quinta-feira, 2 de julho de 2015

Visita apressada

É em dias de calor como o de ontem, o de hoje e, muito provavelmente, o de amanhã que o meu pensamento é invadido por lembranças e o meu inconsciente viaja. Momentos recordados da terra e das gentes, dos sorrisos e das interjeições gritadas em som estridente num misto de espanto e diversão, das praias, das paisagens, dos trilhos e das caminhadas, da crueza de algumas coisas e da intensidade das emoções de muitas outras.
O calor abafado pela  humidade não me deixa respirar, estimula os sentidos e rouba a força às pernas dando-me a sensação que o chão desliza para níveis inferiores e os meus pés escorregam como se tentasse caminhar sobre as águas rápidas de um ribeiro.
É particularmente em dias como o de hoje que a minha África regressa e me visita, envolta numa neblina difusa. A visualização dos momentos vividos fica turva pela rapidez dos flashes que iluminam a minha memória mas, à medida que as imagens sucedem e se conjugam, o regresso torna-se mais nítido e aí está ela, que chega até mim num ápice como se me fizesse uma visita apressada.

Lisboa, 27 de Maio de 2015

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...