Vista parcial de Annobón - podia ser um paraíso no Golfo da Guiné, podia ser turístico, podia ser dinâmico e a comunidade podia viver bem. Mas não...
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Praia dos Amores
Chegada a Annobón - a "Praia doa Amores" - linda linda linda de morrer, a cor da água é real, o enquadramento uma ternura e a principal vantagem - como tudo em Annobón, é deserta. O senão, estar sempre acompanhado pelo simpático militar (ou por outra pessoa qualquer que nos vigie todos os movimentos)
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Annobón - a decisão
A visita a Annobón foi preparada com cuidado e idealizada ao pormenor, pelo que a expectativa era grande. Faz agora mais ou menos dois anos. Estava em São Tomé a preparar a minha pesquisa de doutoramento e as actividades de fim de semana alegravam os nossos dias porque fazíamos sempre algo diferente, para que o tédio não nos vencesse. Há que referir que em São Tomé não há dinamismo cultural - o cinema é uma miragem, o teatro um sonho, livrarias... o que é isso?, discotecas só duas, cibercafés uma inovação, galerias de arte, apenas uma, a luz nas ruas da capital tem 4 anos e a televisão resume-se ao brilhantismo da programação da RTPInternacional... e não é preciso dizer mais nada...
As actividades de fim de semana eram mesmo integradas em meio natural - praia, o mais possível, caminhadas pela floresta e visita a roças, mas que de tão degradadas que estão, quase nem serve de passeio cultural.
O grande dinamizador do nosso lazer tinha vindo de férias para Portugal e o marasmo aparecia na cara de todos, sobretudo dos que adoptavam de forma sistemática o lamento como forma de vida, o comentário e a crítica da vida alheia como estratégia. E eis senão quando, os mais velhos se organizaram e propuseram a alguns de nós uma sexta feira diferente. A ideia era fretar a avioneta da Air São Tomé e fazermos uma incursão à Guiné Equatorial, a uma ilha famosa pela beleza das águas e pela pobreza do povo, Annobón, que terá sido uma ilha portuguesa que fora negociada com os espanhóis em plena época expansionista.
Um deles, que ficou como o organizador do dia, juntou passaportes e responsabilizou-se pelos vistos, reuniu os cheques para pagar o avião e combinou com o Lima, famoso pelos bigodes que tem e pelo restaurante com o nome que lhe faz jus, o almoço, fenomenal para um catering de avião... até lagosta e presunto pata negra havia. Fomos bem tratados pela organização, é um facto.
E lá fomos, numa 6ª feira. O ponto de encontro foi a porta das partidas nacionais do aeroporto de S. Tomé, onde embarcámos em conjunto com a missão da Força Aérea que ia voar para o Príncipe nessa manhã.
O voo foi suave, houve mesmo quem dormisse. Eu, claro está, ia atarefadíssima a tirar fotografias à paisagem porque, de facto, a costa santomense é muito bonita, muito mesmo. Vi as roças do sul, a foz dos rios, o ilhéu das rolas e o cão grande. Foi fantástico e aquele voo ficará para sempre na minha memória. A chegada a Annobón parecia um sonho porque, se nos costumávamos queixar da pista de STP, pois a de Annobón era surreal porque tinha ligação com o centro da aldeia e com as praias, e para agravar a alucinação expectante, tinha escavadoras e outros meios de construção civil no meio.
(continua)
quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Significado dos Nomes
Todos os nomes têm um significado e falam um pouco do que somos. Eu reconheço-me no meu. Vejam o Dicionário dos Nomes.
O meu (Brígida) significa "grandeza e força" e deriva do celta Briganti ou de uma latinização do irlandês Brighid - só pode ser ao nome que vou buscar tamanha resistência.
Malmequer Mentiroso
Malmequer Mentiroso é um nome inspirador para uma florista. E para quem a frequenta também. Farto-me de rir sempre que penso neste nome. Mas leiam... e veja o link
"Ó malmequer mentiroso
Quem te ensinou a mentir
Tu dizes que me quer bem
Quem de mim anda a fugir
Desfolhei um malmequer
Num lindo jardim de Santarém
Malmequer, bem me quer Muito
longe está quem me quer bem
Coitado do malmequer
Sem fazer mal a ninguém
São todos a desfolhá-lo
Para ver quem lhe quer bem
Malmequer não é constante
Malmequer muito varia
Vinte folhas dizem morte
Treze dizem alegria"
"Ó malmequer mentiroso
Quem te ensinou a mentir
Tu dizes que me quer bem
Quem de mim anda a fugir
Desfolhei um malmequer
Num lindo jardim de Santarém
Malmequer, bem me quer Muito
longe está quem me quer bem
Coitado do malmequer
Sem fazer mal a ninguém
São todos a desfolhá-lo
Para ver quem lhe quer bem
Malmequer não é constante
Malmequer muito varia
Vinte folhas dizem morte
Treze dizem alegria"
Ecopedagogia
- O que é a ECOPEDAGOGIA e para que serve? - costumam perguntar-me, com ar semi-duvidoso, semi-crítico, sempre que falo a alguém no último campo de estudo que me suscitou interesse para uma nova investigação em África.
Na verdade, os temas que gosto de estudar são considerados para muitos como alternativos e leves. Mas eu não me importo que façam essas avaliações.
Francisco Gutiérrez, a quem se deve o termo “ecopedagogia” relaciona-o outra expressão "promover" desenvolvimento ou seja “facilitar, acompanhar, possibilitar, recuperar, dar lugar, compartilhar, inquietar, problematizar, relacionar, reconhecer, envolver, comunicar, expressar, comprometer, entusiasmar, apaixonar, amar”, resultando numa aprendizagem integrada entre grupos humanos e meios naturais.
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Em Annobón,
a saga continuou... até para tirarmos fotografias, precisámos de nos fazer acompanhar por um papel que formalizava a autorização... e, claro está, sempre acompanhados pelo militar, que era simpático e pacífico, mas que não nos largou, nem por um minuto, até para nos indicar quais eram as melhores mangas.
O militar era simpático e sorridente, fez quase sempre o papel do guia turístico que por lá não havia. Explicava-nos todos os pormenores, chamava a atenção para particularidades dos percursos, indico-nos as melhores praias. Mas não nos largou... e quando tentámos tirar fotos a monumentos, ele explicou-nos calmamente que não podia ser...
E esquecia-me de referir... as autorizações eram pagas... claro!
Annobón e as autorizações
Visitar Annobón na Guiné Equatorial é por si só uma aventura "militarizada". Todos os passos que queiramos dar são acompanhados por um militar fardado e armado. Um espectáculo! Mesmo se for para ir à praia, ou visitar a cratera de um vulcão ou fazer uma caminhada pela floresta e comer umas mangas que estão espalhadas pelo caminho. É hilariante, sobretudo porque é necessária uma autorização escrita, na qual constam os nomes de todos os visitantes... eramos 12 pessoas, e tinhamos fretado o avião da Air São Tomé para um passeio de um dia...
Explico mais tarde os pormenores, porque foi uma viagem inesquecível!
Posted by Hello
Prolapso
E um prolapso pode voltar pela simples razão que, desde que o tenhamos uma vez, tê-lo-emos para sempre. Uma perspectiva estranha do que é "viver acompanhado". Por um prolapso e por um anisakis. E, como os que me conhecem bem saberão, não defendo a poligamia, seja de que forma for. Sou mesmo contra!
Internacionalização
A ver se a qualidade dos serviços prestados no Ilhéu das Rolas melhoram, que bem precisa porque o local é magnífico. Que saudades da Praia Café...
Desonestidade
Estou cansada: de gente desonesta; de falta de palavra; de incapacidade de cumprir compromissos; de conversa fiada; de estratégias do tipo "a melhor defesa é o ataque".
Estou cansada que me devam dinheiro e se aproveitem da boa vontade, da dedicação e do esforço.
Por vezes dou comigo a sentir-me cansada de África, ou melhor de alguns africanos, dos desonestos, dos incumpridores, dos aproveitadores e dos reis dos esquemas. Logo a minha vida havia de estar tão ligada a África. Há coisas...
domingo, 24 de outubro de 2004
Verdade
Uma coisa "muito magnífica" aprendi em África - por mais certezas que tenhamos, nunca as temos verdadeiramente. O "outro" tinha razão, rapaz esperto e instruído acerca da mente e do conhecimento. Eu também digo - só sei que nada sei. E quanto a dúvidas... sou a rainha delas.
(Não... isso não tem nada que ver com ninguém em particular.)
O silêncio é precioso
- Respeito os teus sentimentos, respeita também tu os meus. Magoaste-me antes, infinitamente. Não me magoes agora, nem depois. Nunca mais... - pediu-lhe no silêncio de um olhar.
E ele olhou-a ternamente, interpretando, naquela expressão, promessas que ela não fez e que não quis fazer. Mas não a conseguiu escutar porque ela não chegou a dizer uma única palavra.
E continuaram olhando-se em silêncio, no final de uma noite de agradável conversa, querendo dizer coisas um ao outro que nunca chegaram a proferir, porque não conseguiam e não podiam.
Não se entendiam quando falavam. E interpretavam-se sempre mal...
Interferência
Havia uma coisa que ela nunca quis e que continuava a não querer: ter a noção que estava a intrometer-se entre duas pessoas, a interferir numa relação, qualquer que ela fosse e independentemente de contornos que essa relação tivesse.
Coincidências
A vida não deixa de me surpreender. Umas vezes, de forma agradável, outras nem tanto. Mas o Mundo é pequeno, muito pequeno mesmo, e a nossa vida uma estranha conjugação de coincidências surreais. Por vezes hilariantes...
(Pensamento durante o jantar de 22/10/2004)
sábado, 23 de outubro de 2004
O que é o Amor para ti?
Ele insistia em dizer-lhe que a amava, apesar de tudo: dos desencontros que o destino tinha repetido, da distância em que tinham vivido, das diferenças que os distinguiam, dos modos de vida que não os aproximavam, dos gostos e dos desejos que não se encontravam, do tempo que os ausentara um do outro... Mas ele repetia, sem se cansar, que a amava. E ela não acreditava...
Ele queria acreditar que a amava e queria efectivamente amá-la. Porque ela tinha uma vida certinha, porque tinha ideais e sonhos e desejos, e não se importava de viver sózinha se nunca chegasse a encontrar o que procurava. Se não tivesse a vida que idealizara conformava-se, mas dizia com um sorriso aberto e cheia de confiança que não queria "embarcar" numa vida de incerteza. Magoara-se demais e não queria repetir a proeza. Os custos eram bem mais elevados do que os benefícios, disso tinha certeza e o prazer que podia retirar de uma "história de conto de fadas" rapidamente se transformava num inferno. E climas tórridos só no verão ou em África, pensava.
Não, ela não era particularmente bonita, nem assustadoramente feia. Tinha traços simples marcados por um nariz "cheio de personalidade", não era exuberante e procurava passar despercebida. Tinha uns olhos ternos e compreensivos, que evidenciavam algum cansaço, de uma cor difícil de definir porque variava com os estados de alma. E falava com os olhos, dizia quase tudo, o que sentia e o que pensava. E quando não podia dizer, olhava para baixo ou para longe, ou fingia pensar, para que a expressão do olhar não a traisse.
Era suficientemente inteligente para acreditar que quanto mais sábio se é, mais simples se parece, e vivia de acordo com a permissa, sempre pronta para aprender com todos, porque a grande sabedoria não está nos livros mas nas experiências de vida. E a vida dela estava bem marcada pelo factor experiência. Talvez por isso quisesse viver em paz com ela própria e com os outros.
Era uma pessoa tranquila e, para ele, representava a diferença, o que ele não tinha. Por isso, queria amá-la e convencia-se a si próprio de sentimentos que não tinha, mas que queria ter. Não, não se convencia mas dizia que sim, porque pensava que assim era mais fácil convencê-la. E enganava-se porque ela percebia. Isso e muito mais. Quando o ouvia com declarações de amor sem fim tentava contrariar a tendência e quando não era bem sucedida calava-se, ouvia-o e olhava-o calmamente. Mas a cabeça fervilhava de perguntas, para as quais ele não tinha respostas e por isso repetia palavras de amor, de desejo, de procura de entendimento, de conforto e de compreensão.
E ela ouvia até à exaustão pensando que lhe queria perguntar - Mas afinal, o que é para ti o amor?
Gratidão e perdão... que confusão
Agradeço-lhe pelos encontros cordiais, pela insistência (mal sucedida) pela repescagem de sentimentos e afeição, pelas flores, pelos jantares, pelos chás e cacau quente, pelas conversas profundas e pelas explicações, pelas palavras bonitas e pela dedicação.
Mas peço-lhe, sucessivamente e de forma infinita, para que não confunda gratidão com perdão, porque há coisas que não consegui até hoje ultrapassar e duvido que o venha a fazer...
Tenho sempre a estranha sensação que ele não me ouve, porque não quer e porque vive num mundo só seu, e por isso não pode entender o que lhe tento explicar, as minhas razões, as minhas angústias, os meus receios, os meus bloqueios.
E um dia, estou certa que ele me dará razão: confundir os dois leva a uma tremenda confusão... e dessa, já temos os dois a nossa dose.
Medo do Amor
O amor mete medo, retrai e por vezes afasta.
As demonstrações e a insistência nos afectos sabem bem, porque nos fazem sentir desejados, queridos, pretendidos, por percebermos que alguém nos quer e está disposto a qualquer coisa por nós. Independentemente do que estiver em risco. E às vezes está muito pouco, e outras vezes está muito muito. Faz-nos sentir importantes e pode tornar-nos egoístas.
Mas... tudo isso também assusta, retrai, mete medo e afasta.
É importante que se perceba que o que tiver de ser, será, e o que não puder ser... não acontecerá, por maior que seja o esforço. Há sentimentos que não renascem porque não foram alimentados em seu devido tempo, emoções que não se reacendem, relações que não podem ser retomadas. Simplesmente porque o tempo certo passou. E o que se viveu não se altera nem se retoma.
Na verdade, como em tantas outras coisas, acredito que nos negócios do Amor, o destino tem uma palavra a dizer. E a vontade, bem como a falta dela, tem de ser respeitada. E há coisas que não podem ser. Porquê? Porque não...
Ontem ofereceram-me flores...
Ontem ofereceram-me um ramo de flores, grande, enorme, lindo, em tons que variavam entre o amarelo e o laranja, com tons rosados. Um ramo de flores encantador, de aspecto harmonioso e delicado, bem cheiroso e aromático. Um afago para os olhos, para o nariz, para a alma e para o coração.
Escusado será dizer que me soube bem recebê-lo. Pela lembrança, pela acção, pela dedicação que, quem o ofereceu, quer demonstrar ser capaz. Foi o segundo.
Sim, já percebi que ele está a dar o seu melhor, na atenção, na demonstração de afecto, de vontades e de desejo. Todos os encontros são marcados pela permanência e continuada exteriorização de afectos: apresentação de um leque variado de razões, de forma que eu interiorize as vantagens de tentarmos algo em conjunto; atitudes de cavalheirismo consciente que cativam; reforço de gestos de afectividade, numa busca de proximidade; repetição da palavra "amor"...
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Muito
- Eu gosto MUITO de viver, afirmou ela com certezas.
- Eu gosto de viver MUITO, e morrer CEDO, e levar muita gente comigo para a MORTE, sobretudo se for através do SEXO, respondeu-lhe ele em tom enigmático, meio a sorrir
- Pois... foi o que pensei, atacou ela irritada com a conversa, pelo tom, pelo conteúdo e principalmente pela desconfiança agravada.
- Eu gosto de viver MUITO, e morrer CEDO, e levar muita gente comigo para a MORTE, sobretudo se for através do SEXO, respondeu-lhe ele em tom enigmático, meio a sorrir
- Pois... foi o que pensei, atacou ela irritada com a conversa, pelo tom, pelo conteúdo e principalmente pela desconfiança agravada.
Trocas
Acabei de receber um mail dizendo:
"Nunca deixes aquilo que amas por aquilo que desejas, pois aquilo que desejas te deixará pelo que ama."
E é uma grande verdade...
quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Cautela
"Sede cautelosas, jovens meninas; tende prudência de como vos entregais. Tende pudor de amar abertamente; jamais digais tudo o que sentis, ou (melhor ainda) sentis muito pouco. Vede as consequências de ser prematuramente sinceras e confiantes e desconfiai de vós mesmas e de todos. (...) De qualquer forma, nunca tenhais nenhum sentimento que possa vos deixar em situação constrangedora e nem façais promessas que não possais, a qualquer momento necessário, controlar e retirar. Esta é a maneira de viver, ser respeitada e ter um carácter virtuoso."
William Thackeray in Feira das Vaidades
terça-feira, 19 de outubro de 2004
O Saco de Água Quente
Ontem, após um dia para lá de cansativo, cheguei a casa com vontade de sentir o conforto de um espaço bem iluminado e aquecido. Estava frio e chovia, com uma intensidade que já não via há muito. A viagem que tive de fazer no regresso a Lisboa foi dura e demorou horas infinitas. As notícias acerca do mau tempo não foram enganosas - nevoeiros cerrados nas zonas altas, chuvas consecutivas e agravadas pelo vento.
Jantei com gosto, porque o horário de almoço não me permite muito mais do que uma sandes e um café, assisti com incredulidade ao concurso da RTP1, onde estava uma rapariga, praticante de surf, que era o protótipo da loira das anedotas. Exemplo de pergunta - onde ficam as Seychelles? - opções: oceano Atlântico, oceano Índico, oceano Pacífico, Antártida. Resposta - fica no Atlântico...
Bem, após uma série de tentativas do apresentador em solucionar a ignorância da moça que se exprimia com sorrisos e olhares lânguidos, com ajudas mais do que evidentes, a questões básicas desta natureza, decidi ir dormir. Estava desconfortável, com frio, e irritadíssima com tamanha afronta, afinal a rapariga entrara em Medicina com 18.95... xê... como seria possível???????
E fui dormir, estreando o meu saco de água quente neste outono. Já me esquecia o quanto o saco de água quente faz maravilhas para embalar o sono, dando-nos uma sensação de conforto indescritivel. É verdade que sou uma apologista destes utensílios porque acho que não nascemos para sofrer e quando se vai para a cama com os pés frios o acto de adormecer torna-se num suplício. Esta foi uma magnífica invenção!
domingo, 17 de outubro de 2004
Hospital de Água Izé
A magnífica Roça de Água Izé
Roça de S. João
Um dos melhores recantos porque dos mais inspiradores - a favor do descanso, da leitura, da reflexão, da simples contemplação, de uma boa conversa ou de uma troca de olhares. Quando visitarem STP, não deixem de se sentar calmamente na imensa varanda, numa daquelas cadeiras, em boa companhia e... gozem o momento...
Praia das 7 Ondas
Onde o mar parece rasteiro mas engana, tentando levar-nos até ao largo, sabe-se lá para quê...
Areal onde existem umas conchas estranhas, o "prato de tartaruga" com o desenho de uma flor na face... magníficas...
Baía onde as crianças aparecem do nada, transformando uma praia aparentemente deserta numa multidão de sorrisos, com cocos numa mão e uma catana na outra... na esperança de uma troca por 5000 dobras (50 cêntimos)...
Parque Natural Obô, STP
sábado, 16 de outubro de 2004
Guiné - Parte III
A minha estadia em Bissau foi decorrendo, comigo a confrontar-me com uma cultura bem diferente. Tudo me pareceu estranhamente sedutor - o crioulo e a forma como alguns se expressavam, os jogos de oril, com que a maioria dos homens ocupava o tempo, os cestos que as raarigas vendiam na rua, os postos de engraxamento de sapatos, as árvores carregadas de fruta, espalhadas pela cidade, os cheiros, a densidade atmosférica. Tudo me parecia estranho.
Tinha a certeza que ali não quereria viver mas começava a ter a estranha sensação das contradições que África provocava em todos aqueles que por lá passavam. A verdade é que depois da Guiné, o apelo por aquele continente ficou e fui regressando sempre que pude.
Os dias passavam-se entre a ONG onde desenvolvi as minhas pesquisas e a casa das missionárias onde estava alojada, em frente à Polícia Judiciária, rua sempre repleta de gente, que não cheguei a perceber se estava à espera de saber notícias de alguém que lá estivesse dentro em investigações ou se simplesmente tinha acompanhado alguém para efectuar uma queixa. Pensei sempre que a primeira hipótese era a mais provável. Mas nunca consegui aprofundar porque aprendi uma coisa importantíssima naquela estadia: num regime pouco democrático, ninguém gosta de falar e poucos são os que efectivamente o fazem. E o regime que se vivia era o de Nino Vieira, por isso a recomendação fez-se chegar rapidamente... nada de fazer perguntas como base em investigação por conta própria. Era mesmo melhor dedicar-me à pesquisa no terreno para a minha tese de Mestrado - o desenvolvimento local e as estratégias participativas. E lá fui eu ccontactar a ONG e outras instituições, nacionais e estrangeiras que desenvolviam trabalhos no âmbito do meu estudo.
Como não tinha apoios financeiros importantes, não pude alugar carro e as minhas deslocações na cidade faziam-se de taxi quase comunitário ou à la pate, o que me permitiu contactar ainda mais directamente com as populações locais, conhecer as ruas e andar por ali à solta. Foi uma experiência de vida única, apesar de ter por lá passado dias de isolamento, que me pareceram não ter fim, por não ter ninguém de grande proximidade para conversar.
As minhas incursões para fora de Bissau foram acompanhadas pelos missionários que me acolheram. Fui a Cumura, o hospital dos leprosos sem indícios de efectivamente o ser, a Bafatá, a Mansoa e a Cucilinta. Fiquei com uma ideia geral da "Guiné profunda" e visitei tabancas, fiz piqueniques nas zonas florestais e, claro está, fui a missas africanas. Mais uma realidade que me encantou, sobretudo quando eu, em Portugal, me recusava a frequentar as igrejas por ter a sensação de viver uma crise de fé e de desacreditação dos seus representantes máximos. Mas ali, a participação era uma realidade, a partilha de dificuldades, a disponibilidade para encontrar soluções, o tempo que não se esgotava, a boa vontade.
Regressei com a ideia que os missionários são bem diferentes dos religiosos tradicionais - são pessoas que dedicam a sua vida, não a rezar e a viver bem mas, a fazer bem aos outros e a ter uma vida contida, podendo confrontar-se com dificuldades sem fim, mas sem nunca recusarem o apoio a alguém que o pedisse ou se sentissem que o necessitava.
Depois, as crianças deixaram-me completamente rendida. Os olhos, o sorriso, a simplicidade dos gestos e a ausência de bens e de riqueza, mas com uma alegria de viver que nunca imaginei ser possível. Nós, no mundo desenvolvido, temos tudo e queremos continuamente ter mais por sermos consumisticamente insatisfeitos, aqueles nada tinham mas riam, cantavam, dançavam, pulavam e quando podiam brincavam.
Aprendi que ser melhor passa pela capacidade de nos darmos aos outros, sobretudo quando temos pouco para dar, de vivermos com pouco e mesmo assim estarmos contentes e satisfeitos só pelo facto de estarmos vivos.
Aprendi que a verdadeira sabedoria não está escrita nos livros nem nos tratados e não resulta sempre de grandes estudos. O sábio não é o estudioso de biblioteca, o que se intitula como tal ou aquele que tem um QI acima da média e que é vulgarmente considerado como uma sumidade.
Sábio é quem aprende através da experiência, quem vive o dia a dia com tal intensidade que o brilho que os seus olhos emitem pode iluminar uma noite de escuridão; quem tem humildade para aprender com os próprios erros e não condena os alheios; quem está igualmente disponível para uma conversa ou para aceitar o siêncio; quem não força sentimentos e os deixa fluir.
Regressei de Bissau com a sensação que tinha vivido a experiência mais dura, desde que que era gente. Para ser franca, não vivi nenhuma situação pessoalmente problemática, não me confrontei com violência ou com privações. Tive tudo o que precisei e senti-me apoiada por todos com quem contactei. A experiência dura resultou: da minha consciencialização que as imagens da TV não são forjadas, elas traduzem realidades, com as quais nunca imaginei contactar; da percepção que a distinção entre o bem e o mal ou o correcto e o incorrecto são puras convenções culturais porque ultrapassam em larga medida a imagem humana. E tudo isto aprendi com os missionários e com os guineenses.
Regressei com a consciência que aquela viagem não se repetiria, por muitas Áfricas que viesse a conhecer e mesmo que um dia mais tarde regressasse a Bissau.
E espero regressar...
sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Amigos
"- Ando à procura de amigos - disse o principezinho - o que é que «estar presp» quer dizer?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a cem mil raposas. Mas se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho - Sabes, há uma flor... tenho a impressão que estou preso a ela..."
(...)
"- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa - Os homens agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos.
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho
- É preciso ter muita paciência. (...)"
A. Saint Exupéry in O Principezinho
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a cem mil raposas. Mas se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho - Sabes, há uma flor... tenho a impressão que estou preso a ela..."
(...)
"- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa - Os homens agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos.
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho
- É preciso ter muita paciência. (...)"
A. Saint Exupéry in O Principezinho
O que andas à procura?
"Os homens da tua terra - disse o principezinho - plantam cinco mil rosas no mesmo jardim... E, mesmo assim, não descobrem aquilo de que andam à procura..."
A Saint Exupéry in O Principezinho
A Saint Exupéry in O Principezinho
Sabedoria
"- Então julga-te a ti próprio - respondeu o rei - é o mais difícil de tudo. É bem mais difícil julgarmo-nos a nós próprios do que aos outros. Se te conseguires julgar a ti próprio, és um sábio dos autênticos".
A. Saint-Exupéry in O Principezinho
quarta-feira, 13 de outubro de 2004
E a vida continua...
e a curiosidade alheia acerca daquilo que não lhe diz respeito também...
É assombroso como algumas pessoas, só por nos conhecerem, terem jantado algumas vezes connosco e desenvolvido actividades em período de lazer, tais como caminhadas, idas à praia ou a um bar, se acham no direito de nos questionar de forma incisiva e directa acerca da nossa intimidade. Pior um pouco quando se fazem de nossas amigas, as maiores e aquelas sem as quais não conseguiriamos passar, mas por trás de nós comentam-nos, avaliam-nos, opinam e julgam todos os nossos actos e comportamentos.
Há alturas em que queremos ter a noção de ser uma atitude simpática e reconfortante, sobretudo quando nos sentimos sózinhos e com uma infinita necessidade de falar e de partilhar o que nos vai na alma. Mas depois de nos terem feito algumas, das boas mas que nem o diabo gostaria, tudo nos surge de forma óbvia e básica. Dá vontade de rir, em vez de gritar, de desconversar, em vez de desatinar e de dizer "bidu bidu dádá" para não dizer "não há paciência"... quando interiormente pensamos mesmo... "não há c...!!!!!".
Toquem-se queridinhos...
terça-feira, 12 de outubro de 2004
Seria fisiologicamente possível que um prolapso na válvula mitral (leia-se coração), com o qual nascera, tivesse deixado de produzir efeitos durante uns 10 anos e de repente, tivesse reaparecido? Sentia o coração bater de novo descompassadamente, não por estar apaixonado, por se sentir ansioso ou triste. Não tinha motivo aparente, mas a verdade é que os sintomas tinham voltado de novo e o desconforto associado ao cansaço e às olheiras também.
Tinha de ir ver o que se passava. Essa era a única decisão acertada naquela altura. Não podia nem queria continuar assim. Até porque, depois de ter dormido toda a noite, bebido dois cafés e almoçado bem num restaurante chinês da Linha, decidiu verificar a tensão arterial, por não se sentir bem, e... o resultado foi 10-6. O o comentário da enfermeira do posto de saúde foi - precisa de um café e de descansar. Era verdade, a cara dele não indiciava a noite tranquila que tinha tido.
Felicidade
"Compreendeu que a felicidade consiste em atingir aquilo por que esperámos durante muito tempo"
Isabel Allende in A Cidade dos Deuses Selvagens, pg. 208
Isabel Allende in A Cidade dos Deuses Selvagens, pg. 208
domingo, 10 de outubro de 2004
As razões
As razões da desilusão não são sempre óbvias, directas e lineares. Passo a explicar: não é necessariamente o facto de B não gostar de A que faz com que A se desiluda, mas sim a atitude dúbia de B em relação a A. Afinal, A sempre teve consciência que B tinha um modo de vida que não se adequava ao que ela idealizava, pelo menos depois de B a ter feito sofrer de forma gratuita há um bom par de anos.
A não acreditava que B tivesse mudado e, apesar do mal que lhe causou no passado, e que ela não conseguia nem queria esquecer, quis saber dele e proporcionou uma reaproximação. O que a magoou e que continuava a magoar não era o facto de ele ser o protótipo do "malandro", e A não queria qualificá-lo de bom, porque não o poderia fazer, mas sim a incapacidade dele em reconhecer que o era.
Se ele lhe mentia? Em alguns aspectos não, mas noutros... não se tratava de mentir mas de impossibilidade de assumir a verdade. Não, A não queria efectivamente envolver-se com B, apesar dele, com ar inocente lhe ter feito propostas e quase promessas. A não acreditava nelas porque soavam a algo estranho, envolto em pouca sinceridade, a loucura momentânea. Como era possível um tal discurso quando o passado era ainda presente?
O que a continuava a magoar e a desiludir era a facilidade do discurso, a fluência das palavras bonitas sem sinceridade, a ligeireza dos gestos, a ambiguidade das vontades e a incerteza dos actos. Mas porquê? Porque continuaria B a agir dessa forma com ela? Porque não se assumiria ele como era? A não entendia, mas isso também não interessava nada, não é? Para B, A era apenas mais uma carta que ele queria juntar ao baralho, um troféu que tinha de re-ganhar e nem percebia que isso não era importante.
A razão da desilusão de A era a atitude de B e o sentimento de falta de dignidade que ele lhe causava. Mas será que algum dia ele iria perceber isso? Talvez não, mas isso também não interessava nada...
Tentou
Tentou apaixonar-se pela imagem mais positiva, pela visão mais bela, pela mensagem mais poética, pela ideia mais romântica que podia ter dele. Mas não conseguiu, precisamente porque a imagem, a visão, a mensagem e a ideia não passavam disso mesmo. A realidade era bem mais negativa, feia, crua e banal.
E a desilusão surgiu uma vez mais, o que parecia um contrasenso porque nunca chegou a sentir-se iludida. Então, porque se sentia ela desiludida?
sábado, 9 de outubro de 2004
Inspiração
É assombroso como tudo pode ser fonte de inspiração - pensava - é apenas uma questão de estarmos receptivos para a sentir. E ele é a minha fonte de inspiração favorita porque infinita. Na simpatia e disponibilidade, na dedicação e afecto, na amizade, na paixão tantas vezes demonstrada, nos momentos recriados, na vontade, na insegurança escondida, na incerteza necessária. Como é possível alguém reunir tantos elementos inspiradores?
Correcção
Não me perdoaria senão fizesse uma correcção à mensagem colocada anteriormente sobre o JCB e a Quinta das Celebridades. Aquilo começou há uma semana e já não há paciência que aguente! A graça que encontrei no "White Castle" foi apenas momentânea e superficial. O homem é simplesmente arrogante e mal educado, impositivo e a atirar para o ditador, julga-se senhor de si e dos outros. É um insuportável!
Na verdade, a filosofia da Quinta podia ter interesse, pela necessidade de cada um se dar aos outros, na colaboração para a realização das tarefas diárias, no confronto de modos de vida. Mas, nos métodos que o programa utiliza e nos resultados, o programa é excessivo e pouco equitativo. Quem será o JCB neste país para ter um estatuto diferente dos restantes participantes, no que respeita ao cumprimento de tarefas? Porque alega ele, continuamente, que não precisa de fama nem de dinheiro? Porque terá ele aceite o convite, se no fim de contas está a ser pago, e não é tão pouco quanto isso, para ser considerado por ele como uma atitude caritativa?
O homem devia simplesmente ser expulso. Não tem perfil para viver numa quinta, onde é preciso trabalhar, nem para conviver em grupo. É egocêntrico e arrogante, certo das suas verdades e sem receptividade para ouvir sugestões e opiniões alheias. Dá-se ao direito de gritar histericamente com os restantes membros, faltando ao respeito e evidenciando inrazoabilidade e falta de educação.
Falta-lhe berço, essa é a verdade. É fácil perceber que a frequência de cursos de boas maneiras não equivale a educação - essa resulta de um trabalho árduo e demorado de assimilação de valores, de princípios de convivência e de respeito - que ultrapassam em larga medida a forma como se põe a mesa e, em particular, o guardanapo.
O homem é um infeliz - não assume a sua sexualidade, fazendo gala de manter uma imagem híbrida, cativa apenas superficialmente as pessoas, sente necessidade de reforçar a sua "chiqueza", o dinheiro que tem à sua disposição, mas que na verdade não é dele, por isso não é meritório, o seu valor, que ninguém vê mas que ele afirma ser infinito, a "sua Betty" que lhe deu estatuto, fatos, sapatos, lenços, pareos, maquilhagem e liftings, mas que não convence ninguém como sua amante e companheira. Que mulher teria prazer com um homem que procura imitar a sua própria imagem, tendo ela mais 40 anos do que ele?
É uma alucinação e o pior é que todo o programa roda à volta da peça - todos os outros sao desvalorizados, sobretudo os que ali trabalham e que contribuem para o quotidiano do grupo. É incrível como se pode valorizar tanto imagem tão aberrante, só por representar o "bobo da corte" e divertir o povão.
Não há mais paciência. E espero que o grupo o nomeie e que, assim sendo, os portugueses tenham vergonha e o expulsem de imediato.
sexta-feira, 8 de outubro de 2004
Guiné - Parte II
O avião aterrou e saímos, eu cheia de expectativas em relação a um mundo desconhecido, mas que não imaginara que fosse tão diferente do que eu conhecia. Afinal, desde que me lembro de existir que viajo, pelo que fui aprendendo a valorizar as particularidades culturais e a respeitá-las. Mas em Bissau esperava-me um mundo que eu supunha existir só nos livros de antropologia.
Como não conhecia ninguém e a minha disponibilidade financeira era muito reduzida por não ter bolsa nem qualquer tipo de apoios, fui viver para uma missão religiosa. No caminho que separa o aeroporto do centro da cidade, ia conversando com as irmãs que me foram buscar, impecavelmente vestidas de branco. Simpáticas e disponíveis como só as missionárias são, no meio religioso, iam-me explicando tudo e mais alguma coisa, apelando os meus sentidos para a quantidade de gente a pé com que nos cruzávamos, apesar de ser de madrugada. Pessoas com cestos na cabeça, outros simplesmente sentados à beira de uma estrada empoirada, sabe-se lá à espera de quê.
Os guineenses iam invariavelmente vestidos de cores garridas e tecidos mesclados, muitos dando a sensação de terem um único pano à volta do corpo, atado com um nó. Outros levavam uns chapéuzinhos na cabeça, de cores diferentes que, mais tarde, vim a perceber que se tratava de símbolos étnicos.
E por fim chegámos a um centro minúculo, para capital, e eu só tinha mesmo era vontade de me deitar e descansar. Nos dias seguintes esperar-me-ia uma série de surpresas que eu tinha vontade de conhecer.
Acordei algumas 10 vezes nessa noite, e nas seguintes também. O meu quarto dava para o jardim da casa, onde havia um galinheiro, e o galo era pior do que um relógio de cuco. Dava horas! Já acordada há algum tempo, decidi tomar mais um duche e comer qualquer coisa para de seguida dar umas voltas pela cidade. Tinha tudo preparadíssimo numa mesa à minha espera. Elas foram à missa, bem cedo, mas o meu pequeno almoço ali estava.à minha espera. E, ala que se faz tarde, aí vou eu à descoberta de Bissau, capital de um pequeno Estado, ex-colónia portuguesa e que tanta curiosidade me criava.
No início, Bissau foi uma desilusão - suja, cheia de buracos que mais pareciam crateras, visto que quando espreitavamos para o seu interior, não víamos o fundo, crianças que se multiplicavam e brancos que quase não se viam. Cheguei ao porto, depois de ter passado pela catedral, pelo Banco que mais parecia estar fechado, e vejo essencialmente areia e lodo, porque a água era em pouca quantidade. Nem cheguei a perceber ao certo onde os barcos atracavam.
Dei a volta e fui ter às traseiras do hospital Simão Mendes, e a minha perplexidade foi total. Além das estátuas antigas, que representam a História do país, no bom e no mau do passado, terem sido deitadas por terra, ao que consta por altura da independência, estavam mal tratadas e rodeada por umas aves, grandes qb, que vim a saber tratar-se de abutres - os famosos jagudi. Na época da independência foi prática arrancar os símbolos coloniais, mas, com o tempo, noutros países acabaram por ser recuperados, limpos e arranjados. Ali parecia que o tempo tinha parado.
Ser Marinheiro
Durante um jantar de amigos tentámos classificar e retratar os homens, por tipos. Foi uma conversa engraçada, mas os exemplares da espécie masculina presentes sentiram-se um pouco injustiçados com os argumentos femininos. A tipologia que mais discussão gerou foi quando uma amiga sugeriu o "marinheiro". Então, como caracterizámos nós o marinheiro...? Cá vai:
tem o gosto pela aventura, a paixão pela viagem, o encanto pelo desconhecido e o fácil entusiasmo. É homem de paixões curtas mas acesas, que não procura ligações estáveis, apesar de dizer a todas que sim, durante a fase da conquista, tem dificuldade em criar raízes e evita comprometimentos. Vive em estado de procura permanente mas nunca encontra. É o homem das 30.000 mulheres, uma em cada porto, a imagem do pirata. O bom malandro de lindas palavras, que encanta pelos gestos doces com as mulheres, saltando em sua defesa, e rude com os homens que o afrontam ou que disputam com ele uma saia. Infiel por natureza, não se reconhecendo como tal, diz-se homem de fácil paixão, encantando-se permanentemente com qualquer mulher, por ser sensível à beleza, à simpatia e aos afectos em geral.
quinta-feira, 7 de outubro de 2004
Portugal no seu melhor
Este podia bem ser o "subject" de um mail repleto de fotografias de sanitas na via pública, sofás a fazer de bancos nas paragens de autocarro, avisos e conselhos a favor do saneamento básico nos portões e muros das casas ou ainda má sinalização nas estradas nacionais. Mas não... é mesmo o tema de uma reflexão nocturna, depois de ter feito mais uns quantos slides para a apresentação no módulo que vou dar no curso de Relações Internacionais Africanas.
Portugal está verdadeiramente no seu melhor, ironicamente falando.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa é uma pessoa com a qual podemos simpatizar ou não, mas é uma pessoa idónea, recta, respeitável, o conhecimento e a informação personificados. Até pode fazer comentários acesos que geram polémica, mas o homem sabe e vê-se que procura estar bem informado acerca de tudo o que acontece por cá e por lá. E não é por ter sido meu professor nos tempos idos em que tentei, sem revelar a menor vocação, o curso de Direito. Nessa altura achava-o um grilo falante, com o qual não se conseguia tirar apontamentos dada a velocidade do raciocínio e do número de palavras proferidas por minuto. Era imparável e uma pessoa, só de o ouvir ficava siderada! Claro que chumbei... com 4 valores, o que me fez ter ainda mais admiração por ele.
Na realidade, durante mais de 4 anos, ele fez com que Portugal deixasse o que estava a fazer para o ouvir, nos seus comentários acertivos e estruturados, sem medo de ferir susceptibilidades, tentando ser justo e chamar os bois pelos nomes. É dos poucos a quem se pode tirar o chapéu por ser imparcial nas análises que desenvolve, apesar de ser reconhecida e assumidamente filiado no PSD.
Como é possível que dos poucos que, além do Filipão, Scolari para os mais formais, captava as atenções nacionais, ser afastado de forma tão evidente? Viveremos nós num Estado democrático? Num Estado de Direito, que assume a liberdade de expressão, entre outros chavões? Quase me sinto em África, onde estrategicamente, mas de forma subtil, se faz por não se aumentar a escolaridade e os níveis de ensino. Afinal é melhor que a população não esteja muito informada para não questionar demais...
O Homem é uma enciclopédia, um monumento nacional, uma referência para os mais novos, um exemplo para os adultos jovens e um analista equilibrado para os mais velhos. Arriscaria-me mesmo a pensar que, com tanta manifestação que se faz por esse país, sem motivo, os portugueses deveriam unir-se a favor do regresso do Marcelo. Já pensaram o que vai ser do telejornal de domingo sem ele? Uma seca!
quarta-feira, 6 de outubro de 2004
Arrumar gavetas
Arrumar gavetas é difícil, particularmente para quem não se considere muito arrumadinho, por ser uma tarefa de ordenação: de informação; de papéis e post-it, relembrando assuntos pendentes; de objectos vários, uns com significado implícito e outros insignificantes. A preparação para a arrumação das gavetas é também tarefa difícil porque implica predisposição, sob pena de, se a vontade não imperar, deixarmos tudo tão ou mais desarrumado quanto estava antes.
Mas se, no sentido material, arrumar gavetas e fechá-las é difícil, arrumar os sentimentos, com organização, nos cantinhos recônditos da memória é muito mais difícil. Sobretudo se lá quisermos voltar, de quando em vez, para relembrarmos o que vivemos, não deixando as lembranças ganhar pó, mas não permitindo que nos atormentem, ao senti-las fora de sítio.
A tarefa de encerrarmos etapas, arrumarmos a casa e fecharmos as gavetas que ficaram entre-abertas não é de todo fácil. A vontade de lá voltarmos aumenta com o tempo, para espreitarmos o que não ficou resolvido e, que por isso, foi mais difícil arrumarmos e fecharmos. Mas mais tarde ou mais cedo, conseguimos. É apenas uma questão de tempo.
É uma organização difícil, mas seguramente possível, por muito que isso custe. É um exercício de determinada e persistente organização.
Vamos a isso!!!
A minha primeira África (continua)
África sempre me fascinou. Foi um continente muito falado no decorrer da minha junventude, pelo qual fui criando um sentimento misto de curiosidade e apreensão pelo desconhecido. Começou por ser uma percepção contraditória que, a bem dizer da verdade, se foi perpetuando à medida que fui conhecendo um e outro país. A ideia inicial não mudou muito, portanto. Uma vida repleta de contradições, manifestadas por vontades interiores pouco consensuais, estranhas e difíceis de definir. Talvez por isso tão apaixonantes e sedutoras.
Parti para Bissau, o meu primeiro destino africano, em meados da década de 90, com a imagem fotográfica de uma África de filme, onde a savana imperava, habitada por animais selvagens de grande porte e onde tudo de bom - e só isso - poderia acontecer na vida de uma muito jovem senhora, a viajar sózinha por um mundo desconhecido.
Aterrei no aeroporto de Bissalanca a meio da noite - uma pista invadida por capim, repleta de pessoas que observavam o avião a rolar na pista, acompanhadas por cestos vazios, com fruta ou com peixe. A minha estranheza foi imensa e a minha curiosidade por saber mais e mais, impossível de descrever. As portas do avião abriram e as emoções que passavam por mim misturavam-se de tal forma que ainda hoje não as consigo definir.
A sensação mais evidente foi a de intensidade - de calor e de humidade, de cheiros misturados a terra molhada, fruta e mais qualquer coisa que inicialmente não percebi ao certo o que era.
terça-feira, 5 de outubro de 2004
Discutir STP
O mais conhecido do todos os sites, mais frequentado e com debates actualizados é o do Grupo do Yahoo, dinamizado pelo Xavier, um espanhol de Barcelona hiper apaixonado pelas ilhas.
O melhor de STP
E para quem pensar visitar STP ou estudar o país, o site de referência, mais completo e interessante (ou a parte de turismo não tivesse sido sistematizada por mim...ops...) é o do JPC e que aparece no título.
Caminhar e descobrir STP
E já que estou numa de divulgação, aqui fica a referência (no título da mensagem) do e-grupo que se dedicava a caminhar, caminhar, caminhar pela floresta, à descoberta de roças e de recantos escondidos, a actividades radicais. Vale a pena ver as fotos e ler as descrições, pelo menos faz aumentar os níveis de adrenalina...
Plantas de STP
Para quem gosta de as ver e aprender um pouco mais, aqui fica um e-grupo sobre plantas tropicais. Interessante e o "dinamizador", um santomense muito interessado pelo seu país. Coisa cada vez mais rara...
Delírio...
Foi delirante ouvir o JCB a explicar aos outros o que é ser "chique". Mas muito mais delirante foi ouvi-lo com a advertência "não sejam bichas"... Obrigada TVI, há muito que não me ria tanto. E apesar de ser hilariante até o acho engraçado. É uma figura simpática, mas estranha. Muito estranha!!!!
E não é que ele veio de África???? Mais um que veio de Moçambique... que terra prodigiosa em coisas raras...
E não é que ele veio de África???? Mais um que veio de Moçambique... que terra prodigiosa em coisas raras...
O País que temos
Viver em Portugal tem coisas absolutamente deliciosas porque hilariantes. Pensamos e gostamos de dizer que se está bem é no estrangeiro, mas na realidade, Portugal é que está a dar! E digo isso quando percebo que, mais uma vez, o país parou e praticamente não se fala em mais nada do que na Quinta das Celebridades.
Siiiiiimmmmm.... como se não fosse já um espectáculo alucinante, eis que deparamos com um José Castelo Branco (JCB), sobre o qual se teceream comentários de todo o género, que ultrapassa todas as expectativas. O homem é hiper eléctrico, até parece que toma speeds, faz lembrar uma grafonola imparável porque não se cala por um minuto que seja. Ele opina, comenta, corrige, dá conselhos e já colheu as atenções nacionais. Daqui à simpatia e afeição é um passo, até porque é simplesmente simpático, divertido e o sentido de humor assiste-o na perfeição. É verdade que a imagem híbrida e estranha lhe confere o direito de ser excêntrico e exuberante. Além disso, é sincero e espontâneo - ele corre, balanceia as ancas, usa fio dental, maquilha-se, fala com entoação feminina. É corajoso porque não tem medo dos comentários, dos ditos e dos contos que se podem fazer à volta dele.
O homem é o novo "must" nacional - ninguém o percebe, toda a gente fala dele e todos o começam a aceitar. A TVI escolheu bem, desta vez, e enquanto ele estiver na Quinta, vestido de leopardo e desenvolvendo tarefas rurais como se estivesse a caminho de um qualquer local urbano, com certeza que ganha nas audiências.
E a Cinha... que se cuide. As comparações surgem sobretudo por começar a reagir de forma menos positiva à imagem omnipresente do JCB. Espírito competitivo dirão uns... feminino, dirão outros. Tão amigos que nós éramos. A ver vamos quando sairem de lá, o que virão dizer...
Blogar
É curioso como me viciei rapidamente, apesar de não perceber nada de blogs quando comecei nisto. Isto é quase uma adicção, pela dependência que gera.
segunda-feira, 4 de outubro de 2004
O inesquecível nascer do sol na Roça de S. João
domingo, 3 de outubro de 2004
Palavras Sentidas
Olá, tu do meu passado regressado, da África banhada pelo Índico, que tantas ilusões me criaste e tantos desassossegos geraste, quero dizer-te umas palavras simples:
Aproveita a vida de forma positiva,
Dá o teu melhor em tudo o que fizeres,
Sê honesto com quem te relacionares,
Apaixona-te com sinceridade,
Não procures incessantemente um grande amor
porque há quem o encontre facilmente, quem o encontre e não o veja,
há quem demore a encontrá-lo e há até quem nunca se cruze com ele,
Não troques a emoção certa pelo desejo incerto,
Não esperes mais de mim do que aquilo que te posso dar,
Aceita a Amizade como um sentimento tão válido quanto o Amor,
Por vezes, é preferível um Amigo Verdadeiro, a um Amante Impossível,
Procura ser feliz, com tranquilidade,
Aceitando os defeitos dos outros porque só assim eles aceitarão os teus.
Dá o teu melhor em tudo o que fizeres,
Sê honesto com quem te relacionares,
Apaixona-te com sinceridade,
Não procures incessantemente um grande amor
porque há quem o encontre facilmente, quem o encontre e não o veja,
há quem demore a encontrá-lo e há até quem nunca se cruze com ele,
Não troques a emoção certa pelo desejo incerto,
Não esperes mais de mim do que aquilo que te posso dar,
Aceita a Amizade como um sentimento tão válido quanto o Amor,
Por vezes, é preferível um Amigo Verdadeiro, a um Amante Impossível,
Procura ser feliz, com tranquilidade,
Aceitando os defeitos dos outros porque só assim eles aceitarão os teus.
sábado, 2 de outubro de 2004
Novo Altair
Ontem jantei no Novo Altair, na Cruz Quebrada. E recomendo!!! Pequeno e confortável, com uma decoração acolhedora sem ser excessivamente intimista. Velas nas mesas (claro... as minhas adoradas velas!!!) sob a forma de candeeiros. Um serviço irrepreensível acompanhado de sorrisos permanentes, sem excessos.
Quanto à comida - no couvert, um pão delicioso, como entrada um fondue de 3 queijos (para mim um pouco forte, mas para quem me acompanhou foi considerado delicioso). A seguir, um fondue bourguignone - porque não me aventuro pelos mais ousados (o fondue da Mongólia tem fama mas tinha peixe e marisco...). Carne bem temperada e tenra, acompanhada de fruta natural e batatas fritas caseiras e estaladiças, molhos de todas as qualidades e cores - eu fiquei-me pelo de alho, mas houve quem experimentasse um de canela que, pela apreciação, foi um dos preferidos. Nem ousei pedir sobremesa porque a satisfação era a bastante. Mas reconheço que tinham um excelente aspecto.
Reencontro e apaziguamento
Sinto uma tranquilidade impossível de descrever. Coincidência? Ou talvez não...
Dei tréguas a mim mesma e assim reencontrei a paz! Desta vez, sózinha. E posso dizer que me sinto muito bem com isso!
Dei tréguas a mim mesma e assim reencontrei a paz! Desta vez, sózinha. E posso dizer que me sinto muito bem com isso!
sexta-feira, 1 de outubro de 2004
Experiências Repetidas
"Um guerreiro da luz sabe que certos momentos se repetem. Com frequência, vê-se diante dos mesmos problemas e situações que já havia enfrentado; então fica deprimido, pensando que é incapaz de progredir na vida, já que os momentos difíceis estão de volta.
- Já passei por isto - reclama ele com o seu coração.
- Realmente já passaste - responde o coração - Mas nunca ultrapassaste.
O guerreiro, então, compreende que as experiências repetidas têm uma única finalidade: ensinar-lhe o que não quer aprender".
Paulo Coelho in Manual do Guerreiro da Luz
- Já passei por isto - reclama ele com o seu coração.
- Realmente já passaste - responde o coração - Mas nunca ultrapassaste.
O guerreiro, então, compreende que as experiências repetidas têm uma única finalidade: ensinar-lhe o que não quer aprender".
Paulo Coelho in Manual do Guerreiro da Luz
O Desafio
"Não é o desafio que define quem somos
nem o que somos capazes de fazer.
O que nos define é o modo como enfrentamos esse desafio:
podemos deitar fogo às ruínas,
ou contruir um caminho através delas, passo a passo"
Richard Bach in Nada ao Acaso
nem o que somos capazes de fazer.
O que nos define é o modo como enfrentamos esse desafio:
podemos deitar fogo às ruínas,
ou contruir um caminho através delas, passo a passo"
Richard Bach in Nada ao Acaso
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Como se vive
"Cada pessoa, durante a sua existência, pode ter duas atitudes: construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param, e ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba. Mas existem os que plantam. Estes, às vezes, sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim nunca pára de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que para ele, seja uma grande aventura"
Paulo Coelho, Brida
Paulo Coelho, Brida
Não me interpretes mal
Não leias nas minhas palavras promessas que não te fiz.
Não vejas nos meus gestos a entrega que não te posso dar.
Não vivas num dia o que podes viver num ano,
e não queiras ter num ano o que podes recolher numa vida.
Aceita, por favor, que a vida nem sempre nos permite alcançar tudo o que gostaríamos,
e que é melhor vivê-la bem e com tranquilidade do que ansiosa e agitadamente.
Procura um caminho, o teu, construído por ti.
Mas promete-me que, por uma vez, o vais fazer exigindo de ti próprio o que melhor tens.
Vive intensamente as emoções e os momentos,
mas lembra-te que, nem sempre, as emoções fortes nos tornam mais felizes.
E... por favor, não me interpretes mal...
Não vejas nos meus gestos a entrega que não te posso dar.
Não vivas num dia o que podes viver num ano,
e não queiras ter num ano o que podes recolher numa vida.
Aceita, por favor, que a vida nem sempre nos permite alcançar tudo o que gostaríamos,
e que é melhor vivê-la bem e com tranquilidade do que ansiosa e agitadamente.
Procura um caminho, o teu, construído por ti.
Mas promete-me que, por uma vez, o vais fazer exigindo de ti próprio o que melhor tens.
Vive intensamente as emoções e os momentos,
mas lembra-te que, nem sempre, as emoções fortes nos tornam mais felizes.
E... por favor, não me interpretes mal...
quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Don't worry... be happy
Hoje ele pareceu-me desalentado, um pouco desorientado até.
Fiquei preocupada e lembrei-me da frase que o psicólogo do processo de selecção me disse quando, no decorrer da entrevista individual, me caracterizou:
"É do tipo de pessoa que tenta sempre encontrar o lado bom nas coisas e nas pessoas. E, quando ouve uma pessoa criticar outra, procura desculpá-la, mesmo que reconheça que ela fez algo errado, até consigo. Pensa sempre - ele não teve intenção... - Procura o consenso e evita discussões. Não faz de qualquer coisa um cavalo de batalha para toda a vida. Quando a magoam tenta perdoar, por mais que isso lhe custe. Não gosta de ficar mal com ninguém e é uma pessoa de bem consigo."
Na altura, ri-me... mas reconheço que ele tem razão.
terça-feira, 28 de setembro de 2004
Um jantar inspirador
No outro dia jantei com um amigo num restaurante inspirador. Amigo? Talvez não seja o melhor atributo. Ex-namorado ou ex-amante. Foi um jantar bem regado - demais, até. A comida estava magnífica, pelo menos a minha - piano de porco - um tipo de entrecosto grelhado, muito fininho e saboroso, em manta. Como sobremesa, lá foram 2 mousses que me souberam como a vida.
Falámos de tudo um pouco, do que nós fomos no passado e do que somos no presente. Em relação ao futuro, apesar de previsível, não falámos porque não faria sentido.
O restaurante é bem frequentado e faz o ego de qualquer mulher regozijar-se - as mulheres estão em franca minoria...
Bem, o jantar terminou e a noite continuou, de uma forma estranhamente conhecida pelos dois. E vai ser mais uma paea registar e não esquecer. Por nada em particular. Simplesmente pela forma como as coisas se desenrolaram uma vez mais e... como estão hoje.
Onde ele está? Não sei. Com quem? Muito menos. E como? Seria suposto eu saber?
Espero apenas que esteja bem e que um dia mo faça saber.
Falámos de tudo um pouco, do que nós fomos no passado e do que somos no presente. Em relação ao futuro, apesar de previsível, não falámos porque não faria sentido.
O restaurante é bem frequentado e faz o ego de qualquer mulher regozijar-se - as mulheres estão em franca minoria...
Bem, o jantar terminou e a noite continuou, de uma forma estranhamente conhecida pelos dois. E vai ser mais uma paea registar e não esquecer. Por nada em particular. Simplesmente pela forma como as coisas se desenrolaram uma vez mais e... como estão hoje.
Onde ele está? Não sei. Com quem? Muito menos. E como? Seria suposto eu saber?
Espero apenas que esteja bem e que um dia mo faça saber.
Para ti: uma gota da minha alma
Queria dizer-te umas palavras, mas nem sei por onde começar. Também não sei se um dia as lerias, por isso... talvez nem valha a pena mostrar-te uma gota da minha alma e do meu sentir. Ou quem sabe... um dia lês e possamos conversar tranquila e honestamente, protegendo-nos mutuamente das acusações e das cobranças que um dia quisemos fazer, para nos sentirmos mais reconfortados, mas que não alteraram em nada o que senti.
Vês... eu tinha razão. Não fazia sentido ir além do que devia ser. Acabaste por seguir em frente com a vida que sempre tiveste e que queres ter. E eu procurei reencontrar o que pensei ter perdido, mas que na verdade nunca tive. Foi apenas uma visão imaginária, uma ideia e um sonho, que hoje percebo e aceito que nunca se poderia tornar realidade.
Tentei sim, reencontrar emoções e sentimentos, acreditar nas tuas palavras bonitas, re-sentir as tuas carícias e aceitar a ternura que ias demonstrando. Mas fui apenas eu que quis acreditar porque nada aconteceu e resultou apenas em mais uma tentativa de... sei lá eu.
Sim... voltei ao passado, uma e outra vez. E volto todas as noites porque não há uma única que não me lembre e questione. A vida já me devia ter ensinado muita coisa, mas não. Retomo os erros de sempre na tentativa de recuperar o tempo perdido, de reencontrar os sentimentos deixados ao acaso, de forma ténue ou brusca. E o que encontro no final? Nada mais do que a ausência e o vazio. Uma sensação de incompletude, de algo que não foi terminado porque não teve continuidade e nem sequer foi iniciado. Não, desta vez não foste tu o culpado. Fui eu. Ou melhor fomos os dois.
Tu procuras algo que não está em mim e eu, busco, de forma imparável, um sentido e um sentimento, que tu não podes nem me queres dar. Vamos em sentidos diferentes e andamos atrás de linhas imaginárias que não se cruzam, por mais que eu tente ou que tu tenhas tentado, por pouco tempo, demonstrar-me ser possível, com vontade, muito esforço e alguma ousadia.
Mas se estás com receio que eu me prenda a ti e se é essa a razão pela qual te ausentaste, não me contactando mais e desaparecendo ... não te preocupes. Espero verdadeiramente que sejas feliz e que encontres, por fim, o teu caminho e... o "sapato para o teu pé".
Hoje tenho a certeza - e um dia vais dar-me razão - devíamos ter tentado ser apenas amigos. E se o conseguíssemos... teria sido muito bom!!!! Custa-me mais assim. Deixar de te ler e de te falar. Mas o que tem de ser... será... Desta vez... até te perdoo. E se um dia te apetecer conversar, sabes como me contactar...
Testes Psicotécnicos
É uma verdadeira alucinação, quando concorremos a um emprego, somos pré-seleccionados e chamados para provas de selecção.
Baterias infindáveis de testes psicotécnicos e de personalidade. Os últimos são absolutamente aceitáveis e até divertidos - falamos um pouco de nós, através de respostas a perguntas aparentemente simples, mas que, sem nos apercebermos, dizem muito sobre a nossa forma de ser. Não há como fugir nem como nos escondermos. As perguntas são tantas e o teste é tão longo, que lá aparecem as perguntas de controle... para confirmar se somos mentirosos ou se estamos ali para engarnar alguém...
Agora... os psicotécnicos... são abominavelmente detestáveis. Fazem com que uma qualquer pessoa se sinta a mais burra de todo o universo. A verdade é que, por característica, os psicotécnicos são testes estupidificantes.
segunda-feira, 27 de setembro de 2004
domingo, 26 de setembro de 2004
Sul... no Norte
Parece contradição mas não é. O restaurante Sul fica na rua do Norte, no Bairro Alto. Intimista qb, com ambiente a puxar para o alternativo, cheio de velas... claro que gostei da envolvência do ambiente. Com velas só poderia ter gostado...
A comida é simples mas agradável - o couvert deixa a desejar - básico e com pão duro (nem o facto de ser domingo serve de desculpa...). O serviço é eficiente sem excessos.
Claro que esta avaliação só é possível dada a companhia - um casal amigo, que viveu comigo bons e maus momentos em STP, e que já não via há um bom par de meses. Deu para sorrir, rir e sentir as lágrimas chegarem fácil e rapidamente aos olhos. Saudades? Siiiiiimmmmm.... se STP e de... algumas pessoas, claro!
África de Todos os Sonhos II
Kais
Cada vez que vou ao Kais recebo um bálsamo reconfortante para o estômago e para a alma. E os afectos regressam sempre bem alimentados.
O espaço é magnífico - pela altura a que o tecto está em relação à nossa cabeça, pela imensidão do restaurante, pela proximidade do rio, pela música que ali é mesmo ao vivo, pelos empregados que são uma delícia no atendimento e que nos fazem sentir rainhas, pelo bar e a caipirinha, pela comida de uma qualidade inigualável, pelos doces e por tudo, tudo e tudo.
Mas sobretudo pelo ambiente recriado com uma infinidade de velas... sim, lá estou eu com as velas - ideia brilhante, pela luz mas principalmente pela visão que proporcionam, independentemente do lado onde estejamos sentados.
Não me canso de dizer. EXECELENTE, EXCELENTE, EXCELENTE.
Sinto-me como nova!!!
Lição
E, a cada minuto que passava, Shine pensava:
- Nunca mais me vou esquecer da frase que Blu me dizia nas noites difíceis. Prometo... só que, desta vez... não por ele, mas por mim!!! E, reconheço que ele tinha razão...
Curso: A Arte de bem viver sem nos magoarmos
também conhecido por
MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA EM MEIOS APARENTEMENTE PACÍFICOS
- Lição nº 1 - A RETER:
"TEM SEMPRE A CERTEZA DO CHÃO ONDE PISAS!"
- Nunca mais me vou esquecer da frase que Blu me dizia nas noites difíceis. Prometo... só que, desta vez... não por ele, mas por mim!!! E, reconheço que ele tinha razão...
Curso: A Arte de bem viver sem nos magoarmos
também conhecido por
MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA EM MEIOS APARENTEMENTE PACÍFICOS
- Lição nº 1 - A RETER:
"TEM SEMPRE A CERTEZA DO CHÃO ONDE PISAS!"
Rosa Louca
"Rosa Louca" - hibiscus mutabilis - muda de cor de manhã, à tarde e à noite. Louca e inconstante, sedutora e misteriosa. Magnífica! Mais louca quando mantem diferentes colorações ao longo do dia. Mas este é um fenómeno ainda mais raro.
Sentia-me como uma "Rosa Louca" - contrastante e estranhamente contraditória. Simples e complexa. Frágil à luz, temperatura e humidade, mas muito resistente a qualquer intempérie. Mutante. Confusa.
sexta-feira, 24 de setembro de 2004
quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Honesty
If you search for tenderness, it isn't hard to find
You can have the love you need to live
But if you look for truthfulness
You might just as well be blind
It always seems to be so hard to give
Honesty is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty is hardly ever heard
And mostly what I need from you
I can always find someone to say they sympathize
If I wear my heart out on my sleeve
But I don't want some pretty face
To tell me pretty lies
All I want is someone to believe
Honesty is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty is hardly ever heard
And mostly what I need from you
I can find a lover, I can find a friend
I can have security until the bitter end
Anyone can comfort me with promises again
I know, I know
When I'm deep inside of me, don't be too concerned
I won't ask for nothin' while I'm gone
But when I want sincerity
Tell me where else can I turn
Because you're the one I depend upon
You can have the love you need to live
But if you look for truthfulness
You might just as well be blind
It always seems to be so hard to give
Honesty is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty is hardly ever heard
And mostly what I need from you
I can always find someone to say they sympathize
If I wear my heart out on my sleeve
But I don't want some pretty face
To tell me pretty lies
All I want is someone to believe
Honesty is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty is hardly ever heard
And mostly what I need from you
I can find a lover, I can find a friend
I can have security until the bitter end
Anyone can comfort me with promises again
I know, I know
When I'm deep inside of me, don't be too concerned
I won't ask for nothin' while I'm gone
But when I want sincerity
Tell me where else can I turn
Because you're the one I depend upon
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Este post é dedicado à Helena , uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor....

























