segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Dia de São Valentim

Reza a história que, no século III d.C., um padre de nome Valentim casava, em segredo, os jovens namorados, sendo um acto oficialmente proibido. O Imperador Cláudio II queria formar o maior e mais poderoso exército da História, criando uma força de defesa e de ataque imbatível, o exército romano. O problema era não ter receptividade, por parte dos romanos, já que o número de homens que se alistava era insuficiente. Cláudio II justificou o facto com a resistência dos homens em abandonarem as famílias e decidiu a proibição dos casamentos, porque os melhores soldados seriam os homens que se mantivesse solteiros. Valentim, ajudado por S. Mário, não respeitou a decisão do imperador e continuou a efectuar os casamentos religiosos dos jovens que assim o desejassem. Certo dia, Valentim foi descoberto por contrariar o estabelecido, oficializando uniões, pelo que foi preso, torturado e condenado à morte por decapitação. Morreu a 14 de Fevereiro do ano 270. Actualmente, uma Igreja em Roma, Igreja de Santa Praxedes, guarda as relíquias do santo.

domingo, 13 de fevereiro de 2005

O Boato

O boato é a forma mais simples de se denegrir a imagem de alguém e é a ocupação predilecta de um grande número de pessoas que, infelizmente, não têm mais nada de interessante com o que se ocupar. Estes, que se julgam intocáveis, divertem-se alterando histórias, transformando situações, colorindo pormenores, encontrando elos de ligação entre pessoas que não têm nada a ver umas com as outras, ou mesmo tendo não viveram as coisas da forma como se ouve e relata. Enfim, à falta de um bobo natural, arranja-se um, fabricando-o. Pior um pouco, quando à história se junta uma boa pitada de humor, romance, tragédia ou drama, tornando-a de tal forma aliciante que, contando-a às pessoas certas, o resultado da difusão generalizada é garantido.
Hoje pensei seriamente nisto a propósito de uma discussão, num e-Grupo de debates, à volta de uma denúncia nominal com gravidade qb e sem que fossem apresentadas provas. Nada que me dissesse respeito, mas a propósito de um amigo, que pode, ou não, estar envolvido em processos menos claros. Foi acusado assim, directamente, sem quaisquer subtilezas e sem provas. Tudo ficou no ar, lá bem no espaço, ou não fossemos nós todos cibernautas navegantes, e muitas vezes, nem sabemos bem por onde. Na verdade não sei quem tem razão, mas eticamente creio que não será muito correcto acusarmos publicamente alguém de ter feito isto ou aquilo, sem provar, sem indícios. É o mesmo que amanhã eu seja acusada de andar a saltar de telhado em telhado, em prédios de 10 andares, com umas plumas lilazes na cabeça, a cantar "I can get no satisfaction". Conhecendo-me, quem acreditaria???

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Café e Chocolate de STP, em Portugal... Évora!

De acordo com a informação disponibilizada na Revista "Visão" desta semana (pg. 10 da Visão Sete), existe em Portugal representante exclusivo do café e do chocolate da Roça Nova Moca de São Tomé. O local chama-se "Boa Boca Gourmet" e fica em Évora, Rua dos Mercadores, 54. Tf. 266704632. Pode ser consultado em http://www.boaboca-gourmet.com/, apesar do site se encontrar ainda em construção.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Nelson Mandela - 15 anos de libertação

E até parece mal que um blog que tanto pensa em África não refira o aniversário (15 anos) da libertação do Nelson Mandela. Ao passar pelo Chuinga, pelo Água Lisa e pelo Fazendo Caminho tomei consciência da minha falha. Seria imperdoável não referir um dos exemplos, a nível mundial, da resistência e da coragem, da perseverança e da determinação, da abnegação e da recompensa, da capacidade que todos temos, mas que por vezes - tantas vezes - nos esquecemos, de lutar por um ideal, um sonho, o fim de injustiças e a reposição da verdade.

Estratégia de Diversão

E a estratégia que ela adoptou, para se distrair e aliviar o stress, foi o exercício físico. Uma actividade diferente todas as manhãs - ginásio e máquinas, aeróbica, alongamentos, pilates, hidroginástica. Sentia-se revigorada e rejuvenescida quando saía do Clube. A tarde custava a passar, sentada em frente do portátil, escrevendo artigos para publicação, com a tese ao seu lado, como forma de se mentalizar que a grande data seria para breve. O breve alongava-se e tardava, apesar das promessas repetidas. À tarde, o pensamento dela tornava-se intenso, quase redundante. Depois vinha o jantar e ela gostva de cozinhar, distraía-se a inventar receitas e a misturar ingredientes, que normalmente resultavam bem, apesar do segredo andar mais à volta de alho e ervas do que de qualquer outro condimento. E de seguida, um pouco de tv que, de dia para dia, se tornava menos estimulante, pelo que optava por regressar ao seu amigo, a "caixa preta" como a família lhe chamava. Era uma distração, mais uma, e ela nesta fase precisava de se sentir viva. E por fim, já cansada, decidia deitar-se e ler. Lia como nunca, devorava livros, uns atrás dos outros, não podia adormecer sem ler, porque senão os sonhos não se relaizavam. Sim, intercalando a rotina diária, passeava o cão, um boxer de 11 anos com agilidade e vivacidade de 3. Era um grande companheiro e ela sentia que ele compreendia tudo o que ela lhe dizia.

Fevereiro

Como é que o mês mais pequeno do ano pode, ao mesmo tempo, ser o mais demorado a passar? E hoje já é dia 11 mas a sensação é que não passa do dia 1... só pode ser pela vontade de terminar uma fase e dar início a outra. E para isso, é fundamental que o mês termine.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

E culpa

E o mais engraçado é que, decorrente da normal ansiedade sentida, dado o contexto, acabamos por nos sentir culpados. Porquê? Por não termos a calma suficiente e necessária para aguardar. Mas afinal... fará sentido a culpabilização numa espera de 8 meses? É que o resultado final não é nenhum filho...

Ansiedade

Já tinha idade suficiente para saber que, em certos assuntos da vida, a ansiedade decorrente da vontade de obter respostas rápidas não ajuda em nada, causando apenas desgaste pessoal. A resolução de algumas questões requer tempo e raramente acontece no tempo útil em que gostaríamos. O tempo passa e a nossa vida vai ficando suspensa, à espera da atenção, da simpatia, da colaboração de alguém, mas muitas vezes nem percebemos bem de quem porque todos com quem falamos vão dizendo gentilmente que não depende de si, mas de um outro qualquer. E assim ficamos a ver o tempo passar, pedindo, quase suplicando, que alguém se digne a olhar para o nosso processo, de forma que possa seguir em frente para uma nova fase. Mas como não avança, ou vai avançando devagar devagarinho, bem ao ritmo "leve-leve só", a ansiedade tem tempo e espaço para crescer dentro de nós, provocando angústias imparáveis, desconfortáveis, alucinantes, desesperantes. Mas isso, nesta altura, supostamente já não interessa nada. Há que aguardar e saber fazê-lo, com adequadas estratégias de distração. O mais difícil mesmo é saber quais são as mais adequadas...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Bijagós: Reserva Natural e... Mundial

Ainda no Africanidades, imagens e notícias das Bijagós - magnífico arquipélago que é Reserva Mundial da Biosfera. As gentes e a natureza. As fotos são espantosas e merecem visitas.

Imagens do Carnaval - Guiné Bissau

O Carnaval em Bissau foi animado, pelo menos a avaliar pelas fotos publicadas no Africanidades. A não perder!

A expectativa

Viver na incerteza não é fácil. Estar na expectativa também não. É como termos a sensação de que a nossa vida ficou algures em suspenso. É como se andássemos indefinidamente numa corda bamba a 100 metros de altitude, sem sabermos quando a prova termina, e quando olhamos para baixo não conseguimos perceber o que nos espera, se cairmos. E, depois de muito andarmos, só conseguimos questionar - Mas o que falta, ainda?

Conselho

Nem sabia porque insistia em regressar a alguns locais, dos quais guardava a mais terna das recordações. África era o continente que a impelia ao regresso sucessivo. Sentia que a vida renascia com o calor, a humidade, as paisagens densas e coloridas, onde as tonalidades marcavam toda a diferença - o azul do mar, e por vezes do céu, contrastando com o verde da vegetação, o castanho da terra, a diversidade de tons que os frutos apresentavam. África é um continente fantástico - pensava, e reforçando com a expressão pouco correcta, mas que considerava ser o superlativo da beleza - é um continente muito magnífico.
Talvez fosse um ímpeto instintivo, porque sentia que algo a chamava, apelando ao regresso, mas não sabia explicar o que era. Sempre que se lembrava de alguns locais - ruas, casas, pontos de referência sem a menor importância aparente, praias, caminhos florestais - escutava, a ressoar-lhe aos ouvidos, a mesma frase, que alguém, certo dia, lhe tinha dito:
- Não voltes ao local onde foste feliz
Na altura, não chegou a perceber o sentido do conselho - afinal os locais onde fomos felizes deixaram-nos boas recordações e o regresso torna-se mais saboroso - pensava. Mas agora tudo era mais claro na sua cabeça - as boas recordações devem ficar assim mesmo, como deliciosas, ternas, doces, eternas. Com o regresso ao local onde se foi feliz, nada será igual, somos tentados a incorrer em comparações e o resultado não será brilhante.
As vivências, a intensidade do sentir, as paixões, a forma como se olha para os outros e como se contacta com a natureza, alteram-se e o risco de perdermos uma parte da beleza, que antes lhe encontrámos, é grande. A partida será muito mais dolorosa e a vontade de, um dia, regressar é substituída por um mar de contradições difíceis de explicar. A felicidade anterior e as boas recordações acabam por ser esbatidas até desaparecerem.
E assim consciente, começou a interiorizar a ideia - Não voltes ao local onde foste feliz.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

Obrigada!!!

ao Digitalis e à Helena, pela referência, pelo destaque, pelo "galo", pelos "bolinhos" e pela imagem do filme "África Minha - Out of Africa" - uma excelente associação do conteúdo do África de Todos os Sonhos a uma imagem. E sobretudo pela sorte desejada!!! :-) Retribuo e desejo que o "Ano do Galo" seja inspirador para as boas coisas da vida - bolinhos e muitas visões do Castelo, entre tantas outras, criadoras de momentos felizes.


Proposta hilariante

Chegava a ser hilariante o número de propostas inconsequentes que recebia, para escrever livros, capítulos ou dar informações. Na verdade, nenhuma das pessoas que a contactavam pretendia levar a cabo este empreendimento. Ela começou por acreditar nos propósitos de todos e ia colaborando, mas quando, por fim, compreendeu que não passavam de momentos de diversão para que alguém sem vida própria passasse o tempo livre, desistiu. Primeiro fechou-se nos seus refúgios em busca de explicações, um fio condutor que ligasse todos os episódios ou a falta dele, permitindo-lhe chegar à "cabeça" v de tanta brincadeira. Mas, de repente, tudo se clarificou, tornando-se de tal forma óbvio que não fazia mais sentido perder tempo a pensar. E o ridículo em que aquela personagem masculina caíu, ao arquitectar o "plano da destruição" da vida dela, num sem fim de atitudes mesquinhas e básicas, mas sem possibilidade de serem bem sucedidas, fê-la rir. Ele vivia num mundo de perversão, triste, solitário, repleto de ausências, destruindo-se a si próprio, sem disso se dar conta, certo de poder exercer o seu poder, uma e outra vez, levando-a a aprender uma lição, que ela não precisava. Ele julgava divertir-se com a brincadeira, crendo que ela não duvidaria de uma palavra que fosse, mas para ela tudo passou a ser mais do que evidente e quem verdadeiramente se divertia era ela. Tudo se tornou hilariante!!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Comuns

Comuns são as faltas de respeito entre empregados e patrões, ou seja entre níveis hierárquicos diferentes. Já não se respeitam os limites - o que se diz e a forma como se diz. O tratamento aconfiançado em excesso chega a ser chocante de tão desconfortável. Seria bom que cada um soubesse o lugar que ocupa, o papel que desempenha e a função que lhe foi atribuída. Mas não, confunde-se a toda a hora. E confunde-se a confiança dada e reconhecida com abuso - o tratarmo-nos bem não permite todo o tipo de atitude, mas há empregados que não entendem essa fronteira, pela simples razão que não a sabem identificar.

domingo, 6 de fevereiro de 2005

A companhia das estrelas

E ali estavam elas de novo, distantes e discretas, as "minhas companheiras estrelas", após umas horas necessárias de chuva. Consegui ver algumas, não todas. Mas é sempre tão reconfortante olhar o céu e vê-las brilhar, lá longe, a proteger-nos, dando-nos a sensação de estarmos acompanhados por uma presença familiar.

A tradição já não é o que era

Considerações sobre uma ida ao cinema (ou OH TEMPO, VOLTA PARA TRÁS)

Os rituais também se transformam, mudam, alteram-se com o passar do tempo. É pena que, nem sempre, se consiga conciliar a modernidade com a tradição. E ir ao cinema já não é o que era, e é pena! Para mim, ir ao cinema é um ritual: a sala cheia de gente que decide sair do conforto da sua casa, mesmo nos dias de frio e temporal, para se sentar numa sala grande, escura, com um écran imenso onde são projectadas imagens que relatam uma história, que não é a nossa mas que, enquanto a presenciamos, temos a sensação que é. Pelo menos um bocadinho. É fantástico chegarmos a horas ao cinema e termos o privilégio de assistir a excertos de outros filmes, que estão ou estarão em breve disponíveis para os vivermos, e para os quais a nossa sensibilidade de aproxima mais ou menos, em função dos temas. E depois, o filme começa com a apresentação, acompanhado de música normalmente adequada ao que vamos ver, e recomeçamos a viver situações protagonizadas por certos actores. Vibramos, sentimos, sofremos, rimos, apaixonamo-nos e desiludimo-nos com eles, e sem nos darmos conta encaixamo-nos na história com uma grande facilidade. Ou costumávamos fazer isso quando a ida ao cinema era um ritual vivido e sentido.
Depois chegaram as pipocas, as coca-colas e outros consumíveis, permitidos e incentivados, por serem uma nova forma de rentabilizar a sessão. A tradicional tablete de chocolate, saborosa e silenciosa, foi substituída por barulhos incessantes, mastigados e sorvidos, acompanhados por mexidelas no balde. É verdade. Como se o cheiro nauseabundo não fosse, só por si, suficiente. Mas a modernice (não modernidade) fez com que o desrespeito aumentasse e passou a comentar-se o filme em voz alta, trocando-se impressões acerca dos actores e até da própria história, como se o realizador nos tivesse pedido. A nós não, a eles! Porque eu sou daquelas para quem o cinema é ainda um ritual, dou comigo, durante uma boa parte do filme, a fazer “shiuuuuuuu” para os vizinhos do lado e de trás. Pior um pouco, a banalização da troca de mensagens por telemóvel imperou e é comum sermos desconcentrados da história por um vizinho que recebe ou envia sms, fazendo emitir uma luz verde, laranja ou amarela, realçada pelo escuro. E ainda, para agravar, há quem já não se contente com o envio das tais mensagens, supostamente rápidas e eficazes, falando mesmo, conversando sobre o que se está a ver e onde se vai logo após o filme.
Parece inacreditável mas é verdade. Uma ida ao cinema pode chegar mesmo a ser uma aventura quando, no meio da excitação provocada por um sms recebido ou até por uma cena do filme, recebemos pontapés nas costas porque o espaço entre filas nunca chega a ser suficiente para que não sejamos incomodados e possamos integrar-nos no que estamos e queremos ver. Ir ao cinema não é fácil...

Viajar

Há poucas coisas que dão tanto prazer como viajar - o sonho da viagem, o ritual dos preparativos, a expectativa de um local nunca antes visto, das histórias que, um dia mais tarde, teremos para contar. Em "A viagem.1" (ver Chuinga) as memórias da infância reavivam-se e os sonhos relacionados com as viagens, em e por África, emergem, deixando-nos a sensação de também termos vivido um pouco daqueles momentos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Carnaval

Não gosto do Carnaval. Tenho sempre a sensação que, nesta época, toda a gente pensa que tem de se divertir à força, para compensar os momentos pouco animados que tem o ano inteiro. Só que é uma diversão por obrigação, porque é convencional, para não quebrar a tradição. Não é sentido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Arte e artesanato

A arte santomense é, talvez de todas as africanas, uma das menos divulgadas, pelo que também uma das menos conhecidas no Mundo inteiro. Há uns tempos debateu-se longamente, no e-Grupo de São Tomé e Príncipe, se a produção era artística ou simplesmente artesã. Na altura defendi a minha opinião, o artesanato pode ser uma forma de arte, e em STP há diferentes situações:
- artesanato puro e simples, que diga-se, a bem da verdade, sem grande qualidade ou perfeccionismo;
- a produção artística existe e começa a ser divulgada em Cabo Verde e em Portugal, principalmente, e em grande medida, graças à persistência e ao apoio do João Carlos Silva, na génese artista plástico ("Na Roça com os Tachos", programa culinário da RTPÁfrica e RTP2), actualmente promotor do projecto Agro-Turístico "Roça de S. João" e incentivador dos artistas santomenses através da escola de ensino informal da Roça de S. João e das formações com exposições na galeria Teia d'@rte, na cidade de São Tomé;
- o artesanato pode revestir uma forma de arte.
A minha opinião mantem-se, pelo que apresento alguns exemplos - pinturas, esculturas e trabalhos diversos para o deleite de alguns - muitos, espero.
NEZÓ - a expressiva simplicidade

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A fantástica arte do MACHIDO

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Pintor santomense - WALSON - imagem que, a cada vez que a olho, me faz pensar

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Mais uma do NEZÓ - é fantástico como podemos identificar, sem parar, rostos na sua pintura

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Pintor Santomense, nunca é de mais vê-lo e revê-lo - NEZÓ

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Tela exposta na "Teia d'@arte" - São Tomé e Príncipe

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As famosas, em STP, "catorzinhas" - escultura da Associação PICA PAU

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Escultura em Madeira - MACHIDO

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Pintor Santomense - NEZO

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Dúvida

O que é preferível:
1. aceitarmos um trabalho, mesmo interessante, sabendo que não temos condições para o cumprir com perfeição e seriedade?
ou
2. recusarmos?
Eu optei pela segunda hipótese.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

O que dava por um sonho?

Imagine o sonho da sua vida. Imagine que, à partida, é irrealizável, inatingível, algo com que sonhou durante toda a sua vida e que hoje quando pensa nisso, sente que está a anos luz de o conseguir realizar. Já está? Então agora pense no que estaria disposta a fazer para o realizar e sentir a felicidade invadi-la, nem que fosse por 5 segundos.
Este foi o tema de uma reunião de grupo que nos permitiu analisar... bancos! Mas só o percebemos no final: primeiro discutimos bancos, características, imagem e publicidade, e apenas no final analisámos os sonhos e os projectos. Foi engraçado e interessante porque nos permitiu repensar o que está por detrás da frase - Mil sonhos.

Ao Meu Anjo da Guarda

Meu caro Anjo da Guarda,
Se existes, como se diz, e a verdade é que já senti por mais do que uma vez a acção da tua presença protectora, peço-te que veles por mim nestes dias. Relembro-te apenas que decisões importantes estão a ser tomadas no que respeita ao meu futuro próximo, pelo que a tua colaboração é fundamental, preciosa, imprescindível.
Assina: A Tua Protegida

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

E...

E... a dúvida surgiu de forma implícita e sem ser aprofundada, atirada, no meio de uma conversa, através de uma troca engenhosa de palavras, que ele tanto gostava de utilizar, como meio de a confundir e levando-a a dizer a verdade. Ela emendou-o e ele sorriu. Mas não referiram mais o assunto, aliás como era habitual entre os dois.
Agora, que ele já não está ao pé si, ela escreve a resposta às dúvidas dele porque um dia deixá-lo-á ler, fazendo-o ver que se enganara com o julgamento que fizera a seu respeito:
"Não, o passado não voltou, nem poderia voltar. Há países que ficam para sempre na nossa memória pelos maus momentos e pelas más experiências que vivemos. Há pessoas que nos marcaram de tal forma que jamais as poderemos voltar a amar. E ao contrário, há países aos quais nos sentimos ligados para sempre pelos dias felizes que tivemos. Há pessoas por quem sentiremos sempre um carinho muito especial. Tu fazes parte destes últimos. Ficou claro?"

Dependências

Há dependências de todas e cores e feitios, das mais diversas formas e dimensões, que se adaptam melhor ou pior ao estilo de cada um. É uma tarefa difícil fazer com que algumas pessoas as reconheçam como suas, sobretudo quando toca a temas sensíveis. As mais comuns são já corriqueiras de tão banais - o tabaco, o café, as pastilhas elásticas, os chocolates. Depois aparecem outras, que também estão vulgarizadas, como o álcool e as drogas - por todos os cantinhos se vende e se consome. Principalmente no que respeita as estas últimas, os riscos são infinitos e as consequências devastadoras. Não é fácil reconhecê-las como nossas, pelo estigma que carregam, mas todos conhecemos alguém que já passou ou está a passar por uma delas, ou até pelas duas, e tendencialmente escondemos o facto. Há a dependência do trabalho, que nos retira qualidade de vida, começando por ser um refúgio.
Mas há outro tipo de dependências, que chegam a ser doença, e que representam um tabu, do ponto de vista social - pouco se fala delas e quando se fala, é com 30.000 cuidados. Nesta categoria inclui-se o sexo, puro e duro, sem ligação, sem sentimentos e sem afecto. E normalmente não pensamos desta forma, mas há quem seja sexodependente, quem necessite de sexo para viver como outros precisam de água, de alimento ou de um sono descansado. Há pessoas que fazem do prazer físico, de natureza sexual, a sua forma de vida. Não, não falo de quem faz disso profissão, porque esses são casos de necessidade e não de dependência. Falo dos que vêem a vida exclusivamente com base na dimensão hedonista ligada ao prazer físico-sexual, os que não conseguem entender que os outros tenham outra forma de o encarar, aqueles que concebem o acto sexual com um sentido meramente utilitarista. Estes que, sem sexo, se sentem absoluta e profundamente derreados, ultrapassados, menosprezados e infelizes.
Mas se para as outras dependências existe cura, com certeza que para esta também haverá, só que para isso, será com certeza necessário um reconhecimento prévio, pelo próprio. E isso não é, de facto, fácil de conseguir.

Olhe que já está na altura...

E lá estava eu no Vitor em Alcabideche, restaurante que faz parte das memórias da minha infância, a conversar com um dos empregados, que conheço desde que me lembro de existir.
- Então... e já se casou? - perguntava-me ele meio receoso de me ofender, à medida que se ia informando acerca da vida de cada membro da família.
- Não, ainda não - respondi sorridente e certa que, desde que as oportunidades afectivas tinham surgido na minha vida, a opção de me manter fiel aos meus princípios tinha sido a melhor de todas.
- Mas olhe que já está na altura... uma rapariga assim, sem marido...
E eu ri com vontade, pois o que havia eu de fazer mais perante tal perspectiva.
- Há tempo, se tiver de ser - respondi-lhe para o tranquilizar.
- Mas os filhos deviam vir - continuava ele, cheio de boa vontade, numa tentativa de me convencer da importância do casamento na vida de uma jovem senhora.
- Pois deviam, mas ainda não houve oportunidade para pensar nisso...
- Mas nem tem pretendentes? - continuou ele com incredulidade.
- Sim, pretendentes há, mas não são convincentes. Sabe que os homens dão muito trabalho... e ainda não tive coragem para aceitar esse emprego. Às vezes, a melhor opção, quando não há certezas, ou quando as há sem vontade, é mesmo não criar confusões na nossa e na vida dos outros.
- Ah... mas desde que seja a pessoa certa...
- Pois é essa é a grande dificuldade, encontrar a pessoa certa. Vai na volta e tenho andado nos locais errados - respondi a rir.
E com este argumento ele ficou mais conformado, deu-me uma palmadinha no ombro, piscou-me o olho, sorriu e concluiu:
- Deixe lá, há-de aparecer...
Eu sorri e pensei - mas afinal todos pensam que por não se ser casado é-se menos pessoa. Pois é, a altura certa... e esta, será que deve acontecer quando os outros assim o consideram, ou quando a sentimos verdadeiramente?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Vénus e Marte

E, de uma simples dúvida, acerca das diferentes paisagens com que o céu nos pode presentear, surgiu uma conversa interminável acerca de Vénus (deusa do amor) e de Marte (deus da guerra), com consequências futuras, apesar de muito infelizes. Marte venceu Vénus, sem que qualquer um dos dois tivesse verdadeira consiciência disso.

Estrelas: pontinhos no céu

Hoje olhei para o céu e vi, uma vez mais aqueles pontinhos brancos e brilhantes espalhados no fundo escuro. Chamam-lhes estrelas e dizem que vivem numas famílias chamadas constelações. A verdade é que o céu fica muito mais bonito quando elas aparecem, dando-nos a ideia de estar habitado por seres tão importantes que brilham, onde quer que estejam, até no escuro, tornando-se guias e pontos de referência para nossa orientação. Algumas são conhecidas por quase todos e gostamos de as identificar, quando observamos aquela infinidade de luzinhas lá no alto, porque nos fazem sentir confortáveis.
Um dia, num país muito distante, onde tudo é tão diferente, numa das Áfricas por onde andei, olhei o céu e senti-me perdida só por não ver as minhas amigas, as luzinhas brilhantes, organizadas da forma de sempre. Elas estavam ali, muitas mais do que as que via no "meu céu", mas eram para mim simpáticas desconhecidas, desenhando formas diferentes que eu jamais conseguiria entender e perguntei a alguém que estava a olhar o céu, tal como eu, onde estava Vénus, e a Ursa Maior, e a Ursa Menor, e... alguém respondeu-me que o céu ali era diferente. O céu que eu procurava tinha ficado lá mais para cima, num local bem acima do Equador, essas eram as estrelas do Norte, mas as que eu via eram as estrelas do Sul.
E assim, tentei explicar a uma criança, que gostava de observar as estrelas todas as noites, e que nelas via janelas abertas para o Mundo, que o céu, tal como tantas outras coisas, é diferente em função da perspectiva que temos quando o observamos...

Actualização de Fotos

O Caminhadas e Descoberta em São Tomé e Príncipe dedicado a fotos foi actualizado. Não deixem de consultar e comentar.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Quando...?!

Um dia... hei-de dançar com tamanha vontade que conseguirei voar junto às estrelas, passar bem junto da lua e ver as duas faces que a compõem quando está cheia, redonda, feliz. Hei-de sentir a luz e ficarei tão iluminada e brilhante que todos à minha volta sorrirão, por não haver sombras, nem medos porque os papões e os fantasmas já foram dormir para outro local qualquer, bem longe de mim. Hei-de olhar o futuro de frente com a alegria dos dias solarengos, encantados pela música e pelos cânticos entoados por vozes celestiais. Hei-de sentir a paz tomar conta de mim, na envolvência do teu abraço terno, quente, protector. E aí, nesse dia, não sei quando, dir-te-ei: hoje atingi o estádio supremo da felicidade.

1 ano de Caminhadas e Descoberta em STP

O "Caminhadas e Descoberta em STP" faz 1 ano. O Grupo cresceu, transformando-se. Começou por ser um projecto com objectivos específicos e essencialmente "concentrado" nos participantes das caminhadas que se faziam em STP mas, com o tempo e como resultado da evolução que foi sofrendo, passou a ser um Grupo alargado, constituído por portugueses, santomenses, italianos, espanhóis, franceses e brasileiros, com áreas profissionais diversificadas, com interesses diferentes, mas com alguns pontos em comum:o gosto pelas actividades ao ar livre; o prazer pelas caminhadas; a paixão pela descoberta; a ligação a São Tomé e Príncipe.
A actividade comunicacional do Grupo não tem sido constante ao longo dos meses, verificando-se oscilações muito acentuadas no número de mensagens partilhadas e, actualmente, adquiriu uma função mais informativa e de divulgação. Muitos dos membros, que dinamizavam e realizavam as caminhadas, nos quais se incluem os mentores da ideia da criação deste e-grupo, já não residem em STP, pelo que as programações e as descrições do que se fez num fim de semana deixaram de aparecer com a regularidade anterior.
As descrições partilhadas, que deliciaram todos os que tiveram a possibilidade de as viver e que tanto fizeram sonhar os que estavam distantes, não podendo usufruir das situações mais aventureiras e dos episódios mais marcantes que fazem parte da História deste Grupo, constam dos arquivos de mensagens, pelo que nunca é de mais relê-las, seja para relembrar momentos ou para ter em atenção em futuras programações de actividades.
A secção destinada às fotografias foi uma das mais preenchidas, tendo recebido contributos de diferentes membros, de tal forma que, pelo reduzido espaço disponível, foi criado um link para uma página exclusivamente vocacionada para a publicação de fotografias (
http://fotoscaminhadasedescobertastp.blogspot.com/). Esta é uma secção a ver e a rever, afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras.
No que respeita ao carácter informativo, as secções files e links têm sido actualizadas, e continuarão a ser, com sites, textos, dados ou outro material considerado importante sobre as questões ambientais em STP (meios aquáticos ou florestais, animais e plantas).
O balanço possível é breve, já que a vida do grupo é ainda curta. Mas, todos os membros estão de parabéns, pelos contributos directos, manifestados sob as mais diferentes formas, ou indirectos.

sábado, 29 de janeiro de 2005

Sobre o Passado

Li o Eduardo Prado Coelho e só lhe posso dar razão:
"Há dias mais propícios à melancolia. Sentimos que aquilo que para nós fazia sentido deixou de fazer sentido para os outros, e que as tentativas de manter um discurso lúcido, de prazer e inteligência das coisas e da vida, parece irremediavelmente condenada por um formato obrigatório que tudo tritura e tudo desrespeita. Descobrimos que o passado não é o que deixou de existir; existe, sim senhor, bem perto de nós: porque nós hoje somos passado neste presente em que não nos reconhecemos.”

Vontade de Viver

Nieztsche era sábio, apesar de, por vezes, confuso. Aqui fica um pouco da sabedoria:
“A ilusão pode ser pragmaticamente mais útil para a vontade de viver do que a verdade”.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

Coincidência ou talvez não

Hoje, enquanto olhava o pôr-do-sol, dei comigo a pensar: as minhas relações afectivas terminam sempre em Janeiro e, normalmente, sou eu que desando, após me saturar de tal forma que já não vejo outra saída. Isto deve com certeza ter uma explicação ligada aos astros!!! Qualquer coisa relacionada com o início de um novo ciclo anual, sei lá eu... mas não deve ser coincidência...

Visão ou criação

Hoje estou numa excitação sem fim. Vi o Raio Verde!!! Nem posso acreditar... mas tenho a certeza que o vi, não foi invenção. Vou tentar explicar o que aconteceu. Por volta das 17h45 a praia de Carcavelos estava calma como há muito não a via. O mar chão, o céu alto e límpido, só ao longe, muito ao longe no horizonte, umas nuvens, 3 ou 4, bem desenhadas, brancas, perto do sol, que iniciava a sua caminhada em direcção ao ocaso. À medida que baixava, ia deixando uma faixa de tonalidade estranha, laranja, forte e intensa, dando à paisagem uma coloração diferente da habitual, e transmitindo a quem por ali passeava uma sensação de paz.
Fixei-me no sol, redondo, grande, cor de laranja, a desaparecer muito mais rapidamente do que eu desejava, porque, como ando em fase de introspecção prolongada, aquele local e aquela imagem ajudavam a reflectir e a ficar com as ideias mais claras. Mas, de repente, baixou, deixando aparecer um rasto verde, horizontal, intenso e contrastante com as restantes cores e que, nuns breves segundos, se foi misturando com as outras cores, esbatendo-se.
Eu vi!!!! Nem podia em mim de tamanha surpresa. Afinal, enquanto estive em STP na minha mais longa estadia, ouvi infinitas vezes um amigo referir o fenómeno e nunca acreditei muito na conversa, apesar de me saber bem ouvir aquelas palavras em tom de brincadeira. O resultado da história sobre o Raio Verde não foi brilhante... mas isso agora também não é importante. A verdade é que pesquisei tanto que acabei a escrever um artigo que foi publicado na "revista piá" nº 18 de Maio de 2004. Mas o que conta mesmo é que o vi hoje!!! O que, segundo os entendidos, auspicia sorte e felicidade. Os meus segredos não os revelei, porque cada vez menos os revelo, mas tenho de admitir que me lembrei deles, um por um. Só tive pena de não ter a máquina comigo, senão teria registado o momento.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

O meu cão

O meu cão tem um relógio na cabeça, na barriga ou no coração. Invariavelmente, todas as noites, à mesma hora, e sem ter os estímulos de que o Pavlov falava, fica impaciente e pede para ir à rua. O objectivo dele não é apenas a rua, já que 3 horas antes faz o seu passeio da tarde, e quando o levo, após o jantar, ele despacha-se em 10 minutos e corre para as escadas do meu prédio a uma velocidade inacreditável. O que o motiva a ser um chato e não me deixar fazer mais nada, sob pena de andar atrás de mim como uma sombra, é a perspectiva de ir para o conforto de uma cama acolchoada com um cobertor e ser aconchegado com um outro cobertor. Sim, já sei, o meu cão tem mordomias que muitas pessoas não têm. É verdade. Mas, para ser franca, considero que quem tem animais deve cuidar deles e este é um cão particularmente fiel e dedicado, por isso merece muitas e muitas atenções.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Criatividade ou talvez não

Acabei de receber um mail com o seguinte conteúdo:
"Sou blogonavegante e passo pelo África muitas vezes. Gosto do que leio e reconheço que você tem uma imaginação imparável. Cria com facilidade".
Claro que fiquei contente com o mail do João, porque além de simpático, é elogioso, mas fiquei a pensar. É que ainda hoje um amigo me dizia no msn, a propósito de nada, que tenho uma imaginação fértil. Esse inquirirei um dia, quando estiver de feição. Mas parece-me que isto começa a ser preocupante... é que, no caso, talvez não seja imaginação nem criatividade acesa. Talvez se trate mesmo de situações reais. Estarei eu a tratá-las - à maioria - de forma aligeirada?! Vou meditar sobre o assunto.

Tartarugas - I

Quero escrever sobre tartarugas, pensei num final de tarde.
Gostava de começar a escrever sobre temas que não eram os da minha formação porque era uma responsabilidade acrescida - tinha de pesquisar, ler, estudar para poder escrever um texto compreensível, que fizesse sentido e, sobretudo, que fosse correcto do ponto de vista científico.
Desta vez o tema de eleição foram as tartarugas - conheci-as mais de perto em São Tomé e fui seduzida pela espécie. Já tinha ficado sensibilizada numa das viagens que fiz às ilhas gregas - Zakynthos era uma das zonas de passagem, desova e nidificação. Mas foi em África que as vi, lhes toquei e ajudei um grupo de 40 a seguirem o seu atribulado e incerto percurso, mar fora, até um dia, cerca de 30 anos mais tarde regressarem ao mesmo local para desovar.
O encantamento leva ao enamoramento, dizem alguns. Não sei se partilho sempre desta máxima, mas neste caso foi mesmo verdade. Encantei-me e apaixonei-me por este ser tão engraçado que, em estado adulto, até consegue morder em tubarões, para os afastar.
Falarei delas mais tarde.

Podemos...?

- Podemos sentir saudades do que não conhecemos?
- Só se imaginarmos como é...
- Mas então só sentimos saudades da imagem que criámos, e essa pode não corresponder à verdade.
- Pois é...

Bloquear

Liguei o telemóvel, que tinha estado a carregar, e tinha umas quantas mensagens dele. Ansiosas e urgentes, sem referências ao motivo. OK, pensei, vamos ver o que se passa.
- Oi, tudo bem?
- Sim, queria falar-te mas como sempre tinhas os telemóvel desligado, nem sei para que o tens - atalhou ele de forma seca.
- Ah, estava a carregar, mas então, houve alguma avalanche ou um cataclismo qualquer? - perguntei a rir para aleviar a conversa que se apresentava tensa e que, já sabia, tenderia a piorar.
- Precisava de te perguntar se quando bloqueamos alguém no msn, a pessoa se apercebe. Não és tu que tens a maioria dos teus contactos bloqueados? - respondeu-me com ironia.
Sim, era verdade, eu tinha a maioria dos contactos bloqueados por várias razões: conseguia trabalhar melhor sem que, de vez em quando, me surgisse uma caixa a dizer "olá" ou "o que fazes", "não dizes nada e já aí estás há tempo"; não estava permanentemente a ver as caixinhas de aviso de entrada a aparecerem sempre que alguém entrava; não queria mesmo falar com algumas pessoas que não me eram muito agradáveis. Fiquei apenas com os contactos on line das pessoas com quem quero conversar, as outras vêem-me off.
- Ah, não, só te vêem como se estivesses off line, não se apercebem que as bloqueaste. Já percebi, vais-me bloquear, portanto - disse eu a rir
- Não - resmungou ele com efectivo mau humor - não é a ti que vou bloquear, mas também já não preciso da informação porque outra pessoa já me explicou. Olha, queres vir beber um copo comigo hoje? - E antes que eu conseguisse dizer o que quer que fosse, ele respondeu - não, já sei, estás com frio e queres ficar em casa.
E ainda há quem diga que eu tenho mau, não mau é pouco, péssimo feitio...

39 degraus

Experimentei. O serviço não é irrepreensível, a comida não prima pela particularidade, mas o espaço é muito agradável. Para almoço é concorrido qb, mas para passar um pouco da tarde, de forma descontraída, vale bem a pena. Chama-se 39 degraus e fica na Cinemateca - Rua Barata Salgueiro, 39, em Lisboa (213122518)

Vontade de pintar

Quando era pequenina, e isso já foi há uma eternidade, gostava de fazer desenhos e pinturas, em qualquer tipo de material. A prova é que, pelas diferentes divisões da minha casa, existem vasos e outros objectos pintados por mim, em momentos de profunda inspiração, e até são dignos de estarem expostos aos olhares de todos.
Infelizmente, à medida que fui crescendo, a veia artística foi diminuindo de tal forma que hoje se limita ao envernizamento de conchas, aos arranjos florais e à gastronomia. Até o ponto cruz, que tanto prazer me dava por exercer efeitos tranquilizantes, deixei. Digo infelizmente porque se tivesse um traço firme, e se, das minhas tentativas, alguém conseguisse perceber qualquer coisa, sem ser um amontoado de riscos, já saberia o que fazer da vida.
De vez em quando, porque me apetece dar azo à criatividade e "soltar a pintora" que gostaria que houvesse dentro de mim, tento desenhar, mas o resultado é tão desastroso que decido imediatamente não gastar dinheiro em materiais de pintura. Não valeria a pena, já que o que conseguiria não ultrapassaria a frustração, e essa, além de existir, já tem causas mais do que suficientes.

Bazaruto na Rotas e Destinos

E Bazaruto também aparece, magnificamente sedutor, um arquipélago de belezas infinitas. A registar o link para a Rotas e Destinos dedicada a Bazaruto.

STP um destino

Na revista Rotas e Destinos, Novembro de 2004, STP aparece no seu melhor. Frases sentidas, fazendo relembrar o que jamais poderia ser esquecido. Vale a pena ler e ver as fotos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Exposição do Eduardo Malé

Exposição de pintura do santomense Eduardo Malé:
livraria africanista Mabooki (R. João Pereira da Rosa, 8, 1200 – 236 Lisboa, no Bairro Alto junto ao Conservatório de Música,
de 27 de Janeiro a 24 de Fevereiro

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Amendoeira (2)

E a "minha" amendoeira florida, que me faz companhia pela manhã e pela noite, quando passeio o meu cão, estava ontem mais bonita do que nunca, envolta por nevoeiro e iluminda por uma lua cheia, redonda, lindíssima.

Há 1 ano

Há 1 ano que não vou a África. Lembrei-me disso, hoje por acaso, talvez pelo frio que sinto, pelo dia triste que esteve - o céu cinzento, a neblina, as temperaturas pouco confortáveis, que me fizeram ir a correr comprar lenha para a lareira. É verdade, neste ano ainda não tinha tido o prazer de a acender e de ficar a olhar as labaredas cor de fogo, de sentir o bafo quente que de lá sai e de ouvir a lenha a crepitar, à medida que vai ardendo. É uma magnífica sensação, esta que o inverno permite, transformando minutos de prazer num conforto infinito.
E fui pensando: tenho de preparar, para a festa de anos de logo à noite, a mousse de chocolate com bocadinhos de toblerone, que, em África, aprendi a fazer com um amigo, que primava pela criatividade gastronómica. A receita foi improvizada mas saiu tão bem que, por cá, já não querem a minha mousse de chocolate sem esse pequeno grande pormenor, que a torna tão diferente e tão especial.
Xê... há um ano, tinha eu acabado de chegar a Lisboa, vinda de STP e nem cheguei a fazer um doce para o jantar. Mas hoje tenho tempo para isso e muito mais. Engraçado como, num ano, tanta coisa pode acontecer.

Frio

A pele arrepia, os músculos contraem e os ossos enregelam até doer. A alma esfria e o coração congela. Está frio e as saudades de África aumentam. E de ti também.

sábado, 22 de janeiro de 2005

Porque é que as pessoas se casam?

- Porque é que pensa que as pessoas se casam? - perguntou a mulher ao detectiva quando o visitou para investigar o motivo das ausências e das chegadas tardias do marido.
- Por paixão... - respondeu o detective
- Não... - respondeu a mulher
E a chave está brilhantemente traduzida no filme "Shall we dance" com Richard Gere, Susan Sarandon e Jeniffer Lopez (péssima actriz, mas é de reconhecer que enche visulamente o écran). Um homem na casa dos 40s, casado vai de 19 para 20 anos, com 2 filhos adolescentes, um rapaz, que se supõe que esteja na universidade porque só está em casa no aniversário do pai, e uma rapariga de 14 anos. Ele é um advogado bem sucedido, ela uma produtora de moda também realizada, vivem numa casa magnífica e até têm um cão, são ambos bem parecidos e, apesar de terem horários desencontrados, não discutem e vivem seguros, em harmonia e felicidade aparente. Até ao dia em que ele reconhece que lhe falta qualquer coisa e decide inscrever-se numa escola de danças de salão, sem que ninguém na família saiba ou desconfie, e após ter vislumbrado uma linda mulher numas das janelas da escola. A atracção física é uma evidência e o filme decorre num crescendo de proximidades entre ele e a tal professora de dança. A mulher descobre, com ajuda do detective do diálogo, e os desconfortos emergem até ele tomar consciência do que é verdadeiramente importante para ele - a estabilidade e o afecto que foram sendo alimentados e construídos ao longo do tempo. Porque é que as pessoas se casam? Para compartilharem momentos bons e maus, para crescerem em conjunto, para se apoiarem, por terem a noção que pode haver situações em que ninguém nos observa, valoriza ou se preocupa connosco, a não ser aquele(a) ali, que optou por passar a eternidade ao nosso lado. E afinal havia romantismo!
Não é por paixão, é por... - vão ver o filme. É leve, ligeiro e sorridente, mas trata de um assunto IMPORTANTE! Curioso como, ao vê-lo, me lembrei de algumas pessoas...

O que é a ética?

- O que é a ética para ti? É um conceito subjectivo ou universal? - perguntou ela com um olhar insistente, a meio de uma troca de palavras menos cordial.
- Ora aí tens uma boa pergunta. Prometo que vou pensar... não é que não queira responder... é que na verdade, para já, não tenho a resposta - afirmou ele com um ar distraído, certo que essa era uma questão que jamais faria parte das suas preocupações.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

Desabafo de um homem com coração de manteiga

Diz-me, como se pode gostar tanto de alguém, infinitamente, até à exaustão, como eu gosto de ti? Porque é, por vezes, o amor um investimento pouco rentável, não tendo retorno? Porque será que quanto mais gostamos e nos entregamos, menos somos apreciados? Porque terão os sentimentos de ser um jogo?
Estou farto, cansado de ser um dos teus brinquedos preferidos, um pião que vai rolando ao sabor dos teus desejos. Estou fora, out, indisponível, a partir de agora para os teus anseios, vontades e caprichos. Vai pedir a outro que te escute os lamentos e te aconselhe nas inseguranças. Para ti, saí!

Lágrimas

Hoje é o dia das lágrimas, longas e grossas, gordas e corridas, seguidas umas às outras, térmicas pelas diferenças de temperatura que emitem, transformando-se segundo após segundo. Umas quentes e outras frias, transmitindo sentimentos fortes de raiva e desilusão, de melancolia e tristeza. Quero chorar até nada mais sentir e me passar toda a ebulição sentimental que vive dentro de mim.

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces. Estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: "vem por aqui!". Eu olho-os com olhos lassos, (há, nos olhos meus, ironias e cansaços) e cruzo os braços, e nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. Que eu vivo com o mesmo sem-vontade com que rasguei o ventre à minha mãe. Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos...Se ao que busco saber nenhum de vós responde. Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, redemoinhar aos ventos, como farrapos, arrastar os pés sangrentos, a ir por aí... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens, e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós que me dareis impulsos, ferramentas e coragem para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, e vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, amo os abismos, as torrentes, os desertos...Ide! Tendes estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátria, tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém! Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; mas eu, que nunca principio nem acabo, nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, é uma onda que se alevantou, é um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, não sei para onde vou. Sei que não vou por aí!

JOSÉ RÉGIO


Sábio Pedido

"Senhor, Ajuda-me:
A mudar o que pode ser mudado;
A aceitar o que não pode ser mudado;
A aprender a distinguir uma coisa da outra
(...)
Sem a arrogância das certezas absolutas..."

Selecção

- Se fica sempre chateada com algumas atitudes, porque insiste em dar-se tanto?- perguntou-lhe o conhecido que, com o tempo, adquiriu o estatuto de Amigo.
- Porque... - respondeu Clara desorientada - pois... para ser franca, também não sei bem.
- Você dá-se às pessoas que não a merecem e que não reconhecem as suas qualidades, aproveitam-se de si e ainda se divertem à sua custa. Tem de aprender a seleccionar e, antes de se entregar a quem e de que forma seja, a saber distinguir as boas pessoas, que lhe interessam, e as outras, que não interessam a ninguém - afirmou ele com sabedoria.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Cansaço

Fui invadida por uma onda de cansaço e desalento, e nem sei explicar porquê. Talvez saiba mas não queira dizer ou pensar nos motivos reais que me causam tamanha sensação de desconforto físico e psicológico. Pensar dá agora trabalho, demasiado, e desgasta só de imaginar as conclusões a que poderia chegar. Não sei sequer se o esforço tem retorno, por isso... dou comigo apenas a tomar consciência do cansaço, num crescendo imparável, até me sentir tão esgotada que ter os olhos abertos já é uma prova quase sobrehumana da minha boa vontade e persistência.

A melhor defesa é o ataque

É espantoso como algumas pessoas manifestam o medo: de perder estatuto e reconhecimento; da competição profissional e científica; da troca de ideias e da valorização de áreas temáticas diferentes das que defendem. É curioso, tenho de dar o braço a torcer e reconhecer que um amigo tinha razão quando me dizia há uns tempos, a propósito de outros negócios (é que a expressão adequa-se e muito bem): "A melhor defesa é o ataque".

Ódios de Estimação

Os ódios de estimação são fundamentais para que possamos levar uma vida tranquila e equilibrada qb e, se não existissem com certeza tudo seria muito mais difícil de suportar. Afinal são eles que nos dão alento, nos dias em que tudo nos está a correr menos bem, e quando a Lei de Murphy se revela como verdadeira. É neles que descarregamos a nossa raiva e os sentimentos menos edificantes, a maioria das vezes de forma indirecta. Falamos acerca das suas vidas, comentamos criticamente as atitudes que consideramos socialmente desadequadas, a vida amorosa e o percurso profissional, sabemos tudo ao pormenor e, quando não sabemos, procuramos manter-nos informados, porque só assim continuamos a alimentar e a estimar o nosso adorável ódiozinho. Na verdade, revelam-se excelentes elementos motivacionais para nos tornarmos melhores, dia após dia, sobretudo diferenciando-nos do que eles são.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Amendoeira em flor

À porta da minha casa vive uma amendoeira brava/selvagem. Ninguém a plantou, pelo menos que se saiba, e ninguém se ocupa a cuidar dela. Todos os anos em Janeiro floresce e, de ano para ano, com maior robustez e vigor. Creio que este ano está no seu auge: cheia e de tal forma carregada de flores brancas que não caberia nem mais uma. Todos os dias, pela manhã e à noitinha cruzamo-nos e troco duas ou três palavras com ela. Pouco percebo de flores mas dizem que gostem que se converse com elas, mas percebo de pessoas e tenho a certeza que a conversa nos faz bem, temos a sensação que nos ouve e que partilha connosco as alegrias e as tristezas, as angústias e as preocupações, os desejos mais profundos. Quando está vento, como hoje, os ramos baloiçam, as flores e as folhas, que as acompanham, mexem-se, fazendo-nos acreditar que têm a sua própria capacidade de comunicar, concordando connosco, ou pelo contrário fazendo-nos ver que não estamos certos e que devemos ouvir a voz da razão. E hoje, apesar do vento, que soprava com intensidade, a amendoeira em flor estava acompanhada de uma lua, meia cheia meia vazia, mas muito luminosa. Foi uma imagem absolutamente inspiradora e tranquilizante.

Página sobre STP

Mais uma página sobre STP - Além de fotografias antigas contem referências históricas, de enquadramento, referências ao Parque Obô e sugestão de percursos a efectuar, com indicação do tempo necessário, entre outras. Vale a pena fazer uma incursão por lá, porque apesar de não estar muito aprofundado em relação a algumas temáticas, é mais uma referência, e essas nunca são demais.

Testes

A minha perplexidade foi total. Fui fazer testes de selecção que contemplavam três dimensões: prova escrita de português, conhecimentos de inglês e aptidões de matemática e estatística. É verdade, eu tive 18 valores, em 20, na disciplina de Estatística na faculdade, mas foi no 1º ano da licenciatura em Sociologia, ou seja em 1987, e estudei que me fartei. Ouvi falar em muitas coisas e aprendi os rudimentos, mas nunca ouvi falar no teste Kolmogorov-smirnoff. Se as duas partes dos testes correram de forma ligeirinha, para o último simplesmenre não há palavras. Foi indescritível!!!!
Vim para casa e pesquisei - já percebi que é um dos testes não paramétricos, tal como o qui quadrado. Mas, para que serve e como se chega lá... pois isso não!

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Os Meus Queridos ex-Alunos

Tenho de confessar que me agrada muito receber notícias dos meus ex-alunos, sejam eles portugueses ou africanos, vivam no continente ou nas ilhas (Portugal), em África ou noutro qualquer local do Mundo. É verdade, muitos estão hoje espalhados por outros locais - Cuba, Brasil, Argélia, Espanha, França. E, quando abro o mail e vejo que me escreveram - para saber como estou, para contar os sucessos que têm tido e para pedirem conselhos que possam acalmar, de alguma forma, as angústias que sentem - não posso deixar de sentir orgulho e alegria. Lembraram-se de mim e, de uma maneira ou de outra, entendem-me como uma referência, gostaram de mim e, depois de ter passado a fase formativa na qual intervi, procuram manter o contacto, sem esperar nada em troca, a não ser algumas palavras de incentivo que revelem interesse pelo seu percurso e pelas suas vidas. Na verdade, tratam-me de forma carinhosa e afectiva, reclamando um pouco de atenção. O que me agrada verdadeiramente é sentir que gostam de mim.
Este post é dedicado aos meus Queridos ex-Alunos, esperando que continuem como até aqui, a progredir, a amadurecer, a crescer, a ultrapassar dificuldades com sabedoria e muita preserverança, sem desanimarem, com a consciência de que podem fazer mais e melhor. Sempre, porque estão no caminho certo.

Maxim.net

O Maxim.net é um site interessante, tradicionalmente vocacionado para STP, mas onde se encontram muitas referências a outros países africanos. Vale a pena consultar, de vez em quando, pelas notícias culturais, pelas fotografias, pela possibilidade de se trocar impressões e ouvir opiniões diversas.

Moçambique III

Nem sempre a vida nos sorri - pensava Lai, sempre que recordava Mi e tudo o que viveu em Moçambique – Muitas vezes, sem nós percebermos de imediato como ou porquê, não nos é simplesmente permitido realizar afectos de forma contínua, nem sonhos. Tudo fica tão aquém do que idealizámos, pelo menos na altura em que desejámos. Não compreendemos atitudes nem comportamentos. Nem podemos, pela simples razão que desconhecemos as motivações e as razões. Mas isso, a bem dizer da verdade, pode ser uma grande sorte. Afinal, mesmo que, na altura devida, tivéssemos conhecimento de tudo o que se passava por trás do inexplicável, com certeza não teríamos aceite a “balbúrdia africana vivida à europeu”. Não, não era isso que queria ou que quero.
Lai pensava e, sempre que a conversa podia surgir, procurava esclarecer Mi acerca da sua forma de entender a vida, as relações interpessoais, o passado e o presente. O que foi já não pode ser e basicamente ela não quer que venha a ser. Mi não aceitava, ou dizia não aceitar por não acreditar nas palavras de Lai. Para ele, tudo se resumia a uma visão simples, porquê complicar? Uma conversa simples e um café derivavam necessariamente em envolvimento carnal, não necessariamente afectivo e, preferencialmente não sentimental. Mi tentava levá-la, uma vez mais, a seguir as palavras doces e ternas, que tanto a cativaram quando as ouviu, pela primeira vez, na envolvência do ambiente tropical de uma África longínqua, misteriosa e promissora que a levaria à realização dos desejos mais profundos. Naquela altura, algures nos finais do século XX, Lai era uma jovem senhora, que procurava preservar a inocência dos contos e histórias de príncipes, princesas, lugares paradisíacos e vidas felizes, de preferência para sempre. E procurava viver situações típicas de argumento de filme, esquecendo que essas não se transpõem para além do écran.
Mi não foi propriamente um príncipe e de encanto teve pouco ou quase nada. Não queria nem o poderia ser algum dia. Por isso, porquê a insistência? - pensava Lai. E, aos olhos dela, caía nas incongruências típicas de uma pessoa como ele, só que agora já não lhe passavam despercebidas. Tanto dizia que a amava e que queria casar com ela, construir uma vida em comum e ter filhos, como no minuto seguinte relatava, com pormenor, as mulheres que faziam parte da sua vida. Se há um bom par de anos Lai pensou em casar com Mi, mesmo que por pouco tempo, hoje, ao ouvi-lo falar nisso, nem que fosse uma única vez, soava-lhe a brincadeira de mau gosto, a tema pouco credível.
Lai passou a olhar Mi com dúvida e incerteza e essa era, na verdade, a única e possível forma de o entender.

Invariavelmente

os acontecimentos repetiam-se, os pensamentos sucediam-se e as dúvidas surgiam. Já não podia dizer com certezas se a realidade que vivia era mesmo pintada com aquelas tonalidades ou se tudo não passava de era mera ficção.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

In

É costume conotar o prefixo "in" com a moda e as tendências actuais - todos desejam ser e estar, conhecer os locais mais "in" e frequentá-los, ter amigos "in", jantar e passar férias em locais "in". Porquê? Por ser vulgarmente entendido como um sinal de boa integração social (económica, política, cultural e...). Basta pensar na palavra original anglosaxónica, mas esta, normalmente, bem utilizada.
Mas todos se esquecem que o prefixo, só por si é uma contrariedade, o oposto da afirmação. Peguemos, como exemplos, nas palavras indecisão, indiferença, intolerância. São de tal forma negativas que geram maus sentimentos (e pensamentos). A decisão é positiva, bem como a diferença associada à tolerância, tanto na esfera pessoal como na vida profissional. Mas parece que muitos se esqueceram e alguns não sabem mais o que querem. É desestruturante tornando-se confuso, como eu diria hoje aos meus interlocutores, a meio de uma reunião marcada pela indefinição, pela incerteza de vontades, resultando em indecisões.

Sunrise

Sunrise Sunrise
Looks like morning in your eyes
...
Surprise Surprise
Couldn't find it in your eyes
But I'm sure it's written all over my face
Surprise Surprise
Never something I could hide
When I see we made it through another day

Norah Jones

domingo, 16 de janeiro de 2005

Equador, uma vez mais

Após quase 2 anos do "Equador" ter sido editado e lido por uma grande parte dos portugueses - a confirmar pelo número de edições - a irmã era das poucas resistentes que ainda não lhe pegara, apesar dos comentários repetidos, das referências e citações que ouvia, por parte de todos. O livro era fantástico, descritivo qb, um romance apaixonante e viciante, que se tinha pena de deixar quando se chegava à última linha, tendo de se aceitar que terminara. Apetecia relê-lo, uma e outra vez. E mais, falava de STP, aquele magnífico país, permitindo ao leitor uma viagem sem deslocação efectiva.
Um dia perguntou-lhe - Onde está o Equador? Quero lê-lo. - e, após as primeiras impressões, ficou também ela rendida, seduzida pela escrita e pela forma ímpar de relatar, descrever a paisagem, as praias, os momentos de lazer, as angústias e as paixões, os sentimentos mais acesos e intensamente vividos, as relações sociais e a forma como os estrangeiros por lá viviam (e continuam a viver).
A história passa-se há muito muito muito tempo, na altura em que havia governadores, não circulavam carros e as pessoas se deslocavam a cavalo, quando a chegada ao arquipélago era invariavelmente feita de barco, após uma longuíssima e interminável viagem, a terra era trabalhada, por escravos e a economia, de base agrária, era rentável. Mas apesar de tudo se passar numa altura em que ainda havia reis, rainhas, príncipes e princesas em Portugal, o livro é de uma actualidade impressionante, traduzindo uma observação, uma reflexão e uma análise precisas e rigorosas. Apesar dos erros históricos que alguns apontam, mas que são desculpáveis por se tratar de um romance, histórico é verdade, mas romance.
"Na sexta-feira, véspera do baile, a cidade de S. Tomé fervilhava já com os comentários e as histórias do novo governador, passadas de boca em boca, de loja em loja. Nos seus primeiros dias de governo, o novo governador ainda não subira lá acima, às roças (...). Em vez disso, passeara-se de trás para a frente na cidade, entrara nas lojas, cumprimentara os comerciantes e conversara com os fregueses (...)"
Brilhante!

Pôr do Sol

Não se cansava de observar o céu que lhe transmitia boas sensações, principalmente à medida que o final do dia se aproximava. Naquela tarde estava pintado por uma mistura de tonalidades fortes, apesar do frio que fazia, alternando entre o rosa forte e o azul intenso. Cores tão diferentes do pôr do sol africano, pensou, mas igualmente belas, sedutoras, inspiradoras, reconfortantes.
Adivinhava-se um céu estrelado, iluminado por uma lua tímida, em quarto crescente, que apelava à ternura e envolvência de um toque, uma carícia, um abraço, um beijo. Também de um pensamento, de um desejo esperado e de um encontro aguardado. Sonhado.

Gastronomia de STP

Nos últimos dias têm-me pedido receitas de pratos típicos santomenses. Claro que não poderia deixar de pensar no calulu e no angu de banana, no polvo e no pudim de coco. Para já fica a contribuição de uma receita possível de calulu (há formas muito diferentes de o preparar, podendo utilizar-se diferentes folhas, ervas e condimentos, difíceis de encontrar em Lisboa - folha de mosquito, folha de ocá, loba, mambleblê, libo, folha de tartaruga, otáge). O da Inácia - uma das melhores cozinheiras de STP - é inesquecível e incomparável, mas não cheguei a pedir a receita...

Calulu de Frango/Galinha:1 frango (1,200 kg), 250 g de mussua (couve), 1 molho de agriões, 40 g de farinha de trigo, 1 dl de óleo de palma, 2 tomates, 2 cebolas, 6 quiabos, 2 dentes de alho, 3 beringelas, 1 folha de louro, 1 ossame, 1 raminho de manjerona, Água, pau-pimenta, sal e malagueta.
Corta-se o frango aos bocados. Deita-se num tacho, com a couve cortada como para caldo verde, o óleo de palma, as cebolas e os dentes de alho picados, os tomates, sem peles nem sementes, os quiabos, cortados aos bocados, as beringelas, sem peles e cortadas às rodelas grossas, o louro, o ossame e o pau-pimenta, pisados, a manjerona, o sal e a malagueta. Leva-se ao lume e refoga, adicionando uns golinhos de água. Juntam-se os agriões. Cobre-se tudo com água e deixa-se cozer. Na altura de servir, mistura-se a farinha, desfeita num pouco de água, que ferve para o molho engrossar. Serve-se com arroz ou angu às bolas. Nota: Mussua é uma qualidade de couve que há em S. Tomé. Pode substituir-se por couve portuguesa.
O Angu de Banana: 10 bananas cozidas com casca, que se descascam, esmagam e amassam, criando uma massa compacta.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Uma surpresa agradável

Um dia recebi um mail de um membro de um e-grupo de debates sobre STP, ao qual pertenço desde o início da sua constituição, dizendo apenas "preciso de falar consigo". Pensei cá para comigo "quem será este e o que é que quererá?". Respondi-lhe. Ele queria essencialmente ouvir as minhas impressões acerca do projecto que estava a implementar no arquipélago, uma iniciativa de TT, inédita e com particularidades. Afinal eu trabalhava sobre países africanos há algum tempo, conhecia muito bem STP e estava a preparar a pesquisa para o doutoramento, sobre turismo ecológico, o que implicava uma deslocação longa com estadia por lá.
Não fiquei imediatamente seduzida pela ideia, devo confessar, e adoptei uma atitude crítica em relação a muitos aspectos, entre os quais a organização, o planeamento, a preservação ambiental e os cuidados a ter nessa matéria, a forma como os contactos interculturais iriam ser estabelecidos e por aí fora, os cuidados de saúde pública a ter. Fiz recomendações sem fim e alertei-o para os principais riscos - às tantas parecia um corvo agoirento. Mas eu conhecia bem o país, as comunidades locais e principalmente os estrangeiros residentes, estes aparentemente sempre disponíveis mas na realidade apenas à espera do primeiro precalço para darem início à sessão de crítica e maledicência. Eu não queria que isso acontecesse.
A minha ideia era - e é ainda - que o projecto tinha de ser bem sucedido a todos os níveis, e assim muitas mentes supostamente pensantes e influentes iriam ficar sem fala com os resultados. Não poderia haver por onde pegar e para isso tudo tinha de estar perfeito.
Começámos a trocar impressões através de mail e do msn, comigo sempre de pé atrás, representando para ele uma medida de aferição da receptividade e da exequibilidade do projecto. Passou muito tempo, desde as conversas iniciais até ele me convencer que era uma iniciativa de cooperação, ambientalmente integrada e promotora de intercâmbio cultural assente no respeito e na valorização das diferenças.
Acabei por o conhecer em STP, passado um bom par de meses. Encontrámo-nos por lá poucas vezes e, quase sempre de raspão, jantámos em casa de um amigo meu uma vez e a minha atitude crítica manteve-se sempre presente.
Aquando da realização da primeira edição, apoiei-o em STP, escrevendo, mais do que uma vez, para a "revista piá", estabelecendo alguns contactos instituicionais e resolvendo questões pontuais. A minha visão crítica foi-se mantendo em certa medida até hoje. Mas ganhei carinho pela iniciativa e fiz um amigo, que se preocupa comigo e me apoia quando necessário. Ele pode bem dizer o mesmo em relação a mim. Na verdade, os contactos por mail diminuiram e pelo msn terminaram simplesmente, mas, de quando em vez, escrevemos a saber notícias e vamo-nos mantendo informados sobre as evoluções pelas quais vamos passando. O projecto, esse, contiuou e continuará, apesar da minha perspectiva mais cautelosa e das apreensões que me caracterizam naturalmente, vai sendo aperfeiçoado com o tempo. Quem sabe se não radica na preserverança tranquila do João Brito e Faro o sucesso da iniciativa.
Mas, quando penso naquele mail inicial, devo reconhecer que resultou num conjunto de agradáveis surpresas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Segredo Estatístico

Teve lugar hoje no Hotel Altis o Seminário Princípio do Segredo Estatístico, iniciativa conjunta do INE, Conselho Superior de Estatística e GPLP (Ministério da Justiça), onde foram tecnicamente debatidos temas muito pertinentes no contexto actual e muitíssimo interessantes. Despertou-me particular interesse a relação entre a protecção de dados estatísticos e a investigação científica. No início fiquei apreensiva, dado que um dos intervenientes proferiu afirmações pouco simpáticas a este respeito, mas a honra dos investigadores foi salva pelas restantes comunicações. A investigação científica deve ser considerada uma excepção. Faz sentido, afinal o que é de nós investigadores se não tivermos acesso aos dados produzidos por fontes oficiais e credíveis? E há ética na investigação científica. Deve haver, pelo menos!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Um Mundo diferente aqui tão perto

Há locais magníficos em Lisboa. A Estufa Fria é um deles. Talvez por me lembrar África, no geral, e São Tomé, em particular. Talvez por ter um sentido pedagógico implícito e estar associado ao lazer. Talvez pela companhia. Talvez por ter a sensação de não estar em Lisboa: é calmo e transmite tranquilidade à medida que vamos avançando pelos caminhos. Talvez pela densidade de vegetação e pela coloração da paisagem nos transmitir uma sensação mágica.
Tem uma diversidade imensa de flores e de plantas, incluindo cactos, muitas delas tropicais. Intercalado com a densidade de vegetação, estando a maioria das plantas catalogada, surgem cursos de água, pequenas fontes, lagos e caminhos feitos com pedras no meio da água. É magnífico.
Pena é que não se vejam rãs, nem sapos, nem pássaros em quatidade. Mas é boa a possibilidade de vermos patos (reais, mudos e tantos outros) e gansos, em plena actividade, no lago externo à Estufa, mesmo ali, no Parque Eduardo VII.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Não, não é!

Não, não é uma fuga, apesar de alguns estarem a pensar que sim. Nem uma ausência voluntária por motivos menos claros, ou que eu não queira clarificar. Trata-se apenas de problemas informáticos, para os quais não tenho soluções. Este é um mundo que não domino de todo. Esta pequena caixa com quem partilho os meus dias, os meus segredos e anseios, o meu trabalho e as minhas pesquisas, de quando em vez, decide pôr-me à prova. A mim, à minha paciência e à minha resistência. Um dia passo-me e atiro-o pela janela fora! Ele ainda não percebeu que não é insubstituível e, apesar de termos uma relação que já vai em 6 anos, o que faz de nós bons conhecedores dos mútuos defeitos e que por isso nos deveria tornar mais tolerantes, começa a irritar-me profundamente. Um dia troco-o, por outro com uma melhor performance. Mas só depois de defender a bendita tese que fez com que o conhecesse. Não é utilitarismo... é sentimentalismo, apesar de tudo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Motivos para sonhar

É bom termos motivos para sonhar e andar nas nuvens. É como se os maus momentos ficassem esquecidos para dar lugar à esperança, que renasce. É sentirmos que temos as condições reunidas para encarar um novo dia com um sorriso.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

A Saga do LZEC em São Tomé e Príncipe

O LZEC, evento de Todo-o-Terreno que tenho referido mais do que uma vez, está a ser contado com pormenor no Mosquitto, conforme indiquei em 31/12/2004 no post "Histórias que passam por África".
Mas tenho de reforçar que está a ser actualizado e a 4ª parte da saga já pode ser lida. Melhor... é mais do que recomendável - é que, modéstia à parte, fala de mim e bem. E uma coisa destas tem de ser divulgada... Ops...

Golfinhos e outros mamíferos

O "Projecto Delfim", do Centro Português de Estudo dos Mamiferos Marinhos, abrange STP e outras regiões insulares africanas - Bijagós e Ilha de S. Vicente em Cabo Verde. A seguir...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

A personalidade e o Forte Velho

- Gosta de escrever? - perguntou-lhe aquele homem com ar sério, olhar fixo e expressão fria.
- Sim - respondeu ela com o entusiasmo habitual e o sorriso tímido sempre presente quando lhe era proposto um novo desafio.
E assim começou um diálogo de desencontros de objectivos e de entendimentos. Marta aceitou o convite do "homem com ar sério" para um novo trabalho, que iria exigir algum esforço dela mas, por ter esperança de ser bem sucedida, entendeu a proposta como uma oportunidade. Ele tinha por principal finalidade resolver as mágoas de um amigo, a quem ela não tinha dado 1 segundo de atenção afectiva, e nem sequer lhe passou pela cabeça que algum dia viesse a publicar qualquer trabalho dela, por mais qualidade que tivesse. Isto não passava de um jogo para que ela aprendesse a valorizar o que eles entendiam que realmente era importante.
A proposta era interessante - escrever um livro baseado em histórias de vida de africanos em Portugal, por categorias, o exilado, o político, o estudante, o empresário, e por aí fora. Ele ofereceu-lhe um livro, que ela mais tarde devolveu, que serviria de modelo e que a editora que ele representava havia publicado em França, histórias de vida de portugueses emigrados. Marta conhecia bem África e contactos de africanos em Portugal, que tinham vindo por 1 mês, 1 ano ou 1 vida, não lhe faltavam. Sentia-se à vontade e apesar de ser trabalhoso, era mais do que aliciante. Associado ao projecto-livro, estaria a criação de um centro de investigação que ele também pretendia dinamizar e, como ela tinha experiência suficiente nas funções mas estava à procura de emprego, seria ouro sobre azul.
Acertaram pormenores e no final da reunião, ele convidou-a para um café. Ela achou estranho mas não ousou duvidar do "homem com ar sério" que lhe tinha sido apresentado como o ex-assessor de um político importante, ex-jornalista de um semanário famoso e suposto historiador com curriculum na área editorial.
O café não poderia ter corrido pior. A ingenuidade de Marta não a fez acreditar na má fé do homem e ele deixou de imediato transparecer o que lhe ia na alma. Não a poderia ter tratado pior, com insinuações desgastantemente ordinárias, com abordagens fúteis e directas, com avanços que as pessoas menos instruídas não ousariam ter com qualquer mulher. Marta não acreditaria na conversa se não estivesse a ouvi-la e só pensava "tirem-me daqui...", mas não havia ninguém a quem o pudesse pedir naquela altura.
Finalmente foi para casa a pensar nas motivações daquele homem, que sem a conhecer, após a oferta de trabalho, a tinha tentado seduzir sem subtilezas, tratando-a mal. Por certo estava a confundi-la. Foi a situação de assédio mais directo que teve, em trinta e tal anos de vida. Inacreditável, inqualificável, inconcebível.
Ele deu-se mal porque ela não cedeu um milímetro e ganhou-lhe tamanha aversão que, no dia seguinte, lhe foi devolver o livro, sem o ver, deixando o envelope no porteiro do prédio onde a editora funcionava. Acabou por cortar de vez com qualquer tipo de contacto, mesmo o cordial com o amigo do "homem com ar sério", após ter compreendido a arquitectura montada.
E durante quase um ano não ouviu mais falar de tal peça. Mas hoje, a frase por ele utilizada "podemos ir ao Forte Velho", bar de fama duvidosa, ali para os lados de S. João, repetiu-se uma vez mais na cabeça dela, sobretudo porque na sequência vieram outras menos agradáveis e mais directas à mensagem que ele procurou transmitir, a comparação entre Marta e uma moça com modos de vida nocturnos.
Mas ela não gostou da comparação, o que só a valorizou perante tamanha perversão. Afinal, por quem a tomava ele, quando nem a conhecia? A verdade é que o amigo do "homem com ar sério" tinha tido um interesse por Marta, que nunca o valorizou, apaixonando-se por um outro. Ele nunca lhe perdoou a falta de interesse e fez tudo por se vingar com esta e outras brincadeiras de mau gosto, prejudicando-a e fazendo-a sentir-se mal.
Marta nunca mais quis ouvir falar deles, até ao dia em que nas notícias ouviu que o "homem com ar sério" era um dos elegíveis de uma lista que se candidatava às eleições. "Vai virar figura pública e vou ter de o ver algumas vezes a entrar pela minha casa dentro" pensou com ar entediado. "Falta ver se será figura pública no país ou de um outro reino, o do Forte Velho".

Lembranças

E todas aquelas fotografias tinham um efeito melancolicamente positivo sobre ela, faziam-na reviver momentos únicos, de alegria e de esperança, alguns menos bons, maus até, mas que foram sempre sucedidos de novas alegrias e que, por isso, ela relativizava. Procurava, a todo o instante, valorizar o tempo bem passado, com companhias agradáveis, rodeada de natureza, fosse praia ou floresta. O que contava para ela era que as paisagens intensas lhe transmitiam paz e tranquilidade, revitalizavam-na e permitiam que os melhores sentimentos emergissem. Ela procurou, tanto para trabalho como para ocupar os tempos livres, ambientes de tal forma preservados que se revelavam inspiradores. Acabou por associar os dois tipos de actividades, no trabalho fazer o que gostava, junto dos animais e das plantas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Acreditar nas diferenças

Não queria acreditar nos gestos, nas palavras e nos olhares, mas os reencontros contradiziam a sua vontade. Apesar das diferenças mais do que evidentes, o sentimento ressurgia, uma e outra vez. Na verdade, nunca deixou de estar presente, apesar das ausências...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

domingo, 2 de janeiro de 2005

Não gosto de anos bi-sextos

Não gosto de anos bi-sextos, pode ser superstição mas a verdade é que me correm mal em quase tudo: na família, no amor, na saúde, no dinheiro, no trabalho e nas realizações. E para grande pena minha, 2004 não foi excepção, as coisas não me correram nada bem e, para ser franca, estava desejosa que terminasse e que desse lugar a um novo período, quem sabe a um novo ciclo.
Não precisaria de confirmação porque a minha experiência - não é que seja assim tão longa mas a suficiente para me conferir alguma autoridade para falar acerca da matéria - já me dava essa indicação. Mas como meio de certificação das minhas desconfianças e má vontades, muitos foram os acontecimentos que, em 2004, comprovaram que os bi-sextos são anos azarentos, que auspiciam calamidades, infortúnios e desgraças.
Mas finalmente ele terminou e é uma sorte só termos outro daqui a 4 anos... Até lá esperemos (e façamos para) que a paz possa reinar, acompanhada de esperança, de bem estar e de felicidade. Onde quer que estejamos, vivamos o 2005, ano melodioso e com uma sonoridade alegre quando o referimos, com um sorriso. E, segundo os entendidos na matéria, 2005 será um ano de realizações para a maioria dos signos e o meu é altamente bafejado pelas conjugações astrais, já que os planetas estão todos de feição. E com esta notícia até me sinto mais revigorada para ultrapassar alguns obstáculos que possam surgir.

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...