei. Que balanço farei eu daqui a 30 anos? Nessa altura, acharei eu que terá valido a pena?"

sábado, 14 de maio de 2005

A agricultura dos afectos

Não é fácil fazer com que algumas pessoas interiorizem a ideia de que o pousio afectivo não tem tempos pré-definidos, pode ser breve ou muito prolongado, tal como as filas de espera para pedir esclarecimentos ou informações num serviço público. Cada caso é um caso e por isso marcado pela particularidade. As pessoas são diferentes, e ainda bem, ou seja nem todas reagem da mesma forma aos estímulos e aos problemas!!! E nem todas interiorizam o modelo relacional e afectivo dos trópicos, mesmo quando lá não estão. Estou certa que é essa complexidade que faz da vida algo tão interessante, principalmente porque temos a capacidade e a possibilidade de escolher o que mais nos convém. Esta agora lembrou-me a Sara Tavares, quando canta “sei que posso fazer tudo, mas nem tudo me convém”
“Andas muito bem disposta e risonha”, dizia-me alguém com quem já não falava há muito. Sim, risonha estava porque actualmente as nossas conversas fazem-me rir. Mas não diria que estivesse bem disposta, não particularmente. Esta pessoa entende as minhas recusas como uma forma de me “fazer difícil”, de demonstrar a inacessibilidade a que supostamente o pretendi remeter. Não é bem isso. Talvez até lhe possa dar um bocadinho de razão porque, no passado, terá havido alguns episódios inesquecíveis pela mágoa que geraram, simplesmente porque não eram aceitáveis e muito menos geríveis. Histórias... quem as não tem...?! Mas hoje, isso foi ultrapassado e o desconforto anterior deu lugar à impossibilidade actual. Não, porque não e porque, além do óbvio, os solavancos cardíacos são causadas por outro nome e por outras razões.
Não sei se em agricultura há terras que ficam impossibilitadas de serem plantadas para sempre, ou só por uma espécie, rejeitando-a a cada vez que é tentada a sua introdução, porque essa não é de facto a minha área. Mas uma coisa sei e posso garantir, a minha incapacidade para retornar ao passado é imensa, diria mesmo infinita, é total, principalmente quando o passado tem anos e, na altura própria, se revelou num mau ano agrícola. Outras terras serão, por certo, mais produtivas.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Matala

Bwa notxi Migu Malio.
Um amigo partiu esta semana para Matala, em mais uma missão. Matala é um nome bonito, alegre e muito sonoro e ele é uma excelente pessoa, com uma imensa capacidade de se voluntarizar, de trabalhar e de se adaptar às situações mais adversas. Vai lá ficar um ano e espero que vá dando notícias com regularidade. Boa viagem Mário e uma melhor estadia por terras angolanas. E espero que esta experiência de vida te enriqueça ainda mais. Um grande, GRAAAAANDE beijinho.

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Gostos partilhados

O brilhantismo daquele encontro revelou-se nas afinidades. Gostavam de África e de Ilhas e acima de tudo encantaram-se por São Tomé, enamorando-se um pelo outro. Mas gostavam de mais, dos sorrisos e dos olhos dos santomenses com quem se cruzavam e com os quais trocavam uma ou outra palavra misturada com a intensidade do olhar, do ritmo leve leve e da descontracção só ali permitida, da paisagem, que alguns diziam monótona, pela densidade tão inspiradora, dos fins de semana partilhados e das actividades que realizavam em conjunto, das refeições a dois, a quatro, a oito, às vezes a mais, onde se reinventavam receitas e experimentavam paladares, do convívio que, por aquelas paragens, era obrigatoriamente intensificado.

Mudanças

Ao contrário da maioria, Z. gostava de ilhas. Transmitiam-lhe paz e tranquilidade, talvez por darem aos continentais como ele a sensação de que, sendo a vida tão contingencial e efémera, devia ser bem aproveitada. Todas as horas, os minutos, os segundos. Não valia a pena lutar contra o tempo, até porque ali era vivido de forma bem diferente. Nem brigar com as pessoas, afinal numa ilha todos eram necessários e importantes. Também nas ilhas havia um sentido de protecção mais evidente, pelo natural limite do espaço e do mar, infinito e inconstante, tudo rodear. As ilhas fascinavam-no e seduziam-no e era nelas que ele se deixava envolver, lenta e ternamente pelo mundo dos afectos. “Um dia”, pensou, “hei-de mudar-me para uma onde sinta que é a minha casa. Mas tem de ter calor, e muitas árvores e flores, e praias, e fruta abundante, e locais para passear, conhecendo pouco a pouco o desconhecido, e gente bonita, simpática e sorridente”. E foi assim que partiu para África, em busca do que não encontrara antes. E foi em São Tomé que se encontrou, que a viu e a conheceu. Foi ali que se envolveu e se perdeu de amores. E a partir daquela época nada mais ficou igual. Nem ele, nem ela.

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Espaço Cultural - STP

Foi criado um novo blog, Espaço Cultural - STP, com o objectivo de divulgar os escritores, pintores, escultores santomenses, mas também os artesãos, os contadores de histórias e os contos tradicionais. A iniciativa partiu de alguns membros do e-Grupo Caminhadas e Descoberta em STP, entre os quais moi même, e os links aparecem referenciados ao lado.

terça-feira, 10 de maio de 2005

Continuando...

E o dia assim continuou, chatinho e cinzentão qb, a acompanhar o meu estado de alma. Há mesmo dias assim, e há muito que não passava o dia a pensar "quem me dera que chegue amanhã". Não por nada de especial e bom que me possa acontecer amanhã, mas apenas com um objectivo, que esta sensação de "tempo mental farrusco e choviscoso" passe depressa com uma boa noite de sono.
Em STP havia dias assim, tristonhos e lamurientos, com uma diferença importante: estava sempre calor, muito calor. E um mergulho no mar, seguido de uma caminhada longa pelo areal em busca de conchas, revitalizava qualquer estado anímico menos fortalecido. E quando, mesmo assim, chegava a casa acinzentada, dedicava-me a tratar das conchas com cuidado e atenção. Lavava-as, esfregava-as, secava-as e envernizava-as. Hoje olho para elas com orgulho e a minha alma ilumina-se.

Dia Não...

O dia começou "não", chato, rezingão, implicativo e pouco simpático. Pensei eu ir à aulinha de danças latinas mas não há condições. Hoje é uma manhã em que, ao fechar os olhos, revejo a tranquila Baía de Ana Chaves.


Baía Ana Chaves e o Ilhéu das Cabras ao fundo. São Tomé, Novembro 2002
Posted by Hello

Ah... Leão!

"Diz-me, se me visses como um animal, qual seria?" - perguntou-me ele esperando uma resposta do género: leão. Era assim que ele se via. Másculo, forte, possante, dominador, rei da selva, bonito e... por natureza, pouco fiel. "Sabes que um leão africano é capaz de cupular com várias leoas, umas seguidas às outras? Não se cansa, é insaciável. Está em cima de uma e salta para outra. É daí que vem a expressão: Ah... Leão...", referia ele com orgulho.
Eu olhei-o, primeiro estarrecida, porque ainda não o conhecia bem, e depois divertida, e sorri a pensar "Mas os homens por vezes fazem cada associação de ideias... já para não falar nas perguntas...".
Com o tempo vim a perceber aquela conversa assim como a pergunta. Era redundante, um pouco simplista até. Não havia nada de muito elaborado senão a tentativa de mais uma conquista. Eficaz e rápida, efémera e sem contrapartidas, hedonista e egoísta qb, como na culinária. Ele pensava e relacionava-se com as mulheres como o leão, o famoso rei da selva, perante 10 fémeas. Todas hão-de ser suas... só que... à vez. E elas que se cuidem!

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...