Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
terça-feira, 10 de maio de 2005
Ah... Leão!
segunda-feira, 9 de maio de 2005
É preciso uma paciência...
Abelha, formiga ou just me?
domingo, 8 de maio de 2005
Contos tradicionais de Cabo Verde
Reflexão agradecida
"Xicuembo" em livro
sábado, 7 de maio de 2005
Bazaruto no "Fazendo Caminho"
Revitalização semanal
Há ainda, neste mundo desenvolvido e diversificado, locais agradáveis, porque tradicionais, onde é possível “ir às compras” e escolher a fruta e os legumes, conversar com os vendedores e ouvir as histórias que têm para nos contar. A sensação que, cada vez mais, as “grandes superfícies” me transmitem é de impessoalidade, frieza, desconforto. As feiras e os mercados locais tornam-se prazeirosos porque ainda nos permitem contactar com o produtor, aquele a quem gostamos de chamar com carinho de “saloio”, e ouvir as histórias semanais da vida deles. Quando numa semana não os encontramos perguntamos por eles aos vizinhos e preocupamo-nos ao percebermos que estão doentes, foram hospitalizados ou algo de pior aconteceu com eles ou com familiares. É como se tivessem passado a fazer um pouco parte de nós e nós da vida deles. Este sentido solidário e comunitário revela-se fantástico porque, quando não aparecemos num fim de semana, somos assaltados com perguntas na próxima ida. Melhor, ali ainda nos oferecem um ramo de coentros ou de hortelã ou um ovo porque não fica no cesto a fazer nada sozinho. Ir às compras tornou-se, para mim, numa prática de lazer ao fim de semana porque quando vou ao “meu mercado”, de rua e envolto por vegetação, revitalizo-me para a semana.
Um sapato para cada pé
Certo dia, ao contemplar a tranquilidade de um pôr do sol intenso, como só em África é permitido, e conversando com alguém que se revelou sabedor da vida e dos negócios do coração, ouvi uma frase que retive: "a cada pé o seu sapato", que é como quem diz, nem todos os sapatos se adequam a todos os pés. Uns são demasiado pequenos, outros grandes; uns excessivamente apertados, outros largos; uns magoam no calcanhar, apesar de parecerem justos, outros caem. Encontrar o sapato certo para o pé não é tarefa fácil, tanto que é frequente ouvirmos dizer “este não é sapato para o pé dela”. Mas não vale a pena desesperar porque acabamos sempre por encontrá-lo. Pode demorar mais ou menos tempo, implicar maior ou menor custo, ser mais ou menos bonito ou exuberante, mas a verdade é que, um dia, surge sem nós darmos conta . Comprar o tamanho abaixo não é boa estratégia só para resolver a situação porque, mesmo que o tentemos moldar, calcar ou alargar, nunca nos fará sentir confortáveis. Se for o tamanho acima, vai alargar com o tempo e por mais soluções que procuramos encontrar para reduzir o espaço a mais, teremos sempre a sensação que não foi feito para nós.
Requisitos para uma boa relação pé-sapato:
1. dar a sensação de conforto (ausência de dor e de odor, entre outros aspectos)
2. ser adequado ao modo de vida e às necessidades (prático ou sofisticado)
3. permitir uma caminhada longa e sem esforço, sendo portanto resistente às contrariedades (chuva, frio, calor, entre outras)
4. ter um princípio implícito de “fidelização” (não fica bem andarmos a trocar de sapatos)
5. ter uma boa imagem (aspecto subjectivo, claro está)
Quando penso nesta associação, tal como me falaram inicialmente nela, vem-me à ideia a misteriosa arte de amar. Aos requisitos mencionados, juntaria mais alguns:
6. sentido de humor
7. companheirismo, capacidade de compreensão e aceitação das diferenças
8. relativização dos problemas com preocupação pelo parceiro
...
E, naquele fim de tarde, percebi que há sempre um sapato para cada pé. Pena que nem todos pensem assim...
sexta-feira, 6 de maio de 2005
Calulu de Galinha, Pato ou Porco
Este post é dedicado à Helena, uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor. Uma refeição para preparar com tempo e calma, "leve-leve só", para saborear na tranquilidade de uma boa companhia.
Recebi agora mais uma informação interessante - na língua local, não se diz Calulu mas sim Cálu ou Kalu, pelo que o termo que utilizamos (e que sempre ouvi em STP) será uma africanização/aportuguesamento absolutamente desnecessária (Obrigada, amigo Alcídio).
Receita de CALULU DE GALINHA, PATO OU PORCO, gentilmente cedida por D. Alcinda Lombá (e transmitida pelo Paco)
Ingredientes
Galinha, ou pato ou carne de porco fumada);
Folhas (ponto, maquêquê, galo, ótage, olho de folha de goiabeira, quimi, margoso, mesquito, mússua, damina, matrussu, tartaruga...);
óleo de palma;
beringela;
quiabo;
cebola;
tomate;
pau de pimenta;
óssame;
fruta pão;
farinha de mandioca;
Modo de preparação
Picar as folhas todas e em pedaços pequenos (opcional moer ou amarrar e deixar cozer para depois pisar);
Preparar a carne (galinha, pato ou porco fumado) à parte;
cozer bem as folhas com fruta pão descascada em pedaços grandes, com pau de pimenta e óssame, óleo de palma e deixar cozer bem;
Juntar a carne, tomate, cebola, beringela, maquêquê, quiabo e deixar cozer "muito bem" (cerca de 3 horas ou mais);
tirar a fruta pão e deixar a panela a cozer bem;
adicionar água a gosto;
pisar bem a fruta e meter novamente na panela e deixar cozer até dissolver completamente;
Adicionar tempero, malagueta (opcional) e caldo;
Adiocionar folha de mosquito
Não esquecer o sal;
Come-se com banana cozida e pisada (angu de banana), com arroz ou/e farinha de mandioca
Calulu e Angu
Os contadores de histórias em STP
Ivo Ferreira e os Contadores de Histórias em STP
"Os narradores orais, contadores de histórias como também lhes chamam, são os guardadores dos tesouros da narração oral, histórias que passam de geração em geração. O realizador Ivo M. Ferreira foi encontrá-los em São Tomé e Príncipe e na bagagem trouxe memórias para dois documentários que a Cena Lusófona lança em Setembro em DVD: “Narradores Orais da Ilha do Príncipe” e “À Procura de Sabino e de outros contadores de São Tomé”. Em 2001, a Cena Lusófona lançou o projecto de identificar e documentar a presença e as performances dos narradores orais nos países de língua oficial portuguesa. O primeiro realizador a ser desafiado, para registar a tradição oral de São Tomé e Príncipe, foi Ivo M. Ferreira: “Quando o projecto me foi proposto eu disse que precisava de material. Foi aí que percebi que há uma lacuna muito grande de dados em relação a esta realidade e, especificamente, a São Tomé e Príncipe”. Mesmo sem as informações de que necessitava para iniciar as filmagens, partiu para a ilha do Príncipe, sem ter a certeza se regressaria com registos para apresentar. Na opinião de Ivo M. Ferreira, este primeiro trabalho, a que deu o nome de “Narradores Orais da Ilha do Príncipe”, reflecte um pouco a superficialidade de quem desconhece o universo que o espera. “Eu andei à procura deles, sempre a perguntar se alguém sabia quem contava histórias por ali”. Também ignorava as circunstâncias, quando são contadas as histórias. Isso ocorre, sabe-o hoje, na maioria das vezes quando alguém morre ou em datas de evocação de um falecimento. As pessoas reúnem-se numa casa ou num quintal e, ao longo da noite, há indivíduos “contratados” ou que aparecem a contar histórias. Filmar estes momentos poderia ter sido pouco natural, devido à presença da câmara, mas, segundo o realizador, depois de algumas horas de convívio e da desmistificação dos objectos de filmagem, público e contadores acabaram por agir naturalmente. Um dos aspectos mais ingratos na realização foi não conseguir captar as histórias, a não ser após tradução resumida. No entanto, para entender o lado performativo do contador e a forma como o fazia, Ivo Ferreira nunca precisou de tradutor. E conseguiu até intuir, através de gestos e posturas, quais os genuínos narradores orais, embora, na sua opinião, os sãotomenses sejam todos naturalmente teatrais: "Utilizam gestos e expressões que tornam o universo da oralidade num ambiente místico e encantatório que deslumbra qualquer ouvinte". “À procura de Sabino e outros contadores de São Tomé” é o resultado de uma segunda viagem do realizador ao mundo abordado no seu documentário anterior. Desta vez programou centrar-se mais na vida de um contador, acompanhá-lo no seu quotidiano, tentar perceber o que o levava a contar histórias. E surgiu um nome, alguém que as pessoas diziam ser um grande contador: Sabino. “Pensei, tenho de o encontrar. Ele simbolizava, por um lado, a resistência (embora fosse muito velho continuava a contar histórias), mas, por outro lado, simbolizava a inevitabilidade do fim desta tradição". Através de Sabino, percebeu, estava a contar a própria realidade do país. "Procurei-o. Fiz milhares de quilómetros naquela ilha cheia de buracos, matos e rios, dentro de um jipe. A certa altura comecei a filmar a própria procura do Sabino”. Para Ivo M. Ferreira, este documentário não significou só o registo dos narradores orais da ilha, suas histórias, mas também a dificuldade de os encontrar. Mesmo assim lamenta que num documentário deste tipo não exista espaço para ir um pouco mais longe em relação ao contador, conhecer mais acerca dele, das suas histórias. No decorrer do trabalho de campo, encontrou Caustrino Alcântara, pessoa esclarecida e sabedora que finalmente lhe conseguiu explicar todo o conceito que envolvia este universo da tradição oral, incluindo os vários tipos de histórias em activo. Alguém que, na opinião do realizador, conserva actualmente o maior espólio de histórias sãotomenses. Apesar de sentir que estes documentários podem ser algo muito efémero, no que respeita à identificação dos contadores, Ivo M. Ferreira acredita que tanto “Narradores Orais da Ilha do Príncipe” como “À procura de Sabino e de outros contadores de São Tomé” são pelo menos uma singela homenagem a estes zeladores de histórias. E de sonhos. A Cena Lusófona vai editar em DVD, em Setembro, “Narradores Orais da Ilha do Príncipe” e “À procura de Sabino e de outros contadores de São Tomé”. Neste DVD, que engloba os dois documentários de Ivo M. Ferreira, legendados em português, francês e inglês, podem também ser visionadas entrevistas com os principais intervenientes do Projecto Narradores Orais. Outras iniciativas editoriais estão em marcha. Ainda este ano, vai ser iniciada uma pesquisa sobre os narradores orais em Cabo Verde (a cargo de Catarina Alves Costa) e na Guiné-Bissau."
Difícil escolha, ou talvez não...
“Já pensaste que essa tua mania quase obsessiva, e que tem sido intensificada à medida que vais ficando mais velha, para o contacto com a natureza, a preservação, a protecção de espécies e a vida saudável te afasta da vida social?” – perguntou-me ele com ar crítico.
“Não, nunca tinha pensado nisso, mas provavelmente tens razão” – respondi-lhe de forma natural – “E tu, já pensaste que no contacto com a natureza, o risco de magoares os teus sentimentos é bem menor do que o que está implícito às relações humanas?”
“Talvez fosse inteligente encontrares um meio termo e, em vez de te sentires tão próxima dos animais, das plantas e das paisagens, podias olhar à tua volta e veres que há pessoas interessantes com muito para dar”
“Até podes ter razão. Mas... estás a referir-te exactamente a quem?”
Ele levantou-se da mesa e, sem responder, afastou-se. Ela sorriu e pensou no quanto os homens por vezes se tornam básicos. A natureza, na sua simplicidade, é muito mais interessante porque harmoniosa.
quinta-feira, 5 de maio de 2005
cup&cino em Santos
Uma ex-aluna minha, muito querida e que trabalhou comigo após se ter tornado socióloga, abriu um Cup&Cino em Santos. Não é por ter sido minha aluna ou por ter trabalhado comigo, mas é a simpatia e a eficiência em pessoa, que sempre teve o fascínio por África e que se deliciava a ouvir-me nos relatos, nas miragens de fotografias e nos sonhos.
Fica no Largo Vitorino Damásio (em frente à Caixa Geral de Depósitos ao pé da UAL-Boavista)
E-mail: cupcino.santos@iol.pt
Telf: 213909471
Visitem-na que serão muito bem recebidos. Afinal é mais uma socióloga que se revelou uma mulher de coragem. O mundo é das mulheres está visto e das sociólogas em particular!!!! Parabéns, Joana!
Sabores do Mundo
quarta-feira, 4 de maio de 2005
2005-2014: uma década importante
Aprendizagem ao longo da vida
O "Nómada da Pós Modernidade"
Quando pensava nele não sabia como o definir. Ao fim de um bom par de anos, desde que se tinham cruzado pela primeira vez numa África imensa, que ela definiria mais tarde como “o Grande Espaço”, porque olhando para a paisagem a imagem que retinha era de uma área infinita, conseguiu por fim encontrar uma expressão para o definir. Aquele era o que em Sociologia se chamaria de “nómada pós moderno”. Não parava quieto mais do que dois anos no mesmo local, e dois anos representavam a eternidade. Fugia dos outros, da vida e de si próprio. Procurava dar a ideia de ter uma elevada auto-estima, e por essa razão dava-se ao luxo de tratar os outros de forma variável, mas quase sempre mal. Tornava-se arrogante com as graçolas, dizia mal da África onde estava oficialmente para reconstruir a vida que lhe pregara partidas incontáveis apanhando-o desprevenido, mas na verdade estava ali de passagem e sem grandes expectativas. Enganava-se enganando os outros. Era um daqueles que se serviam das Áfricas deste mundo em proveito próprio e não pela paixão que poderia nutrir pelas terras e pelas gentes. Este “nómada pós moderno” era o tipo de pessoa que quem ama verdadeiramente África não quer encontrar, mas que infelizmente é muito mais comum do que se pode pensar à partida.
As relações Europa-África: o caso de São Tomé e Príncipe
terça-feira, 3 de maio de 2005
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Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis
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