Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis

Presenciando cenas pela manhã bem cedo recordo uma pessoa que conheci em São Tomé e Príncipe há uma eternidade e de quem perdi o rasto há longo tempo por vontade própria e impulsionada pelo destino. O conhecimento adveio de um trabalho no qual eu estava envolvida, missões de cooperação, sendo o indivíduo o coordenador das acções. Com o tempo percebi que não era uma pessoa que se coadunasse com o meu feitio ou forma de estar na vida, nem sequer recebeu a minha admiração por se ter revelado de extrema "complexidade", não apenas comigo mas com outras pessoas do meu entorno. Mas tenho de reconhecer que me ensinou algumas coisas interessantes que agora recordo.
Sempre que surgiam "crises sociais" em resultado de "desencontros" ou "desacertos" durante as minhas estadias, mesmo que eu não estivesse directamente envolvida, mas porque procurava compreender - na verdade, nestas missões nem tudo corria sobre rodas - esse indivíduo relembrava-me que normalmente não viajamos com um "Manual de sobrevivência em meios socialmente hostis" porque, em boa verdade ainda não foi escrito. E seguia enumerando algumas "regras básicas":
Regra nº 1: não se sinta superior a ninguém, sobretudo quando não conhece aprofundadamente os outros...
Regra nº 2: oiça mais do que fale, é sempre melhor deixar os outros escorregar do que tropeçar nas próprias palavras...
Regra nº 3: observe as inseguranças alheias antes de revelar as suas...
Regra nº 4: sorria sempre e muito, é melhor considerarem-na tola do que antipática e arrogante, já que proporciona menor motivo de aprofundamento semântico ao serão... (Há que dizer que naquela época em São Tomé e Príncipe não havia muito para fazer nos serões sociais além de comentar a vida alheia...)
E assim era a conversa, rica e profunda... mas lá que fazia sentido... oh se fazia...

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