sexta-feira, 25 de março de 2005

Hussel

O chocolate Hussel é fantástico porque aromático, com uma coloração apelativa e artisticamente bem feito, doce no paladar e encorpado. Para satisfazer os pequenos prazeres do meu dia-a-dia não é muito adequado porque tem preços incomportáveis, mas nas épocas festivas gosto de passar por lá, entrar e comprar alguns exemplares para oferecer às pessoas de quem mais gosto. Hoje andei, de Hussel em Hussel, à procura de ovos que, mesmo caros, estavam esgotadíssimos. Não havia um único, nem para comprar nem para ver. Rendi-me aos coelhos de chocolate, também magníficos e que cumprem bem a sua função. Mas quando se entra no site da Hussel percebe-se logo porque é que fabricam chocolates desde 1949.

Sanhá no Africanidades

O post sobre Sanhá no Africanidades está fantástico. Vale a pena ler e relembrar a Guiné Bissau, apesar da história se poder passar numa qualquer África.

quinta-feira, 24 de março de 2005

Vegetariano

Não sou particularmente adepta dos restaurantes vegetarianos porque gosto muito de um bom prato de carne e de peixe, apesar do meu "anisakis" me deixar cada vez menos opções. As alergias alimentares são terríveis, sobretudo quando adquiridas em idade adulta porque como conhecemos os paladares sabemos bem do que gostamos, o que faz das restrições um verdadeiro suplício. Quando o risco do bem estar e sobretudo da sobrevivência aumenta, e o preço a pagar pelo consumo se torna excessivamente elevado, fazemos as nossas opções. É o meu caso com o delicioso peixe, principalmente quando mal passado, saboroso e suculento.
Mas isto tudo à conta de um restaurante vegetariano onde fui com uma amiga há uns dias. Eu, que não sou adepta e devo confessar que fujo sempre que posso, fiquei rendida ao espaço e à comida. É um buffet muito agradável para um dia em que a disposição apontar para as saladas, frutas e legumes. Claro que também têm os tradicionais vegetarianos, mas em relação a esses não me manifesto.
Chama-se TERRA, Restaurante Natural e fica muito perto do Príncipe Real, na Rua da Palmeira, 15. Para reservas, 707108108. O ambiente é muito acolhedor e intimista, janta-se à luz das velas, podendo ainda usufruir do jardim e das tochas.

Lua Cheia

A lua está cheia de novo, redonda, luminosa, brilhante, inspiradora. Faz-me sentir bem quando, da janela do escritório, olho para ela. Faz lembrar uma noite de feliz inspiração, de reencontro de emoções e de unificação de formas de sentir. Uma noite, algures em Maio, quando julgava ter perdido tudo, ganhei a vida, ali, na Boca do Inferno, bem perto de Água Izé, onde o mar bate forte nas rochas, fazendo-nos crer que a vontade permite alcançar a felicidade. Uma noite de lua cheia como a de hoje, mas em que o calor terno dos trópicos nos deu tudo, para sempre.

Arrumações

Hoje é dia de arrumações. Uma tarefa cansativa, mas necessária, de selecção de documentos, reorganização de dossiers, definição de prioridades e sistematização temática. A arrumação tem uma parte absolutamente fantástica, quando após a selecção começamos a rasgar papeis que já não nos fazem falta e encontramos sempre qualquer coisa que julgávamos ter perdido: uma fotografia, um texto ou um pensamento, uma frase que alguém nos escreveu ou até uma carta. E depois, olhamos para as prateleiras e os livros e as pastas estão direitos, arranjados, prontos a desarrumar outra vez, catalogados com o tema, o país e a data. Nas minhas prateleiras predominam os dossiers de São Tomé e da Guiné, os temas ambientais, do turismo e do desenvolvimento participativo. Depois há os outros, das aulas e dos projectos: Desenvolvimento, Migrações, Crianças em Risco, Estados Insulares, Animação Sociocultural, Lazer.
Mas se é bom arrumarmos e darmos uma ordem aos papeis e à vida, também há a parte menos simpática: o meu nariz é muito complicado, bem mais do que eu. Detesta pó e não suporta os produtos de limpeza, mesmo que sejam anti-alergénicos, por isso, desde o momento em que decido pôr mãos à obra, espirra incessantemente.

Ainda sobre os afectos

Afinal só é mesmo fácil conversar sobre afectos em África, e quem sabe em qualquer local do Mundo, com quem os partilha connosco. É que, quando os olhares se cruzam, a compreensão fica de imediato estabelecida e o entendimento ultrapassa as palavras, criando-se um clima de doce harmonia. A conversa torna-se fluída e o tema aligeira com a ternura de um olhar, eternizando momentos e fazendo eternas as lembranças.

quarta-feira, 23 de março de 2005

Conversas sobre afectos em África

As conversas que passam pelos afectos em África são muito mais do que interessantes mas terminam invariavelmente em discussão. Esta constatação é tanto mais verdade quando partilho opiniões, pensamentos e recordações com quem nunca passou pela experiência, de viver a afectividade no continente onde os afectos são naturalmente sentidos. Os desencontros das palavras e os desentendimentos adquirem tamanha projecção que sinto que cometi um erro em falar. Se não tivesse exteriorizado o que sinto e a forma como penso, a conversa não iria tão longe: em mim ficava a magia, que não desaparece apenas pela forma como os outros falam e que se perpetua porque assim o desejo; nos que não entendem a beleza das emoções, ficariam as concepções fechadas e cinzentas. Não que eu seja muito colorida nos afectos e nos sentires, mas não condeno a vida alheia e muito menos as opções conscientemente tomadas por cada um.
Mas quando falo com quem já viveu os afectos intensamente, com a dureza do calor e da humidade que apelam aos sentidos e às emoções, fazendo emergir o desejo de prazer, a discussão surge também porque os meus comportamentos são vistos como excessivamente contidos e castradores das vontades alheias. Não por falta de aceitação no que respeita aos comportamentos de quem quer que seja, mas sim por não estar disponível para todos os afectos. As demonstrações de carinho, de ternura ou as mais acesas de paixão e de desejo são sentidas e naturais e por isso não podem ser tidas com qualquer pessoa. Apenas com quem desperta e mantem aceso o fogo dos sentidos.

Bairro Alto

Há uns bons anos atrás, um dos meus restaurantes preferidos no Bairro Alto era o Cantinho do Bem Estar. O dono tinha dias de boa disposição para variar um pouco o sentimento de desconforto com a vida, que a cara evidenciava todos os dias. A comida não era do outro mundo mas tinha uma boa relação qualidade preço, procurando o espaço recriar a imagem bairrista, pequeno e acolhedor, compensando em grande medida o mau feitio do proprietário Tiago. Um dia discutimos porque, pensava eu, ele tinha obrigação de servir bem todos os cliente e eu, que lá ia muitas vezes na semana com amigos e familiares, escolhi o que ele me aconselhou e mal. Ele não admitiu e não se desculpou, antes pelo contrário, gritou que se fartou com um ar de dama ofendida e eu não voltei lá durante uns 4 ou 5 anos. Fui lá ontem e voltei a jurar para nunca mais, pelo menos até me lembrar. Ele continua ofendido, com a cara de sempre ou talvez um pouco pior, zangadíssimo comigo e mantendo a mesma má vontade em relação ao mundo em geral, que deve cultivar nas horas vagas. Pior, serviu-me de novo mal - o que valeu foi o arroz de tomate que continua magnífico, mas é imperdoável o peixe que serve.
Na véspera fui ao Caracol (Rua da Barroca, 14, telf. 213427094) que continua mais do que recomendável, ano após ano. Os donos cultivam a arte da simpatia e do saber servir, sugerindo o que de bom têm, o ambiente continua animado qb e muito acolhedor, a comida é excelente. Vale a pena ir uma e outra vez e voltar sempre.

Maturidade

Relendo "O Rei, o sábio e o bobo", livro magnífico sobre o sentido da vida e a importância das diferentes religiões e credos para cada povo, dou comigo a reflectir sobre a maturidade, ou melhor no quanto faz falta a algumas pessoas que, pelas atitudes e comportamentos, revelam ora desorientação, ora incongruência, ora má formação.
"Na sua vida, juventude debatera-se com inúmeras dificuldades. Apesar disso, ou talvez graças a isso, conseguira formar uma personalidade forte e maleável que lhe permitia enfrentar todas as situações da vida, mesmo as mais complexas"
Shafique Keshavjee in "O Rei, o sábio e o bobo", pg. 15

Sabedoria

"A sabedoria, repetia a si próprio, é deixar crescer o que nasce, saborear o que está maduro e abandonar o que está morto"
Shafique Keshavjee in "O Rei, o sábio e o bobo", pg. 15

O Rei, o Sábio e o Bobo

"Entre todas as qualidades do rei, a mais importante era a capacidade de reconhecer as suas limitações. Face a qualquer circunstância delicada, não hesitava em consultar aquele a quem todos chamavam sábio, uma personagem ponderada cujos conselhos valiam ouro. Como o rei era suficientemente prudente para reconhecer os seus limites, também gostava de consultar aquele a quem nomeava com afecto o bobo."
Shafique Keshavjee in O Rei, o Sábio e o Bobo, pg. 13

O que mudou na tua vida?

- E afinal, o que mudou na tua vida com o doutoramento? - perguntou-me alguém que conheci em tempos, de quem me afastei, mas com quem de vez em quando converso
- Pois, para já não mudou nada mas espero que mude em breve - respondi-lhe sorridente. E pensei, sem o dizer: sinto que uma imensa felicidade chegou até mim e espero que não se vá embora tão cedo porque me faz falta...

Burocracias

As burocracias desta vida tendem a ser hilariantes. É preciso é boa disposição...
Na sequência de um incêndio, por mais pequeno que tenha sido, é necessária alguma capacidade de organização para que o caos não se perpetue. A primeira acção é activar os seguros e solicitar com muito "savoir faire" que os peritos venham reconhecer os estragos do incidente. Ele vem, inspecciona tudo com um olhar atento e tira fotografias com uma máquina digital XPTO enorme e seguramente potente. Preenche um papel com os requisitos que temos de tratar a seguir para que ele possa dar o seu parecer - documento dos bombeiros, da polícia, caderneta predial e orçamentos pormenorizados de todas as intervenções.
E a loucura da burocracia começa. Os mais eficazes, pela rapidez, são os bombeiros que, apesar de avisarem que a demora seria de 3 dias, despacham as fotocópias na mesma tarde em que o pedido é entregue por escrito. O mais hilariante é mesmo o procedimento da polícia. Não queria ter ideias preconcebidas mas não é fácil alterar a imagem que tenho das forças policiais, no que respeita à dificuldade, inerente ao estatuto, de simplificar a vida aligeirando burocracias. No momento em que o incêndio ocorreu, e face à necessidade de eu ser assistida com oxigénio pela intoxicação, foram simpáticos, disponíveis, solicitos e muitíssimo atenciosos mas o processo sequente é irrelatável! Quem registou a ocorrência foram polícias da esquadra da Parede mas, apesar do processo estar nesta esquadra e do agente que atende nos serviços administrativos o ter à sua frente, mostrando-o ao utente, quem passa a declaração é o comando de Cascais que, também com as fotocópias na mão e mesmo à nossa frente, demoram 5 dias a entregá-las, cobrando 5,45€ pelo serviço prestado...
Mas a saga continua com orçamentos de alcativas e carpetes, pintura, restauro de madeiras e tecidos para cortinados, sofás e almofadas, estores eléctricos e torneiras. Ah, esquecia-me do ar condicionado, o culpado do sucedido. É uma alucinação porque conseguir reunir toda esta gente, mesmo que não em simultâneo, não é tarefa fácil sobretudo quando ainda não podem arranjar nada. Só nos visitam para passar um papel referente aos supostos custos que apresentaremos nas Companhias de Seguros e que está sujeito a aprovação. Até lá convivemos com: o cheiro a plástico queimado que tende a não nos abandonar; as paredes e tecto de madeira queimados; os cortinados rotos e os sofás com aspecto pouco convidativo; o pó que nasce, sabe-se lá de onde. Até quando...?! Sim, depois de vir tudo aprovado, é preciso que todos tenham disponibilidade para o trabalho...

Ainda me surpreendo

De vez em quando, e sobretudo quando estou mais cansada, ainda sou capaz de me surpreender com as atitudes e reacções de algumas pessoas. Só posso estar mais velha porque a minha paciência e tolerância para com as alterações repentinas de humores, de vontades e de agires está particularmente mais reduzida e apresenta mesmo fortes limitações. Não que eu queira entender tudo – já quis, é verdade, mas hoje sei que não o conseguiria, por isso espero apenas compreender o possível e aceitar com alguma tranquilidade o que me escapa aos sentidos. Mas continuo a ficar tremendamente estarrecida perante pessoas que, num momento de tristeza, ameaçam afogar-se ou ter uma outra atitude radical e, no quarto de hora seguinte, rejuvenescem e revitalizam com aquilo que não denominam indícios ou sinais mas sim certezas. É espantoso... mas muito pouco dignificante. E as minhas dúvidas, mais do que existenciais, têm apenas uma razão: onde fica o orgulho de algumas pessoas? Será que o têm? Ou acomodam-se a qualquer tipo de situação com medo, não de não serem amadas mas sim, de ficarem sozinhas? Não será mais a vergonha social de reconhecer ter sido trocada, abandonada e rejeitada? Pois é, neste caso estou confusa...
Ontem jantei com uma amiga, a tal que chorou, gritou e desesperou afirmando que a vida perdera o sentido, após o namorado, noivo, amante ou o que mais seja, lhe ter escrito um mail resolvendo a situação à distância de uns bons milhares de quilómetros. Pois é, ele voltou de uma África minha conhecida e pela qual nutro infinito afecto, traduzido em marcas de crescimento pessoal, evidenciadas por muitos bons momentos ali vividos e outros de uma dureza irrelatável. Ele voltou e conversaram, contou-lhe aquilo que ela nega ter conhecimento por nunca ter recebido tal mensagem, rejeitando a ideia, mesmo depois dele ter explicado o sucedido. Pior, ele reforçou o ponto final numa bela história de amor, que será eterno mas inviável, impossível por ela não o merecer. Afinal, ele é igual a todos os outros, ela não o merece e ele não quer continuar. Ela terá chorado lágrimas infinitas, mas que ontem estavam secas, o que foi motivo de satisfação para mim, que fui rindo, dizendo-lhe que já percebera – afinal ela estava a ver se me punha maluca...
Bem, até aqui nada de novo. Há milhentas histórias com estes contornos. O que me confundiu é a capacidade dela em se recusar a aceitar que nem sempre as histórias de amor têm um final cor de rosa de “foram felizes para sempre”, que os príncipes não fazem parte desta época e que não andam sequer de cavalo branco e de espada porque também não há dragões. No fundo, é a dependência por medo de ficar sozinha, porque o que ela sente por ele não é amor mas sim uma doença de tudo aceitar, esquecendo o orgulho, a determinação, a vontade própria que ele deveria valorizar antes de mais.
E olhando para eles com uma distância crescente dou comigo a pensar que tenho sorte de não ser assim, porque é muito importante sabermos estar sozinhos, desfrutarmos da nossa própria companhia, sabermos ocupar o tempo com actividades que nos dêem prazer e na companhia de pessoas que nos façam sentir bem, que gostem de nós e que sejam realmente importantes. É bom gostar, mas é fundamental que os sentimentos sejam recíprocos e retribuídos. E só assim saberemos amar e seremos amados. Porque o amor requer respeito, atenção, cuidado, admiração, ternura e tantas, tantas, tantas outras coisas. Se isto não existir, não vale a pena lutar por um sentimento que alguém não tem por nós. E ela deveria perceber isso, e aceitar...

quarta-feira, 16 de março de 2005

Recompensa merecida

- Então, conta-me, que tal é a sensação de te sentires Doutora?
Eu ri com vontade ao ler aquele mail tão rápido e directo. A verdade é que não me sinto Doutora, tal como não me senti Mestre, quando isso aconteceu. Sinto-me leve, reconhecida pelo meu trabalho, recompensada pelo esforço, e muito muito muito feliz pelas avaliações e comentários. E foi muito bom de ouvir um dos membros do júri qualificar o meu trabalho de cinco anos como "brilhante" e com "mérito"!!! Nem tenho palavras para tamanha felicidade!

Podia ter sido...

As dificuldades fazem-nos crescer. Não é a melhor forma de crescermos e de nos melhorarmos, mas é certamente uma das melhores formas de nos tornarmos mais fortes e resistentes.
Andava eu a preparar-me para um dos grandes marcos da minha vida, um daqueles momentos inesquecíveis que podem contribuir para que grandes e boas mudanças venham a ocorrer quando, três dias antes da grande data, o ar condicionado da minha sala se incendeia enquanto eu falava para as paredes do escritório, que me escutavam cheias de atenção e interesse, sobre experiências agro-turísticas integradas, roças, participação e envolvimento comunitário, preservação abiental, protecção de espécies e estratégias de desenvolvimento. Limitei-me a realizar que tinha de actuar rapidamente com um encadeado de acções: correr pelo corredor, olhar para a zona onde o ar condicionado estava - já não está - desligar o quadro da electricidade, ir buscar um cobertor e gritar que me trouxessem água. E ali estive eu numa função de bombeira para a qual nunca julguei ter capacidades. A verdade é que, quando os bombeiros chegaram, não se via um dedo à frente dos olhos, mas o fogo já estava extinto.
Eu não estava assim lá muito bem disposta e quando me obrigaram a beber água, senti que ia morrer ali mesmo. Mas não, o bombeiro avaliou os meus pulmões pressionando a zona da mão entre o polegar e o indicador e o diagnóstico foi: estão dilatados, tem de levar oxigénio. Outro bombeiro veio e obrigou-me a descer as escadas, meio contrafeita, a entrar na ambulância e a respirar enquanto aquela maquineta fazia o resto. E eu só pensava que tudo não poderia estar a acontecer desta forma, quando eu tinha o computador ligado, com todo o meu trabalho, a minha tese, a minha vida... pior, quando a defesa pública seria dali a escassos dias.
Foi mau, mas hoje tenho de reconhecer que poderia ter sido muito pior. E serviu para uma coisa, certificar-me que estes contratempos, negativos e que nos parecem ser o fim do mundo, fortalecem-nos, permitindo-nos crescer interiormente.

Voltei!

Olá a Todos. Um grande OLÁ! Voltei, é verdade. O meu interregno foi justificado e mais do que proveitoso. Passo a explicar. As minhas incursões por África têm tido, na maioria das vezes, uma razão científica e profissional. E as últimas, por STP, relacionaram-se com o trabalho de campo no âmbito do meu doutoramento, em Estudos Africanos do ISCTE.
Os prazos foram integralmente cumpridos, o trabalho desenvolvido dentro da normalidade destas coisas, com alguns precalços, muitas dúvidas existenciais, muitas mais angústias e desesperos. E a tese entregue antes do final do prazo oficial. Depois veio um longo período de espera, longuíssimo, que me pareceu infinito. 9 meses entra a entrega e a defesa que teve lugar ontem, no ISCTE, mais precisamente no auditório Afonso de Barros, entre as 10 e as 13 horas.
Correu muitíssimo bem e a minha felicidade é imensa. Não poderia ter corrido melhor! Nota máxima por unanimidade. Todos a avaliaram com "Louvor e Distinção".
Uma nova fase que começa e como um dos arguentes dizia logo de início - mais do que pensarmos que chegámos ao topo, ao fim de um percurso, devemos pensar que o percurso começa aqui e agora.

sexta-feira, 4 de março de 2005

Já lá estou

Já lá estou, sinto-me como se estivesse em STP, não fosse o frio que por cá faz e a ausência de algumas pessoas, que teimam em me lembrar que estou cá de corpo e lá de espírito. Sinto-me a fazer caminhadas, a andar no meio da floresta, a ouvir os pássaros cantar e a água correr por entre as pedras, abrindo caminho onde nunca se pensou possível. Sinto a humidade colar-se à roupa reduzindo os espaços entre a pele e a camisola, sinto os pés escorregarem na lama e o bater do corpo no chão. Rio de novo das quedas e da minha figura enlameada. Sinto-me a chegar à Roça de S. João e a Bombaim, pela primeira vez, e a sensação contraditória que tive - pobre e belo, básico e deslumbrante. Apeteceu-me ficar ali um minuto e uma eternidade, estar acompanhada e sózinha. Foi tão agradável essa oposição de sentires que se perpetuaram em mim e hoje sinto-me lá de novo, no quarto do fundo a acordar às 5 horas com o grito dos morcegos que estavam em período de acasalamento, levantar-me e ver o nascer do sol mais lindo que algum dia pensei ser possível, ali à frente dos meus olhos.

quarta-feira, 2 de março de 2005

Estou a regressar

E nesta altura não penso em mais nada senão em África, apenas em São Tomé e não no Príncipe. Estou concentrada, dedicada quase em exclusividade, em sintonia total com o ambiente: a floresta, o Obô, as caminhadas e as roças, os percursos e as espécies; as praias na sua diversidade, o snorkeling e a observação de espécies, em particular a tartaruga; a aventura possível. Os momentos por lá passados, as emoções vividas, as experiências partilhadas. As pessoas e os sorrisos, as suas expectativas de atingir uma felicidade suprema com tão pouco, a palavra sábia sem cultura letrada, o olhar meigo e conhecedor dos perigos naturais, humanos e dos afectos. Estou a regressar ao paraíso uma vez mais, mas desta vez em pensamento, pelas memórias e pelas lembranças, pela imensa aprendizagem de que beneficiei, pela possibilidade que me foi permitida de crescer através de uma experiência de vida única, memorável, inesquecível.

Entre eles

Entre eles tudo ficava subentendido: o que havia para explicar e esclarecer era subtilmente referido sem aprofundamento; o que era sentido, levemente demonstrado sem continuidade nas acções e nas palavras. Entendiam-se qb, não permitindo comprometimentos. Tudo era e não era ao mesmo tempo, numa rede de contradições, porque para bom entendedor meia palavra basta.
Setembro 2003, STP

terça-feira, 1 de março de 2005

Coisas do coração

"Estranho, como são as coisas do coração! Era possível passar anos e anos habituada à perda, reconciliada com ela e, depois, num momento de fraqueza, a dor reaparecia, aguda e crua, como a de uma ferida aberta"
Donna Woolfolk Cross in "A Papisa Joana", Ed. Presença, pg. 308
VERDADE... VERDADE... VERDADE!!!! É a mais pura das verdades...

Preço

"Parecia ser seu destino deixar sempre para trás aqueles que amava. Era o preço a pagar pela vida estranha que tinha escolhido, mas ela sabia o que fazia, pelo que não valia a pena lamentar-se"
Donna Woolfolk Cross in "A Papisa Joana", Ed. Presença, pg. 265
Como me reconheço nestas palavras... nem eu sei bem como...

domingo, 27 de fevereiro de 2005

Abrandamento

Não parando por completo, o ritmo da escrita vai abrandar por duas semanas, mais coisa menos coisa. Motivo: África...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Ver, rever e sonhar

Novas fotos de São Tomé, em particular do Príncipe, em Caminhadas e Descoberta
A ver e rever, nunca cansa porque nunca é demais sonhar com o que não se conhece, viver e reviver momentos a partir de imagens, de fotografias e de palavras.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

YESSSSS

YESS! YESS! YESS!
Hoje foi um dia muiiiiiiito importante!!!

Estou farta, cansada, saturada!

Estou farta, cansada, saturada de gente que vem e vai ao sabor do seu próprio egoísmo. Que chega de rompante, invadindo o tempo e o espaço como se tivesse esse direito, e que parte com a maior das facilidades porque... vá-se lá saber porquê, quando muitas vezes o próprio desconhece as razões. Porque já chorou, estrabuchou e gritou contra alguma coisa ou alguém, aliviou o desespero e quando se sente melhor, bem e feliz, decide partir porque a função de ombro foi cumprida.
Estou farta, cansada, saturada de gente que usa, põe e dispõe, sem cuidado de recolocar no mesmo local onde encontrou a atenção, o carinho e o afecto, a compreensão e a palavra amiga, que não se preocupa com mais nada a não ser consigo próprio.
Estou farta, cansada, saturada de gente que está sempre acima de qualquer outra coisa, que se sente acima dos outros, que se reconhece o direito de recolher cuidados e preocupações, sem olhar para trás e para o lado só para se certificar que não estragou o caminho por onde passou, e que não se reconhece o dever de perguntar aos outros - como estás?

Sherlock Holmes da vida alheia

Algumas histórias faziam-me lembrar historietas e historinhas mal contadas e mal elaboradas. Havia sempre uma pontinha que não encaixava, um pormenor solto que não fazia ali falta, uma relação de factos que não fazia sentido. Sentia-me um Sherlock Holmes de trazer por casa, a tentar encontrar as ligações e a coerência possível. Mas infelizmente o sentido perdia-se facilmente e ficava apenas com vontade de perguntar, sabe-se lá a quem:
- Não te esforces tanto com os pormenores, simplesmente porque não fazem sentido. Estás a tentar dizer-me alguma coisa de forma indirecta? Ou a querer confirmar algo que estejas na dúvida? OK, se é isso então, vai directa ao assunto. Torna-se mais simples, menos desgastante e mais honesto do que estar a inventar enredos que rapidamente e com a maior das facilidades são desmontados... não achas? É que o trabalho que me dá ser o Sherlock Holmes da vida alheia, a milhares de km de distância, é uma função chata e pouco compensadora, sobretudo porque não me sinto habilitada para tal... E se o querem fazer comigo, é mais fácil perguntarem directamente. Não há muito para saber, e ninguém, a bem dizer da verdade, tem que ver com isso, mas enfim, quem não tem mais com o que se ocupar, preocupa-se com a vida alheia...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Grandes pancas

- Há pessoas com grandes pancas e que são capazes de fazer coisas que tu nem consegues imaginar - afirmou ele com ar certo.
- Pois não sei. O que não entendo é a razão que move as pessoas a inventarem situações, a marcarem encontros simplesmente para chatear a cabeça a alguém, apresentando propostas supostamente consistentes, criando expectativas e alimentando futuros que nunca chegaram a ser, a...
- Ouve o que te digo, há pessoas que têm cada panca... e cabe-te a ti saberes identificá-las para não caires uma e outra vez - reforçou ele com ar entendido.
- Pois... grandes pancas... uns tentam curar as suas, criando nóias na cabeça dos outros. Isso é que é. Má formação, mesquinhez, pequenez, falta de vida própria. Estou farta de gente assim - respondi-lhe irritada.

Na minha vida

Na minha vida e nas minhas passagens por África agradeço:
1. Aos meus verdadeiros amigos (onde se destaca a minha família), que estão presentes sempre que deles preciso, com os quais tenho prazer em estar e que sei que, independentemente do que fizer ou do que acontecer, estão ali prontos para me ouvir, secar as lágrimas que os meus olhos deixem escapar e rir em conjunto de tudo e de nada;
2. Aos meus amigos contextuais, que é sempre bom rever, com quem passei momentos de alegria, de dúvida e de tristeza, na procura de uma relação mais forte e que tem vindo a crescer e a sedimentar-se;
3. Aos meus conhecidos prazeirosos, com os quais é bom trocar duas ou três palavras e um sorriso, partilhar o tempo de um café, um jantar de quando em vez, mas que o tempo e as contingências da vida não permitiram que a amizade fosse construída;
4. Aos meus conhecidos, com os quais não tenho empatia nem antipatia;
Mas principalmente:
5. Aos meus "não amigos", por me terem permitido crescer, melhorando-me a mim mesma na tentativa de ser diferente deles, recusando a mesquinhez e a pobreza de espírito que os caracteriza;
6. Aos equívocos que, com o tempo, me ensinaram a distinguir o verdadeiro do falso, o amigo verdadeiro e leal do dissimulado e enganador, a prioridade do supérfluo. Estes foram os que na realidade me enganaram porque, em algum momento, confiei na bondade aparente, na simpatia forjada, na simplicidade demonstrada, na confiança facilmente oferecida. Estes foram os que, da pior forma, me ensinaram mais, aqueles que jamais me voltarão a enganar e, de todos, os que ignoro e sobre os quais não quero nunca mais ouvir falar. Apesar de tudo, são os que insistem em se manter nas proximidades da minha vida, tentando prejudicar. Dá vontade de lhes dizer - desistam porque já não conseguem - mas nem vale a pena, um dia hão-de cansar-se!!!!

Soluções

- E quando África está no horizonte dos teus sonhos e fica a um passo de o alcançares?
- Fico triste porque sonhei com o que não realizei
- E o que fazes a seguir?
- Penso nas razões porque não consegui realizar o sonho, choro um pouco, tenho de confessar. Mas como não posso chorar eternamente, delimito uma estratégia para recuperar o tempo perdido. Se vejo que não vale o esforço, penso que Deus quando fecha uma porta, abre sempre uma janela. Sorrio e, de repente, percebo que a vida sorri também para mim, com ou sem África.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Perdão

E a capacidade de uma mulher em perdoar, fazendo desaparecer os piores momentos que algum dia pensou viver, é infinita. Muitas vezes basta um sorriso, um olhar, um toque, uma palavra doce ou ver as lágrimas correr pela face de quem lhe fez mal. Primeiro lamenta-se, chora, grita. Parece que lhe estão a tirar a vida célula a célula. Quem se preocupa com ela corre, muda a vida e desfaz os planos só para a acompanhar, para lhe dar força e ajudar a passar aqueles segundos dificeis. Mas de repente o discurso muda, altera-se e quem a ouve subentende nas palavras o perdão que há-de vir muito mais depressa do que se poderia imaginar quando se ouviu as primeiras frases envoltas por lágrimas sofridas. E, quase a seguir, vem um sinal de boa disposição e de reconcilização - a ausência de notícias, de mensagens tristes ou contentes, tanto faz. E nós ficamos simplesmente sem perceber o que pode causar tamanha mudança em tão curto espaço de tempo. Mas ainda bem, sei lá eu, que se entendam!

Tem de haver...

"There's always a way to save the day", é verdade. Tem de haver uma forma. Não sei qual mas tem de haver.

E agora...?! Perguntam alguns

Agora, vamos pôr mãos à obra e trabalhar com esperança numa mudança que se faça de coerência e competências, de esperança e de vontades, de apoios e de equilíbrios, de parcerias e de objectivos definidos e reconhecidos como comuns, de capacidades comprovadas, sem arrogância e com a humildade própria dos sábios, sem atender a boatos e difamações gratuitas, mas antes fundamentada nas certezas que permitem andar em frente, com brio e confiança!

domingo, 20 de fevereiro de 2005

Já fui

Portei-me bem e lá fui, pela manhã, cumprir o meu dever e exercer um dos direitos que, enquanto cidadã portuguesa, me assistem. Fui contente e consciente do que ia fazer e estou tranquila.
E vocês, já lá foram? Já passa das quatro e meia e só podem passar por lá até às sete da tarde!!!

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Visão Rodoviária

Que as relações podem ser vistas como estradas todos sabemos. Mas o que é curioso é a cada tipo de estrada, um tipo de relação:
1. a relação autoestrada - segue direita, sem precalços e a alta velocidade, requerendo uma taxa, relativamente à qual se reclama sempre de ser excessiva
2. a relação estrada nacional - congestionada mas mais barata que a autoestrada, chegando invariavelmente ao mesmo destino, se bem que requer mais tempo
3. a relação estrada de montanha - cheia de curvas e acidentes de terreno, com muitos riscos mas envolvendo grande emoção
4. a relação rua de cidade - sem interesse, monótona e com muito trânsito, um pára-arranca permanente
5. a relação rua sem saída - sem comentários...

O problema

O problema não radica na impossibilidade, mas na incapacidade associada à falta de vontade de aceitar que não pode ser.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Hakuna Matata

E, sem saber cantar, esta noite ao jantar vou dar o meu melhor por incutir na minha amiga o espírito Hakuna Matata brilhantemente expresso em "O Rei Leão"!!!

Hakuna Matata! What a wonderful phrase
Hakuna Matata! Ain't no passing craze
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
Hakuna Matata?
Those two words will solve all your problems
I'm a sensitive soul though I seem thick-skinned
And it hurt that my friends never stood downwind
And oh, the shame He was ashamed
Thought of changin' my name What's in a name?
And I got downhearted How did ya feel?
Hakuna Matata! What a wonderful phrase
Hakuna Matata! Ain't no passing craze
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna matata!
Hakuna Matata! Hakuna--
It means no worries for the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!
(Repeats)
I say "Hakuna"
I say "Matata"

Amor ou doença?

Teoricamente, quando vimos uma amiga a sentir o desespero do abandono e da rejeição, devemos chamá-la à razão e dizer-lhe:
- "Esquece! Para ter tido esta atitude, ele não te merece. Segue a tua vida para a frente. Já viste como és gira, esperta, inteligente, conversadora, uma mulher interessante e que desperta as atenções masculinas. Porque ficas nesse sufoco? Gostas dele mas tens de ver que ele só te está a prejudicar com este chove não molha, quero-te, amo-te e desejo-te mas depois... passa-se e trata-te mal. Só não te bate porque a violência que ele utiliza nas palavras e a forma como te destrata é inqualificável. Tens de aprender a gostar de ti primeiro e só depois terás uma relação equilibrada, com alguém que te faça feliz, que te queira bem, que se preocupe contigo, que te ame de verdade."
Mas antes de conseguirmos dizer o que quer que seja, ao vê-la num desespero tal que nem mais vontade de viver demonstra, ficamos sem palavras. Impotentes, simplesmente porque nem mais acreditávamos que ainda houvesse amores assim. Aquela mulher, bonita de cara, corpo e alma, está num sofrimento indescritível porque tinha um sentimento, por aquele moço com alma de pássaro, grande, imenso, infinito. Não se vê sem ele porque criou uma dependência excessiva, acreditou piamente nas palavras, não pôs em causa 1 milésimo de segundo que fosse.
E agora eu dou comigo a pensar - mas afinal tinham razão quando me diziam que o amor se podia transformar numa doença, e eu não acreditava...

Dúvidas sobre a dignidade afectiva

1. Será que a resolução dos desgostos amorosos e dos equívocos emocionais requer sempre um afastamento, uma rutpura, um "adeus para sempre que nunca mais te quero ver" ou um "sai, sai da minha vida"?
2. Ajudará o distanciamento a sarar as feridas, deixando-nos menos magoados?
3. Quando fomos infinitamente magoados, serão os retornos possíveis?
4. Ao ouvirmos um "não me escrevas nunca mais" ou um "esquece-me" sentimos a nossa dignidade profundamente ameaçada. Será algum dia possível eliminar estas frases da nossa memória?
5. Haverá um limite padronizado para dizermos conscientemente a nós mesmos "Chega! Este gajo não me faz mais mal porque eu não deixo!"?
6. Porque será que, quando uma mulher é rejeitada, tenta arranjar biliões de justificações para consiguir ler na rejeição precisamente o contrário?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Amigos

Tenho vontade de abraçar a minha amiga que está a passar por maus momentos, confortá-la e dizer-lhe, como se diz a uma criança, que tudo vai passar rapidinho e que ela se vai recompor rapidamente. Mas estaria a mentir-lhe e ela não o merece. E creio até que não conseguisse aguentar mais uma série de "não verdades".
E tenho vontade de ir ter com o meu amigo, que está a uma distância incomportável para que me predispusesse a tal viagem, para falar com ele, ou melhor ouvir as razões dele. Mas creio que nesta altura, ele também não as tem e estará a viver momentos de dúvida, de incerteza, de confusão mental e afectiva.
É terrível, nestas alturas, sentirmos afeição pelos dois porque se torna muito mais difícil confortar um, esquecendo o outro. Mas eu só lhe queria dizer, a ele, tudo o que, de acordo com o que conheço dele, ele sabe e sente. Ela não merecia nada do que está a viver. Não assim, não desta forma, não à distância de uns simples 5.000 km - coisa pouca - não sem uma conversa, não apenas com um mail. Não, quando se viveram momentos difíceis há tão pouco tempo por situações idênticas. Não quando as expectativas são demasiado altas, tendo sido ele a criá-las, a alimentá-las e ela a recebê-las. Não assim, amigo.

Desconforto

É que, apesar de não ser nada directamente comigo, fiquei com uma sensação desconfortável para o resto da tarde. A vida de um europeu em África tem destas coisas. É por vezes, algumas... muitas mesmo, uma vivência repleta de contradições.

Atropelo Emocional

Como se pode definir um homem que:
1. pede a namorada em casamento, cheio de certezas, após uma fase conturbada de avanços, recuos e indecisões,
2. define planos para mobilarem em conjunto uma casa, combinam datas e fazem projectos para o futuro próximo,
3. passados dois meses de tudo ficar combinado, ele escreve-lhe dizendo que ela é tudo para ele – a mais terna das companheiras, a mais atenciosa das amigas e confidentes e a melhor das amantes – mas trocou-a porque, como qualquer homem, não consegue resistir a um bom par de pernas e mais alguns atributos complementares,pede-lhe que o esqueça, ficando tudo arrumado, via mail.
A esta simplicidade poder-se-ia dar o nome de “atropelo emocional”. Ela ficou destroçada, e assim continua, só chora e ameaça matar-se. Mas afinal, ainda haverá homens que mereçam tamanha abnegação depois de tal desfaçatez? Pois eu não creio que haja!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Conversas entre mulheres... solteiras

- Já pensaste porque é que combinas encontros e programas e, no fim, desmarcas? – perguntou, em tom de crítica, Alice a Beatriz quando esta lhe dissera que, mais uma vez, tinha desmarcado uma ida ao cinema porque estava frio e não lhe apetecia sair.
- Não, simplesmente não estava com disposição. Está frio, será isso assim tão estranho?
- O que é estranho é que ultimamente fazes isso repetidamente, sempre que tens alguma coisa combinada com um fulano. Isso só pode ter uma explicação... e fazia-te bem saires, ver gente, conversar e ser um bocadinho bajulada. Faz bem, não achas?
- Ah, não me venhas com as tretas das psicoterapias que tudo explicam, Alice. Está frio e simplesmente há dias em que não apetece sair da toca. Já pensaste que a maioria dos animais, que não efectuam migrações, hibernam? É como eu, já que não posso ir para o calor, refugio-me no conforto de casa. Olha, e já que falamos nisso, como tem passado a tua ausência de relação com o sexo masculino? Há quanto tempo não sais com ninguém?
- Não é disso que estamos a falar...
- É sim, é de mulheres solteiras que após os 35 anos não sentem, por uma infinidade de razões, a urgência de um encontro. Desiludiram-se algures, perderam a expectativa excessiva, a não ser quando estão verdadeiramente apaixonadas. E eu não estou. Mas principalmente não saem simplesmente porque tinham combinado. Desmarcam, quando não têm feeling. Não saem por obrigação, fazem-no quando querem e lhes apetece. E há dias em que apetece estar em casa, sentada sem fazer nada, a ver um suposto programa humorístico da treta, mas que faz rir, a ouvir a lenha a crepitar na lareira, a ler ou simplesmente a terminar um trabalho que ficou pendente. E fazer isso sem dar pelas horas passarem. Entendes o que sinto? Afinal, tu também sentes o mesmo...
- Hum... fez-te mal estar tanto tempo em África. Achas que lá viveste tanto que te desinteressaste da vida daqui, nada te serve e ninguém é adequado, já pensaste? Afinal África foi um engano para ti, iludiste-te e agora sentes-te frustrada porque não conseguiste chegar onde querias...
Beatriz sentiu uma súbita irritação pelo que acabara de ouvir. Alice era sua amiga há mais de uma década, mas desde que fora para África afastara-se e, cheia das certezas que temos sempre acerca da vida dos outros mas que em relação à nossa própria existência não fazem regra, achava-se no direito de fazer avaliações gratuitas. Como é que podia dizer aquilo daquela forma? Não querendo discutir com a amiga limitou-se a concluir:
- É verdade, em África vivi muito, coisas frustrantes mas outras muito compensadoras. Essa vida, por muitas mais que venha a viver, ninguém me tira. Acredita que se hoje sinto algum desconsolo, as vivências de África fizeram-me muito feliz. E hoje, tenho muito que recordar e as lembranças fazem-me sorrir, transmitem-me bons sentimentos. Se não tivesse lá estado não tinha sofrido, mas também não tinha amado e não tinha sido tão feliz quanto fui, em certa altura. Muitos são os que não se deram a ninguém e que também nunca sentiram a entrega. Eu senti as duas. Agora, desculpa Alice, mas esso é outro tema que nada tem que ver com a minha hibernação.

Línguas de STP

Para quem se interessar pelas línguas de STP (lungwa santome, lung'ie e lungwa ngola), foi criado um novo e-Grupo dedicado exclusivamente às questões linguísticas:http://uk.groups.yahoo.com/group/linguasstp/
O moderador é o especialista Tjerk Hagemeijer que, progressivamente, disponibilizará informações, documentos sob a forma de ficheiros, links para outros sites com interesse.

Definição

- Vês - dizia o meu Eu mais racional ao outro mais emocional - para que te angustias tanto? Por fim, as coisas começam a resolver-se. Era uma questão de tempo. Estão encaminhadas e a resolução desta fase está a seguir o seu caminho, com algum atraso, é verdade, mas já faltou mais para veres a vida organizar-se.
- É verdade - respondeu-lhe o meu Eu emocional - mas o que queres, sabes que sou mesmo assim, que sofro e me angustio, que desespero ao ver o tempo passar e a vida ficar. E que também quando as coisas correm bem, vibro, sinto, emociono-me, congratulo-me, seria difícil ficar mais feliz. Mas és capaz de ter razão, a que está no meio de nós os dois é quem mais sofre com as nossas contradições.
- E agora, deixa-te de tretas, concentra-te e deixa-me terminar o artigo sobre Turismo Rural em STP, senão não vai a tempo da publicação. E lembra-te que ainda tens de me ajudar a ler, a corrigir e a escolher as fotos a integrar no texto. Temos muito trabalho pela frente. Tu ficas para aí a sonhar alto e não me deixas avançar. Devias ajudar-me. Se queres sonhar só por veres a cor do mar, que hoje está azul e tranquilo, pelo menos cala-te para que eu possa terminar o texto - arrematou o meu Eu racional.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Caminante...

"Se hace el camino al andar
Caminante,
son tus huellas el camino y nada más;
Caminante,

no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,

y al volver la vista atrás se ve la senda
que nunca se ha de volver a pisar.
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.
Caminante no hay camino sino estelas en la mar."


António Machado, poeta espanhol (1875-1939)

A noite da Lua

E em noite de Dia de Namorados, a Lua não estava sózinha no céu. Havia Estrelas à sua volta, muitas a namoriscá-la. Mas ela estava em fase de crescimento, incompleta, não tinha sequer chegado a quarto, e não lhes ligou meia. Sentia-se apenas acompanhada, mas não era as estrelas que ela ansiava. Essas eram companheiras de vida, sempre que as nuvens não se intrometiam à contemplação dos olhares terrenos. Apesar de estarem quase sempre juntas, a Lua sentia-se distante das Estrelas, noutra dimensão, noutro plano. O que ela procurava era a companhia quente e terna do Sol, mas por causa do destino, limitavam a cruzar-se ao nascer do dia e da noite.

Exposição fotográfica sobre a Guiné-Bissau

"Recados da minha terra", de 3 a 31 de Março, no espaço QUADRANTE, CCB, Lisboa.
É uma iniciativa promovida pela Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa (AEGB-L), reúne 35 fotografias inéditas de quatro regiões do país – Bafatá, Biombo, Bolama e Óio – e ainda de Bissau, captadas entre Julho-Setembro de 2004, por um grupo de amadores, estudantes guineenses em Portugal.

É uma iniciativa patrocinado pelo Instituto Marquês Valle Flôr (IMVF) e visa promover a cultura guineense em Portugal: a interculturalidade como motor da cumplicidade entre os povos; dar a conhecer as realidades e dinâmicas de um país do Sul; procura retratar a Guiné-Bissau e o seu povo, não pelas ideias construídas à sua volta, mas pela imagem de um país que merece ser observado pela diáspora e pelo mundo num espaço alternativo, através das objectivas dos seus jovens que, não só anseiam por um futuro melhor, como também se mobilizam para a construção desse futuro.

O projecto “Recados da Minha Terra” é composto por 3 momentos:- Exposição orientada para a comunidade imigrada da Guiné-Bissau e o grande público em Lisboa; - Aos estudantes, nas Universidades de Lisboa em parceria com Associações de Estudantes locais, durante o mês de África em Lisboa (Maio); - Resto do País (Porto, Braga, Coimbra, Faro), durante o segundo semestre de 2005.

Para mais informações, contactar:Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa, Travessa do Possolo N. 11, 3 Dtº1351 - 250 Lisboa, TM: 961144110/965711429, e-mail: aegblisboa@hotmail.com

Quem foi Valentim, o Santo que hoje comemoramos?

E ouvindo rádio ou passeando nas ruas consegue perceber-se a hipervalorização do dia de São Valentim. Está presente na vida de todos, os que são namorados, há pouco, há muito tempo, ou há uma eternidade, mas também dos que não são.
Poucos são os que saberão, ao certo, porque a data se festeja hoje, dia 14 de Fevereiro, e não noutro dia qualquer, mas o que interessa não é tanto saber, conhecer a história ou compreender as motivações que, certo dia, o Santo teve, e que lhe custaram a própria vida.
O que conta, e é importante, para a maioria é vender ou comprar a imagem dos coraçõezinhos vermelhos, do romantismo, até do que não se sente, dos presentes que se compram, e não dos que se fazem artesanalmente com um sentido de personalização. Neste caso, o que conta é o consumo, puro e duro, porque quanto ao Santo, esse fica esquecido, afinal há tantos que uma pessoa não pode saber quem são e o que fizeram todos...
Valia a pena pensar um pouco nisto, portanto aqui fica a dica - o Dia dos Namorados comemora-se mesmo hoje porque foi a 14 de Fevereiro que ele morreu e porque, durante a sua vida, lutou por ideais, e um deles era fazer com que os jovens apaixonados se sentissem mais felizes, através da união dos sentimentos.

Dia de São Valentim

Reza a história que, no século III d.C., um padre de nome Valentim casava, em segredo, os jovens namorados, sendo um acto oficialmente proibido. O Imperador Cláudio II queria formar o maior e mais poderoso exército da História, criando uma força de defesa e de ataque imbatível, o exército romano. O problema era não ter receptividade, por parte dos romanos, já que o número de homens que se alistava era insuficiente. Cláudio II justificou o facto com a resistência dos homens em abandonarem as famílias e decidiu a proibição dos casamentos, porque os melhores soldados seriam os homens que se mantivesse solteiros. Valentim, ajudado por S. Mário, não respeitou a decisão do imperador e continuou a efectuar os casamentos religiosos dos jovens que assim o desejassem. Certo dia, Valentim foi descoberto por contrariar o estabelecido, oficializando uniões, pelo que foi preso, torturado e condenado à morte por decapitação. Morreu a 14 de Fevereiro do ano 270. Actualmente, uma Igreja em Roma, Igreja de Santa Praxedes, guarda as relíquias do santo.

domingo, 13 de fevereiro de 2005

O Boato

O boato é a forma mais simples de se denegrir a imagem de alguém e é a ocupação predilecta de um grande número de pessoas que, infelizmente, não têm mais nada de interessante com o que se ocupar. Estes, que se julgam intocáveis, divertem-se alterando histórias, transformando situações, colorindo pormenores, encontrando elos de ligação entre pessoas que não têm nada a ver umas com as outras, ou mesmo tendo não viveram as coisas da forma como se ouve e relata. Enfim, à falta de um bobo natural, arranja-se um, fabricando-o. Pior um pouco, quando à história se junta uma boa pitada de humor, romance, tragédia ou drama, tornando-a de tal forma aliciante que, contando-a às pessoas certas, o resultado da difusão generalizada é garantido.
Hoje pensei seriamente nisto a propósito de uma discussão, num e-Grupo de debates, à volta de uma denúncia nominal com gravidade qb e sem que fossem apresentadas provas. Nada que me dissesse respeito, mas a propósito de um amigo, que pode, ou não, estar envolvido em processos menos claros. Foi acusado assim, directamente, sem quaisquer subtilezas e sem provas. Tudo ficou no ar, lá bem no espaço, ou não fossemos nós todos cibernautas navegantes, e muitas vezes, nem sabemos bem por onde. Na verdade não sei quem tem razão, mas eticamente creio que não será muito correcto acusarmos publicamente alguém de ter feito isto ou aquilo, sem provar, sem indícios. É o mesmo que amanhã eu seja acusada de andar a saltar de telhado em telhado, em prédios de 10 andares, com umas plumas lilazes na cabeça, a cantar "I can get no satisfaction". Conhecendo-me, quem acreditaria???

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Café e Chocolate de STP, em Portugal... Évora!

De acordo com a informação disponibilizada na Revista "Visão" desta semana (pg. 10 da Visão Sete), existe em Portugal representante exclusivo do café e do chocolate da Roça Nova Moca de São Tomé. O local chama-se "Boa Boca Gourmet" e fica em Évora, Rua dos Mercadores, 54. Tf. 266704632. Pode ser consultado em http://www.boaboca-gourmet.com/, apesar do site se encontrar ainda em construção.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Nelson Mandela - 15 anos de libertação

E até parece mal que um blog que tanto pensa em África não refira o aniversário (15 anos) da libertação do Nelson Mandela. Ao passar pelo Chuinga, pelo Água Lisa e pelo Fazendo Caminho tomei consciência da minha falha. Seria imperdoável não referir um dos exemplos, a nível mundial, da resistência e da coragem, da perseverança e da determinação, da abnegação e da recompensa, da capacidade que todos temos, mas que por vezes - tantas vezes - nos esquecemos, de lutar por um ideal, um sonho, o fim de injustiças e a reposição da verdade.

Estratégia de Diversão

E a estratégia que ela adoptou, para se distrair e aliviar o stress, foi o exercício físico. Uma actividade diferente todas as manhãs - ginásio e máquinas, aeróbica, alongamentos, pilates, hidroginástica. Sentia-se revigorada e rejuvenescida quando saía do Clube. A tarde custava a passar, sentada em frente do portátil, escrevendo artigos para publicação, com a tese ao seu lado, como forma de se mentalizar que a grande data seria para breve. O breve alongava-se e tardava, apesar das promessas repetidas. À tarde, o pensamento dela tornava-se intenso, quase redundante. Depois vinha o jantar e ela gostva de cozinhar, distraía-se a inventar receitas e a misturar ingredientes, que normalmente resultavam bem, apesar do segredo andar mais à volta de alho e ervas do que de qualquer outro condimento. E de seguida, um pouco de tv que, de dia para dia, se tornava menos estimulante, pelo que optava por regressar ao seu amigo, a "caixa preta" como a família lhe chamava. Era uma distração, mais uma, e ela nesta fase precisava de se sentir viva. E por fim, já cansada, decidia deitar-se e ler. Lia como nunca, devorava livros, uns atrás dos outros, não podia adormecer sem ler, porque senão os sonhos não se relaizavam. Sim, intercalando a rotina diária, passeava o cão, um boxer de 11 anos com agilidade e vivacidade de 3. Era um grande companheiro e ela sentia que ele compreendia tudo o que ela lhe dizia.

Fevereiro

Como é que o mês mais pequeno do ano pode, ao mesmo tempo, ser o mais demorado a passar? E hoje já é dia 11 mas a sensação é que não passa do dia 1... só pode ser pela vontade de terminar uma fase e dar início a outra. E para isso, é fundamental que o mês termine.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

E culpa

E o mais engraçado é que, decorrente da normal ansiedade sentida, dado o contexto, acabamos por nos sentir culpados. Porquê? Por não termos a calma suficiente e necessária para aguardar. Mas afinal... fará sentido a culpabilização numa espera de 8 meses? É que o resultado final não é nenhum filho...

Ansiedade

Já tinha idade suficiente para saber que, em certos assuntos da vida, a ansiedade decorrente da vontade de obter respostas rápidas não ajuda em nada, causando apenas desgaste pessoal. A resolução de algumas questões requer tempo e raramente acontece no tempo útil em que gostaríamos. O tempo passa e a nossa vida vai ficando suspensa, à espera da atenção, da simpatia, da colaboração de alguém, mas muitas vezes nem percebemos bem de quem porque todos com quem falamos vão dizendo gentilmente que não depende de si, mas de um outro qualquer. E assim ficamos a ver o tempo passar, pedindo, quase suplicando, que alguém se digne a olhar para o nosso processo, de forma que possa seguir em frente para uma nova fase. Mas como não avança, ou vai avançando devagar devagarinho, bem ao ritmo "leve-leve só", a ansiedade tem tempo e espaço para crescer dentro de nós, provocando angústias imparáveis, desconfortáveis, alucinantes, desesperantes. Mas isso, nesta altura, supostamente já não interessa nada. Há que aguardar e saber fazê-lo, com adequadas estratégias de distração. O mais difícil mesmo é saber quais são as mais adequadas...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Bijagós: Reserva Natural e... Mundial

Ainda no Africanidades, imagens e notícias das Bijagós - magnífico arquipélago que é Reserva Mundial da Biosfera. As gentes e a natureza. As fotos são espantosas e merecem visitas.

Imagens do Carnaval - Guiné Bissau

O Carnaval em Bissau foi animado, pelo menos a avaliar pelas fotos publicadas no Africanidades. A não perder!

A expectativa

Viver na incerteza não é fácil. Estar na expectativa também não. É como termos a sensação de que a nossa vida ficou algures em suspenso. É como se andássemos indefinidamente numa corda bamba a 100 metros de altitude, sem sabermos quando a prova termina, e quando olhamos para baixo não conseguimos perceber o que nos espera, se cairmos. E, depois de muito andarmos, só conseguimos questionar - Mas o que falta, ainda?

Conselho

Nem sabia porque insistia em regressar a alguns locais, dos quais guardava a mais terna das recordações. África era o continente que a impelia ao regresso sucessivo. Sentia que a vida renascia com o calor, a humidade, as paisagens densas e coloridas, onde as tonalidades marcavam toda a diferença - o azul do mar, e por vezes do céu, contrastando com o verde da vegetação, o castanho da terra, a diversidade de tons que os frutos apresentavam. África é um continente fantástico - pensava, e reforçando com a expressão pouco correcta, mas que considerava ser o superlativo da beleza - é um continente muito magnífico.
Talvez fosse um ímpeto instintivo, porque sentia que algo a chamava, apelando ao regresso, mas não sabia explicar o que era. Sempre que se lembrava de alguns locais - ruas, casas, pontos de referência sem a menor importância aparente, praias, caminhos florestais - escutava, a ressoar-lhe aos ouvidos, a mesma frase, que alguém, certo dia, lhe tinha dito:
- Não voltes ao local onde foste feliz
Na altura, não chegou a perceber o sentido do conselho - afinal os locais onde fomos felizes deixaram-nos boas recordações e o regresso torna-se mais saboroso - pensava. Mas agora tudo era mais claro na sua cabeça - as boas recordações devem ficar assim mesmo, como deliciosas, ternas, doces, eternas. Com o regresso ao local onde se foi feliz, nada será igual, somos tentados a incorrer em comparações e o resultado não será brilhante.
As vivências, a intensidade do sentir, as paixões, a forma como se olha para os outros e como se contacta com a natureza, alteram-se e o risco de perdermos uma parte da beleza, que antes lhe encontrámos, é grande. A partida será muito mais dolorosa e a vontade de, um dia, regressar é substituída por um mar de contradições difíceis de explicar. A felicidade anterior e as boas recordações acabam por ser esbatidas até desaparecerem.
E assim consciente, começou a interiorizar a ideia - Não voltes ao local onde foste feliz.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

Obrigada!!!

ao Digitalis e à Helena, pela referência, pelo destaque, pelo "galo", pelos "bolinhos" e pela imagem do filme "África Minha - Out of Africa" - uma excelente associação do conteúdo do África de Todos os Sonhos a uma imagem. E sobretudo pela sorte desejada!!! :-) Retribuo e desejo que o "Ano do Galo" seja inspirador para as boas coisas da vida - bolinhos e muitas visões do Castelo, entre tantas outras, criadoras de momentos felizes.


Proposta hilariante

Chegava a ser hilariante o número de propostas inconsequentes que recebia, para escrever livros, capítulos ou dar informações. Na verdade, nenhuma das pessoas que a contactavam pretendia levar a cabo este empreendimento. Ela começou por acreditar nos propósitos de todos e ia colaborando, mas quando, por fim, compreendeu que não passavam de momentos de diversão para que alguém sem vida própria passasse o tempo livre, desistiu. Primeiro fechou-se nos seus refúgios em busca de explicações, um fio condutor que ligasse todos os episódios ou a falta dele, permitindo-lhe chegar à "cabeça" v de tanta brincadeira. Mas, de repente, tudo se clarificou, tornando-se de tal forma óbvio que não fazia mais sentido perder tempo a pensar. E o ridículo em que aquela personagem masculina caíu, ao arquitectar o "plano da destruição" da vida dela, num sem fim de atitudes mesquinhas e básicas, mas sem possibilidade de serem bem sucedidas, fê-la rir. Ele vivia num mundo de perversão, triste, solitário, repleto de ausências, destruindo-se a si próprio, sem disso se dar conta, certo de poder exercer o seu poder, uma e outra vez, levando-a a aprender uma lição, que ela não precisava. Ele julgava divertir-se com a brincadeira, crendo que ela não duvidaria de uma palavra que fosse, mas para ela tudo passou a ser mais do que evidente e quem verdadeiramente se divertia era ela. Tudo se tornou hilariante!!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Comuns

Comuns são as faltas de respeito entre empregados e patrões, ou seja entre níveis hierárquicos diferentes. Já não se respeitam os limites - o que se diz e a forma como se diz. O tratamento aconfiançado em excesso chega a ser chocante de tão desconfortável. Seria bom que cada um soubesse o lugar que ocupa, o papel que desempenha e a função que lhe foi atribuída. Mas não, confunde-se a toda a hora. E confunde-se a confiança dada e reconhecida com abuso - o tratarmo-nos bem não permite todo o tipo de atitude, mas há empregados que não entendem essa fronteira, pela simples razão que não a sabem identificar.

domingo, 6 de fevereiro de 2005

A companhia das estrelas

E ali estavam elas de novo, distantes e discretas, as "minhas companheiras estrelas", após umas horas necessárias de chuva. Consegui ver algumas, não todas. Mas é sempre tão reconfortante olhar o céu e vê-las brilhar, lá longe, a proteger-nos, dando-nos a sensação de estarmos acompanhados por uma presença familiar.

A tradição já não é o que era

Considerações sobre uma ida ao cinema (ou OH TEMPO, VOLTA PARA TRÁS)

Os rituais também se transformam, mudam, alteram-se com o passar do tempo. É pena que, nem sempre, se consiga conciliar a modernidade com a tradição. E ir ao cinema já não é o que era, e é pena! Para mim, ir ao cinema é um ritual: a sala cheia de gente que decide sair do conforto da sua casa, mesmo nos dias de frio e temporal, para se sentar numa sala grande, escura, com um écran imenso onde são projectadas imagens que relatam uma história, que não é a nossa mas que, enquanto a presenciamos, temos a sensação que é. Pelo menos um bocadinho. É fantástico chegarmos a horas ao cinema e termos o privilégio de assistir a excertos de outros filmes, que estão ou estarão em breve disponíveis para os vivermos, e para os quais a nossa sensibilidade de aproxima mais ou menos, em função dos temas. E depois, o filme começa com a apresentação, acompanhado de música normalmente adequada ao que vamos ver, e recomeçamos a viver situações protagonizadas por certos actores. Vibramos, sentimos, sofremos, rimos, apaixonamo-nos e desiludimo-nos com eles, e sem nos darmos conta encaixamo-nos na história com uma grande facilidade. Ou costumávamos fazer isso quando a ida ao cinema era um ritual vivido e sentido.
Depois chegaram as pipocas, as coca-colas e outros consumíveis, permitidos e incentivados, por serem uma nova forma de rentabilizar a sessão. A tradicional tablete de chocolate, saborosa e silenciosa, foi substituída por barulhos incessantes, mastigados e sorvidos, acompanhados por mexidelas no balde. É verdade. Como se o cheiro nauseabundo não fosse, só por si, suficiente. Mas a modernice (não modernidade) fez com que o desrespeito aumentasse e passou a comentar-se o filme em voz alta, trocando-se impressões acerca dos actores e até da própria história, como se o realizador nos tivesse pedido. A nós não, a eles! Porque eu sou daquelas para quem o cinema é ainda um ritual, dou comigo, durante uma boa parte do filme, a fazer “shiuuuuuuu” para os vizinhos do lado e de trás. Pior um pouco, a banalização da troca de mensagens por telemóvel imperou e é comum sermos desconcentrados da história por um vizinho que recebe ou envia sms, fazendo emitir uma luz verde, laranja ou amarela, realçada pelo escuro. E ainda, para agravar, há quem já não se contente com o envio das tais mensagens, supostamente rápidas e eficazes, falando mesmo, conversando sobre o que se está a ver e onde se vai logo após o filme.
Parece inacreditável mas é verdade. Uma ida ao cinema pode chegar mesmo a ser uma aventura quando, no meio da excitação provocada por um sms recebido ou até por uma cena do filme, recebemos pontapés nas costas porque o espaço entre filas nunca chega a ser suficiente para que não sejamos incomodados e possamos integrar-nos no que estamos e queremos ver. Ir ao cinema não é fácil...

Viajar

Há poucas coisas que dão tanto prazer como viajar - o sonho da viagem, o ritual dos preparativos, a expectativa de um local nunca antes visto, das histórias que, um dia mais tarde, teremos para contar. Em "A viagem.1" (ver Chuinga) as memórias da infância reavivam-se e os sonhos relacionados com as viagens, em e por África, emergem, deixando-nos a sensação de também termos vivido um pouco daqueles momentos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Carnaval

Não gosto do Carnaval. Tenho sempre a sensação que, nesta época, toda a gente pensa que tem de se divertir à força, para compensar os momentos pouco animados que tem o ano inteiro. Só que é uma diversão por obrigação, porque é convencional, para não quebrar a tradição. Não é sentido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Arte e artesanato

A arte santomense é, talvez de todas as africanas, uma das menos divulgadas, pelo que também uma das menos conhecidas no Mundo inteiro. Há uns tempos debateu-se longamente, no e-Grupo de São Tomé e Príncipe, se a produção era artística ou simplesmente artesã. Na altura defendi a minha opinião, o artesanato pode ser uma forma de arte, e em STP há diferentes situações:
- artesanato puro e simples, que diga-se, a bem da verdade, sem grande qualidade ou perfeccionismo;
- a produção artística existe e começa a ser divulgada em Cabo Verde e em Portugal, principalmente, e em grande medida, graças à persistência e ao apoio do João Carlos Silva, na génese artista plástico ("Na Roça com os Tachos", programa culinário da RTPÁfrica e RTP2), actualmente promotor do projecto Agro-Turístico "Roça de S. João" e incentivador dos artistas santomenses através da escola de ensino informal da Roça de S. João e das formações com exposições na galeria Teia d'@rte, na cidade de São Tomé;
- o artesanato pode revestir uma forma de arte.
A minha opinião mantem-se, pelo que apresento alguns exemplos - pinturas, esculturas e trabalhos diversos para o deleite de alguns - muitos, espero.
NEZÓ - a expressiva simplicidade

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A fantástica arte do MACHIDO

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Pintor santomense - WALSON - imagem que, a cada vez que a olho, me faz pensar

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Mais uma do NEZÓ - é fantástico como podemos identificar, sem parar, rostos na sua pintura

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Pintor Santomense, nunca é de mais vê-lo e revê-lo - NEZÓ

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Tela exposta na "Teia d'@arte" - São Tomé e Príncipe

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As famosas, em STP, "catorzinhas" - escultura da Associação PICA PAU

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Escultura em Madeira - MACHIDO

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Pintor Santomense - NEZO

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Dúvida

O que é preferível:
1. aceitarmos um trabalho, mesmo interessante, sabendo que não temos condições para o cumprir com perfeição e seriedade?
ou
2. recusarmos?
Eu optei pela segunda hipótese.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

O que dava por um sonho?

Imagine o sonho da sua vida. Imagine que, à partida, é irrealizável, inatingível, algo com que sonhou durante toda a sua vida e que hoje quando pensa nisso, sente que está a anos luz de o conseguir realizar. Já está? Então agora pense no que estaria disposta a fazer para o realizar e sentir a felicidade invadi-la, nem que fosse por 5 segundos.
Este foi o tema de uma reunião de grupo que nos permitiu analisar... bancos! Mas só o percebemos no final: primeiro discutimos bancos, características, imagem e publicidade, e apenas no final analisámos os sonhos e os projectos. Foi engraçado e interessante porque nos permitiu repensar o que está por detrás da frase - Mil sonhos.

Ao Meu Anjo da Guarda

Meu caro Anjo da Guarda,
Se existes, como se diz, e a verdade é que já senti por mais do que uma vez a acção da tua presença protectora, peço-te que veles por mim nestes dias. Relembro-te apenas que decisões importantes estão a ser tomadas no que respeita ao meu futuro próximo, pelo que a tua colaboração é fundamental, preciosa, imprescindível.
Assina: A Tua Protegida

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

E...

E... a dúvida surgiu de forma implícita e sem ser aprofundada, atirada, no meio de uma conversa, através de uma troca engenhosa de palavras, que ele tanto gostava de utilizar, como meio de a confundir e levando-a a dizer a verdade. Ela emendou-o e ele sorriu. Mas não referiram mais o assunto, aliás como era habitual entre os dois.
Agora, que ele já não está ao pé si, ela escreve a resposta às dúvidas dele porque um dia deixá-lo-á ler, fazendo-o ver que se enganara com o julgamento que fizera a seu respeito:
"Não, o passado não voltou, nem poderia voltar. Há países que ficam para sempre na nossa memória pelos maus momentos e pelas más experiências que vivemos. Há pessoas que nos marcaram de tal forma que jamais as poderemos voltar a amar. E ao contrário, há países aos quais nos sentimos ligados para sempre pelos dias felizes que tivemos. Há pessoas por quem sentiremos sempre um carinho muito especial. Tu fazes parte destes últimos. Ficou claro?"

Dependências

Há dependências de todas e cores e feitios, das mais diversas formas e dimensões, que se adaptam melhor ou pior ao estilo de cada um. É uma tarefa difícil fazer com que algumas pessoas as reconheçam como suas, sobretudo quando toca a temas sensíveis. As mais comuns são já corriqueiras de tão banais - o tabaco, o café, as pastilhas elásticas, os chocolates. Depois aparecem outras, que também estão vulgarizadas, como o álcool e as drogas - por todos os cantinhos se vende e se consome. Principalmente no que respeita as estas últimas, os riscos são infinitos e as consequências devastadoras. Não é fácil reconhecê-las como nossas, pelo estigma que carregam, mas todos conhecemos alguém que já passou ou está a passar por uma delas, ou até pelas duas, e tendencialmente escondemos o facto. Há a dependência do trabalho, que nos retira qualidade de vida, começando por ser um refúgio.
Mas há outro tipo de dependências, que chegam a ser doença, e que representam um tabu, do ponto de vista social - pouco se fala delas e quando se fala, é com 30.000 cuidados. Nesta categoria inclui-se o sexo, puro e duro, sem ligação, sem sentimentos e sem afecto. E normalmente não pensamos desta forma, mas há quem seja sexodependente, quem necessite de sexo para viver como outros precisam de água, de alimento ou de um sono descansado. Há pessoas que fazem do prazer físico, de natureza sexual, a sua forma de vida. Não, não falo de quem faz disso profissão, porque esses são casos de necessidade e não de dependência. Falo dos que vêem a vida exclusivamente com base na dimensão hedonista ligada ao prazer físico-sexual, os que não conseguem entender que os outros tenham outra forma de o encarar, aqueles que concebem o acto sexual com um sentido meramente utilitarista. Estes que, sem sexo, se sentem absoluta e profundamente derreados, ultrapassados, menosprezados e infelizes.
Mas se para as outras dependências existe cura, com certeza que para esta também haverá, só que para isso, será com certeza necessário um reconhecimento prévio, pelo próprio. E isso não é, de facto, fácil de conseguir.

Olhe que já está na altura...

E lá estava eu no Vitor em Alcabideche, restaurante que faz parte das memórias da minha infância, a conversar com um dos empregados, que conheço desde que me lembro de existir.
- Então... e já se casou? - perguntava-me ele meio receoso de me ofender, à medida que se ia informando acerca da vida de cada membro da família.
- Não, ainda não - respondi sorridente e certa que, desde que as oportunidades afectivas tinham surgido na minha vida, a opção de me manter fiel aos meus princípios tinha sido a melhor de todas.
- Mas olhe que já está na altura... uma rapariga assim, sem marido...
E eu ri com vontade, pois o que havia eu de fazer mais perante tal perspectiva.
- Há tempo, se tiver de ser - respondi-lhe para o tranquilizar.
- Mas os filhos deviam vir - continuava ele, cheio de boa vontade, numa tentativa de me convencer da importância do casamento na vida de uma jovem senhora.
- Pois deviam, mas ainda não houve oportunidade para pensar nisso...
- Mas nem tem pretendentes? - continuou ele com incredulidade.
- Sim, pretendentes há, mas não são convincentes. Sabe que os homens dão muito trabalho... e ainda não tive coragem para aceitar esse emprego. Às vezes, a melhor opção, quando não há certezas, ou quando as há sem vontade, é mesmo não criar confusões na nossa e na vida dos outros.
- Ah... mas desde que seja a pessoa certa...
- Pois é essa é a grande dificuldade, encontrar a pessoa certa. Vai na volta e tenho andado nos locais errados - respondi a rir.
E com este argumento ele ficou mais conformado, deu-me uma palmadinha no ombro, piscou-me o olho, sorriu e concluiu:
- Deixe lá, há-de aparecer...
Eu sorri e pensei - mas afinal todos pensam que por não se ser casado é-se menos pessoa. Pois é, a altura certa... e esta, será que deve acontecer quando os outros assim o consideram, ou quando a sentimos verdadeiramente?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Vénus e Marte

E, de uma simples dúvida, acerca das diferentes paisagens com que o céu nos pode presentear, surgiu uma conversa interminável acerca de Vénus (deusa do amor) e de Marte (deus da guerra), com consequências futuras, apesar de muito infelizes. Marte venceu Vénus, sem que qualquer um dos dois tivesse verdadeira consiciência disso.

Estrelas: pontinhos no céu

Hoje olhei para o céu e vi, uma vez mais aqueles pontinhos brancos e brilhantes espalhados no fundo escuro. Chamam-lhes estrelas e dizem que vivem numas famílias chamadas constelações. A verdade é que o céu fica muito mais bonito quando elas aparecem, dando-nos a ideia de estar habitado por seres tão importantes que brilham, onde quer que estejam, até no escuro, tornando-se guias e pontos de referência para nossa orientação. Algumas são conhecidas por quase todos e gostamos de as identificar, quando observamos aquela infinidade de luzinhas lá no alto, porque nos fazem sentir confortáveis.
Um dia, num país muito distante, onde tudo é tão diferente, numa das Áfricas por onde andei, olhei o céu e senti-me perdida só por não ver as minhas amigas, as luzinhas brilhantes, organizadas da forma de sempre. Elas estavam ali, muitas mais do que as que via no "meu céu", mas eram para mim simpáticas desconhecidas, desenhando formas diferentes que eu jamais conseguiria entender e perguntei a alguém que estava a olhar o céu, tal como eu, onde estava Vénus, e a Ursa Maior, e a Ursa Menor, e... alguém respondeu-me que o céu ali era diferente. O céu que eu procurava tinha ficado lá mais para cima, num local bem acima do Equador, essas eram as estrelas do Norte, mas as que eu via eram as estrelas do Sul.
E assim, tentei explicar a uma criança, que gostava de observar as estrelas todas as noites, e que nelas via janelas abertas para o Mundo, que o céu, tal como tantas outras coisas, é diferente em função da perspectiva que temos quando o observamos...

Actualização de Fotos

O Caminhadas e Descoberta em São Tomé e Príncipe dedicado a fotos foi actualizado. Não deixem de consultar e comentar.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Quando...?!

Um dia... hei-de dançar com tamanha vontade que conseguirei voar junto às estrelas, passar bem junto da lua e ver as duas faces que a compõem quando está cheia, redonda, feliz. Hei-de sentir a luz e ficarei tão iluminada e brilhante que todos à minha volta sorrirão, por não haver sombras, nem medos porque os papões e os fantasmas já foram dormir para outro local qualquer, bem longe de mim. Hei-de olhar o futuro de frente com a alegria dos dias solarengos, encantados pela música e pelos cânticos entoados por vozes celestiais. Hei-de sentir a paz tomar conta de mim, na envolvência do teu abraço terno, quente, protector. E aí, nesse dia, não sei quando, dir-te-ei: hoje atingi o estádio supremo da felicidade.

1 ano de Caminhadas e Descoberta em STP

O "Caminhadas e Descoberta em STP" faz 1 ano. O Grupo cresceu, transformando-se. Começou por ser um projecto com objectivos específicos e essencialmente "concentrado" nos participantes das caminhadas que se faziam em STP mas, com o tempo e como resultado da evolução que foi sofrendo, passou a ser um Grupo alargado, constituído por portugueses, santomenses, italianos, espanhóis, franceses e brasileiros, com áreas profissionais diversificadas, com interesses diferentes, mas com alguns pontos em comum:o gosto pelas actividades ao ar livre; o prazer pelas caminhadas; a paixão pela descoberta; a ligação a São Tomé e Príncipe.
A actividade comunicacional do Grupo não tem sido constante ao longo dos meses, verificando-se oscilações muito acentuadas no número de mensagens partilhadas e, actualmente, adquiriu uma função mais informativa e de divulgação. Muitos dos membros, que dinamizavam e realizavam as caminhadas, nos quais se incluem os mentores da ideia da criação deste e-grupo, já não residem em STP, pelo que as programações e as descrições do que se fez num fim de semana deixaram de aparecer com a regularidade anterior.
As descrições partilhadas, que deliciaram todos os que tiveram a possibilidade de as viver e que tanto fizeram sonhar os que estavam distantes, não podendo usufruir das situações mais aventureiras e dos episódios mais marcantes que fazem parte da História deste Grupo, constam dos arquivos de mensagens, pelo que nunca é de mais relê-las, seja para relembrar momentos ou para ter em atenção em futuras programações de actividades.
A secção destinada às fotografias foi uma das mais preenchidas, tendo recebido contributos de diferentes membros, de tal forma que, pelo reduzido espaço disponível, foi criado um link para uma página exclusivamente vocacionada para a publicação de fotografias (
http://fotoscaminhadasedescobertastp.blogspot.com/). Esta é uma secção a ver e a rever, afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras.
No que respeita ao carácter informativo, as secções files e links têm sido actualizadas, e continuarão a ser, com sites, textos, dados ou outro material considerado importante sobre as questões ambientais em STP (meios aquáticos ou florestais, animais e plantas).
O balanço possível é breve, já que a vida do grupo é ainda curta. Mas, todos os membros estão de parabéns, pelos contributos directos, manifestados sob as mais diferentes formas, ou indirectos.

sábado, 29 de janeiro de 2005

Sobre o Passado

Li o Eduardo Prado Coelho e só lhe posso dar razão:
"Há dias mais propícios à melancolia. Sentimos que aquilo que para nós fazia sentido deixou de fazer sentido para os outros, e que as tentativas de manter um discurso lúcido, de prazer e inteligência das coisas e da vida, parece irremediavelmente condenada por um formato obrigatório que tudo tritura e tudo desrespeita. Descobrimos que o passado não é o que deixou de existir; existe, sim senhor, bem perto de nós: porque nós hoje somos passado neste presente em que não nos reconhecemos.”

Vontade de Viver

Nieztsche era sábio, apesar de, por vezes, confuso. Aqui fica um pouco da sabedoria:
“A ilusão pode ser pragmaticamente mais útil para a vontade de viver do que a verdade”.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

Coincidência ou talvez não

Hoje, enquanto olhava o pôr-do-sol, dei comigo a pensar: as minhas relações afectivas terminam sempre em Janeiro e, normalmente, sou eu que desando, após me saturar de tal forma que já não vejo outra saída. Isto deve com certeza ter uma explicação ligada aos astros!!! Qualquer coisa relacionada com o início de um novo ciclo anual, sei lá eu... mas não deve ser coincidência...

Visão ou criação

Hoje estou numa excitação sem fim. Vi o Raio Verde!!! Nem posso acreditar... mas tenho a certeza que o vi, não foi invenção. Vou tentar explicar o que aconteceu. Por volta das 17h45 a praia de Carcavelos estava calma como há muito não a via. O mar chão, o céu alto e límpido, só ao longe, muito ao longe no horizonte, umas nuvens, 3 ou 4, bem desenhadas, brancas, perto do sol, que iniciava a sua caminhada em direcção ao ocaso. À medida que baixava, ia deixando uma faixa de tonalidade estranha, laranja, forte e intensa, dando à paisagem uma coloração diferente da habitual, e transmitindo a quem por ali passeava uma sensação de paz.
Fixei-me no sol, redondo, grande, cor de laranja, a desaparecer muito mais rapidamente do que eu desejava, porque, como ando em fase de introspecção prolongada, aquele local e aquela imagem ajudavam a reflectir e a ficar com as ideias mais claras. Mas, de repente, baixou, deixando aparecer um rasto verde, horizontal, intenso e contrastante com as restantes cores e que, nuns breves segundos, se foi misturando com as outras cores, esbatendo-se.
Eu vi!!!! Nem podia em mim de tamanha surpresa. Afinal, enquanto estive em STP na minha mais longa estadia, ouvi infinitas vezes um amigo referir o fenómeno e nunca acreditei muito na conversa, apesar de me saber bem ouvir aquelas palavras em tom de brincadeira. O resultado da história sobre o Raio Verde não foi brilhante... mas isso agora também não é importante. A verdade é que pesquisei tanto que acabei a escrever um artigo que foi publicado na "revista piá" nº 18 de Maio de 2004. Mas o que conta mesmo é que o vi hoje!!! O que, segundo os entendidos, auspicia sorte e felicidade. Os meus segredos não os revelei, porque cada vez menos os revelo, mas tenho de admitir que me lembrei deles, um por um. Só tive pena de não ter a máquina comigo, senão teria registado o momento.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...