quarta-feira, 6 de abril de 2005

Loucura

Sempre que me cruzo com alguém a falar e a gesticular sozinho no meio da rua, umas vezes de forma tranquila e outras muito acesa, roçando a agressividade, penso que a linha que separa a razoabilidade da loucura é extermamente ténue. Isso confunde-me um pouco, quase me amedronta porque realizo que, sem nos darmos conta, podemos falar, conversar e até gritar com fantasmas imaginários que vivem no inconsciente e que se aproximam do nosso pequeno mundo através dos sonhos. Um dia, os habitantes das nossas profundezas saltam e passam a fazer parte da nossa quotidianeidade. Estes são os loucos mais puros e mais inofensivos que nem nos vêem quando connosco se cruzam, apesar de nos serem desconfortáveis e de nos retrairmos sempre que os vimos naquela gesticulação enlouquecida, traduzindo um mundo tão próprio.
Mas mais estranho e mais assustador é quando nos cruzamos e convivemos, em algum momento da nossa vida com os loucos encobertos, aqueles que escondem a loucura com a normalidade. Estes só se dão a revelar nos seus piores momentos, através de acções perfidamente estudadas, encontrando um alvo e não o abandonando antes de o destruir. É com estes que temos de ter cuidado!

terça-feira, 5 de abril de 2005

ECO

O termo eco vulgarizou-se. E sou eu que o digo, uma apaixonada pelas questões ambientais, apesar de não me sentir uma ambientalista, pura e dura. Mas defendo os projectos ambientalmente integrados, o ecoturismo, a ecopedagogia, a própria ecologia. Mas há pouco fiquei absolutamente fascinada com uma outra denominação que ainda nunca tinha encontrado - um "eco-friend".

Just me...


Posted by Hello

Reflexões

São estranhas e confusas as minhas sensações porque muito contraditórias. Sei o que quero e tenho medo de querer, sei o que procuro e tenho medo de encontrar. Os dias passam numa sucessão de minutos, uns atrás dos outros, permitindo que a sensação de incompletude me invada. Dias vividos de forma rotineira, monótona e quase maquinal. Acho que é isso que procuro quando vou para África, a fuga à rotina e ao quotidiano... a procura e o reencontro com a diferença!
Algures no combóio entre Cascais e Lisboa, Janeiro de 2002

(In)definição de sentimentos

Tenho, com alguma frequência, dificuldade em definir sentimentos, particularmente os meus. Também tenho dificuldade em compreender, interpretar e explicar os sentimentos dos outros em relação a mim, em especial de algumas pessoas que, pela incongruência das atitudes, me confundem. E, apesar de tudo, faço um esforço sobre-humano para relacionar estas dificuldades, tentando ultrapassá-las...
São Tomé, Janeiro 2003

Sentimentos

Há sentimentos bons e maus, que ora nos fazem sentir bem, nos estimulam e funcionam como uma injecção de adrenalina no auge de uma overdose, ora nos põem a ressacar, fazendo-nos sentir os seres mais miseráveis à face da terra. E há pessoas que nos transmitem estas diferentes formas de sentir.
São Tomé, Janeiro 2003

O Grande Amor

"A maioria não aguenta que alguns escutem a voz do grande amor e a sigam até ao fim dos seus dias"
"Leia «Longtemps», romance do amor inesquecível, de Erik Orsenna, se não tiverem ainda alcançado os óculos crespusculares que vos permitirão ler a história do vosso próprio coração. O amor entre um homem que abandona tudo pela mulher que o amará a vida inteira sem abandonar nada por ele"
"Há quem morra sem saber quem amou. Há quem seja capaz de ver, aos vinte e poucos anos, que j+a encontrou a pessoa da sua vida, mas que só conseguirá entender-se com ela depois dos cinquenta - por excesso de fogo cruzado"
Inês Pedrosa in "O grande Amor", Revista Única, nº 1686 de 18 de Fevereiro de 2005

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Falta de paciência

A verdade é só uma: perdi a paciência com aqueles dois, um e uma, com as histórias inventadas e recriadas, com o entrelaçar de enredos.

ALQVIMIA

Porque há pequenos prazeres que se tornam grandes.
De lamentar que a ALQVIMIA não exista em Lisboa.

domingo, 3 de abril de 2005

Chega!

"Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto amargo de fel
Depois vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar um bocado de mel"

Gonzaguinha, "Grito de Alerta"

Capítulos

A vida dela era feita de capítulos, uns longos e outros curtos, uns que se tornavam reais, e até demasiado, enquanto que outros não passavam de sonhos. A vida dela em África foi marcada por episódios, uns que se transformaram em capítulos e outros que não passaram disso mesmo, um episódio sem importância. Mas ela conseguia identificá-los um por um, falar sobre eles, descrevê-los, explicar os sentimentos associados, as pessoas envolvidas, a importância dos efeitos decorrentes. Nada lhe escapava porque, para o bem e para o mal, a memória era um dos dons com que nascera.
E está na altura de regressar ao tema Moçambique. Muito em breve a história continuará, ponto por ponto.

Perfídia

Tinha uma infinita capacidade de se surpreender com as características de algumas pessoas. Costumava chamar-lhes qualidades por serem intrínsecas e estruturais e não pelo sentido positivo que normalmente se lhes atribui. A perfídia era uma das que a enervavam mais e para a qual ela se revelava completamente intolerante. E sem querer nomear ninguém porque não gostava de personalizar os sentimentos, a não ser os excepcionalmente bons, reconhecia que algumas pessoas que conhecia, outras que julgava conhecer e outras ainda que pensara que um dia viria a conhecer, mas que o tempo e as atitudes à distância eliminavam qualquer vontade, eram pérfidas.

Africanidades

Passem pelo Africanidades e não percam o post "João paulo II e África". Fantástico.

Margens

No Margens os textos e as imagens fazem-nos sonhar e viajar. Não perder o post "De Ouro e Prata"

Há coisas

Há, há coisas e há pancas, muito maiores do que as minhas, que são inocentes, ingénuas, passageiras, previsíveis, lineares, inócuas, entre outros tantos adjectivos de qualificação. Mas há quem tenha pancas grandes, imensas, infinitas, intoleráveis, arquitectadas, permanentes, imprevisíveis, complexas. Para estas, como uma ex-colega minha diria, "Já não há..." paciência que aguente (eu termino a frase dela porque não me parece bem publicar a original no blog!!!! Mas imaginem o que viria no lugar das reticências).

Tinha dias assim

Tinha dias assim, em que gostava de se sentir uma diva, bonita e observada, comentada e apreciada, causadora de inveja feminina perante os olhares intensos dos homens. Não que fosse bonita de facto, mas havia qualquer coisa nela que cativava, chamando a atenção e prendendo-a. Não era naturalmente sedutora mas seduzia, sem fazer por isso. Nem ela sabia explicar como ou porquê e isso fazia-a sentir bem. Tinha dias. E tinha outros em que fazia por parecer feia, sentindo a irritação crescer no seu interior sempre que via alguém olhá-la, fixando-a, ficando preso a sabe-se lá o quê. Porquê? Porque tinha dias em que, olhando o espelho, não gostava do que via e queria que todos fizessem também essa avaliação. Mas havia qualquer coisa nela que cativava, estando bonita ou feia.

Porque gostava de João Paulo II

Gostava deste Papa porque ele reunia um conjunto de requisitos que considerava importantes. Ao olhar para a sua figura reconhecia um olhar terno, atento e compreensivo, a sua figura inspirava bons sentimentos, de bondade e de perdão. O seu Papado caracterizou-se pelo conservadorismo em questões que eu própria considero fundamentais e que requerem capacidade de acompanhamento das mudanças, tais como o uso de preservativo ou o reconhecimento e o respeito das opções e das diferenças sexuais e do foro mais íntimo, desde que não se prejudique ninguém, como é óbvio. Mas a sua actuação marcou pela diferença na abordagem de temáticas importantíssimas. Foi um Papa aberto às diferenças culturais e à aproximação de povos, reconhecendo as diferentes religiões e crenças, procurou conhecer todos os cantos do Mundo e a civilização no sentido mais abrangente, na procura incessante da Paz. Representou a personificação do sofrimento resignado, e sendo um Homem de comunicação morreu sem falar.
Apesar das dúvidas existenciais e de contornos religiosos que me assolam de quando em vez, este foi um Papa que admirei pela convicção e pela força, pela capacidade de lutar e por nunca desistir. Fiquei triste com a sua morte, porque ao fim de mais de 20 anos a vê-lo, sei que terei dificuldade em gostar tanto do próximo, mesmo sem saber quem ele é. Levarei tempo a afeiçoar-me de novo, porque precisarei de sorrir com as atitudes pouco protocolares e de aproximação aos fiéis, com a determinação que transmite confiança e com a fé inabalável. Que João Paulo II descanse em Paz e que o novo Papa, que não terá por certo um trabalho fácil, faça um bom trabalho.

sábado, 2 de abril de 2005

Hoje

Hoje, tal como todos os dias do ano, é dia de aniversário para alguém.
Hoje é, para mim, um dia especial porque um amigo faz anos. Tem nome de flor e cheiro natural, cativa como um jardim e talvez também por isso lhe tenha oferecido, em tempos, um dos meus livros preferidos, emblemático mas que para alguns pode parecer um "fait divers": O Principezinho do Saint Exupéry.
Ele mereceu-o porque era um amigo especial, diferente de todos os outros, por todas as razões e mais algumas. Mas a principal era ter-me cativado. E o que é cativar, perguntou-me ele numa das longas conversas que tinhamos, iluminados pela luz das velas enquanto bebericávamos um chá, acompanhados pela música de um dos 80 cds que eu levara comigo. A resposta para estas e outras dúvidas, pensei, estava naquele pequeno livro que nos fala de amizade, da importância dos pormenores e de tantas outras coisas. Ele já o tinha mas, segundo confessou, nunca lhe dera a devida atenção. Foi em África que o leu, depois de eu o ter oferecido. Nada mais adequado.
Aqui fica um beijinho de Parabéns:
" - O que é um ritual? - perguntou o Principezinho
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora diferentes das outras horas(...)"

Leve leve

Sabe bem viver um dia atrás do outro, devagar devagarinho, como diria um qualquer santomense com um grande sorriso na face e um olhar tranquilo: "leve leve só". Nem sei porquê mas é bom ouvir a chuva cair e vê-la escorregar pelos vidros, sentir o cheiro da terra molhada e olhar o mar, cheio e escuro num dia de temporal. É bom deixar o tempo passar calmamente e perceber a infinidade de coisas que se pode fazer em 60 segundos, quanto mais numa hora.

sexta-feira, 1 de abril de 2005

O Papa

Gosto deste Papa, apesar de nem sempre ter estado de acordo com as ideias por ele defendidas e professadas. Mas gosto dele e lamento muitíssimo o sofrimento que tem tido ao longo da sua vida. Este Homem vai ficar para a História porque, acima de qualquer outra coisa, tem sido um exemplo de fé, de resignação perante a dor e o sofrimento, de confiança e de determinação, de luta e de força de vontade. A Ele presto a minha homenagem enquanto está vivo. E aqui fica expressa a minha admiração pela forma como viveu.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...