sábado, 11 de dezembro de 2004

Guardar o Encantamento

(Para o BLU)
Há momentos na nossa vida - dias, semanas, meses e anos - que, por terem sido tão felizes, queremos guardar para sempre, com a ternura das primeiras impressões, o entusiasmo dos primeiros olhares, os sorrisos abertos permitidos pelas primeiras trocas de palavras, as primeiras gargalhadas francas, seguidas de todas as outras, e o arrepiar dos sentidos com os toques iniciais. Quando pensamos no que veio depois questionamo-nos com frequência se terá valido a pena tanta entrega e desejo alimentado. E o balanço é: SIM!!!! - pela certeza de termos vivido momentos únicos de encantamento que nunca nos poderão ser retirados, por mais ou menos que venhamos a viver com um outro alguém.
O que é verdadeiramente maravilhoso numa relação amorosa é sentirmo-nos encantados com o Mundo que o Outro nos ensina a descobrir, as coisas que sempre estiveram à nossa frente e que antes não víamos, pela simples razão que Ele não estava connosco. É fantástica a possibilidade consciente de partilharmos ideias, pensamentos, visões, situações que jamais se repetirão porque cada momento só se vive uma vez. É magnífica a perspectiva de nos entregarmos e de alguém se entregar a nós, num sentimento recíproco e vivido na mesma altura, com intensidade e dedicação, com uma vontade espontânea e natural.
E tudo isto, continuo a querer acreditar que, vivi contigo, por isso quero guardar comigo o encantamento do primeiro entusiasmo, que sei que não se poderá repetir, o desejo criado com o primeiro toque, a descoberta partilhada de um Mundo que se nos apresentava como novo, apesar de não o ser. O balanço foi positivo. A ternura com que te olhei uma, e outra e tantas vezes, a compreensão com que escutei as tuas palavras, das mais meigas e doces às mais duras, o desejo que despertaste em mim, até sentir por ti um sentimento que até hoje ninguém me despertara, tudo isto e tanto mais procuro guardar dentro de mim, para sempre. Terna e docemente, com encanto.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

Quadrante, CCB

Não me canso do CCB. Confesso que, no início, a aquitectura me chocou um pouco, mas com o tempo, por assistir a espectáculos e visitar exposições temáticas, de quando em vez, fui-me habituando ao espaço e hoje considero-o mesmo muito agradável. Principalmente porque o "Quadrante" permite longas conversas sem estarmos, a toda a hora, a ser confrontados com novos consumos. A filosofia é viver o espaço, tomar um café ou uma água, ler um livro, trabalhar descontraidamente ou conversar, sem a sensação dos vizinhos das mesas próximas estarem a sorver as nossas palavras. E a possibilidade de nos sentarmos na esplanada, virados para o rio, tendo como cenário o fantástico Padrão dos Descobrimentos, permite-nos viver sensações inigualáveis, porque maravilhosas. O "jardim das oliveiras", que não sei se é denominado mesmo assim ou se tem outro nome, é um espaço de referência, pela beleza e pela harmonia das formas, pela tranquilidade da fonte e pela presença dos pardais. Deslumbrante!

Pintura

Hoje o céu foi pintado por mãos sábias e inspiradas, criando um cenário digno dos eleitos. Permiti-me usufruir de um deslumbrante pôr-do-sol, de um céu pintalgado de tonalidades, intercalando o amarelado com o rosado num fundo azul claro, marcado por ligeiras nuvens brancas, colocadas em faixas paralelas e quase simétricas. Sózinha contemplei aquela imagem e senti-me invadida por uma inexplicável e irrelatável tranquilidade, um sentimento reconfortante de segurança e protecção celestial. Foi estranho mas muito agradável. E esta imagem só pode ter sido possibilitada por um pintor divino.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

África...

um magnífico continente de contrastes que se observam e que se vivem...



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Revista "piá" (São Tomé e Príncipe) de parabéns

A revista "piá" (São Tomé e Príncipe) faz dois anos este mês. De parabéns estão os dinamizadores da iniciativa que têm trabalhado de forma incansável, com persistência e determinação (em particular a Mena e o Nilton Dória), os colaboradores fixos ou pontuais, através das investigações e conhecimentos partilhados nos textos cedidos e publicados, e todos os leitores que têm permitido que este jovem projecto de comunicação social/informação santomense siga em frente.

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Ylang Ylang

O Ylang Ylang é uma planta muito conhecida e apreciada pelas propriedades que lhe são atribuídas e pela diversidade de utilizações possíveis: a cosmética, a aromoterapia e a medicina alternativa. É denominada por Cananga Odorata Genuína e dita "flor das flores", "flor das pétalas douradas", "rainha das flores", "árvore do perfume". É linda e o aroma que emana é fantástico e inesquecível. As primeiras que vi foram em São Tomé e Príncipe, um pouco espalhadas por todo o arquipélago. Mas a imagem mais fenomenal é a da varanda da Casa Azul na Roça Agostinho Neto, com chuva torrencial - o som forte da chuva e o aroma intenso e envolvente do ylang ylang ficarão para sempre retidos na minha memória. É esta flor que os fabricantes de perfume tanto procuram. Fantástica porque olhando para ela não é mais do que uma florzinha igual a 100.000 florzinhas. Mas quando nos habituamos, passa a ser a nossa florzinha...



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Triste Lucidez

Percebera por fim, ou talvez desde sempre, que ele não chegara a amá-la. Nem a ela nem a nenhuma das mulheres que passaram pela vida dele. Amava-se principalmente a si próprio e, por tanto se amar, necessitava de ser amado por muitas mulheres, tantas quantas conhecesse, e o que o fazia viver era a perspectiva de haver um mundo por descobrir, um universo feminino infinito e cheio de potencialidades. Todas eram tão parecidas e, na verdade, tão diferentes. Essa ideia, apenas essa, seduzia-lhe os sentidos, fazendo com que se rendesse a um encanto, a outro e outro ainda. E ela tornou-se na mulher mais consciente que algum dia conhecera, triste mas consciente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Real Café

Magnífico, brilhante, a repetir e a recomendar!
Fui convidada para jantar num restaurante chamado Real Café, por cima da Real Fábrica, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa (213870648). Nem queria acreditar porque eu conhecia bem aquela casa - viveu lá uma amiga minha de infância/adolescência e muitas vezes, quando ia ou vinha do Britânico, subi aquelas escadas para conversar um pouco.
Subimos as escadas e, para meu maior espanto e surpresa, se era possível..., dou de caras com um dos gerentes, o Sr. Rogério do Luar da Boavista, da Hatari e da Confeitaria do Marquês. Era verdade, muitas vezes almocei e jantei no Luar da Boavista com colegas, quando estava na UAL. A festa foi recíproca já que era cliente habitual antes de ir para S. Tomé viver, e sempre fui muito bem tratada. Desde o meu regresso e porque estou um pouco "longe" da Boavista, não os visitara, pelo que este reencontro foi marcado por grande contentamento.
A comida é excelente, bem confeccionada e com gosto, com uma boa selecção de vinhos, o atendimento magnífico e o espaço simples mas de requinte agradável.

Anomalias

Por falar e pensar tanto em África, fui ter, vá-se lá saber como, ao Anomalias. Simplesmente magnífico nas fotos que apresenta, nas informações disponibilizadas e nas pistas de reflexão. Faz pensar...

domingo, 5 de dezembro de 2004

Guiné, uma vez mais

Um amigo parte amanhã para a Guiné, um amigo que conheci em São Tomé, já nem sei há quanto tempo. Homem da agricultura, do café e das plantações, das longas caminhadas pela floresta, dos jardins e das flores, das explicações detalhadas e das conversas respeitadoras. Um homem como há poucos, sempre com uma palavra amiga e um olhar mais do que compreensivo, sem segundas intenções.
Hoje escrevi-lhe para lhe desejar boa sorte nesta nova fase africana - ele não conhece a Guiné - porque tudo vai ser novo para ele. A Guiné é uma África bem diferente de S. Tomé, é mesmo África, pela dureza das vivências, pela densidade da paisagem, pela complexidade das culturas, pela diversidade étnica. E quando lhe escrevi lembrei-me do que por lá vivi. Foi de tal forma marcante que ainda hoje, passados quase 10 anos, penso naqueles sorrisos e naqueles olhares, que se me pedissem para descrever numa palavra, diria que o sorriso é terno, o olhar intenso e as faces meigas.
Espero que ele se dê bem, que tenha cuidado com as aventuras em meio natural - as cobras, os jacarés nos rios e as formigas, são os principais riscos. Além do paludismo, mas esse ele já conhece.
E espero que coma muitas mangas, das que abrem, das fibrosas, das verdes, das vermelhas, das amarelas e das laranja, de todas porque são sumarentas e magníficas; ostras; camarão; ananás; banana; coco; mancarra (o amendoim); caju, fresco e seco; e tudo e tudo. E que não olhe muito para o céu para não se confrontar a toda a hora com os jagudis (abutres) que pairam sem parar. Que aproveite e se divirta, com cuidado e cautelas, que dance muito e passeie mais.

Olhar

"Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação"

Mário Quintana

Conversa profunda...

- Casas comigo? - perguntou a jovem rapariga apaixonada
- Agora não tenho tempo - respondeu o namorado enquanto a abraçava e beijava, procurando dar andamento aos afectos
Ela afastou-se e com tom aborrecido respondeu:
- Não percebo. Afinal, porque é que os homens se dão ao trabalho de andar a correr atrás das mulheres durante tanto tempo, com dedicação e promessas infinitas, se depois não querem casar com elas...?!
- Mas olha lá, já viste que os cães também correm atrás dos carros, às vezes durante muito tempo e por distâncias longas, ficando cansados, mas na verdade... não os querem conduzir!!! - respondeu ele prontamente

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Kho Sante



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O que é um Amigo

Em África há uma enormíssima contradição, a maior de todas, para os portugueses que procuram (con)viver uns com os outros - todos são "grandes amigos" mas em nenhum se pode confiar verdadeiramente. Fui jantar com uma amiga, que conheci numa das Áfricas pelas quais passei, e falámos sobre as amizades. Dizia-me ela que era estranho que no nosso grupo de amigos houvesse tanto maldizer, comentários sobre a vida alheia, mas sem que os próprios tivessem conhecimento directo, não se podendo portanto defender. Eu já sabia, até porque fui, entre outras pessoas, um dos alvos dessas conversas. E, a dada altura, tudo passou a ser demasiado óbvio.
Amigos por lá fiz poucos, tal como toda a gente. Mas no que toca a conhecidos... fiz muitos, conhecia toda a gente e toda a gente me conhecia. Ela estava desagradada porque não compreendia como, pessoas que estavam permanentemente juntas, que não faziam nada umas sem as outras, que partilhavam momentos - bons e maus - vivências e tudo o que fosse, podiam criticar-se tanto, sem frontalidade, sem abertura, sem sinceridade. Parecia-lhe uma atitude desonesta, por parte desses "amigos".
Vim para casa a pensar que a vida é muitas vezes injusta e severa, que as provas pelas quais temos de passar não nos facilitam os maus momentos, agravando-os e que as pessoas em quem procuramos confiar, em certos contextos, não merecem um minuto do nosso pensamento, quanto mais dias, semanas e meses de convívio. Pensei no que ela teve necessidade de me contar ao fim de tanto tempo, e falei pouco, como seria de esperar dado o tema da conversa ser sensível. E lá fui reler um dos livrinhos de bolso, temáticos.
"Um amigo é alguém que pensa em ti e te ouve e te ajuda a saber o que tu és. Alguém que te ajuda a descobrir as coisas, alguém que está contigo e não tem pressas. Alguém em quem tu podes acreditar".
in Um Amigo, Editorial Presença

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Silêncios, palavras e gestos

E no silêncio olhaste-me, procurando transmitir-me a ternura que me roubaste há uns tempos, como se o olhar fosse suficiente para apagar actos antigos, inqualificáveis e injustificáveis. Mas olhando-me, e revendo os minutos de infelicidade, não conseguiste proferir uma única palavra. Os encontros eram marcados pela cobrança retardada, pelos gestos desencontrados, pelas vontades incompletas e fugidias, pelas palavras desejadas mas não ditas, pelos gestos de afeição que nunca chegaram a ser expressados. Na impossibilidade de nos fazermos entender e aceitar, ficámos a ouvir os Toranja que cantavam na rádio:
"Não falei contigo com medo que os montes e vales
que me achas caíssem a teus pés...
Acredito e entendo que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar que vou sugando
e aceitando como fruto de Verão nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede a pairar
sobre o mundo e tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é feita de papel
Nela te pinto nua numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números raízes quadradas
de somas subtraídas sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado e à palma da tua mão..."
E tentaste tocar-me, uma vez mais, e beijar-me, apesar da minha resistência, quando as palavras relatavam o que sentias e que não conseguias expressar:
"Desculpa se te fiz fogo e noite sem pedir autorização
por escrito ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos que voltei a encontrar em ti..."
E olhando-te, agora eu, percebi que fui apenas o refúgio dos teus sentidos, um pedaço de silêncios perdidos que tentastes voltar a encontrar em mim... apenas...

Projectos, novos projectos

De repente, os projectos apareceram e, como de costume nestas coisas, todos ao mesmo tempo. Ao princípio temos a sensação que não conseguiremos dar conta de tudo, mas com o tempo, com uns bons exercícios de sistematização e de relaxamento mental, percebemos que somos muito polivalentes e que as nossas capacidades são infinitas. E sentimo-nos vivos de novo, revitalizados, felizes.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Aprendi

Em África aprendi a ouvir mais do que falar. Saber ouvir o que os outros arranjam para nos dizer, apesar de não haver nada de novo, só porque não sabem lidar com o silêncio, é uma grande virtude. E, além do mais, protegemo-nos muitíssimo, o que é magnífico. Basta sorrir para darmos a entender que, sem o sentirmos, partilhamos da mesma preocupação - falar, comentar, criticar e destruir a vida alheia. É o savoir vivre africano...

Paz

Na verdade, uma das coisas que mais procuro é viver em paz, comigo e com os outros, não causar estragos e não me intrometer na vida e nos relacionamentos de quem quer que seja. Quero viver tranquilamente, depois de me ter reconciliado com a minha consciência. Estou em paz e é assim que quero estar.

terça-feira, 30 de novembro de 2004

Janus, Anuário de Relações Exteriores

Recomendável ver o JANUS, Anuário de Relações Exteriores on line

Explicações sobre os objectivos da conquista - recurso a analogias

Conversava com um amigo de sempre, num dos dias de angústia emocional e cepticismo afectivo-relacional, um dos poucos homens sobre os quais posso dizer que na sua presença me sinto assexuada, já que não nos despertamos o mínimo interesse sexual, nem sequer emotivo. Confiamos totalmente um no outro, falamos acerca de tudo sem problemas de nos sentirmos avaliados ou de sermos criticados. Somos confidentes e conselheiros.
- Afinal diz-me, o que quer um homem que se esforça, de forma quase sobrehumana, para conquistar uma mulher, largando-a de seguida? Não a quer verdadeiramente ou desinteressou-se simplesmente? Ou...? - perguntei-lhe
- Há de tudo, minha linda. Um homem é um caçador nato. Pensa que desde sempre, e nos mais diversos contextos, o homem sente necessidade de capturar presas e, quanto mais dificeis mais apetecíveis...
- Uma presa? Dizes que um homem olha para mim como se fosse uma peça de caça? Só isso??? - indaguei incrédula, desiludida e profundamente desagradada com a analogia
-
Não te choques nem fiques triste. Se perceberes como os homens sentem, talvez seja tudo menos difícil. Tenta ouvir-me com calma. O objectivo de um homem quando vai à caça não é normalmente encher o frigorífico para se alimentar durante o ano. O gozo está na dificuldade em identificar a presa, no esforço e na luta, na estratégia e na perspicácia. Uma vez conseguida e capturada, o interesse esmorece e a preocupação é encontrar outra, definir nova estratégia, conseguir nova captura. O animal caçado serve-lhe sobretudo como troféu, para mostrar aos outros a beleza do exemplar, comprovando as suas capacidades de caçador e essas percebem-se pelo número de animais caçados. Já pensaste o trabalho que dá, depois da caçada, arranjar os animais e cozinhá-los?
- Mas isso é tão básico, primário, primitivo. E os sentimentos verdadeiros onde ficam?
- Olha, és tu que gostas de ir à pesca com amigos, não és? Pois bem, qual é o prazer da pesca? Não o teu, que nem cana tens, mas dos teus amigos que pescam?
- A possibilidade de estarem ao ar livre, junto ao mar, a contemplar, a conversar...
- Contemplar o mar, colocar a minhoca, lançar a cana e aguardar. O prazer está na expectativa que se cria durante a espera, até se saber se o peixe morde. Quando morde, queres saber se vem peixe ou algas, se for peixe, se é grande ou pequeno, bom para comer ou para devolver ao mar... Mas quando morde e o retiras, o interesse passou porque a tarefa foi concluída. Voltas a colocar nova minhoca, a lançar a cana e a aguardar. Para quê? Para pescares mais um, e outro e ainda outro.
-
Mas essa é uma imagem terrível. Sinto-me comparada a uma galinhola ou a um sargo. Na melhor das hipóteses a uma perdiz ou a um linguado, mas na maioria das vezes a uma tainha, pequena e sem graça, que foi atrás do isco e ficou presa no anzol...
- É isso mesmo, vês como percebeste? É preciso aprenderes que podes ser tu a ludibriar o pescador ou o caçador. Passas à frente deles sem seres apanhada ou ficares presa no anzol porque sabes distinguir.
- Mas isso não é amor, não há sentimento nem afecto, nem paixão...
- Pois não. Na conquista não há sentimento, só emoção. Os afectos podem surgir depois, desde que haja vontade, dedicação e esforço mútuo com entrega. Mas não te confundas, quando um homem sentir amor por ti, tu vais perceber que, com ele, não é mais uma conquista e que tu não és, para ele, mais um troféu de caça ou de pesca porque representas mais do que um simples exemplar.

Incompreensão

Desde que me lembro de existir como mulher que a psicologia masculina me confunde. Até hoje ainda não consegui entender alguns comportamentos no que respeita ao interesse que eles nutrem pelas mulheres. Fixam-se, interessam-se, embasbacam, derretem-se e, se se sentirem certos do sucesso da conquista, declaram-se com palavras únicas e promessas correspondentes. Podem ser deliciosamente encantadores, e no geral são-no sempre que querem e a isso se predispõem. Mas, logo em seguida, esmorecem, esfriam, enregelam, desinteressam-se e desaparecem como se nada fosse. E se aquelas que foram alvo de intensa dedicação reclamam a atenção a que foram habituadas, eles sacodem e fogem, demonstrando sentir-se fartos de tamanha e excessiva envolvência.
Serão eles inconstantes, inconsistentes, fúteis pela superficialidade relacional e afectiva, egoístas? E o que procuram afinal?

domingo, 28 de novembro de 2004

Palavras simples ao Homem que...

quiser conquistar o coração de uma mulher...
Considerações a propósito das imparáveis tentativas de um amigo em encontrar relação afectiva estável, sincera e satisfatória.

1. Não confundas as mulheres e as relações. Uma coisa é a sedução para uma noite ardente e inesquecível, vulgo "engate"; outra coisa é a conquista para algum tempo sem comprometimentos, vulgo "relação a prazo e com fim anunciado" ou "caso"; outra ainda é o enamoramento. Tens de saber distinguir as protagonistas das três situações sob pena de, confundindo-as, as ofenderes e azedares os humores, perdendo oportunidades.
2. O enamoramento requer tempo, preserverança e dedicação, pelo que, quando acontece, raramente resulta em equívoco ou relação-engano, ao contrário do que sucede com as outras situações.
3. Não corras atrás de 30 mulheres, nem tentes seduzir várias como garantia de maior sucesso, pensando que umas não saberão das outras. Não menosprezes os canais de informação femininos e muito menos a intuição. Se aquela em quem despertas interesse, e em relação à qual sentes desejo, souber ou desconfiar, perderá a confiança que depositou ou quis depositar em ti.
4. A perda de confiança de uma mulher num homem requer por parte deste o dobro do esforço na reconquista, o que não é compensatório. O tempo dispendido com desculpas e justificações pode ser utilizado afectivamente de forma mais produtiva e rentável.
5. Evita magoar os sentimentos da mulher por quem sentes afeição. Se isso acontecer e ela também tiver sentimentos em relação a ti, sentir-se-á confusa, terá dúvidas infinitas e o medo de se envolver contigo será maior do que o desejo que lhe despertas. Poder-te-á perdoar um dia mas terás de lhe provar que ela é a verdadeira, o que requer, no geral, grande complexidade. Não deixes dúvidas dos sentimentos que tens à mulher que amas.
6. Tenta ter um comportamento recto, transparente, sê verdadeiro e honesto.
7. Não forces, logo de início, o envolvimento sexual se tiveres interesse sincero numa mulher porque para ela é fundamental outros sentimentos tais como a amizade, a confiança, a cumplicidade, a intimidade. Só na sequência surge o desejo e o sexo.
8. Faz rir a mulher que desejas, cria empatia e fomenta um ambiente ligeiro, faz com que ela deseje a tua companhia e sinta a tua falta nas mais diversas situações.
9. Nunca dês a entender a uma mulher que na tua vida existem outras mulheres e que divides os sentimentos que tens por ela com outras. A mulher que quiseres e desejares deve sentir que para ti é a única.
10. Uma mulher não é um recurso na ausência de outras possibilidades melhores. Ela é a tua escolha e deve sentir-se como tal.

Homens e mulheres...

Gosto de discutir sentimentos com os homens porque normalmente aprendo sempre qualquer coisa. Não me considero sexista nem feminista. Longe disso! Mas é verdade que os homens têm com alguma frequência concepções particulares acerca do mundo dos afectos.
No outro dia, conversava com um ex-amigo/re-amigo/só amigo (?!) - passo a explicar: foi meu amigo em tempos, mais do que amigo, pretenso companheiro, mas deixou de o ser por ironia do destino e das suas próprias acções, pouco razoáveis e de grande complexidade. Mas desde há um tempo que andamos a ver se ficamos amigos de novo, não pretensos companheiros, só amigos. Mas nem sempre a amizade entre homens e mulheres é fácil e o entendimento dos afectos e das relações é bem diferente entre nós.
Bem, falávamos de afectos e de relações - para ele, um homem e uma mulher que são amigos representam uma realidade complexa que ultrapassa com facilidade essa fronteira, transformando-os em amantes. Para mim, a amizade entre homens e mulheres é não só possível como normal e muitíssimo vantajosa para ambos, desde que não haja outras implicações. Para ele, quase tudo se resume a sensualidade, sexualidade e proximidade táctil. Para mim, estas relações resultam da possibilidade de partilhar confidências.

E até pode ser bom

E até pode ser bom não estarmos apaixonados, não sentirmos a ansiedade que antecipa um encontro a dois, não nos angustiarmos com os atrasos que têm quase sempre justificações difíceis.
Pode ser bom não nos colocarmos sempre em segundo lugar com valorizações insensatas do objecto dos nossos mais profundos sentimentos que, quase sempre, são descabidas porque não correspondidas.
É seguramente bom termos tempo para gostar de nós, para nos olharmos ao espelho e sentirmos que o reflexo da nossa imagem é muito mais bonito do que algum dia imaginámos, que a nossa própria companhia é agradável e que não se está nada mal sózinho. Não para sempre, mas de vez em quando. É bom saborearmo-nos, ouvirmos a nossa consciência, deliciarmo-nos com uma receita que fizemos só para nós, gozarmos o silêncio, o espaço e o tempo. Porque acima de tudo, nós valemos a pena!

Para alegrar um dia chuvoso e triste



Posted by Hello

Chuva

Hoje chove e faz frio. Os Deuses estão tristes e choram muito, sem parar. As lágrimas são frias, geladas, indiciadoras de um desconforto sem fim. Apetece-me acender a lareira e ficar enroscada num sofá a ouvir a lenha a crepitar. Mas não me precavi e não comprei lenha... Resta-me ver a chuva cair e imaginar as razões de tamanha tristeza celestial. Valerá a pena tanta lágrima?

sábado, 27 de novembro de 2004

A Lua

Ainda me espanto comigo mesma. Eu, uma fiel admiradora do céu, de dia e de noite, do feitio das nuvens e das tonalidades do nascer e do pôr do sol, das estrelas e constelações, mas sobretudo da lua, nas diferentes fases, tomei consciência que não o observo como ele merece há muito muito tempo. E percebi isso ontem, na aula de hidroginástica, quando no final da aula a professora recomendou que não fossemos dormir sem contemplar a lua porque estava no seu auge, redonda, cheia, gorda e linda de morrer. À noite, quando levei o cão para o último passeio do dia, olhei para o céu e vi apenas a sua luminosidade porque a humidade era tão intensa que não permitia distinguir as suas formas. Em vez da lua como companheira para uma conversa introspectiva tive apenas um céu cheio de um iluminado nevoeiro.

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Definição

Estavam a conversar, à medida que ela bebericava chá verde e ele bebia um whisky bem servido, num ambiente cordial e tranquilo. Tentavam falar seriamente acerca de afectos, apesar de ser um tema de abordagem difícil para os dois, pelo que a brincadeira acabava por surgir de forma espontânea para amenizar os desencontros verbais.
Há uns anos o destino fez com que se cruzassem algures nesse mundo, acabando os afectos por se revelar, através de aproximações sucessivas chegando ao envolvimento que ambos desejaram. Amaram-se de forma desigual e entregaram-se rápida e fugidiamente. As diferenças, os desencontros e o desentendimento surgiram, perpetuando-se por uma eternidade marcada pela mágoa e pela incompreensão.
Um dia cruzaram-se de novo e reaproximaram-se. Falavam horas, sempre que se encontravam, sobre tudo e sobre nada. Parecia haver intimidade entre os dois mas na verdade não se conheciam, nos desejos e aspirações, nos receios, nos estilos de vida, nos projectos...
E apesar dos momentos passados a dois, hoje eram simplesmente dois desconhecidos. Procuravam definir, um ao outro, as pessoas que mais os marcaram e com quem tinham partilhado a vida, pensando assim ficar-se a conhecer um pouco melhor. Ela falou pouco porque os homens da sua vida eram poucos e ele, com curiosidade de ouvir o que ela pensava a seu respeito, perguntou-lhe:
- E a mim, numa expressão, como me defines?
- Tu... tu és um sonhador...

Dias de sol

Os dias de sol são magníficos bálsamos para a alma e o coração, sobretudo depois de se ter feito exercício físico durante toda a manhã. O privilégio foi para a hidroginástica em detrimento dos alongamentos, afinal as duas aulas de ontem deixaram-me o corpo partido, e a ginástica dentro de água aquecida é absolutamente relaxante.
Estes dias criam em mim uma certa nostalgia africana, desta vez por razões absolutamente "inócuas" - as caminhadas pela floresta, as idas à praia para descansar e observar peixes e as "minhas" preferidas tartarugas... Bem, o site das Caminhadas e Descoberta em STP está a ser reactivado e em breve serão ali publicados artigos sobre ambiente, espécies e outras curiosidades...

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

Pintura de Eduardo Malé



Posted by Hello

O melhor

O que será melhor:
1. contar o que fizemos, o que sentimos, como somos, o que queremos?
ou
2. ocultarmo-nos por detrás de uma auréola opaca mas luminosa que evidencia apenas o que de melhor temos?
Seguramente a primeira opção é a mais honesta mas a que mais problemas nos cria. A segunda a mais inócua mas a menos verdadeira. A dificuldade implícita à escolha estratégica persiste...

Afirmação

Porque serão as crises familiares momentos privilegiados de afirmação pessoal?

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

"Cores de um Sentimento"

Pintura de Eduardo Malé (pintor santomense), STP



Posted by Hello

Supra Desilusão

É quando sinto que já não me podes fazer mal porque já o fizeste todo,
nada mais espero de ti porque a ansiedade diária passou.
É quando o cansaço é tão intenso que quem corta a conversa,
se despede e se ausenta, sou eu.
É quando olho para ti com a distância
que permite valorizar os teus defeitos e minimizar as tuas qualidades
e, olhando para mim mesma,
questiono-me o que terei eu andado a tomar para um dia te ter achado graça,
ficando de ti tão dependente.
É a consciência do não retorno, pela impossibilidade e pela falta de vontade,
apesar do sentimento que se guarda nos cantinhos de nós mesmos.
E é isso que sinto, a incapacidade de voltar atrás.
Porque não acredito mais no que dizes, no que fazes,
não sei se algum dia quiseste e nem sei porque é que eu própria quis.
E contudo, amo-te...

Desilusão

Uma, apenas mais uma. Que importância tem uma no meio de outras tantas? De todas as outras anteriores, maiores, mais profundas, mais importantes? Desta sairei bem, certamente, porque não me vou sequer deixar abater pela mágoa.

SE...

Durante o dia, a mesma ideia passava-lhe pela cabeça várias vezes:
"E se tivesse aceite os convites promissores que ele me fizera tantas e tantas vezes? Como seria? Onde estaria eu agora? E a fazer o quê? Seria eu mais feliz do que estou hoje? Teria ele tido coragem e vontade de mudar algumas coisas por mim? Poderia ele ter transformado a vida conturbada e cheia de mistérios que tem? Por mim? Só por mim?"
E as respostas vinham natural e sucessivamente, seguidas umas às outras:
"Não, não mudaria nada por ti. Não, não abdicaria dos esquemas e das redes relacionais que gosta de manter, porque fazem parte dele. Não, não te faria feliz, porque não pode e não quer. Não, não tem coragem nem vontade. Não, não és importante para ele, não o suficiente, e apesar de ele dizer que sim. Sempre o vai fazer e dizer para te tentar convencer, mesmo sem querer. Ele é assim e quem assim é, não muda. Onde estarias, como e a fazer o quê? Não questiones, se já sabes as respostas. Conclusão, fizeste o melhor por ti quando escolheste, quando optaste, quando decidiste que a única resposta possível era: NÃO!"

domingo, 21 de novembro de 2004

O Diário de Bridget Jones voltou

Não é por ser minha homónima, por representar a minha geração com uma correspondência e precisão indescritíveis ou por traduzir com humor e criatividade as maleitas sociais e relacionais da transição do século: a solidão relacional; os afectos não correspondidos; os sonhos desfeitos; as desilusões femininas provocadas pelos "bons malandros" deste mundo e vividas (sentidas) de forma hiperbolizada pelas moças solteiras e boas raparigas.
Mas o filme, apesar de não ser fiel ao livro na totalidade dos acontecimentos, é delirante e bem disposto. Faz do Mark Dirce um "príncipe" só possível em sonhos e da Bridget a típica trintona solteira em busca do afecto verdadeiro. Por estarmos nas proximidades do Natal, essa época mais do que magnífica para os sonhos e as ilusões, vale a pena ir ver porque o sorriso no final é garantido...

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

A hora da refeição em STP

Uma das excelentes recordações que tenho de São Tomé são as refeições, aquelas em que usufrui da companhia de pessoas especiais e que propiciaram conversas longuíssimas, com temas aprazíveis, num tom misturado de ternura, confidência e conselho. Foram horas deliciosas que não se repetirão jamais, por mais que se tente e que se queira. O contexto definia o tema e as conversas tidas, e retidas na minha memória para que não fujam, foi aquele e não outro, naquele espaço, naquelas casas e naquela época. Foi uma das fases mais magníficas, deliciosas e envolventes que já vivi. Os qualificativos nunca serão suficientes para definir e caracterizar aqueles dias e aquelas noites, onde não houve tabus nem constrangimentos para se falar de tudo e de mais alguma coisa.
Inconscientemente aguardava pela hora das refeições e hoje sei que eram as minhas preferidas, porque eram os momentos exploratórios de cada um de nós, em que nos íamos dando a conhecer, em que trocávamos confidências e elogios, em que nos irritávamos e chamávamos a atenção um ao outro, procurando-nos melhorar mutuamente.
Depois havia as comidinhas que preparávamos ou que nos deixavam preparadas, estas mais ao almoço e as outras ao jantar. Mas essas merecem destaque num post único. Falarei dos pratos que experimentei mais tarde, e só de pensar neles fico com água na boca...

terça-feira, 16 de novembro de 2004

Os Afectos e Eu

"Afinal havia Outra, e Eu sem nada saber sorria". As histórias repetem-se, umas atrás das outras, com uma cadência ritmíca e um sentido kármico. Por mais que tente alterar o rumo dos acontecimentos, o ritmo e a ideologia reinante reforçam o mau karma da minha existência. O destino marca a hora e não há como evitar.
Acredito sempre, quase sempre, nos afectos, nas palavras e nos gestos que me parecem sinceros e genuínos. Mas quase nunca o são. E a tristeza decorrente da incerteza, da incompreensão, da frustração, do desencontro, da desilusão e da mágoa, regressa até mim para me fazer companhia por mais uma temporada. Também longa, longuíssima, como quase sempre. E eu estou sempre pronta a recebâ-la e a aceitá-la, porque já faz parte de mim.
Normalmente, aquilo que mais desejamos é o que mais dificuldade temos em conseguir. E a minha vida tem sido sempre marcada pela fatalidade da ausência, da frustração do desencontro, da paixão criada e alimentada sem continuidade, pela busca permanente e incessante de um afecto correspondido, que não seja a curto prazo, não tenha prazo de validade nem fim anunciado.
Tenho de admitir que, nesse ponto, serei feliz. Afinal, a filosofia da felicidade, segundo dizem, reside na busca, naquele "não sei quê" que nos faz continuar a tentar, a procurar, a desejar e por fim a sonhar. E o que mais tenho feito, desde que me lembro de existir, é procurar, sonhar, idealizar, desejar. Nem por isso tenho sido feliz nas escolhas que tenho feito. Talvez "mea culpa", ou talvez quem me tem escolhido me tenha interpretado mal. Talvez as duas coisas.
Se desejamos ardentemente ser felizes nos afectos e nos amores, com satisfação plena e contínua, num dar e receber, que gostaríamos de acreditar que fosse eterno, de forma a ser possível construir um projecto comum com "esse alguém" especial, que para nós seria único no mundo, porque o sentimento também era recíproco.
Mas temos de lutar muito, muito mesmo, de forma permanente para que o afecto não se vá, o fogo do sentir não se esmoreça e a compreensão, em relação ao inexplicável e incompreensível, possa vencer.
Porquê? Porque há sempre "Outra(s)" no caminho. Ou sou eu que apareço no caminho delas, sem saber ou sem acreditar, porque também me fazem crer que os caminhos e as vidas não se cruzam porque já nem existem mais. E afinal, existem... No caso, se tenho tentado ser resistente e vencer obstáculos intransponíveis, hoje sinto-me cansada... Tão cansada que nada mais faz sentido. Pelo menos, para já.
Um dia voltarei a sonhar, a idealizar, a desejar e a lutar. Não por um alguém mas por um afecto, por um sentimento, uma ligação, um projecto de vida.
Em S. Tomé, Janeiro 2004

domingo, 14 de novembro de 2004

Liberalização dos afectos

Há uns dias fui ao Nicola do Rossio petiscar um croissant com queijo e um sumo de laranja natural, enquanto aguardava a minha vez para ser atendida na Loja do Cidadão, e dediquei-me a uma das tarefas preferidas, ouvir a conversa da mesa ao lado. Já sei que não é bonito mas é deliciosamente sedutor partilharmos a vida dos outros e compreendermos as diferentes formas de vida, de ser e de pensar. Além do mais, as três protagonistas não demonstraram qualquer preocupação pelo facto de poderem ser escutadas e eu procurei ser discreta.
Qualquer uma não tinha mais de 25 anos, vestiam-se informalmente, misturando cores e padrões, de calças justas, que lhes marcavam as formas, nem por isso ficando bem, e "suficientemente" pintadas de cara e de cabelo para chamarem a atenção dos mais distraídos.
- O teu namorado é urbano-paranóico. Ontem ligou-me a perguntar por ti - afirmou a mais comunicativa para a mais bonita.
- Namorado? Não, já não é - respondeu a segunda.
- Acabaste? Quando? - perguntou a primeira a arder de uma curiosidade sorridente não disfarçada.
- Logo a seguir a ter-te ligado. Apanhei-o e ouvi tudo. Não podia continuar assim, expliquei-lhe como as coisas são comigo. Até vou viajar contigo, disse-lhe, e jantar, e sair, e de vez em quando até pode rolar mais alguma coisa. Mas sem compromissos e obrigações. Este controle todo não dá. Estou com quem quero e saio com quem quero. E até lhe disse, és queridinho mas contigo nada de compromissos. Era um esquema muito paranóico, quase obsessivo. Queria estar sempre comigo e a toda a hora. Não dava. Ele não é o único na terra, tás a ver?
- Fizeste bem, isso já nem se usa - respondeu a primeira deliciada com a decisão da amiga.
A terceira continuou a sorrir, sem abrir a boca para opiniar o que quer que fosse durante toda a conversa. Dito isto, levantaram-se, pagaram ao balcão e sairam, continuando a falar alto, gesticulando e rindo.

E eu fiquei a pensar cá para comigo - a juventude feminina virou liberal, estou a ficar velha. Onde paira o mito do "foram felizes para sempre" e o sonho de estar com alguém de quem se gosta e que só gosta de nós, terá sido trocado pela liberalização dos afectos? E os afectos existirão verdadeiramente ou as pessoas querem estar juntas só para não estarem sózinhas? É um bom tema a explorar com os meus alunos numa próxima aula de Sociologia quando lhes falar nas infinitas questões da vida quotidiana.

sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Confissões de um Pescador...

- "Bem... Nem imaginas o resto da pescaria. Pesquei mais um peixe aranha. Depois mais um Sargo enorme, para aí umas 3 vezes maior do que o 1º que tu viste. Um espectáculo de peixe... E depois... Bem nem imaginas o que me aconteceu... Pesquei um corvo marinho... Daqueles pretos sabes...? Trazia no anzol um peixe pequeno. O corvo comeu-o e ficou preso no anzol... Era ver eu a puxar o carreto da cana a apontar para o ar e o corvo a voar na minha direcção. Nunca me tinha acontecido pescar um pássaro..."
- "Como assim??? Pescaste um corvo marinho??? Safa... isso é que é diversidade... mas espero que não o tenhas levado e depenado... porque isso não se come..."
- "Eheheheh... Bom... Espero que tenhas percebido que esta do corvo era mentira... afinal todo o pescador é um pouquinho mentiroso..."
Moral da história: Mas serei eu completamente loura???? Ou só burra mesmo? Crédula? Ou tansa? Bem... a ti até perdoo...

Lazer e espectáculos em Londres

E nem só de chás, scones, almoços e jantares vive Londres, cidade multicultural por excelência onde a diversidade de origens é uma realidade. Não se anda uma rua que não se vejam africanos, chineses e outros asiáticos, árabes, ocidentais de todo o lado do mundo. Ouve-se falar línguas estranhas, sendo de destacar o inglês (claro), o francês e o espanhol.
Mas por falar em cultura, o verdadeiro espectáculo é a diversidade de oferta de serviços culturais - teatros, concertos, óperas, musicais, estreia de filmes com actores como Pierce Brosnan, a fazer as delícias de todos.
A não perder, os ballets da Royal Opera House (eu assisti a Sylvia, lindo lindo de fazer sonhar sem parar) e os musicais em cartaz - são tantos que a dificuldade é escolher (eu assisti a Les Misérables). E ficamos com pena de não podermos assistir a todos porque os olhos ficam regalados, os ouvidos consolados e é uma benção para a alma e para o coração.

Restaurantes em Londres

Em Londres come-se caro porque também tudo é caro. Mas vale a pena jantar num bom restaurante, de preferência com uma boa companhia.
Numa noite especial em Londres não deixem de visitar alguns restaurantes:
- Criterion (ver), Piccadilly Circus, fantástica decoração, serviço irrepreensível, pratos deliciosamente apresentados, doces fantásticos
- Al Duca (ver), 4-5 Duke Of York St., Tf: 0207839 3090 - um restaurante italiano magnífico, recomendadíssimo
- Fung Shing, 15 Lisle St., Tf: 020 7437 1539 - o melhor chinês a que já fui, imperdível


Do café "Laville" em Little Venice (Egware St), a vista é magnificamente tranquila. Vale a pena beber um café a 3 libras...

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quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Casas de Chá

Em Londres fui a várias casas de chá. De todas recomendo duas, absolutamente fantásticas, com um serviço irrepreensível, qualidade dos chás, dos scones e da pastelaria.
1. The Wolseley - 160 Piccadilly, London W1J 9EB, Tf: 02074996996 (vejam o menu)
2. Richoux - 86 Brompton Road, London, SW3 1EA, Tf: 02075848300

De volta

Estou de volta, depois de uns dias passados em Londres. Uma breve troca do sul pelo norte, do calor pelo frio, do sol pelo nevoeiro.
O nível de vida subiu muito desde a minha última incursão a solo britânico - por um café paga-se, nos locais mais apetecíveis, 3 libras. Foi uma noa altura para reduzir o meu vício de café porque, além de caro, era queimado e aguado.
Os parques continuam magníficos, as tonalidades contrastavam, apelando aos sentidos para a imagem de um Outono tão diferente do que se vive em Lisboa. Os esquilos multiplicaram-se e perderam a pouca vergonha que, há uns anos atrás, tinham dos humanos. Agora os parques são marcados por uma saudável convivência entre pássaros tipo pardal, corvo e uns azuis e brancos, grandes, que não sei o nome, patos, gansos e cisnes, esquilos e seres humanos. Como seres aparentemente tão diferentes se podem dar tão bem num convivência pacífica!

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

Pausa

Por uns dias... Descanso, Reflexão, Mudança de Ares...

Fase "Moçambique"

A fase "Moçambique" que marcou a minha vida fica em stand by, para já com algumas fotos publicadas. Sobre a experiência de vida que resultou de breves estadias, muito emocionais, escreverei mais tarde. Ainda é cedo. Talvez não seja ainda cedo porque já passou muito tempo. Mas tudo tem um começo e, desta vez, comecei por partilhar imagens legendadas. O mais ficará para depois. Talvez um dia...

Moçambique do céu

Sobrevoando Moçambique na chegada a Maputo. Um mundo novo se avizinha, marcado pelo desconhecido, pela surpresa e pela esperança seguida de frustração. Tudo é possível no sul do Mundo, ali até o Equador está distante...



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O rio Limpopo

Num "cruzeiro" de fim de dia os cheiros são intensos, a luz cria contrastes evidenciando a cor do rio e as formas emergentes transformando-se.
Tudo parece calmo apesar de esconder uma ebulição de emoções em efercescência, que aproximam a atracção e a paixão, confundindo-as e confundindo-nos...



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A margem de "cá"

A margem de "cá" do Limpopo permite-nos contactar com a densidade de um rio que atravessa diferentes paragens, sendo navegado por tantos botes e canoas.
Tudo é igualmente denso por ali, dando-nos a ideia de uma falsa sintonia, transitória e momentânea, pelas emoções fortemente sentidas e exteriorizadas, que de tão fortes e intensas se transformam rapidamente, tornando-se efémeras...
O final de dia tem uma tonalidade mágica, ou somos nós que o queremos entender assim, permitindo-nos recriar sensações e acreditar em ternas emoções que nunca o hão-de ser...


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Criança, Maputo

Criança de colo (de costas???) nas costas da mãe.
A magnífica arte de transportar os filhos com conforto.
Maputo 1998



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Rio Limpopo em Zongoene

A magnífica margem de "lá" do rio Limpopo, quase no local onde desagua no mar.
O rio que anima Zongoene e lhe dá vida.
A passagem para a praia, essa de mar, com águas turbulentas mas fantásticas.
A revitalização e a esperança na diferença como uma possibilidade.



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domingo, 31 de outubro de 2004

Pôr do Sol

Pôr do Sol sobre a Baía de Maputo.
Vista do Hotel Cardoso.
Palavras para quê...



Maputo, 1998

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Maputo

Vista parcial e semi-aérea de Maputo.
Parcial porque mostra uma das partes mais bonitas (em minha opinião).
Semi-aérea porque resultou da varanda de um 8º andar, se não estou em erro.
Cidade bonita e estranhamente indesejada. País onde vivi momentos e experiências contraditórias, marcadas pela oposição permanente entre o desejo e o abandono, como se fossem faces necessárias da mesma moeda.



Maputo, 1998

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Os preferidos

Os meus chás e infusões preferidas dependem do estado de espírito, mas os que me são normalmente indispensáveis são:
- Verde (de folhas pequenas porque não abre tanto quanto o de folha grande);
- Jasmim (muito aromático e perfumado, é particularmente reconfortante para a alma e o coração);
- Cidreira (saboroso e tradicional);
- Camomila (tem um paladar adocicado e é mais tranquilizante do que o de tília, que não faz as minhas preferências);
- Menta (para momentos especiais porque pouco calmante, deve-se beber a dois porque é muito aromático e consequentemente inspirador...);
- Lúcia Lima (óptimo para beber à tarde);
- Príncipe (excelente para o estômago, apesar dos santomenses dizerem que é uma bebida só para homens, pelas propriedades e efeitos que neles desencadeiam... e que supostamente serão opostos nas mulheres, que o devem evitar - bem... eu nunca senti nada em especial...).

Chás

Beber chá é uma prática magnífica que, se assim o desejarmos, podemos transformar num ritual. Aprendi isto em São Tomé. É verdade que já era uma adepta da bebida, desde que me lembro de existir e em minha casa todos sempre brincaram acerca disso - afinal era mais um aspecto que me marcava pela diferença.
Sempre gostei de chá, até do preto bebia, mas as infusões fazem as minhas preferências. Os pacotinhos só me serviam mesmo quando não havia genuínos, com folhas, daqueles que somos nós que doseamos a quantidade, em função de o querermos mais forte e aberto ou mais suave, e que depois temos de coar para que as flores ou as folhas não passem, apesar de, no fundo da chávena, ficar sempre um depósito.
É magnífica a dedicação que o chá exige para ficar no ponto - nem demasiado escuro nem demasiado águado. Primeiro aquece-se a água e deixa-se que ferva, colocam-se as folhas desejadas, eventualmente com flor, dependendo do tipo de chá que estejamos a preparar, desliga-se o lume porque a temperatura só por si é suficiente e não necessita de mais fervura. E podemos ali ficar, a olhar, a perceber a mudança de cor decorrente da troca de componentes entre a água e a planta, a sentir o aroma perfumado, absolutamente inspirador e reconfortante.
Coar o chá para uma chávena, de preferência de porcelana e pintada à mão (o que não havia em São Tomé...) e ouvir o som musical do chá a encher a chávena. Bebê-lo sem açúcar, quentinho transmite uma sensação de conforto inigualável. E estando sózinhos, podermos envolver a chávena com as mãos e sentir o calor que chega, fecharmos os olhos e recostarmo-nos num sofá confortável, perto de uma janela, e ver a chuva cair, forte e batida pelo vento, quando atrás de nós uma lareira crepita...
O chá e as suas familiares tisanas são elementos indispensáveis na minha vida, sem as quais não me imagino a terminar um dia, sobretudo se estiver frio...

sábado, 30 de outubro de 2004

Annobón, a alucinação do grupo

Annobón foi um passeio magnífico mas, a dada altura, alguns dos participantes decidiram, vá-se lá perceber porquê, tentar convencer-me a alterar o campo de estudo da minha tese de doutoramento. Turismo ecológico em São Tomé e Príncipe? Que ideia, o potencial turístico estava ali mesmo.
Eu sei, era a mais nova do grupo, cuja média etária rondava os 50 anos (excluindo-me, claro), era dos poucos que tinha decidido ir sózinha (sem par), ou que não o tinha de forma oficial (o que não quer dizer que não tivesse e que os outros não soubessem). Além disso, era tida como tendo mau feitio (leia-se, refilona), mas na verdade ria-me sempre mais do que respondia, sobretudo quando tinha vontade de o fazer, e por isso todos tendiam a abusar com as brincadeiras, para ver até onde podiam mesmo esticar a corda. Ou seja, os mais velhos do grupo - um médico e um alto responsável pela cooperação no arquipélago - decidiram que eu deveria manter-me por Annobón, mesmo contra a minha vontade.
O estratagema estava montado - eu tinha decidido ir até APOT, fazer uma caminhada, mas o ritmo do militar sorridente não me permitiu chegar ao destino, pelo que, depois de muitas vezes me sentar no chão para comer uma manga, apelando aos deuses das florestas para que as cobras não tivessem curiosidade acerca da minha pessoa, decidi retornar. E foi a única altura em que andei sem vigilante - a descida de APOT até ao centro da terra, para me reencontrar com os outros. Mas quando cá cheguei abaixo, já tinha uma moça à minha espera. Pois como é que ela comunicou com o outro, numa ilha que nem telefone tem, isso não sei.
A moça encarregou-se de me levar até à pista, onde os outros tinha abancado a comer lagosta, presunto pata negra, queijo da serra e outras delícias importadas, que o Lima tinha preparado para o nosso repasto, com toda a atenção. É verdade, eles estavam todos dentro do avião porque em Annobón só havia um café que não tinha água, cerveja ou qualquer refrigerante. Nem percebi porque é que estava aberto e com gente sentada nas mesas. Por isso, não valia a pena ficarem no café à espera dos mais destemidos e resistentes que chegaram a APOT, quando dentro do avião tinham tudo para passar um bom bocado.
Cheguei ao avião e a festa foi total - eles tinha estado a combinar a melhor forma de me deixarem lá, até porque havia a praia dos amores e assim eles teriam de regressar a Annobón de 15 em 15 dias pata me levarem alimentos, jornais e qualquer coisa que eu pedisse. O argumento era simples - eu queria estudar a implementação do turismo ecológico, num país onde o segmento se estivesse a implementar, não tinha nada que me prendesse fora de Annobón (pensavam eles... ou se calhar esperavam apenas a confirmação, mas eu não a dei), as potencialidades ali eram infinitas e a população muito afável.
Foi um estrafego o meu final de dia, o retorno a São Tomé e os dias que se seguiram. Não havia condições, nem ouvidos que aguentassem. E os músculos da minha face já se queixava, de tanto sorrir para não lhes responder. A um deles, o médico, não podia responder torto, afinal ele era uma das minhas referências, eu simpatizava muito com ele e era uma pessoa super disponível, apesar de ter entrado naquela brincadeirinha chata e que me parecia não ter fim. O outro era um fulano enigmático, que nunca cheguei a compreender, nem a função dele por lá, nem o grau de influência que tem sobre as diferentes comunidades. Além do mais, eles testavam a minha capacidade de reacção e eu não lhes dei o prazer de me ver desatinada, desorientada, enfurecida com a vida e o mundo.
Mas às vezes as brincadeiras não têm fim e as pessoas não sabem parar nos limites porque não os reconhecem, isso é verdade... E Annobón foi uma excelente experiência de conhecimento, de percepção de uma realidade tão diferente, onde o presidente regional se vem despedir dos passageiros e vê-los embarcar, porque é uma honra ter 12 turistas na ilha, e uma garantia de não intrusão. O estrangeiro é bem vindo, desde que parta e que não permaneça, mesmo que tenha dinheiro para gastar. Afinal por ali não há simplesmente nada para comprar porque ninguém vende nada. É a economia mais primária que conheci - produz-se e consome-se, não há trocas.
Foi engraçado mas muito estranho... e vim com a certeza que um dia, aquilo que poderia ser um paraíso vai ter de mudar...

Grizabella, the glamour cat

E quando Grizabella entoou aquela magnífica canção, "Memory", eu, que já estava rendida à beleza perfeccionista do espectáculo, emocionei-me, porque não era possível deixar de o fazer.
Dias bons que foram e que deixaram lembranças e que continuamente recordamos.
Memórias de pessoas e de momentos que procuramos reavivar e voltar a viver.
Tentativas de renascer para um "novo dia" após uma má experiência.
Grizabella, a gata glamorosa é posta de parte pelo resto do grupo de gatos Jellicle por, há uns anos atrás, ter optado deixá-los, com o objectivo de conhecer e explorar o mundo exterior, novo para ela e sedutor. Agora que regressou, sem o glamour e a beleza dos tempos idos, cansada, desgastada e sózinha, o grupo tem relutância em aceitá-la. Por isso, sózinha e iluminada pelo luar, canta na esperança de renascer para uma nova vida. Os Jellicle acabam por aceitá-la, por decisão do Old Deuteronomy, um sábio e reconhecido gatarrão, enorme, experiente, simpático e ponderado, que a escolhe para que ela possa renascer.
No final, Old Deut explica aos humanos como lidar com os gatos. Afinal, "os gatos são muito parecidos convosco". É preciso dar tempo ao gato, que é independente, para que a amizade cresça, para que ganhe confiança, para que se sinta confortável. No início, os gatos mostram-se desconfiados e relutantes porque são orgulhosos. Os gatos têm três nomes - o nome que utilizam no dia-a-dia; o nome mais distinto; o nome secreto... E há tipos de gatos como há tipos de pessoas.
E afinal, Old Deut tinha razão, os gatos têm parecenças com os humanos...
Aqui fica a canção que me emocionou (e aos meus vizinhos de fila também que limpavam discretamente os olhos), quem sabe por todos nos reconhecermos nela. E de que maneira...
"Daylight, see the dew on a sunflower
And a rose that is fading
Roses wither away
Like the sunflower
I yearn to turn my face to the dawn
I am waiting for the day
Now Old Deuteronomy just before dawn
Through a silence you feel you could cut with a knife
Announces the cat who can now be reborn
And come back to a different Jellicle life
Memory, turn your face to the moonlight
Let your memory lead you
Open up, enter in
If you find there the meaning of what happiness is
Then a new life will begin"

Memory

"Midnight, not a sound from the pavement
Has the moon lost her memory?
She is smiling alone
In the lamplight the withered leaves collect at my feet
And the wind begins to moan
Memory, all alone in the moonlight
I can smile at the old days
I was beautiful then
I remember the time I knew what happiness was
Let the memory live again
Every street lamp seems to beat
A fatalistic warning
Someone mutters and a streetlamp gutters
And soon it will be morning
Daylight, I must wait for the sunrise
I must think of a new life
And I mustn’t give in
When the dawn comes tonight will be a memory too
And a new day will begin
Burnt out ends of smoky days
The stale cold smell of morning
The streetlamp dies, another night is over
Another day is dawning
Touch me, it’s so easy to leave me
All alone with the memory
Of my days in the sun
If you touch me, you’ll understand what happiness is
Look, a new day has begun"
(Music: Andrew Lloyd Webber.Lyrics: Trevor Nunn, after T.S. Eliot.Show: "Cats" (1981/1992)

Gatos 2

"Os gatos são ao mesmo tempo reservados, hipersensuais, frios, quentes, completamente elásticos e misteriosos"
(Gillian Lynne)

Gatos 1

"Somos fascinados pelos gatos por muitos motivos mas talvez o principal seja porque, de uma forma misteriosa, nos permitem ver-nos a nós próprios de uma forma mais clara"
(Trevor Nunn)


Cats (Andrew Lloyd Webber)

Ontem vi o Cats no Coliseu. Qualquer qualificativo é insuficiente para exprimir uma avaliação correcta. É fantástico, fenomenal, perfeito. Bem dançado, bem cantado, com um excelente enquadramento. A ver e a rever. O mais possível e sempre que houver possibilidade. Já que ainda estarão por cá durante Novembro, não percam. Vejam o site oficial

I will survive

"At first I was afraid
I was petrified
Kept thinkin' I could never live without you by my side;
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong
And I grew strong"

(Gloria Gaynor)

sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Lago Apot, Annobón

Lago APOT, o nosso objectivo, pelo qual tivemos de pagar; até ao qual fomos acompanhados pelo "nosso" sorridente militar; o tal que é a cratera de um vulcão. Fantástico, apesar do percurso ser apenas para os audazes...


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Vista Parcial, Annobón

Vista parcial de Annobón - podia ser um paraíso no Golfo da Guiné, podia ser turístico, podia ser dinâmico e a comunidade podia viver bem. Mas não...


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Passeio pela rua principal de Annobón, paralela à praia e ao barco que ali encalhou e ali ficou...


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Praia dos Amores

Chegada a Annobón - a "Praia doa Amores" - linda linda linda de morrer, a cor da água é real, o enquadramento uma ternura e a principal vantagem - como tudo em Annobón, é deserta. O senão, estar sempre acompanhado pelo simpático militar (ou por outra pessoa qualquer que nos vigie todos os movimentos)


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Aeroportos

A inspiradora pista do aeroporto de São Tomé e Príncipe...


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quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Annobón - a decisão

A visita a Annobón foi preparada com cuidado e idealizada ao pormenor, pelo que a expectativa era grande. Faz agora mais ou menos dois anos. Estava em São Tomé a preparar a minha pesquisa de doutoramento e as actividades de fim de semana alegravam os nossos dias porque fazíamos sempre algo diferente, para que o tédio não nos vencesse. Há que referir que em São Tomé não há dinamismo cultural - o cinema é uma miragem, o teatro um sonho, livrarias... o que é isso?, discotecas só duas, cibercafés uma inovação, galerias de arte, apenas uma, a luz nas ruas da capital tem 4 anos e a televisão resume-se ao brilhantismo da programação da RTPInternacional... e não é preciso dizer mais nada...
As actividades de fim de semana eram mesmo integradas em meio natural - praia, o mais possível, caminhadas pela floresta e visita a roças, mas que de tão degradadas que estão, quase nem serve de passeio cultural.
O grande dinamizador do nosso lazer tinha vindo de férias para Portugal e o marasmo aparecia na cara de todos, sobretudo dos que adoptavam de forma sistemática o lamento como forma de vida, o comentário e a crítica da vida alheia como estratégia. E eis senão quando, os mais velhos se organizaram e propuseram a alguns de nós uma sexta feira diferente. A ideia era fretar a avioneta da Air São Tomé e fazermos uma incursão à Guiné Equatorial, a uma ilha famosa pela beleza das águas e pela pobreza do povo, Annobón, que terá sido uma ilha portuguesa que fora negociada com os espanhóis em plena época expansionista.
Um deles, que ficou como o organizador do dia, juntou passaportes e responsabilizou-se pelos vistos, reuniu os cheques para pagar o avião e combinou com o Lima, famoso pelos bigodes que tem e pelo restaurante com o nome que lhe faz jus, o almoço, fenomenal para um catering de avião... até lagosta e presunto pata negra havia. Fomos bem tratados pela organização, é um facto.
E lá fomos, numa 6ª feira. O ponto de encontro foi a porta das partidas nacionais do aeroporto de S. Tomé, onde embarcámos em conjunto com a missão da Força Aérea que ia voar para o Príncipe nessa manhã.
O voo foi suave, houve mesmo quem dormisse. Eu, claro está, ia atarefadíssima a tirar fotografias à paisagem porque, de facto, a costa santomense é muito bonita, muito mesmo. Vi as roças do sul, a foz dos rios, o ilhéu das rolas e o cão grande. Foi fantástico e aquele voo ficará para sempre na minha memória. A chegada a Annobón parecia um sonho porque, se nos costumávamos queixar da pista de STP, pois a de Annobón era surreal porque tinha ligação com o centro da aldeia e com as praias, e para agravar a alucinação expectante, tinha escavadoras e outros meios de construção civil no meio.
(continua)

quarta-feira, 27 de outubro de 2004

Significado dos Nomes

Todos os nomes têm um significado e falam um pouco do que somos. Eu reconheço-me no meu. Vejam o Dicionário dos Nomes.
O meu (Brígida) significa "grandeza e força" e deriva do celta Briganti ou de uma latinização do irlandês Brighid - só pode ser ao nome que vou buscar tamanha resistência.

Malmequer Mentiroso

Malmequer Mentiroso é um nome inspirador para uma florista. E para quem a frequenta também. Farto-me de rir sempre que penso neste nome. Mas leiam... e veja o link
"Ó malmequer mentiroso
Quem te ensinou a mentir
Tu dizes que me quer bem
Quem de mim anda a fugir

Desfolhei um malmequer
Num lindo jardim de Santarém
Malmequer, bem me quer Muito
longe está quem me quer bem

Coitado do malmequer
Sem fazer mal a ninguém
São todos a desfolhá-lo
Para ver quem lhe quer bem

Malmequer não é constante
Malmequer muito varia
Vinte folhas dizem morte
Treze dizem alegria"

Ecopedagogia

- O que é a ECOPEDAGOGIA e para que serve? - costumam perguntar-me, com ar semi-duvidoso, semi-crítico, sempre que falo a alguém no último campo de estudo que me suscitou interesse para uma nova investigação em África.
Na verdade, os temas que gosto de estudar são considerados para muitos como alternativos e leves. Mas eu não me importo que façam essas avaliações.
Francisco Gutiérrez, a quem se deve o termo “ecopedagogia” relaciona-o outra expressão "promover" desenvolvimento ou seja “facilitar, acompanhar, possibilitar, recuperar, dar lugar, compartilhar, inquietar, problematizar, relacionar, reconhecer, envolver, comunicar, expressar, comprometer, entusiasmar, apaixonar, amar”, resultando numa aprendizagem integrada entre grupos humanos e meios naturais.

terça-feira, 26 de outubro de 2004

Em Annobón,

a saga continuou... até para tirarmos fotografias, precisámos de nos fazer acompanhar por um papel que formalizava a autorização... e, claro está, sempre acompanhados pelo militar, que era simpático e pacífico, mas que não nos largou, nem por um minuto, até para nos indicar quais eram as melhores mangas.
O militar era simpático e sorridente, fez quase sempre o papel do guia turístico que por lá não havia. Explicava-nos todos os pormenores, chamava a atenção para particularidades dos percursos, indico-nos as melhores praias. Mas não nos largou... e quando tentámos tirar fotos a monumentos, ele explicou-nos calmamente que não podia ser...
E esquecia-me de referir... as autorizações eram pagas... claro!


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Annobón e as autorizações

Visitar Annobón na Guiné Equatorial é por si só uma aventura "militarizada". Todos os passos que queiramos dar são acompanhados por um militar fardado e armado. Um espectáculo! Mesmo se for para ir à praia, ou visitar a cratera de um vulcão ou fazer uma caminhada pela floresta e comer umas mangas que estão espalhadas pelo caminho. É hilariante, sobretudo porque é necessária uma autorização escrita, na qual constam os nomes de todos os visitantes... eramos 12 pessoas, e tinhamos fretado o avião da Air São Tomé para um passeio de um dia...
Explico mais tarde os pormenores, porque foi uma viagem inesquecível!


Posted by Hello

Prolapso

E um prolapso pode voltar pela simples razão que, desde que o tenhamos uma vez, tê-lo-emos para sempre. Uma perspectiva estranha do que é "viver acompanhado". Por um prolapso e por um anisakis. E, como os que me conhecem bem saberão, não defendo a poligamia, seja de que forma for. Sou mesmo contra!

Internacionalização

E o Grupo Pestana lá vai até STP... tornando o arquipélago num destino internacional...
A ver se a qualidade dos serviços prestados no Ilhéu das Rolas melhoram, que bem precisa porque o local é magnífico. Que saudades da Praia Café...

Desonestidade

Estou cansada: de gente desonesta; de falta de palavra; de incapacidade de cumprir compromissos; de conversa fiada; de estratégias do tipo "a melhor defesa é o ataque".
Estou cansada que me devam dinheiro e se aproveitem da boa vontade, da dedicação e do esforço.
Por vezes dou comigo a sentir-me cansada de África, ou melhor de alguns africanos, dos desonestos, dos incumpridores, dos aproveitadores e dos reis dos esquemas. Logo a minha vida havia de estar tão ligada a África. Há coisas...

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...