domingo, 30 de outubro de 2011

"A pessoa mentiu" ou apenas seremos pacóvios?


Pensar no que nos tem estado a acontecer neste Portugalzinho, que em tempos idos foi uma grande Nação, faz-me lembrar um episódio real. Há uns anos, num país africano que não vale a pena aqui e agora identificar, o então Presidente da República referia-se à Primeira-Ministra da época de forma desagradada com a seguinte frase: "a pessoa mentiu". Nunca chegou a referir o nome dela, apenas a mencionando como "a pessoa", fazendo pensar a quem ouvia que nem disso era merecedora. Na altura foi tema de conversa sem fim, explorado até à exaustão, porque a comunicação social publicitou a frase repetindo-a vezes sem conta e de forma legitimada, já que também ele reforçara a ideia por diversas vezes e sempre que era interpelado para comentar um determinado tema. A frase ficou-me na memória e sempre que me vou lembrando da expressão facial do dito senhor, em parte revoltada, em parte incrédula, dou comigo a sorrir. Hoje, ao ver as notícias, e tendo a campanha eleitoral ainda tão presente, dá-me vontade de repetir sem parar, para não me esquecer nunca mais: "a pessoa mentiu"!!!!. É que o que é pior de tudo aquilo que nos está a acontecer é que, efectivamente, "a pessoa mentiu"!!!! Pior, muito pior: quanto mais vamos andando para trás no tempo mais somos obrigados a despersonalizar as figuras e, apesar de tudo, a frase permanece: "a pessoa mentiu"!!!! Porque na verdade a pessoa não é uma mas muitas mais e não foi só uma que mentiu mas uma infinidade delas. E depois? Depois temos de reconhecer que não somos um povo de brandos costumes nem vivemos conformados com a nossa própria (des)sorte. Somos é uns pacóvios do pior!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...