domingo, 20 de abril de 2014

Ilhas que inebriam

São Tomé e o Príncipe são ilhas perigosas por terem mistério. São terras encantadas que cegam e inebriam, desenhadas pelo contraste das cores, adocicadas pela intensidade dos cheiros e moldadas pelos afectos, pelas emoções e sensações que as vivências nos permitem experienciar, recriar e reinventar. Tudo se vive intensamente por aqui e, apesar do leve-leve que paira no ar e que todos parecem respirar e transpirar, o que vai dentro de cada um só o próprio pode dizer. Toda a situação vivida se transforma rápida e abruptamente num turbilhão acelerado e descompassado desembocando em caminhos tão diversos que podem traduzir estradas direitas, trilhos em espiral ou picadas repletas de obstáculos. É a vida de quem visita as ilhas... Chegando aqui, os mais contidos transformam-se, os introvertidos e tímidos extravasam emoções e os mais extrovertidos ganham mais e mais vida. Todos - ou quase todos - passam a viver com outro ritmo mais enquadrado, mais sentido, mais simples. Mais dia menos dia, o leve-leve acaba por se  instalar e invade-nos mobilizando-nos e dando lugar à descontração e à alegria. Tudo o que não é essencial passa a ser automaticamente relativizado e desvalorizado. O essencial ganha terreno e o centro do nosso olhar são as pessoas, os espaços, a natureza. Invariavelmente sentimos-nos mais introspectivos e contemplativos. Os dias assumem o ritmo dos encontros e os horários são orientados pelo tempo de vida que ganhámos a conversar, a rir, a conviver, a experienciar, a ser...

São Tomé, 2 de Abril de 2014

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...