- A que cheira o amor e a paixão? - perguntou-lhe um dia
- A ylang-ylang acabado de colher, quando tem a flor ainda viçosa e aberta - respondeu-lhe ele cheio de certezas
- E a que sabe? - teimava ela em perguntar-lhe para auscultar a misteriosa sensibilidade masculina, acerca da qual ela tanto duvidava
- A uma mistura indecifrável, meia picante meia doce, mas com um paladar inconfundível a hortelã
- E qual é a sensação? - continuava com a sessão imparável de perguntas, pela qual ele lhe chamava a "menina dos porquês"
- De uma terna envolvência. Não queres experimentar? - respondia-lhe ele a sorrir, com outra pergunta, sabendo que a provocava com sensações esquecidas e apetecíveis
- Porque me respondes com uma pergunta? - indignava-se ela sem lhe responder...
Um blog sobre a vida. Ilusões e sonhos, venturas, algumas desventuras, muitas realizações com a frustração necessária para alcançar o desejo da felicidade. Uma vida que se pretende feliz e preenchida por vivências sentidas. por Brígida Rocha Brito
segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Sem promessas...
Shine fazia questão de pedir a quem se interessava por ela e que, por um qualquer motivo, despertava o seu interesse - Não prometas o que não podes cumprir, por favor...
E a resposta era sempre a mesma - Está bem, fica descansada.
Mas à medida que o tempo ia passando, com intensidade proporcional ao interesse, o erro era também o mesmo - "uma promessa em troca de encantamento e sedução".
E a resposta era sempre a mesma - Está bem, fica descansada.
Mas à medida que o tempo ia passando, com intensidade proporcional ao interesse, o erro era também o mesmo - "uma promessa em troca de encantamento e sedução".
Raio Verde I
Aqui ficam alguns excertos do que escrevi no artigo
(revista piá, Ano 1, Maio 2004, nº 18, pg. 22-24)
(revista piá, Ano 1, Maio 2004, nº 18, pg. 22-24)
"(...) Muito se tem falado e discutido sobre o Raio Verde, havendo quem o refira como Azul, dependendo das condições atmosféricas e sobretudo da percepção do observador. Na verdade, ao longo dos tempos, o fenómeno adquiriu: um carácter místico, pelo mistério que a sua rara observação envolve; um sentido mítico dado que a observação é entendida como um ritual; uma conotação simbólica por ser equacionado com a esperança, a felicidade e a realização de desejos do foro emocional e afectivo. (...)"
"(...) Julio Verne, em “Raio Verde” (1882), é dos primeiros autores a descrevê-lo, «um verde que nenhum pintor, algum dia, conseguiria obter na sua paleta, um verde que não se encontra na variedade de tonalidades da vegetação ou que o mais límpido mar poderia produzir. Se houver verde no Paraíso, não pode ser mais do que a sua sombra, que é com certeza o Verde Verdadeiro da Esperança».Verne apresenta-o como um fenómeno único e de rara beleza, auspicioso, indiciador de bons momentos, convertendo o seu observador em pessoa afortunada. Na verdade, além do relato apresentado, o autor apela também à emotividade do leitor pelo misticismo implícito, recriando o momento em que o fenómeno pode ser observado.
No final de um pôr-do-sol no mar, quando a luz do Sol, antes de desaparecer, muda de cor e se torna amarelada, quem conseguir observar o verde do Raio verá os seus pensamentos e desejos mais íntimos, bem como os das pessoas à sua volta, magicamente revelados.(...)"
"(...) Julio Verne, em “Raio Verde” (1882), é dos primeiros autores a descrevê-lo, «um verde que nenhum pintor, algum dia, conseguiria obter na sua paleta, um verde que não se encontra na variedade de tonalidades da vegetação ou que o mais límpido mar poderia produzir. Se houver verde no Paraíso, não pode ser mais do que a sua sombra, que é com certeza o Verde Verdadeiro da Esperança».Verne apresenta-o como um fenómeno único e de rara beleza, auspicioso, indiciador de bons momentos, convertendo o seu observador em pessoa afortunada. Na verdade, além do relato apresentado, o autor apela também à emotividade do leitor pelo misticismo implícito, recriando o momento em que o fenómeno pode ser observado.
No final de um pôr-do-sol no mar, quando a luz do Sol, antes de desaparecer, muda de cor e se torna amarelada, quem conseguir observar o verde do Raio verá os seus pensamentos e desejos mais íntimos, bem como os das pessoas à sua volta, magicamente revelados.(...)"
Raio Verde II
"(...) Amir Klink, navegador, em PARATII entre dois Pólos (1991), descreve a experiência da observação do fenómeno, vivida na primeira pessoa, «desde criança, sempre carreguei um desejo meio difícil de realizar (...). Sempre que era possível, eu perseguia o pôr-do-sol no mar. Atento, até a bola de luz amarelo avermelhada ir-se fundindo no horizonte, à procura de um fenómeno muito raro, que quase todos os povos navegadores do passado já mencionaram: o «green flash» ou «rayon vert». Um raio, ou explosão de luz que acontece em condições muito especiais, no exacto instante em que a última lasca do sol desaparece no horizonte.(...) Cumpria o mesmo ritual de sempre, meio sem esperança de um dia ver qualquer coisa - «dezanove horas, cinquenta e cinco minutos e trinta segundos... quarenta segundos... cinquenta... lá se vai o sol... ade...». E escapou um grito de súbito: «Eu vi! Eu vi! Eu vi!» Tanto tempo e, enfim, eu vi o Raio Verde. Uma fração de segundo que valeu toda a viagem».
(...) Para observar o Raio Verde, é necessário antes de mais escolher dias em que o céu esteja descoberto, com uma concentração mínima de humidade no ar, permitindo que a atmosfera esteja límpida e fazendo com que o horizonte pareça distante.
Há que escolher o local, de forma criteriosa, para que a observação deixe de ser um sonho e passe a realidade. O mar é o local tecnicamente considerado como mais adequado, sendo contudo possível observá-lo em zonas montanhosas com panorâmica sobre a costa e o mar, olhando para oeste. As ilhas são locais privilegiados e São Tomé e Príncipe reúne todas as condições para uma atenta observação do fenómeno.
É necessário ter disponibilidade, tanto de tempo como psicológica ou emocional, evidenciando receptividade, não só para a observação do fenómeno como também, para o significado que representa.
De acordo com os relatos anteriores, o Raio Verde aparece no céu, nos últimos segundos do pôr-do-sol, pelo que é requerida atenção e capacidade de concentração por parte dos observadores. É aconselhada, como preparação, a prévia realização de exercícios de contemplação de pontos, com fixação da visão, em espaços naturais vastos, com colorações fortes, tentando identificar particularidades e detalhes.
Do ponto de vista do perfil psicológico do observador, é requerida persistência e disponibilidade para muitas observações sucessivas, sem desanimar. O mais provável é que a observação do fenómeno e o seu registo se revelem dificultados por diversas razões, parecendo impossíveis, pela inexistência do raio ou por ser considerado, pelos menos optimistas, apenas como o resultado da imaginação de alguns.
De acordo com os relatos existentes, a preserverança e o esforço são compensados e o ditado acaba mesmo por se confirmar - «Quem Espera Sempre Alcança».
O recurso a binóculos é aconselhado e, se possível, a uma máquina fotográfica ou de filmar como forma de perpetuar, ao longe, na linha do Horizonte, aquela imagem inesquecível, porque única e tão diferente de tudo o que conhecemos.
Quem vê o Raio Verde fica diferente para sempre, porque, mais não seja, pela raridade da visão, sente-se um eleito premiado, contagiado pela infinita alegria de ter vivido uma experiência envolvente e única, marcada pela magia, aparentemente inexplicável, de um magnífico pôr-do-sol muito particular.
Se, na realidade, os segredos são magicamente revelados, como dizia Verne, só os que já o viram poderão confirmar. Mas é bom e muito reconfortante pensarmos que esse predicado do Raio Verde não é apenas o resultado da fértil imaginação do autor, e sim um indício de felicidade futura. No final, temos uma garantia – os segredos, os desejos mais íntimos e a esperança de auspiciosa sorte ficam perpetuados apenas nos registos da memória de quem teve a benesse de uma tal visão, no momento em que o Sol tocou no Horizonte e a luz mágica iluminou aqueles poucos segundos da História."
Há que escolher o local, de forma criteriosa, para que a observação deixe de ser um sonho e passe a realidade. O mar é o local tecnicamente considerado como mais adequado, sendo contudo possível observá-lo em zonas montanhosas com panorâmica sobre a costa e o mar, olhando para oeste. As ilhas são locais privilegiados e São Tomé e Príncipe reúne todas as condições para uma atenta observação do fenómeno.
É necessário ter disponibilidade, tanto de tempo como psicológica ou emocional, evidenciando receptividade, não só para a observação do fenómeno como também, para o significado que representa.
De acordo com os relatos anteriores, o Raio Verde aparece no céu, nos últimos segundos do pôr-do-sol, pelo que é requerida atenção e capacidade de concentração por parte dos observadores. É aconselhada, como preparação, a prévia realização de exercícios de contemplação de pontos, com fixação da visão, em espaços naturais vastos, com colorações fortes, tentando identificar particularidades e detalhes.
Do ponto de vista do perfil psicológico do observador, é requerida persistência e disponibilidade para muitas observações sucessivas, sem desanimar. O mais provável é que a observação do fenómeno e o seu registo se revelem dificultados por diversas razões, parecendo impossíveis, pela inexistência do raio ou por ser considerado, pelos menos optimistas, apenas como o resultado da imaginação de alguns.
De acordo com os relatos existentes, a preserverança e o esforço são compensados e o ditado acaba mesmo por se confirmar - «Quem Espera Sempre Alcança».
O recurso a binóculos é aconselhado e, se possível, a uma máquina fotográfica ou de filmar como forma de perpetuar, ao longe, na linha do Horizonte, aquela imagem inesquecível, porque única e tão diferente de tudo o que conhecemos.
Quem vê o Raio Verde fica diferente para sempre, porque, mais não seja, pela raridade da visão, sente-se um eleito premiado, contagiado pela infinita alegria de ter vivido uma experiência envolvente e única, marcada pela magia, aparentemente inexplicável, de um magnífico pôr-do-sol muito particular.
Se, na realidade, os segredos são magicamente revelados, como dizia Verne, só os que já o viram poderão confirmar. Mas é bom e muito reconfortante pensarmos que esse predicado do Raio Verde não é apenas o resultado da fértil imaginação do autor, e sim um indício de felicidade futura. No final, temos uma garantia – os segredos, os desejos mais íntimos e a esperança de auspiciosa sorte ficam perpetuados apenas nos registos da memória de quem teve a benesse de uma tal visão, no momento em que o Sol tocou no Horizonte e a luz mágica iluminou aqueles poucos segundos da História."
Coincidências
Hoje houve uma coisa muito engraçada. Conheci a Directora Pedagógica e ela fez-me uma referência que me deixou boquiaberta - "Ah a Brígida que trabalha sobre STP e que escreveu sobre o Raio Verde. E eu respondi - "Pois é... como sabe do Raio Verde? Onde ouviu falar?" - É que aquele magnífico fenómeno atmosférico, tão falado por Júlio Verne e outros escritores e relatado por marinheiros, era desconhecido de todos aqueles a quem eu falara antes no tema.
O Raio Verde não é bem verde... até é mais azul, ao que consta, mas assim ficou conhecido para quem viveu em STP. Falarei dele depois...
O Raio Verde não é bem verde... até é mais azul, ao que consta, mas assim ficou conhecido para quem viveu em STP. Falarei dele depois...
O trabalho dignifica...
Há dias, como o de hoje, que só me apetece dormir. Mas o vício da net ultrapassa os meus sentidos e necessidades. Venho escrever e ler, ver quem escreveu e sobre o quê, e ver quem me escreveu.
Hoje não recebi tretas. Só trabalho. Para que vim? Logo hoje que estou tão cansada... que coisa... há dias que nem trabalho e hoje...
Mas não me posso queixar. Nem quero. Senão há tretas ou “notícias” é porque não pode haver. Se há trabalho... é bom. Muito bom! Porque como costumo dizer, em tom provocatório, “o trabalho dignifica”!!! E esta é uma máxima que eu já interiorizei...
Hoje não recebi tretas. Só trabalho. Para que vim? Logo hoje que estou tão cansada... que coisa... há dias que nem trabalho e hoje...
Mas não me posso queixar. Nem quero. Senão há tretas ou “notícias” é porque não pode haver. Se há trabalho... é bom. Muito bom! Porque como costumo dizer, em tom provocatório, “o trabalho dignifica”!!! E esta é uma máxima que eu já interiorizei...
domingo, 19 de setembro de 2004
"Terminal de Aeroporto"
Filme absolutamente inspirador, desencadeador dos melhores e dos piores sentimentos. Um homem bom que se vê enredado numa situação da qual um homem mau não o deixa sair, arquitectando uma série de artimanhas para ver se ele cai pelo menos numa armadilha. Um grupo de "inicialmente desconfiados" que são, no decorrer do filme, uma revelação mais do que positiva - melhor seria impossível - de amizade. Uma mulher linda mas afectivamente instável e com uma imensa propensão para o abismo, ainda por cima reconhecida.
Um filme que fala de amizade, atracção, amor (em situações e com personagens diferentes), maldade e ambição, mas sobretudo - o que se faz por um sonho, acreditando numa promessa a cumprir. E a lição do filme: a persistência.
Situações contadas de forma sorridente mas que fazem pensar. A frase mais repetida no filme, num inglês arrussado - "1 homem e 2 mulheres... é gente a mais..."
Quero...
Quero... um dia...
... viver a vida devagar, um dia atrás do outro, nem que seja uma única vez...
... ter noção dos passos que dou, para não me arrepender uma e outra e tantas vezes,
... como antes.
... ter certezas do que quero e do que não quero.
... contar contigo sempre e não só de vez em quando.
... sorrir e rir sem constrangimentos ou receios.
... olhar o mar e ver o pôr do sol e sentir a tranquilidade que a visão me dá.
... acreditar que algo de bom pode acontecer e que a lei de murphy é só uma convenção péssimista. E... e... e...
Quero tanto... já sei, quase tudo... talvez demais...
... viver a vida devagar, um dia atrás do outro, nem que seja uma única vez...
... ter noção dos passos que dou, para não me arrepender uma e outra e tantas vezes,
... como antes.
... ter certezas do que quero e do que não quero.
... contar contigo sempre e não só de vez em quando.
... sorrir e rir sem constrangimentos ou receios.
... olhar o mar e ver o pôr do sol e sentir a tranquilidade que a visão me dá.
... acreditar que algo de bom pode acontecer e que a lei de murphy é só uma convenção péssimista. E... e... e...
Quero tanto... já sei, quase tudo... talvez demais...
Quem és tu?
- Quem és tu, que me prendes e me deixas, que me queres e que te ausentas? Que me negas depois de me quereres?
- Sou quem tu queres que eu seja, quem tu queres ver, como queres que eu seja, mesmo que eu não seja assim.
- És confuso e não te entendo. Deixa-me apenas conhecer-te, devagar devagarinho, ao ritmo leve-leve só...
- Se assim queres... que assim seja.
- Sou quem tu queres que eu seja, quem tu queres ver, como queres que eu seja, mesmo que eu não seja assim.
- És confuso e não te entendo. Deixa-me apenas conhecer-te, devagar devagarinho, ao ritmo leve-leve só...
- Se assim queres... que assim seja.
sábado, 18 de setembro de 2004
Nada acontece por acaso
“Cada pessoa que passa na nossa vida, passa sózinha, porque cada pessoa é única e nehuma substitui a outra. Cada pessoa que passa na nossa vida, passa sózinha, e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso”
Charles Chaplin
Charles Chaplin
quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Intervalo em STP
STP vai viver um período de 15 dias de intervalo em relação à crise político-governativa, em que o lazer e a aventura serão a tónica dominante - os ÉLEZECS, como o organizador gosta de lhes chamar (LZEC) estão a caminho e amanhã, bem cedinho lá aterrarão no aeroporto internacional de STP.
Ao amanhecer passarão pelo Príncipe e avistam o Ilhéu das Cabras de um lado e do outro a Baía de Ana Chaves.
Por lá, com certeza que os conflitos entre os chefes de Estado - ou os que já foram - serão temporariamente aleviados pelo colorido dos jipes, alguns novinhos em folha, as caras novas que chegam e que fazem sempre sensação, as actividades culturais, com ou sem ministros... com ou sem representantes do Estado..., mas com livros e latas de tinta para a recuperação da escola em Angolares, a entrega prometida à AMI e muito passeio pela ilha.
Antes recomendei, vezes sem conta, cuidados acrescidos... com a cobra preta, o mosquito, que por lá mata mais do que se pensa, e o famoso tubarão. Não fui levada a sério porque eles não me levam a sério e brincam quando eu faço esses comentários.
Hoje recomendei-lhes que observem muito as paisagens e a natureza, e de vez em quando em silêncio, porque é absolutamente inspiradora no estado de preservação e densidade em que ainda se encontra. Que vejam os pássaros, tentem ver macacos e lagaia, porque dizem que dá sorte, e, se conseguirem, tartarugas e golfinhos.
E que conversem muito com as pessoas - nas ruas, nas roças, nas terras de passagem, nas aldeias de pescadores e nas praias. Por todo o lado, conversem. Os santomenses adoram conversar, perguntar o que não sabem e contar experiências na primeira pessoa.
E que comam calulu, de pato ou de galinha, com angu de banana, concon, arroz de coco e polvo, búzio, choco, andala, voador, pudim de coco, safu, cozido ou grelhado... para regressarem, ananás, cajamanga, manga, se já houver, banana-maçã, abacate e... e... e...
E que bebam muita água de coco, absolutamente revigorante e refrescante, algum licor de jaca, magnífico, e sumos de frutas, porque em relação às bebidas importadas... não vale a pena lembrar.
E se puderem, que vão à praia micondó, antes de angolares, e à piscina, antes da Jalé e muito bonita, e que aproveitem o jacuzzi natural.
E que façam caminhadas a pé pelos trilhos florestais - pelo menos uma.
E que não se esqueçam de um pézinho de dança, o roça-roça ou o kizomba...
E... e... e...
Que façam Boa Viagem!!!
Ao amanhecer passarão pelo Príncipe e avistam o Ilhéu das Cabras de um lado e do outro a Baía de Ana Chaves.
Por lá, com certeza que os conflitos entre os chefes de Estado - ou os que já foram - serão temporariamente aleviados pelo colorido dos jipes, alguns novinhos em folha, as caras novas que chegam e que fazem sempre sensação, as actividades culturais, com ou sem ministros... com ou sem representantes do Estado..., mas com livros e latas de tinta para a recuperação da escola em Angolares, a entrega prometida à AMI e muito passeio pela ilha.
Antes recomendei, vezes sem conta, cuidados acrescidos... com a cobra preta, o mosquito, que por lá mata mais do que se pensa, e o famoso tubarão. Não fui levada a sério porque eles não me levam a sério e brincam quando eu faço esses comentários.
Hoje recomendei-lhes que observem muito as paisagens e a natureza, e de vez em quando em silêncio, porque é absolutamente inspiradora no estado de preservação e densidade em que ainda se encontra. Que vejam os pássaros, tentem ver macacos e lagaia, porque dizem que dá sorte, e, se conseguirem, tartarugas e golfinhos.
E que conversem muito com as pessoas - nas ruas, nas roças, nas terras de passagem, nas aldeias de pescadores e nas praias. Por todo o lado, conversem. Os santomenses adoram conversar, perguntar o que não sabem e contar experiências na primeira pessoa.
E que comam calulu, de pato ou de galinha, com angu de banana, concon, arroz de coco e polvo, búzio, choco, andala, voador, pudim de coco, safu, cozido ou grelhado... para regressarem, ananás, cajamanga, manga, se já houver, banana-maçã, abacate e... e... e...
E que bebam muita água de coco, absolutamente revigorante e refrescante, algum licor de jaca, magnífico, e sumos de frutas, porque em relação às bebidas importadas... não vale a pena lembrar.
E se puderem, que vão à praia micondó, antes de angolares, e à piscina, antes da Jalé e muito bonita, e que aproveitem o jacuzzi natural.
E que façam caminhadas a pé pelos trilhos florestais - pelo menos uma.
E que não se esqueçam de um pézinho de dança, o roça-roça ou o kizomba...
E... e... e...
Que façam Boa Viagem!!!
Em terra de ninguém... cada um é rei
E STP vive mais uma crise política.
É assombroso, e quase chega a ser hilariante...
Desde que para lá fui a primeira vez e até hoje, em cinco anos, os governos da "terra de ninguém" não aguentam mais do que 6 meses no activo, com a mesma configuração.
As razões são sempre muitas e aparentemente válidas: ou porque o Presidente - quem quer que ele seja - não se entende com o Chefe do Governo - quem quer que seja; ou porque os indícios de corrupção, tão comuns e conhecidos, vêm a lume; ou porque as negociações do petróleo beneficiam mais fulano A do que cicrano, deixando de fora fulano B; ou porque o Ministro X assinou um acordo internacional sem dar conhecimento superior; ou porque foi negociada uma concessão de terras ou da faixa costeira sem aprovação da Assembleia e a opinião pública "revolta-se"; ou porque houve um Golpe de Estado, na ausência do Presidente, com os militares a convidarem os ministros a comparecerem até ao dia seguinte no quartel até ser negociada a paz... mas depois de o ser, volta tudo à normalidade; ou porque membros do Governo, incluindo a Primeira Ministra, são acusados de desvio de avultadas quantias oriundas da cooperação internacional; ou porque...
Há sempre uma boa razão para o país parar de novo, durante uns meses, até haver entendimento sob a forma de paz podre, limitando-se a elite reinante a circular entre pastas - são sempre os mesmos e a "massa crítica" residente é tão pequena que, é de fora que os ânimos se exaltam.
O mais hilariante é que, em período de crise como aquele que se vive nesta altura, entre os nomes de quem se fala para liderar o elenco governamental surge... precisamente... o da Primeira Ministra exonerada... e além deste, o de Carlos Tiny - que mantem péssimas relações com o Presidente Fradique e que foi por este afastado do Fórum Nacional, situação que gerou nova crise interna..., o de Rafael Branco, "ministro de profissão", que já fez com que o governo caísse, precisamente na altura do Golpe de Estado, há um ano e dois meses atrás, por causa do petróleo... e o do antigo Primeiro Ministro, Guilherme Posser da Costa, que se manteve na Assembleia Nacional, após uma saída que não deixou grandes saudades aos conterrâneos.
Em terra de ninguém, cada um é rei. E é uma grande verdade, afinal a "consciência crítica" residente no estrangeiro denomina-a de "República das Bananas" e parece ser verdade. Andam a brincar aos reis, aos cowboys, aos polícias e aos ladrões... e às escondidas. E nós a vê-los... e a estudá-los!!!
É assombroso, e quase chega a ser hilariante...
Desde que para lá fui a primeira vez e até hoje, em cinco anos, os governos da "terra de ninguém" não aguentam mais do que 6 meses no activo, com a mesma configuração.
As razões são sempre muitas e aparentemente válidas: ou porque o Presidente - quem quer que ele seja - não se entende com o Chefe do Governo - quem quer que seja; ou porque os indícios de corrupção, tão comuns e conhecidos, vêm a lume; ou porque as negociações do petróleo beneficiam mais fulano A do que cicrano, deixando de fora fulano B; ou porque o Ministro X assinou um acordo internacional sem dar conhecimento superior; ou porque foi negociada uma concessão de terras ou da faixa costeira sem aprovação da Assembleia e a opinião pública "revolta-se"; ou porque houve um Golpe de Estado, na ausência do Presidente, com os militares a convidarem os ministros a comparecerem até ao dia seguinte no quartel até ser negociada a paz... mas depois de o ser, volta tudo à normalidade; ou porque membros do Governo, incluindo a Primeira Ministra, são acusados de desvio de avultadas quantias oriundas da cooperação internacional; ou porque...
Há sempre uma boa razão para o país parar de novo, durante uns meses, até haver entendimento sob a forma de paz podre, limitando-se a elite reinante a circular entre pastas - são sempre os mesmos e a "massa crítica" residente é tão pequena que, é de fora que os ânimos se exaltam.
O mais hilariante é que, em período de crise como aquele que se vive nesta altura, entre os nomes de quem se fala para liderar o elenco governamental surge... precisamente... o da Primeira Ministra exonerada... e além deste, o de Carlos Tiny - que mantem péssimas relações com o Presidente Fradique e que foi por este afastado do Fórum Nacional, situação que gerou nova crise interna..., o de Rafael Branco, "ministro de profissão", que já fez com que o governo caísse, precisamente na altura do Golpe de Estado, há um ano e dois meses atrás, por causa do petróleo... e o do antigo Primeiro Ministro, Guilherme Posser da Costa, que se manteve na Assembleia Nacional, após uma saída que não deixou grandes saudades aos conterrâneos.
Em terra de ninguém, cada um é rei. E é uma grande verdade, afinal a "consciência crítica" residente no estrangeiro denomina-a de "República das Bananas" e parece ser verdade. Andam a brincar aos reis, aos cowboys, aos polícias e aos ladrões... e às escondidas. E nós a vê-los... e a estudá-los!!!
É um cenário hilariante e uma perspectiva absolutamente devastadora para os investigadores que se consideram sérios e pessoas de bem... Mas, cada um é para o que nasce...
quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Decisão
Esta vai a bold e em maiúsculas para nunca mais me esquecer:
A PARTIR DE HOJE ESCREVEREI APENAS SOBRE O PRESENTE E O FUTURO.
QUERO ESQUECER O PASSADO:
ESTÁ A CARREGAR O MEU PRESENTE DE UM SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO.
SE TIVESSE UM COPO NA MÃO BRINDARIA:
AO FUTURO POSITIVO, DOS BONS MOMENTOS E DA ALEGRIA.
Tristeza
Sim estou triste, poderia ter-te respondido quando me disseste que estava amarga e azeda em relação ao que por lá tinha vivido.
Mas os meus sentimentos não são de azedume ou de amargura e não têm que ver com a terra. Não! Têm que ver com a forma como as coisas acabaram por acontecer, como eu fui tropeçando perante uma assistência atenta, que não deixava nenhum deslise passar em branco, por estar ávida de escandalozinhos. E tu foste mais do que um deslise na minha vida.
Estou cansada de ser usada e falada, aproveitada e comentada.
Sim... já percebi que os contos de fadas só foram inventados para dar às crianças a ideia que a realidade não parece ser tão má quanto é. Já sei que os argumentos dos filmes, em que quase tudo acaba bem, só são mesmo possíveis nos filmes e que, se pegassem na minha vida para a passar numa tela, não teria o menor interesse porque sucessivamente as minhas histórias têm um final oposto ao feliz, ficando sempre com resquícios nos diferentes níveis da memória.
Não quero um príncipe, nem um cavalo branco, nem um resgate para uma vida só idealizada em sonhos. Mas quero ser feliz, ao lado de quem eu ame e que corresponda aos meus sentimentos.
Será que dá para tu entederes isso...?! Percebes agora? Não se trata de amargura ou de azedume.
Só que... não, claro que não percebes porque nunca te disse isso, porque não lês o que escrevo e nem sei se algum dia lerás, porque tenho dúvidas quando penso se quero que leias.
Um sentimento que morre
Hoje tive a certeza. Uma parte de mim morreu com ele. Não que ele tenha morrido de facto, está vivo e de boa saúde, ao que me foi dado perceber. Mas morreu o sentimento que algum dia teve por mim, está longe, distante, ausente.
Por mais que eu quisesse que fosse de outra forma, tenho a plena noção que, nas coisas do amor, não vale a pena forçar um sentimento que não se tem. Não faz sentido porque não seria mais do que adiar uma decisão. E eu procuro, cada vez mais, ser uma pessoa consciente na busca da felicidade...
terça-feira, 14 de setembro de 2004
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Viva o Trabalho!!!!!!!
E sinto-me de novo bem. Revitalizada. Organizada, com as ideias claras e definidas.
Afinal parece que é verdade... o trabalho cura todos os males.
Afinal parece que é verdade... o trabalho cura todos os males.
domingo, 12 de setembro de 2004
As diferenças
Palavras para quê??? O John Gray explica tudo...
"Era uma vez um marciano e uma venusiana que se encontraram, se apaixonaram e se casaram.
No início, tudo eram flores, mas após algum tempo, foram acometidos de forte amnésia e esqueceram que vinham de planetas diferentes.
Desde então, nunca mais se entenderam.
Marcianos dão muita importância ao trabalho, aos desafios, às conquistas. Venusianas gostam de conversar para criar relações e compartilhar sentimentos.
Marcianos são os homens, venusianas as mulheres, e essas diferenças são apenas algumas na verdadeira teia de divergências que fazem com que os dois sexos não se entendam."
"Era uma vez um marciano e uma venusiana que se encontraram, se apaixonaram e se casaram.
No início, tudo eram flores, mas após algum tempo, foram acometidos de forte amnésia e esqueceram que vinham de planetas diferentes.
Desde então, nunca mais se entenderam.
Marcianos dão muita importância ao trabalho, aos desafios, às conquistas. Venusianas gostam de conversar para criar relações e compartilhar sentimentos.
Marcianos são os homens, venusianas as mulheres, e essas diferenças são apenas algumas na verdadeira teia de divergências que fazem com que os dois sexos não se entendam."
Necessidades amorosas primordiais de homens e mulheres
Mulheres
1. Carinho; 2. Compreensão; 3. Respeito; 4. Devoção; 5. Validação; 6. Reafirmação
Homens
1. Confiança; 2. Aceitação; 3. Apreço; 4. Admiração; 5. Aprovação; 6. Encorajamento
Mulheres
1. Carinho; 2. Compreensão; 3. Respeito; 4. Devoção; 5. Validação; 6. Reafirmação
Homens
1. Confiança; 2. Aceitação; 3. Apreço; 4. Admiração; 5. Aprovação; 6. Encorajamento
Homens são de Marte, Mulheres são de Vénus
Na altura em que Bad Guy se fazia amigo e confidente de Shine nos negócios amorosos mal resolvidos - ou seja, há algum tempo... - ofereceu-lhe um livro, como prenda de Natal, dizendo-lhe:
- Leia com atenção. Vai ver como os seus problemas de comunicação com o seu Amor se solucionam rapidamente.
Curiosa como era abriu o embrulho rapidamente, à espera de encontrar uma receita milagrosa. O título era sugestivo: "Homens são de Marte, Mulheres são de Vénus". Quando o jantar com Bad Guy, Smile e uma amiga de todos terminou, Shine e Smile continuaram pela movida lisboeta e concluiram aquilo que poderia ter sido uma noite natalícia muito agradável, numa terrível discussão. Estava comprovado, Bad Guy poderia ter razão - era melhor ler o livro.
E assim fez, leu. Mas as respostas que encontrou não foram assim tão prodigiosas. Falava-se basicamente de diferenças entre sexos, com as quais é muito difícil lidar. Na verdade, não foi a ler aquele livro que Shine aprendeu a gerir as diferenças entre os sexos porque essas estavam longe de ser apenas fisionómicas.
sábado, 11 de setembro de 2004
Nunca são as coisas simples
Nuno Júdice dixit: www.astormentas.com/judice.htm
"Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios."
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis
Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há ...
-
Depois de ter regressado a Lisboa, após a minha última incursão a São Tomé, não há dia em que não me lembre das maravilhas do arquipélago, d...
-
Andando de um lado para o outro na net, fui dar com o Verbumimagus , blog fantástico que divulga contos tradicionais de Cabo Verde. A reter ...
-
Este post é dedicado à Helena , uma variação do Calulu de Peixe. Proponho a versão de carne que na minha opinião é incomparavelmente melhor....