domingo, 20 de abril de 2014

Conversas cruzadas... ligadas???

Caminhar na rua e ouvir conversas alheias é uma actividade que distrai. Bem sei que pouco, ou mesmo nada, tenho a ver com a vida dos outros mas, em boa verdade, se os visados quisessem manter segredo não falavam de forma a que as outras pessoas, como é o meu caso, ouvissem. Enquanto caminhava apressada pela rua por estar atrasada para uma reunião acabei por pensar no quanto é estranho o mundo social dos afectos. Por mais que se confie em alguém para um desabafo há sempre forma de outros saberem os meandros da vida. Todos acabam por comentar os desassossegos de uns e de outros com um tom crítico como se estivessem imunes a situações semelhantes. Nunca se está verdadeiramente resguardado - pensei - a não ser que nos fechemos numa concha e não partilhemos com ninguém o que sentimos em determinado momento. Mas o mais engraçado é que, por vezes, é possível ligar conversas e cruzá-las. No meu caminho encontrei um primeiro grupo sentado numa esplanada que conversava sobre a vida de um qualquer rapaz ausente da mesa:
- Ele era mesmo muito inseguro na relação, desconfiava de tudo e muitas vezes sem motivo - dizia um dos três com ar entendido.
Continuei a descer a rua e chegando ao Marquês de Pombal passei por uma paragem de autocarro onde estavam duas raparigas também em íntima conversa:
- Não estás bem a ver as cenas que ele me fazia. Ciumento até mais não. Despachei-o.
Dei comigo a pensar: mas será coincidência temática ou o grupo sentado na esplanada e estas duas raparigas da paragem de autocarro falam da mesma pessoa? Jamais conseguirei descortinar o fundo das duas histórias e muito menos se têm ligação mas depois de ter escutado não pude deixar de as relacionar. As inseguranças fazem parte da vida afectiva e só não as sentem quem não se sente verdadeiramente ligado.


A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...