quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal e esperança para 2012

O Natal é época de encontros e reencontros. É a altura ideal para parar um pouco e fazer um balanço sobre o que fomos durante o ano que finda, o que somos e o que queremos ser. É momento de ponderar e reflectir. É uma época de alegria e de esperança porque, para lá de tudo o mais, temos a oportunidade de nos tornarmos pessoas melhores, partilhando.

 

Feliz Natal e votos de um novo ano repleto de boas surpresas e de grandes realizações.

Brígida Rocha Brito

 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Rádio Jovem Bissau

Rádio Jovem
Guiné-Bissau
Bissau
Tel: 00245 553 77 98/664 44 23

A Rádio Jovem é um canal de características locais, alternativo, assumindo a responsabilidade e a missão pela prestação do serviço público a Juventude Guineense. Como objectivos centrais tem, no plano interno, fazer chegar a todo o país a informação e a realidade nacional em todos os domínios, participando na mudança da mentalidade juvenil.
No Plano externo, temos a ambição de levar o mais relevante do nosso quotidiano à diáspora guineense radicada nas 4 partes do Mundo e, com a ajuda imprescindível de todos, trazer a actualidade dessas nossas comunidades aos aqui residentes.
O Bairro de Cuntum foi escolhido para receber o centro emissor, instalando-se os primeiros estúdios na casa de Joaquim, arredores da cidade de Bissau após algumas obras de adaptação.
No dia 14 de Agosto de 2005 foi ao ar a primeira emissão da Rádio Jovem, com a duração excepcional de 6 horas.
Durante o período das emissões experimentais, que durou quase quatro meses, a RJ emitia cerca de doze horas diárias divididas em dois períodos, das Oito ao meio dia e das 16 as 22 horas, com intervalos obviamente.
Em 2006 a RJ assegurou um total de 16 horas por dia. Para além da música, maioritariamente Guineense e, mais ou menos largas, a outras músicas, portuguesa, brasileira, Antilhas, latino-americana, senegalesa, da Guiné Conakry e sobre tudo dos cinco países africanos da expressão portuguesa, a emissão da RJ tem uma forte vertente informativa e espaços orientados no sentido do debate, da interactividade, da cultura e do desporto.
A Rádio Jovem mantém ao longo da sua emissão vários espaços com informação Nacional, com destaque para o “Jornal das 21h00, o grande bloco informativo.
De segunda a sexta-feira, pelas 12h00 horas, a RJ emite, o “Jornal da Tarde”, espaço informativo Juvenil que inclui reportagens, além de ser o primeiro noticiário do dia, funciona como uma antevisão do que vai ser actualidade.
Destaque ainda para a informação não-diària, constituída por vários programas ao longo da semana, de interesse variado, como debates, documentários informativos e culturais, informação desportiva, etc.
- Para colmatar alguma dessas dificuldades, a Administração da Rádio Jovem da Guiné-Bissau vem por este meio dirigir esta carta ao Departamento de Administração da TMN.
- Tem como objectivo pedir uma criação de parcerias, no sentido de solicitar à Fundação, equipamentos necessários à Rádio para o melhor desempenho das suas funcionalidades, equipamentos como:

· Gerador
· Computadores
· Impressora
· Fotocopiadora
· Scanner
· Mesa de mistura
· Microfones
· Auscultadores
· Secretarias/Cadeiras
· Gravadores para reportagens
· Emissora
- A Rádio Jovem precisa dos equipamentos mencionados para puder trabalhar cada vez melhor contribuindo assim para o desenvolvimento do país, sendo que no caso do gerador, este ser de particular importância devido à constante falta de energia eléctrica que se verifica em Bissau e ter esse equipamento à disposição é fulcral.

Com os melhores cumprimentos

Braima Darame
O Director

terça-feira, 1 de novembro de 2011

domingo, 30 de outubro de 2011

"A pessoa mentiu" ou apenas seremos pacóvios?


Pensar no que nos tem estado a acontecer neste Portugalzinho, que em tempos idos foi uma grande Nação, faz-me lembrar um episódio real. Há uns anos, num país africano que não vale a pena aqui e agora identificar, o então Presidente da República referia-se à Primeira-Ministra da época de forma desagradada com a seguinte frase: "a pessoa mentiu". Nunca chegou a referir o nome dela, apenas a mencionando como "a pessoa", fazendo pensar a quem ouvia que nem disso era merecedora. Na altura foi tema de conversa sem fim, explorado até à exaustão, porque a comunicação social publicitou a frase repetindo-a vezes sem conta e de forma legitimada, já que também ele reforçara a ideia por diversas vezes e sempre que era interpelado para comentar um determinado tema. A frase ficou-me na memória e sempre que me vou lembrando da expressão facial do dito senhor, em parte revoltada, em parte incrédula, dou comigo a sorrir. Hoje, ao ver as notícias, e tendo a campanha eleitoral ainda tão presente, dá-me vontade de repetir sem parar, para não me esquecer nunca mais: "a pessoa mentiu"!!!!. É que o que é pior de tudo aquilo que nos está a acontecer é que, efectivamente, "a pessoa mentiu"!!!! Pior, muito pior: quanto mais vamos andando para trás no tempo mais somos obrigados a despersonalizar as figuras e, apesar de tudo, a frase permanece: "a pessoa mentiu"!!!! Porque na verdade a pessoa não é uma mas muitas mais e não foi só uma que mentiu mas uma infinidade delas. E depois? Depois temos de reconhecer que não somos um povo de brandos costumes nem vivemos conformados com a nossa própria (des)sorte. Somos é uns pacóvios do pior!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Inscrições para o Congresso Internacional "As tendências Internacionais e a posição de Portugal"



Aproximam-se as datas do I Congresso Internacional do OBSERVARE. Toda a informação está disponível em http://observare.ual.pt/conference. Aí se pode ver:
 O programa pormenorizado (com relevo para as oito conferências em plenário, das quais uma só agora anunciada – a de Giuseppe Ammendola da New York University);
       O conjunto das parcerias académicas e dos patrocinadores;
As secções em pormenor (um total de 86 comunicações científicas);
A lista dos congressistas inscritos (com participantes vindos da Alemanha, da Argentina, do Brasil, de Espanha, dos Estados Unidos, da Finlândia e da Noruega).
Recordamos que as inscrições ainda estão em aberto até ao limite da capacidade das salas disponíveis. Basta preencher o formulário on line ou inscrever-se directamente na recepção do congresso.

The date of the 1st OBSERVARE International Conference is fast approaching. All information available at http://observare.ual.pt/conference, where you will be able to find out more about the following:
The detailed programme (with emphasis on the eight plenary conferences, one of which has now been announced – by Giuseppe Ammendola from New York University);
The number of academic partners and sponsors;
The sections in detail (a total of 86 scientific papers);
The list of registered delegates (with participants from Germany, Argentina, Brazil, Spain, USA, Finland and Norway).
We take the opportunity to remind you that registration is still open up to the capacity of the rooms. Simply fill out the online form or register directly at the reception of the Conference.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Faleceu a Prof. Luísa Cristovam

Faleceu esta noite a Prof. Maria Luísa Cristovam, pessoa de grande integridade, correcção e simpatia, que foi minha professora na licenciatura de Sociologia, tendo desempenhado também a função de Directora do curso. Será para sempre uma referência porque foi fundamental no meu percurso de aprendizagem da Sociologia. Depois passei a ser colega dela e continuou a ser uma referência porque, além de muito mais, nunca demarcou o facto de ter sido minha professora passando-me a tratar como igual, com um enorme respeito e valorizando-me em todos os momentos. Encontrei-a muitas e muitas vezes em momentos da vida quotidiana com a mesma simpatia de sempre.

Será recordada sempre!

O funeral realiza-se amanhã, estando desde hoje no final da tarde na Capela Agnus Dei, Rua de Cascais 208ª, em frente ao Cemitério de Alcabideche. A missa de corpo presente é amanhã, dia 16 de Agosto, pelas 14h30.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sobre “O Cruzeiro do Sul” de Olinda Beja

“O Cruzeiro do Sul” é o último livro de poesia da autoria de Olinda Beja, uma obra que tive o privilégio de ler antecipadamente por ter sido convidada a fazer a apresentação pública do livro em Lisboa, por ocasião do Encontro de Escritores Lusófonos. E depois do evento dei comigo vezes sem conta a relê-lo, deixando-me levar pelas palavras, conjugadas de forma ímpar, viajando até paragens tropicais e redescobrindo São Tomé e Príncipe, arquipélago que me é tão próximo e tão querido.

Este livro de Olinda Beja, tal como tem ocorrido com os anteriores, revela a emoção e o sentimento da autora que vive a poesia em cada verso, em cada palavra e em todas as ideias explicitamente apresentadas ou na forma subtil que apenas ela consegue.

O livro está organizado de forma muito coerente em três partes: “Travessia”; “Recados”; e “Exaltação do Amor”. Ao avançarmos na leitura, parte a parte, percebemos que existe um fio condutor que nos transporta, fazendo-nos viajar até ao Equador, orientados pelo Cruzeiro do Sul, essa mínima e magnífica constelação, tendo São Tomé e Príncipe como paisagem e enquadramento. Arquipélago marcado por uma carga simbólica, espaço de descoberta que também é de vivências e de lembranças que nos acompanham para sempre e que vamos reavivando e reconstruindo através das palavras felizes partilhadas pela autora.

“Travessias” ajudam-nos a despertar os sentidos: as referências a paisagens ambientais e práticas culturais, incluindo as mais ancestrais, rituais e danças, gastronomia e recursos naturais. O cacau e o café sempre presentes. Em “Recados” encontramos, de forma muito particular, a “sãotomensidade” referida desde o início de forma sábia e sentida. E, na “Exaltação do Amor” revemos o expoente máximo da enaltecimento dos sentidos e das emoções mais puras e completas na complementaridade entre a lua e a noite.

Este livro de poesia poderia bem ser um ícone turístico para São Tomé e Príncipe. Os elementos da Natureza destacam-se: o Ossobô; as frutas tropicais; as rosas de madeira e as de porcelana; os hibiscus e as acácias. Até a cobra preta...

O título “Cruzeiro do Sul”, escolhido sabiamente pela carga simbólica que encerra, faz-nos pensar, pelo menos, em duas ideias:

1) a profundidade, a imensidão e o mistério do céu, a beleza das constelações singularmente formadas e que tanto gostamos de contemplar e apreciar em noites límpidas;

2) o sentido da orientação que associamos a algumas estrelas e constelações que, pelo brilho e forma adquirem características próprias. Esta é a menor de todas as constelações do hemisfério sul mas, apesar disso, absolutamente notável. Historicamente, o Cruzeiro do Sul revestiu grande importância para os navegadores servindo de referência durante as viagens, sendo identificado como o ponto de orientação indicador do caminho para o sul.

Para o leitor, este livro representa uma viagem deslumbrante tanto a um destino único no Mundo onde os sentidos ficam despertos, como à interioridade de cada um, estimulando as emoções. O “Cruzeiro do Sul” acompanha-nos neste duplo sentido da viagem orientando o nosso caminho.

Pelo facto de ser um livro que desperta, deixando-nos alerta, recomendo a todos uma leitura cuidada e atenta das palavras sentidas da Olinda Beja. Boas viagens...!

domingo, 17 de abril de 2011

Uma questão de cidadania, ou de falta dela...

Passear na rua um cão à trela é uma tarefa que, nos dias que correm, se tem tornado num suplício. O meu cão é grande, pesa mais de 35 Kg, está bem alimentado, tem força e um infinito instinto de defesa, apesar de ser fácil de cativar, bastando duas palavras e uma festa para que ele se contorça de felicidade, demonstrando afeição. No reino dos humanos, faz amigos com facilidade, sendo mais duvidoso o relacionamento na classe dos canídeos. Gosta de qualquer cadela, desde que seja grande, não necessariamente do mesmo tamanho que ele tem mas de grande porte, e de cães que gostem de brincar sem exteriorizar animosidade, ou seja sem mostrar os dentes, eriçar o pelo ou rosnar. Diria até que o meu cão tem um certo génio, mas é, no geral, simpático e bom rapaz gostando muito de conviver. Não gosta de cães pequenos, independentemente do género e da raça, nem gere de forma tranquila os latidos estridentes característicos das raças de menor porte, sobretudo se estiverem soltos e lhe fizerem alguma investida em direcção à patas. Há quem não goste de festas no nariz, de beijos no cucuruto da cabeça ou de beliscadelas nos braços. O meu cão não gosta de investidas nas próprias patas e está no direito dele.

Moro num sítio quase ideal. Quase porque, além de um bom par de vizinhos intratáveis que arrastam as cadeiras em chão de pedra, a qualquer hora do dia ou da noite, sem se preocuparem com outros seres que até vivem ao lado, fazendo do esquema forma de vida mas considerando que tudo é possível até mesmo acumular lixo na garagem como se de carro se tratasse, têm duas semi-cadelas, tipo amostra mini de cão que, apesar de tudo, não investem no meu quando o vêem, o que traduz alguma consciência do risco. Mas são insuportáveis pelo som da voz atrás da porta quando nos sentem. Apesar da extrema parecença da voz entre a dona e as cadelas, que é fácil de controlar com um pequeno tambor que emite sons electrónicos e que herdei do meu sobrinho visto que ele já tem outros interesses. Parece um prédio de loucos, é verdade. Mas o suplício ultrapassa estes episódios que até parecem hilariantes. Por cá, qualquer um que se preze julga ter o direito, seja com semi-cães, seja com quase-leões, de andar com as simpatias soltas, o que permite um relacionamento algo tempestuoso com os que andam à trela. É sempre uma animação e não há dia em que, mesmo não procurando, não haja alguma situação menos amistosa, não só entre cães mas sobretudo entre donos.

Ontem foi um dia fantástico pelo qual há muito aguardava. Um casal que aqui não reside tem por hábito vir à praceta passear dois cães soltos, grosso modo com o tamanho do meu. Ontem ela veio sozinha com um dos cães, preto, daqueles que são uma doçura que arreganha a beiça e mostra os dentes ao mesmo tempo que rosna com o rabo enrolado para cima. Daquelas imagens que qualquer pessoa deseja ter antes de dormir. Lá lhe disse, do outro lado do passeio que era melhor prender o cão, apesar de, enquanto eu via os dentes arreganhados na minha direcção a menos de um metro de distância, ela me dizia com ar bem alternativo que “o meu cão não faz mal, o meu é muito zen”. O cão é zen...?! E ela é tresloucada e não tem noção do perigo. Só pode! O melhor foi que na véspera, 6ª feira, enquanto eu estive em Évora, por cá ela deu show e eu fiquei com pena de não ter assistido. Pois ela não mora aqui, mas como teima em passear o cão, que é seguramente uma simpatia apesar da maioria não perceber quanto, cruzou-se com o carteiro que fazia a entrega diária e atirou-se literalmente a ele. Quando um bocado chateado e receoso da dentição do cão, o pobre homem a interpelou para que o prendesse, a louca respondeu-lhe: “não me acha fofinha? Eu sou tão doce, acha que um cão meu iria ser agressivo? Ele é como eu, doce...”. Portanto, neste caso, não percebendo qual o interesse que isso possa ter, depreendo que ela é fofa e doce e que o cão, apesar de mostrar os dentes raivosos e de rosnar, até é muito zen... E depois não me digam que não é preciso ter uma paciência infinita para tudo isto...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Sobre a difícil tarefa de avaliar...

Avaliar significa determinar o valor de, estimar, calcular. É, eventualmente, a parte mais difícil do meu trabalho, aquela em que tenho de ponderar as prestações de cada um, ter em consideração a forma de ser, de estar e de interagir no contexto de uma sala fechada onde, supostamente, estamos todos centrados e concentrados a reflectir e a debater sobre um tema. Mas não estamos sempre, infelizmente, e a primeira dificuldade reside precisamente neste ponto. O que está para lá da sala e do contexto, que faz parte de cada um e que, no geral, desconhecemos porque nos ultrapassa não é susceptível de ser objectivamente quantificável. Avaliar não é fácil, diria mesmo que é difícil por requerer muita reflexão em torno do momento. Sempre que avalio alguém, atribuindo-lhe uma quantificação, sinto-me em pleno processamento, é como se a forma verbal deixasse de ser o presente do indicativo para ser o gerúndio. É que, na verdade, estou durante algum tempo a reflectir e a amadurecer as ideias à volta dos processos, das formas, dos contextos e das pessoas que tenho à frente... Diria que estou avaliando...!!!!

domingo, 20 de março de 2011

Dia do Pai, com atraso...

Ontem passei por aqui de fugida. Apetecia-me falar contigo e, por isso, não te escrevi. Falámos longamente, de forma subentendida e tranquila, envolvidos pelo silêncio reconfortante de um final de tarde solarengo. Ontem foi um dos teus dias e foi bom rever-te através do pensamento, chamar-te para junto de mim, abraçar-te e dizer-te algo que tu bem sabes, espero: que gostava muito de ti, apesar de “seres tão feio”, que eras o “meu girassol”. Lembrei-me de como era reconfortante, em pequena, dizer “olha que vou chamar o meu pai”, como se fizesses parte de uma rede que me suportava e me dava segurança. Na verdade davas! Ainda continuas a dar e, por isso, tantas vezes me apetece voltar a dizer “olha que vou chamar o meu pai”. Lembro-me de ti todos os dias e, de quando em vez, chamo-te para junto de nós, para nos apaziguares e nos reconfortares porque, na verdade, fazes-nos uma falta inimaginável. Ontem foi Dia do Pai, e tu foste o melhor Pai de todos os Pais.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Notícias de Tombali, Guiné-Bissau


Recebo de Iemberem, região de Tombali, Guiné-Bissau, uma mensagem linda, magnífica, que me deixa nas nuvens e cheia de saudades de gente boa. Abubacar Serra (o meu colega, guia, tradutor e paciente professor de comer laranjas porque "se chimpanzé consegue tu também consegues"), a mulher (excelente anfitriã e cozinheira de mão cheia com petiscos renovados todos os dias) e João Brito e Faro, um homem que entende a vida como uma aventura. Por trás, o PROJECTO U'ANAN, Ecoturismo e Cidadania (IMVF e AD) que eu ajudei a "moldar" com um estudo sobre potencialidades e constrangimentos para a implementação do ecoturismo na região. Sinto-me madrinha deste projecto e uma vontade infinita de o visitar depois de concluído...
Porque por ali as comunicações não são fáceis, o Abubacar envia-me uma mensagem escrita numa grande folha, registada por uma máquina fotográfica e enviada pelo JBrito e Faro. A mensagem diz:
"Brigida, o seu estudo para implementação do turismo em Cantanhez já deu grande fruto. Hoje estamos recebendo todas as nacionalidades do mundo. Muita saudade, um abraço Abubacar Serra"

É, ou não é motivo para estar orgulhosa e cheia de felicidade?
Muitas saudades e grandes sucessos para todos os que ajudaram a definir novos caminhos :-)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS DA GUINÉ-BISSAU, por Adão Nhaga

NOTÍCIAS DA GUINÉ-BISSAU é o nome de um novo blog criado pelo guineense, e meu amigo, ADÃO NHAGA, no qual são analisados temas como a excisão feminina, o casamento precoce e alguns hábitos culturais ligado à Guiné-Bisssau, país magnífico.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

7 Djorson - Turismo responsável em Quinhamel (ARTISSAL e IMVF)



O Projecto "Ontunlan N'do Botôr" e o Complexo Turístico 7 Djorson serão divulgados no stand da Guiné-Bissau, durante a BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa, a decorrer entre os dias 23 e 27 de Fevereiro.

Projecto de TURISMO RESPONSÁVEL NA GUINÉ-BISSAU, Quinhamel, uma iniciativa da ARTISSAL e INSTITUTO MARQUÊS DE VALLE FLÔR

Que bom que é rever estas imagens, por mim registadas, e reviver os momentos aqui passados. Histórias sem fim com boas recordações :-)

Local a visitar por todos os que gostam de ambientes preservados, dotados de cultu
ras tradicionais e com comunidades cheias de Histórias interessantes.

c'est la vie...

“Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes não consigo arrumar tudo isso. (...) Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo...”

Herberto Hélder, Os Passos em volta. Ed. Assírio e Alvim, Lisboa, 1997: 9 cit por Eduardo Jorge Esperança

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Vergonha Nacional de um País que se diz a viver em Democracia

Hoje passou-se o impensável num País que se diz Democrático, modelo que poderia servir de exemplo para outros e que passou por várias fases menos consensuais para chegar até aqui. Hoje eu, e tantos outros eleitores, cidadãos deste pequeno País à beira-mar plantado, quis votar mas como segui o conselho e sugestão de quem nos governa, fui bloqueada por um cartão de cidadão que supostamente deveria ser facilitador mas que se revelou inoperante. Pior, tal como eu, milhares de cidadãos aderiram ao “cartão de cidadão”, o tal que é supostamente facilitador, e não foram avisados de que o número de eleitor mudava apenas por este simples facto: a adesão ao cartão. Pior ainda, foi criado um sistema junto às mesas de voto, também supostamente facilitador, de “Apoio ao Cidadão”, que indicaria as alterações do número de eleitor e, de forma associada, as mudanças de mesas e de locais de voto. Percebi naquele momento que deixei de ser “A” para passar a ser “B”. Não mudei de morada, não alterei nada na minha vida, mas mudei de cartão! Ou seja, fui obrigada a mudar de mesa e de escola. Votava na Parede, sempre aí votei desde que me lembro de ter começado a exercer o meu direito, e dever, de voto, um princípio de cidadania participativa que teoricamente me assiste. Mas a partir de hoje, e sabe-se lá até quando porque ninguém sabe garantir, passei a votar na Escola Primária do Murtal, também supostamente mais perto da minha residência, mas na prática mais distante... Lá fui, contrariada mas fui, ainda sem saber o que me aguardava: uma espera de 1h30 para saber qual era a mesa, visto que, por ter o tal “cartão facilitador”, vi a minha vida virada do avesso. Aguardei esse tempo porque queria mesmo votar, ao contrário de centenas de outros que não suportaram a espera num dia frio como o de hoje.

A razão para tal situação...?! Só uma: o sistema informático de apoio ao cidadão bloqueou a ninguém sabia resolver. Pior, o apoio prestado pela Comissão Nacional de Eleições às mesas de voto, por telefone, estava igualmente bloqueado, a rede telefónica não dava resposta e, ao que parece, o sistema não foi testado antecipadamente... O que se passou na minha freguesia foi geral em todo o País. Não é magnífico...?! Quer dizer, a nossa participação na vida pública é quase nenhuma. Já não nos auscultam através de referendo sobre temas importantes que mudam as nossas vidas, limitamo-nos a ser participativos em momentos pontuais que têm vindo a ser desvalorizados, a favor de uma abstenção crescente a um nível galopante. E, quando queremos votar, não podemos porque a mensagem que surge é a de “eleitor não identificado”. É anedótico ou não, num país que se diz tecnologicamente desenvolvido...?! Não é fantástico que queiramos votar e não possamos pelo simples facto de que os que criaram este modelo, alterando o anterior, mais básico mas muito mais eficaz, sejam os que boicotam a tentativa de democracia participativa, por si só já tão debilitada...?! Seria hilariante se não fosse assustadoramente pouco democrático!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Reflexão assustada a partir do caso Carlos Castro - Renato Seabra

O caso do Carlos Castro/Renato Seabra tem dado muito que falar, ler e pensar. Cada um faz a sua avaliação, seguramente superficial por só ter acesso a uma ínfima parte dos dados, e eu não sou mais nem menos do que todos os outros. Faço a minha, certa de que poderei estar a incorrer em erros sem fim e injustiças em catadupa. Tal como a maioria, sinto-me revoltada e angustiada com o que penso que poderá ter acontecido, a partir do que tenho lido e ouvido. Esta sensação é dupla, até. Por um lado, pelo sofrimento físico que muito provavelmente foi sentido e que é sempre resultado de violência extrema; por outro lado, porque aquela violência poderá, com alguma margem de certeza, ter sido motivada/estimulada por factores de extrema gravidade que, só por si, são também causadores de sofrimento psicológico e emocional. Para as coisas terem chegado a um cenário dantesco e atroz, as culpas foram com certeza de parte a parte, não havendo puros santos nem demónios.

As imagens que podemos criar e recriar a partir do que vamos lendo são terríficas e não há como dar volta a isso. Não se trata apenas de um homicídio mas sim do complemento da tortura. Tenho lido muito sobre o tema porque as razões que podem ter levado aquele jovem rapaz de 20 anos, cheio de sonhos e de projectos, com a cabeça envolta em ilusões, cometer uma atrocidade destas, repleta de pequenos pormenores, me fazem uma confusão sem fim.

Há que dizer que eu não gostava do Carlos Castro. Nunca gostei. Pior, a figura dele sempre me repugnou um pouco. Não pelas opções sexuais que tinha, porque isso era uma escolha pessoal com a qual não tenho que ver, nem opinar. Não sou defensora da homossexualidade mas, desde que cada um esteja no seu canto sem interferir com a vida alheia, no geral, não me incomoda. Conheço muitos homossexuais, alguns dos meus colegas são muito assumidos, outros menos e, desde que sejam organizados, tudo se passa de forma pacífica. Não gostava dele porque tinha uma imagem escorregadia, viscosa até. Se identificasse um animal com a sua figura, diria que era uma cobra. Os olhos pequenos e encovados, quase sem se verem e pouco expressivos, a forma sibilosa de falar e de estar, o andar ondulado. As cobras são, para mim, animais repugnantes e falsos. E também a atitude venenosa que vingou fazendo dele o rei do mexerico, do diz que disse, do boato muitas vezes infundado e pouco sério que denegria e deitava por terra uma vida construída. Lembro-me dele escrever como “Daniela” e sempre me fez confusão a escrita intriguista e pouco séria. E, ainda mais, a ideia de que aproveitava a fragilidade de algumas pessoas, que viam nele uma porta de entrada para chegar mais além, aliciando-as com um presente-futuro brilhante em troca de pequenos-grandes momentos de êxtase. Não gostava da imagem dele, nem do que ele representava, mas tenho pena da forma como passou para a outra dimensão. Não havia necessidade de tanto...

Também há que dizer que não conhecia o Renato Seabra, nem sequer segui o concurso da SIC, pelo que não me sinto influenciada por uma imagem, eventualmente positiva de bom rapaz, educado e tímido, que tivesse criado em torno dele. Do que posso perceber, não me parece que ele tenha agido bem, nem aproximando-se do Castro, esperando subir na vida e no mundo da moda, nem excedendo-se no comportamento final com actos selváticos. Pois não agiu. Aquilo não se faz a ninguém e também não há como contornar isso. Não teve o discernimento suficiente e necessário para lidar com um mundo ao qual, provavelmente, não pertencia, o da homossexualidade. Revelou imaturidade e incapacidade de virar as costas a uma situação que não lhe interessava, evitando assim males maiores. Mas, pensando que ele errou em muitas coisas, senão em todas mesmo, desde que conheceu o Castro, tenho uma pena infinita dele. Tenho pena porque tem apenas 20 anos e não estava preparado para enfrentar uma realidade de aliciamento e de sedução, na qual é fácil entrar mas tão difícil de gerir, e digerir... Porque estava certamente inebriado por uma vida que parecia excessivamente fácil mas que, na verdade, estava longe de ser real por implicar cobranças que, a nível sexual, são sempre difíceis e deixam marcas profundíssimas. Tenho pena porque, movido sabe-se lá porquê, seja uma emoção forte, um confronto com a desilusão e a vergonha, ou influenciado por químicos que tenha ingerido, com ou sem conhecimento, estragou a vida e nada mais, daqui para a frente, se aproximará daquilo que ele, um dia, sonhou. Pobre Renato!

Este caso não me tem saído da cabeça, essa é que é essa e faz-me pensar. Não me consigo desligar e dou comigo a viajar mentalmente até àquele cenário de horror, salpicado de malícia. Sem dúvida, que me assusta. Posso dizer, com alguma segurança, que não passarei por uma situação semelhante, com aqueles contornos, porque aquele não é o meu mundo e nunca o desejei. Mas de uma coisa tenho a certeza: a linha que separa a razoabilidade - em que se sabe de onde se vem e para onde se vai, por que caminhos e com que companhias - do estado de loucura - em que tudo passa a ser tão difuso que perdemos um pouco a consciência, podendo cometer actos impensáveis no estado de razoabilidade - é tão ténue que, o que amedronta, é não conseguirmos reconhecer e distinguir as situações, em determinados momentos, momentos-limite.

Todos nós já passámos por situações próximas do limite, ou do que pensamos ser. E, mal comparado, o caso do Renato recordou-me o que vivi em Moçambique, algures no ano de 1998. Foram momentos terríveis e algo inesperados, vivências indesejadas que deixaram marcas até hoje. Mas, apesar da complicação que envolvia quem comigo estava e na qual poderia ter sido enredada, eu consegui ter o discernimento e a razoabilidade para dizer: basta! E pensar que, em determinadas ocasiões, a vida se transforma sem pedirmos, sem nos darmos conta, de tal forma que, se não tivermos os pés bem assentes na terra, podemos passar a fasquia da razoabilidade e enlouquecermos, nem que seja por um minuto que marca a diferença. E que esse minuto pode acabar com a nossa vida... É assustador!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Malangatana em exposição em Almada

"A Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea" inaugurou 2 exposições, no dia 23 de Outubro: uma exposição inédita sobre o Arquitecto José Forjaz e outra dedicada à obra do artista plástico moçambicano Malangatana."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Mundo perdeu Malangatana















O Mundo ficou mais pobre.
O Mundo das Artes onde a Sensibilidade é rainha. O Mundo Lusófono ou do linguajar português, que nos aproxima e nos faz irmãos. O Mundo Africano das paisagens densas, dos cheiros fortes e da sensualidade dos olhares. O Mundo do Desenvolvimento tão esperado e desejado.
O Mundo perdeu um Homem bom, daqueles quase raros que com um olhar diz um milhão de palavras. Deixou obra, o que faz dele uma Grande Pessoa...!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...