terça-feira, 26 de outubro de 2004

Annobón e as autorizações

Visitar Annobón na Guiné Equatorial é por si só uma aventura "militarizada". Todos os passos que queiramos dar são acompanhados por um militar fardado e armado. Um espectáculo! Mesmo se for para ir à praia, ou visitar a cratera de um vulcão ou fazer uma caminhada pela floresta e comer umas mangas que estão espalhadas pelo caminho. É hilariante, sobretudo porque é necessária uma autorização escrita, na qual constam os nomes de todos os visitantes... eramos 12 pessoas, e tinhamos fretado o avião da Air São Tomé para um passeio de um dia...
Explico mais tarde os pormenores, porque foi uma viagem inesquecível!


Posted by Hello

Prolapso

E um prolapso pode voltar pela simples razão que, desde que o tenhamos uma vez, tê-lo-emos para sempre. Uma perspectiva estranha do que é "viver acompanhado". Por um prolapso e por um anisakis. E, como os que me conhecem bem saberão, não defendo a poligamia, seja de que forma for. Sou mesmo contra!

Internacionalização

E o Grupo Pestana lá vai até STP... tornando o arquipélago num destino internacional...
A ver se a qualidade dos serviços prestados no Ilhéu das Rolas melhoram, que bem precisa porque o local é magnífico. Que saudades da Praia Café...

Desonestidade

Estou cansada: de gente desonesta; de falta de palavra; de incapacidade de cumprir compromissos; de conversa fiada; de estratégias do tipo "a melhor defesa é o ataque".
Estou cansada que me devam dinheiro e se aproveitem da boa vontade, da dedicação e do esforço.
Por vezes dou comigo a sentir-me cansada de África, ou melhor de alguns africanos, dos desonestos, dos incumpridores, dos aproveitadores e dos reis dos esquemas. Logo a minha vida havia de estar tão ligada a África. Há coisas...

domingo, 24 de outubro de 2004

Verdade

Uma coisa "muito magnífica" aprendi em África - por mais certezas que tenhamos, nunca as temos verdadeiramente. O "outro" tinha razão, rapaz esperto e instruído acerca da mente e do conhecimento. Eu também digo - só sei que nada sei. E quanto a dúvidas... sou a rainha delas.
(Não... isso não tem nada que ver com ninguém em particular.)

O silêncio é precioso

- Respeito os teus sentimentos, respeita também tu os meus. Magoaste-me antes, infinitamente. Não me magoes agora, nem depois. Nunca mais... - pediu-lhe no silêncio de um olhar.
E ele olhou-a ternamente, interpretando, naquela expressão, promessas que ela não fez e que não quis fazer. Mas não a conseguiu escutar porque ela não chegou a dizer uma única palavra.
E continuaram olhando-se em silêncio, no final de uma noite de agradável conversa, querendo dizer coisas um ao outro que nunca chegaram a proferir, porque não conseguiam e não podiam.
Não se entendiam quando falavam. E interpretavam-se sempre mal...

Interferência

Havia uma coisa que ela nunca quis e que continuava a não querer: ter a noção que estava a intrometer-se entre duas pessoas, a interferir numa relação, qualquer que ela fosse e independentemente de contornos que essa relação tivesse.

Coincidências

A vida não deixa de me surpreender. Umas vezes, de forma agradável, outras nem tanto. Mas o Mundo é pequeno, muito pequeno mesmo, e a nossa vida uma estranha conjugação de coincidências surreais. Por vezes hilariantes...
(Pensamento durante o jantar de 22/10/2004)

sábado, 23 de outubro de 2004

O que é o Amor para ti?

Ele insistia em dizer-lhe que a amava, apesar de tudo: dos desencontros que o destino tinha repetido, da distância em que tinham vivido, das diferenças que os distinguiam, dos modos de vida que não os aproximavam, dos gostos e dos desejos que não se encontravam, do tempo que os ausentara um do outro... Mas ele repetia, sem se cansar, que a amava. E ela não acreditava...
Ele queria acreditar que a amava e queria efectivamente amá-la. Porque ela tinha uma vida certinha, porque tinha ideais e sonhos e desejos, e não se importava de viver sózinha se nunca chegasse a encontrar o que procurava. Se não tivesse a vida que idealizara conformava-se, mas dizia com um sorriso aberto e cheia de confiança que não queria "embarcar" numa vida de incerteza. Magoara-se demais e não queria repetir a proeza. Os custos eram bem mais elevados do que os benefícios, disso tinha certeza e o prazer que podia retirar de uma "história de conto de fadas" rapidamente se transformava num inferno. E climas tórridos só no verão ou em África, pensava.
Não, ela não era particularmente bonita, nem assustadoramente feia. Tinha traços simples marcados por um nariz "cheio de personalidade", não era exuberante e procurava passar despercebida. Tinha uns olhos ternos e compreensivos, que evidenciavam algum cansaço, de uma cor difícil de definir porque variava com os estados de alma. E falava com os olhos, dizia quase tudo, o que sentia e o que pensava. E quando não podia dizer, olhava para baixo ou para longe, ou fingia pensar, para que a expressão do olhar não a traisse.
Era suficientemente inteligente para acreditar que quanto mais sábio se é, mais simples se parece, e vivia de acordo com a permissa, sempre pronta para aprender com todos, porque a grande sabedoria não está nos livros mas nas experiências de vida. E a vida dela estava bem marcada pelo factor experiência. Talvez por isso quisesse viver em paz com ela própria e com os outros.
Era uma pessoa tranquila e, para ele, representava a diferença, o que ele não tinha. Por isso, queria amá-la e convencia-se a si próprio de sentimentos que não tinha, mas que queria ter. Não, não se convencia mas dizia que sim, porque pensava que assim era mais fácil convencê-la. E enganava-se porque ela percebia. Isso e muito mais. Quando o ouvia com declarações de amor sem fim tentava contrariar a tendência e quando não era bem sucedida calava-se, ouvia-o e olhava-o calmamente. Mas a cabeça fervilhava de perguntas, para as quais ele não tinha respostas e por isso repetia palavras de amor, de desejo, de procura de entendimento, de conforto e de compreensão.
E ela ouvia até à exaustão pensando que lhe queria perguntar - Mas afinal, o que é para ti o amor?

Gratidão e perdão... que confusão

Agradeço-lhe pelos encontros cordiais, pela insistência (mal sucedida) pela repescagem de sentimentos e afeição, pelas flores, pelos jantares, pelos chás e cacau quente, pelas conversas profundas e pelas explicações, pelas palavras bonitas e pela dedicação.
Mas peço-lhe, sucessivamente e de forma infinita, para que não confunda gratidão com perdão, porque há coisas que não consegui até hoje ultrapassar e duvido que o venha a fazer...
Tenho sempre a estranha sensação que ele não me ouve, porque não quer e porque vive num mundo só seu, e por isso não pode entender o que lhe tento explicar, as minhas razões, as minhas angústias, os meus receios, os meus bloqueios.
E um dia, estou certa que ele me dará razão: confundir os dois leva a uma tremenda confusão... e dessa, já temos os dois a nossa dose.

Medo do Amor

O amor mete medo, retrai e por vezes afasta.
As demonstrações e a insistência nos afectos sabem bem, porque nos fazem sentir desejados, queridos, pretendidos, por percebermos que alguém nos quer e está disposto a qualquer coisa por nós. Independentemente do que estiver em risco. E às vezes está muito pouco, e outras vezes está muito muito. Faz-nos sentir importantes e pode tornar-nos egoístas.
Mas... tudo isso também assusta, retrai, mete medo e afasta.
É importante que se perceba que o que tiver de ser, será, e o que não puder ser... não acontecerá, por maior que seja o esforço. Há sentimentos que não renascem porque não foram alimentados em seu devido tempo, emoções que não se reacendem, relações que não podem ser retomadas. Simplesmente porque o tempo certo passou. E o que se viveu não se altera nem se retoma.
Na verdade, como em tantas outras coisas, acredito que nos negócios do Amor, o destino tem uma palavra a dizer. E a vontade, bem como a falta dela, tem de ser respeitada. E há coisas que não podem ser. Porquê? Porque não...

Ontem ofereceram-me flores...

Ontem ofereceram-me um ramo de flores, grande, enorme, lindo, em tons que variavam entre o amarelo e o laranja, com tons rosados. Um ramo de flores encantador, de aspecto harmonioso e delicado, bem cheiroso e aromático. Um afago para os olhos, para o nariz, para a alma e para o coração.
Escusado será dizer que me soube bem recebê-lo. Pela lembrança, pela acção, pela dedicação que, quem o ofereceu, quer demonstrar ser capaz. Foi o segundo.
Sim, já percebi que ele está a dar o seu melhor, na atenção, na demonstração de afecto, de vontades e de desejo. Todos os encontros são marcados pela permanência e continuada exteriorização de afectos: apresentação de um leque variado de razões, de forma que eu interiorize as vantagens de tentarmos algo em conjunto; atitudes de cavalheirismo consciente que cativam; reforço de gestos de afectividade, numa busca de proximidade; repetição da palavra "amor"...

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Muito

- Eu gosto MUITO de viver, afirmou ela com certezas.
- Eu gosto de viver MUITO, e morrer CEDO, e levar muita gente comigo para a MORTE, sobretudo se for através do SEXO, respondeu-lhe ele em tom enigmático, meio a sorrir
- Pois... foi o que pensei, atacou ela irritada com a conversa, pelo tom, pelo conteúdo e principalmente pela desconfiança agravada.

Trocas

Acabei de receber um mail dizendo:
"Nunca deixes aquilo que amas por aquilo que desejas, pois aquilo que desejas te deixará pelo que ama."
E é uma grande verdade...

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Cautela

"Sede cautelosas, jovens meninas; tende prudência de como vos entregais. Tende pudor de amar abertamente; jamais digais tudo o que sentis, ou (melhor ainda) sentis muito pouco. Vede as consequências de ser prematuramente sinceras e confiantes e desconfiai de vós mesmas e de todos. (...) De qualquer forma, nunca tenhais nenhum sentimento que possa vos deixar em situação constrangedora e nem façais promessas que não possais, a qualquer momento necessário, controlar e retirar. Esta é a maneira de viver, ser respeitada e ter um carácter virtuoso."
William Thackeray in Feira das Vaidades

terça-feira, 19 de outubro de 2004

O Saco de Água Quente

Ontem, após um dia para lá de cansativo, cheguei a casa com vontade de sentir o conforto de um espaço bem iluminado e aquecido. Estava frio e chovia, com uma intensidade que já não via há muito. A viagem que tive de fazer no regresso a Lisboa foi dura e demorou horas infinitas. As notícias acerca do mau tempo não foram enganosas - nevoeiros cerrados nas zonas altas, chuvas consecutivas e agravadas pelo vento.
Jantei com gosto, porque o horário de almoço não me permite muito mais do que uma sandes e um café, assisti com incredulidade ao concurso da RTP1, onde estava uma rapariga, praticante de surf, que era o protótipo da loira das anedotas. Exemplo de pergunta - onde ficam as Seychelles? - opções: oceano Atlântico, oceano Índico, oceano Pacífico, Antártida. Resposta - fica no Atlântico...
Bem, após uma série de tentativas do apresentador em solucionar a ignorância da moça que se exprimia com sorrisos e olhares lânguidos, com ajudas mais do que evidentes, a questões básicas desta natureza, decidi ir dormir. Estava desconfortável, com frio, e irritadíssima com tamanha afronta, afinal a rapariga entrara em Medicina com 18.95... xê... como seria possível???????
E fui dormir, estreando o meu saco de água quente neste outono. Já me esquecia o quanto o saco de água quente faz maravilhas para embalar o sono, dando-nos uma sensação de conforto indescritivel. É verdade que sou uma apologista destes utensílios porque acho que não nascemos para sofrer e quando se vai para a cama com os pés frios o acto de adormecer torna-se num suplício. Esta foi uma magnífica invenção!

domingo, 17 de outubro de 2004

Hospital de Água Izé

Posted by Hello Particularidades de arte nova. Um magnífico monumento histórico ao abandono, habitado por diferentes espécies - humana, suína, canina, galinácea... até que um dia se há-de perder, para sempre, se ninguém o recuperar e lhe atribuir o significado que merece...

A magnífica Roça de Água Izé

Em STP, uma das roças mais espectaculares, pela situaçãogeográfica, pela proximidade do mar, pela estrutura arquitectónica, pela densidade populacional, pela infinidade de problemas socioprodutivos que encerra... Posted by Hello

Roça de S. João

Um dos melhores recantos porque dos mais inspiradores - a favor do descanso, da leitura, da reflexão, da simples contemplação, de uma boa conversa ou de uma troca de olhares. Quando visitarem STP, não deixem de se sentar calmamente na imensa varanda, numa daquelas cadeiras, em boa companhia e... gozem o momento...
Posted by Hello

Tartaruga no Governador

O pequeno contributo para a fuga. Em direcção à liberdade e ao futuro...
Posted by Hello

Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...